Grupos de mulheres na menopausa: por que participar?

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Grupos de mulheres na menopausa reunidas em momento de amizade, convivência e apoio.

Você já percebeu como algumas conversas ficam mais fáceis quando acontecem com alguém que parece realmente entender o que você está vivendo? Os grupos de mulheres na menopausa podem criar justamente esse espaço de identificação, troca e pertencimento em uma fase marcada não apenas por mudanças hormonais, mas também por transformações na rotina, nos relacionamentos, no trabalho e na forma como cada mulher enxerga a própria vida.

E aqui, quando falamos em grupos, não estamos pensando apenas em encontros para conversar sobre menopausa. Pode ser aquele grupo de caminhada do bairro, as amigas do pilates, um clube de leitura, uma comunidade de empreendedoras, uma viagem entre mulheres, uma roda de conversa ou simplesmente um grupo que decidiu se encontrar uma vez por mês para jantar e colocar a conversa em dia.

O importante talvez não seja o que reúne essas mulheres, mas o que pode nascer quando elas encontram um espaço seguro para estar juntas.

Está passando por um climatério difícil e sente que precisa de uma escuta individualizada? Além das pessoas que fazem parte da sua vida, profissionais de saúde também podem integrar sua rede de cuidado. No Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa, você pode conhecer profissionais que atuam com mulheres 40+.

Por que os grupos de mulheres na menopausa importam?

O climatério não acontece em um vazio.

Enquanto o corpo passa pela transição hormonal, muitas mulheres estão lidando simultaneamente com filhos crescendo, pais envelhecendo, mudanças no casamento, separações, novos relacionamentos, carreira, aposentadoria, cobranças financeiras e questionamentos sobre identidade.

Nesse cenário, ter vínculos sociais significativos pode fazer diferença.

Estudos observacionais realizados com mulheres no período da menopausa encontraram associação entre maior percepção de apoio social e melhor qualidade de vida. Outras pesquisas também relacionam solidão e isolamento social a diferentes desfechos de saúde em mulheres após a menopausa.

Isso não significa que participar de um grupo vá tratar fogachos, ansiedade, insônia ou qualquer outra condição.

Significa algo mais simples: sentir-se conectada e apoiada faz parte da saúde integral.

E essa conexão pode acontecer de muitas formas.

Não precisa ser um grupo de mulheres para falar sobre menopausa

Talvez você esteja imaginando uma roda de mulheres sentadas falando sobre hormônios.

Pode ser. Mas não precisa ser.

Os grupos de mulheres na menopausa podem surgir em espaços totalmente diferentes:

  • grupos de caminhada, corrida ou ciclismo;
  • academias e aulas coletivas;
  • clubes de leitura;
  • grupos de artesanato, pintura ou fotografia;
  • cursos e oficinas;
  • grupos de viagem;
  • encontros de empreendedorismo feminino;
  • associações profissionais;
  • voluntariado;
  • corais e grupos de dança;
  • grupos religiosos ou espirituais;
  • rodas de conversa;
  • eventos de saúde e bem-estar feminino;
  • encontros entre amigas;
  • comunidades on-line;
  • grupos especificamente dedicados ao climatério.

Às vezes, o assunto menopausa sequer precisa ser o motivo do encontro.

Você pode estar ali simplesmente porque gosta de correr, ler, viajar, empreender, cozinhar ou aprender alguma coisa nova.

E isso também é rede de apoio.

Grupos de mulheres na menopausa: estar entre mulheres pode trazer identificação

Há experiências que são individuais, mas que deixam de parecer tão solitárias quando descobrimos que outras pessoas também passaram por elas.

Uma mulher conta que começou a dormir pior.
Outra diz que esqueceu o que ia falar no meio de uma reunião.
Uma terceira está começando uma nova carreira aos 52.
Outra acabou de se separar.
Alguém acabou de se apaixonar.
Outra decidiu viajar sozinha pela primeira vez.

Não significa que todas tenham a mesma história, muito menos que exista uma maneira “correta” de viver o climatério. Mas ouvir experiências diferentes pode ampliar perspectivas.

Às vezes, o que uma mulher encontra em um grupo não é uma solução. É algo igualmente importante:

“Então não sou a única que está vivendo uma mudança.”

Se a sensação predominante tem sido de afastamento ou desconexão, vale aprofundar o tema em Menopausa e solidão: humor, memória e apoio.

Grupos de mulheres na menopausa também podem significar diversão

Rede de apoio não precisa existir apenas para os momentos difíceis.

Essa é uma ideia importante.

Fazer parte de um grupo também pode significar:

  • rir até a barriga doer;
  • comemorar aniversários;
  • experimentar um restaurante novo;
  • viajar;
  • aprender algo juntas;
  • dançar;
  • praticar um esporte;
  • assistir a um filme;
  • ir a um show;
  • fazer uma trilha;
  • participar de eventos;
  • descobrir novos interesses;
  • simplesmente tomar um café sem ter nenhuma grande pauta para discutir.

Depois de anos colocando as necessidades de outras pessoas no centro da rotina, algumas mulheres chegam ao climatério percebendo que construíram pouco espaço para si mesmas.

Voltar a cultivar convivência e prazer também pode ser uma maneira de recuperar esse espaço.

Eventos de mulheres também podem abrir novas portas

Nem toda conexão precisa começar por uma amizade já estabelecida.

Eventos podem funcionar como uma porta de entrada para conhecer pessoas com interesses semelhantes.

Há encontros de empreendedorismo feminino, feiras de saúde e bem-estar, congressos, clubes de leitura, eventos esportivos para mulheres, retiros, grupos de viagem, oficinas culturais e rodas de conversa sobre diferentes temas.

Existem inclusive iniciativas internacionais especificamente dedicadas à conversa sobre menopausa.

Um exemplo é o PROTAGONIZA, movimento criado para promover encontros em que mulheres se reúnem para assistir a palestras, aprender sobre as mudanças que acontecem após os 40 anos, e conversar enquanto tomam café. A iniciativa mantém eventos presenciais em Curitiba e deixa claro que os encontros não têm como objetivo indicar tratamentos ou conduzir participantes a uma determinada decisão.

É uma ideia interessante porque mostra que falar sobre menopausa não precisa acontecer apenas dentro de um consultório.

Pode acontecer também em comunidade.

Grupos de mulheres na menopausa: o que a ciência diz sobre apoio social no climatério?

Ainda precisamos de mais estudos para compreender exatamente quais tipos de vínculos, intervenções sociais ou atividades em grupo trazem maior benefício durante o climatério.

Grande parte das pesquisas disponíveis é observacional. Portanto, elas mostram associações, e não necessariamente relações de causa e efeito. Ainda assim, os resultados apontam repetidamente para a importância do contexto social.

Um estudo com mulheres na pós-menopausa encontrou relação entre maior apoio social percebido e melhor qualidade de vida. Outra pesquisa observou que mulheres com menor apoio social relatavam maior intensidade de sintomas menopausais, embora o desenho do estudo não permita afirmar que a falta de apoio seja a causa desses sintomas.

Um estudo de 2026 com mulheres na perimenopausa também encontrou associação entre apoio social, comportamentos promotores de saúde e resiliência psicológica.

O recado mais prudente não é “tenha amigas e seus sintomas irão melhorar”.

É outro: saúde também acontece nas relações que construímos.

Grupos de mulheres na menopausa: amizades continuam importantes depois dos 40

Existe uma ideia equivocada de que novas amizades pertencem à juventude.

Como se depois de determinada idade nosso círculo social estivesse definitivamente formado.

Não está.

Pessoas mudam de cidade, deixam empregos, encerram relacionamentos, começam novos projetos, retomam estudos, descobrem hobbies e encontram pessoas que jamais conheceriam em outras fases da vida.

Algumas amizades acompanham décadas.
Outras surgem aos 45, 52, 63 ou 70 anos.
E não há hierarquia nisso.

Um vínculo novo não precisa substituir os antigos.

Se quiser aprofundar esse aspecto, leia também Amizade na menopausa: o laço que fortalece corpo e mente.

Grupos de mulheres na menopausa participando juntas de atividade e criando novas conexões.

Como encontrar seu grupo de mulheres depois dos 40?

Talvez até aqui você esteja pensando:

“Tudo bem, mas eu não tenho esse grupo.”

Começar pode ser menos complicado do que parece.

1. Comece pelo que você gosta

Em vez de procurar imediatamente “novas amigas”, procure atividades que realmente façam sentido para você.

Pergunte:

  • O que eu gostaria de aprender?
  • Que atividade sempre quis experimentar?
  • Prefiro movimento, conversa ou algo mais tranquilo?
  • Gosto de grupos grandes ou pequenos?
  • Quero encontros presenciais ou on-line?
  • Existe algo que abandonei e gostaria de retomar?

O interesse em comum facilita a aproximação.

2. Frequente o mesmo espaço algumas vezes

Vínculos raramente aparecem no primeiro encontro.

Frequentar regularmente uma aula, grupo, curso ou atividade aumenta as oportunidades de encontrar as mesmas pessoas e transformar conhecidos em relações mais próximas.

3. Aceite convites, quando fizer sentido

Depois de muito tempo vivendo em uma rotina fechada, dizer “não” pode virar automático.

Não é necessário aceitar tudo.

Mas talvez valha experimentar um café, um evento ou uma atividade que desperte curiosidade.

4. Faça pequenos convites também

Você não precisa organizar uma viagem para dez pessoas.

Pode começar com:

“Quer tomar um café depois da aula?”

“Vamos caminhar sábado?”

“Você quer ir comigo naquele evento?”

Muitas amizades adultas começam com convites simples.

5. Use o digital como ponte

Comunidades on-line podem aproximar mulheres com interesses semelhantes, especialmente para quem mora em cidades menores, tem mobilidade reduzida ou uma rotina que dificulta encontros presenciais.

Mas existe um cuidado importante.

Grupos de mulheres on-line: acolhimento não é orientação médica

WhatsApp, Facebook, Instagram, fóruns e outras comunidades podem ser excelentes para trocar experiências.

O problema aparece quando experiência pessoal é apresentada como recomendação universal.

Frases como:

“Isso funcionou para mim.”

são muito diferentes de:

“Você precisa fazer isso também.”

Tratamentos para sintomas do climatério dependem de histórico clínico, sintomas, riscos, preferências e avaliação individual.

Desconfie especialmente de grupos que:

  • prometem “curar” a menopausa;
  • recomendam hormônios sem avaliação;
  • sugerem interromper medicamentos prescritos;
  • vendem protocolos como solução para todas;
  • desencorajam acompanhamento médico;
  • espalham medo sobre tratamentos com informações sem fonte;
  • apresentam suplementos como substitutos obrigatórios de tratamento;
  • dizem que um único exame explica todos os sintomas.

Troca de experiências pode acolher.

Prescrição é outra coisa.

Surgiu uma dúvida depois de conversar em um grupo ou ler uma recomendação on-line? Em vez de mudar seu tratamento por conta própria, leve a pergunta para um profissional qualificado. O Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa reúne profissionais que atuam com diferentes necessidades da mulher 40+.

Nem toda mulher gosta de grupos, e está tudo bem

Pertencimento não significa ter dezenas de amigas. Nem significa ser extrovertida.

Para algumas mulheres, uma rede satisfatória pode ser formada por duas ou três pessoas próximas.
Para outras, fazer parte de comunidades maiores traz energia.
Há quem prefira conversas individuais. Quem adore grandes eventos.
Há quem goste de encontrar pessoas toda semana e quem prefira uma vez por mês.

O objetivo não é cumprir uma meta social.

É perceber se os vínculos que existem hoje oferecem conexão suficiente para você.

Grupos de mulheres na menopausa: rede de apoio não deve depender de uma única pessoa

Outro ponto importante é não concentrar todas as necessidades emocionais em um único relacionamento.

Companheiro ou companheira, filhos e familiares podem ser fundamentais, mas a vida social também pode incluir amigas, colegas, vizinhas, profissionais, comunidades e pessoas com interesses em comum.

Isso se torna especialmente relevante em períodos de transição familiar.

Quando filhos saem de casa, por exemplo, algumas mulheres percebem quanto de sua rotina social estava ligada à maternidade. Esse momento pode ser uma oportunidade para reconstruir interesses e vínculos próprios.

Leia também: Ninho vazio na menopausa: como ressignificar essa fase.

Grupo de apoio não substitui ajuda profissional

Amigas podem ouvir.

Um grupo pode acolher. Uma comunidade pode ajudar você a se sentir compreendida.

Mas algumas situações precisam de atendimento profissional.

Procure avaliação se perceber, por exemplo:

  • tristeza persistente;
  • ansiedade intensa;
  • isolamento crescente;
  • crises de pânico;
  • sofrimento emocional que interfere na rotina;
  • alterações importantes do sono;
  • perda de interesse por atividades que antes davam prazer;
  • conflitos familiares ou conjugais difíceis de administrar;
  • sintomas físicos ou emocionais que começaram a comprometer sua qualidade de vida.

Pedir ajuda profissional não significa que sua rede de apoio falhou.

Profissionais também podem fazer parte dessa rede.

FAQ: grupos de mulheres na menopausa

Preciso procurar um grupo específico sobre menopausa?

Não. Os grupos de mulheres na menopausa podem estar ligados a esporte, leitura, trabalho, viagens, hobbies, voluntariado ou qualquer outro interesse. O mais importante é que você se sinta respeitada e confortável.

Grupos on-line também contam como rede de apoio?

Podem contar. Relações construídas on-line podem oferecer troca e pertencimento. Apenas tenha cuidado para diferenciar experiências pessoais de orientações médicas.

Não tenho amigas próximas. É tarde para começar?

Não. Novos vínculos podem surgir em qualquer fase da vida. Atividades recorrentes com interesses em comum costumam criar oportunidades naturais de aproximação.

Sou introvertida. Preciso participar de grandes grupos?

Não. Sua rede pode ser pequena. Pertencimento não é quantidade de contatos, e sim qualidade das conexões que fazem sentido para você.

Participar de grupos melhora os sintomas da menopausa?

Não podemos afirmar isso. Estudos mostram associações entre apoio social, qualidade de vida e diferentes aspectos da saúde, mas participar de um grupo não deve ser apresentado como tratamento para sintomas menopausais.

Grupos de mulheres na menopausa: encontrar sua turma também é autocuidado

Talvez uma das mudanças mais bonitas do climatério seja perceber que ainda há muito espaço para construir.

Novas amizades.
Interesses.
Novas conversas.
Versões diferentes de você mesma.

Os grupos de mulheres na menopausa não precisam existir apenas para compartilhar dificuldades. Eles também podem ser lugares para rir, aprender, viajar, dançar, criar projetos, comemorar conquistas e descobrir que a vida continua oferecendo pessoas interessantes para conhecer.

Se hoje sua rede parece pequena, você não precisa criar uma comunidade inteira amanhã.

Pode começar com um convite.
Uma aula.
Um café.
Fazer uma caminhada.
Ir a um evento.

Às vezes, pertencer começa simplesmente aparecendo.

E lembre-se: rede de apoio também inclui cuidado profissional quando ele é necessário. Se você procura acompanhamento para atravessar o climatério com mais informação e segurança, conheça o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa.

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Referências

  1. Jalambadani Z. Investigating the Relationship between Menopause Specific Quality of Life and Perceived Social Support in Postmenopausal Women. 2020. PubMed.
  2. Golaszewski NM et al. Evaluation of Social Isolation, Loneliness, and Cardiovascular Disease Among Older Women in the US. 2022. PubMed.
  3. Divya KL et al. Role of Social Support in Reducing the Severity of Menopausal Symptoms. 2024.
  4. Lu J et al. The relationship between social support and health-promoting lifestyle among perimenopausal women. 2026.
  5. PROTAGONIZA. Encontro presencial para mulheres 40+ que querem viver a maturidade com mais saúde, informação, autonomia e conexão Consultado em agosto de 2026.
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