Terapia hormonal em mulheres com insuficiência ovariana prematura

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mulher em consulta considerando a terapia hormonal por estar com insuficiência ovariana prematura

Receber um diagnóstico de insuficiência ovariana prematura pode trazer muitas dúvidas. “Quer dizer que entrei na menopausa muito cedo?” “Vou precisar usar hormônios?” “A terapia hormonal é segura para alguém tão jovem?” “Ainda posso engravidar?”

Mulher, essas perguntas são importantes, e uma informação muda bastante a forma de entender esse tratamento: na insuficiência ovariana prematura, médicos e pacientes discutem a terapia hormonal de forma diferente daquela iniciada quando a menopausa acontece na idade habitual.

Isso ocorre porque estamos falando de uma mulher com menos de 40 anos que perdeu parte da função dos ovários muito antes do momento em que isso seria esperado naturalmente. A insuficiência ovariana prematura, conhecida pela sigla IOP, pode afetar não apenas o ciclo menstrual e a fertilidade, mas também ossos, sistema cardiovascular, saúde íntima, sexualidade e qualidade de vida.

Por isso, quando não existem contraindicações, a terapia hormonal pode ter um papel que vai além de controlar ondas de calor.

Se você recebeu o diagnóstico de insuficiência ovariana prematura ou está investigando alterações menstruais antes dos 40 anos, uma avaliação individualizada pode ajudar a entender o que está acontecendo e quais cuidados fazem sentido para você. Agende agora mesmo.

O que é insuficiência ovariana prematura?

A insuficiência ovariana prematura acontece quando há perda ou redução importante da atividade dos ovários antes dos 40 anos. Ela pode se manifestar por menstruações muito irregulares ou ausentes e por sinais de redução do estrogênio, como ondas de calor, alterações do sono, secura vaginal ou mudanças na sexualidade.

Embora muitas pessoas chamem a IOP de “menopausa prematura”, ela apresenta uma diferença importante: a atividade dos ovários pode ocorrer de forma intermitente. Isso significa que, em algumas mulheres, pode ocorrer eventualmente uma ovulação.

Já a menopausa natural representa o encerramento definitivo da função reprodutiva ovariana.

Essa diferença também explica por que o acompanhamento da IOP tem algumas particularidades.

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Por que a terapia hormonal é diferente na IOP?

Quando uma mulher chega à menopausa por volta dos 50 anos, médicos e pacientes costumam discutir a terapia hormonal principalmente quando há sintomas ou situações clínicas específicas.

Na insuficiência ovariana prematura, existe outro contexto.

Imagine uma mulher que recebe o diagnóstico aos 32 anos. Se o organismo produzir menos estrogênio do que o esperado, a mulher poderá passar muitos anos exposta a níveis hormonais abaixo do adequado para aquela fase da vida.

É por isso que as diretrizes internacionais atuais recomendam, na ausência de contraindicações, a terapia hormonal até aproximadamente a idade em que a menopausa ocorreria naturalmente, mesmo quando a mulher não apresenta sintomas importantes. Ao chegar a essa idade, a continuidade do tratamento passa por uma nova avaliação individual de benefícios e riscos.

No Brasil, a FEBRASGO também inclui a insuficiência ovariana prematura entre as indicações clínicas para terapia hormonal.

Ou seja: aqui, não estamos falando somente em “tratar fogachos”.

Estamos também tentando reduzir os efeitos de permanecer muitos anos com deficiência estrogênica precoce.

IOP x menopausa habitual: o que muda na conversa?

Insuficiência ovariana prematuraMenopausa na idade habitual
Acontece antes dos 40 anosGeralmente ocorre em torno dos 50 anos
Há perda hormonal antes do esperadoA redução hormonal faz parte do envelhecimento ovariano natural
A terapia hormonal pode ser indicada mesmo sem sintomas importantes, se não houver contraindicaçãoA indicação costuma considerar principalmente sintomas, riscos e necessidades individuais
Há atenção especial à saúde óssea, cardiovascular, sexual e geniturinária ao longo de muitos anosOs objetivos dependem da fase da menopausa e da condição clínica
A função ovariana pode ocorrer de forma intermitente em alguns casosApós a menopausa estabelecida, não ocorre mais ovulação

Essa diferença ajuda a impedir que uma mulher de 30 ou 35 anos com IOP compare seu caso a estudos com mulheres que iniciaram a terapia hormonal décadas mais tarde e conclua, de forma equivocada, que os contextos são iguais.

Não são.

Idade, tempo de deficiência hormonal, motivo do tratamento, formulação utilizada e condições clínicas individuais precisam fazer parte da interpretação.

O que a terapia hormonal procura proteger?

Um dos principais objetivos é ajudar a preservar a saúde óssea. O estrogênio participa da manutenção do tecido ósseo, e a deficiência precoce pode favorecer perda de densidade mineral óssea e osteoporose ao longo do tempo. A diretriz internacional de IOP recomenda a terapia hormonal para manutenção da densidade óssea e prevenção da osteoporose.

A saúde cardiovascular também merece atenção. A insuficiência ovariana prematura sem tratamento hormonal está associada a maior risco cardiovascular em longo prazo, e as recomendações atuais orientam terapia hormonal até a idade habitual da menopausa, quando não houver contraindicação.

Além disso, o tratamento pode ajudar sintomas relacionados à falta de estrogênio, como:

  • ondas de calor e suor noturno;
  • alterações do sono;
  • ressecamento e desconforto vaginal;
  • dor durante a relação sexual;
  • algumas alterações relacionadas à função sexual e à qualidade de vida.

Isso não significa que a terapia hormonal resolva todos os sintomas ou seja adequada para todas as mulheres. Significa que a deficiência hormonal precoce merece ser tratada como uma condição que envolve a saúde integral, e não apenas a menstruação.

Como é feita a terapia hormonal na insuficiência ovariana prematura?

Aqui é importante não transformar informação em prescrição. Não existe uma fórmula única que sirva para todas.

De maneira simples, o tratamento costuma envolver a reposição de estrogênio. Ele pode ser utilizado por diferentes vias, como comprimidos, adesivos ou gel aplicado na pele.

A escolha da via depende da história clínica, preferência da mulher e fatores individuais de risco. Em algumas situações de maior risco de trombose, por exemplo, a via transdérmica pode ser considerada em vez da oral.

Para mulheres que ainda possuem útero, normalmente é necessário acrescentar progesterona ou outro progestagênio para proteger o endométrio, que é a camada interna do útero.

Parece muita informação? Na prática, a decisão pode ser organizada em algumas perguntas simples: qual é a sua idade? Você tem útero? Precisa de contracepção? Tem enxaqueca, histórico de trombose ou alguma condição de saúde importante? Quais sintomas estão presentes? O que é prioridade para você neste momento?

É a partir dessas respostas que o tratamento começa a ganhar forma.

Se você tem IOP e está em dúvida sobre qual tipo de terapia hormonal faz sentido para você, agende uma avaliação. A escolha de hormônio, via e esquema de tratamento devem ser individualizados.

Terapia hormonal e anticoncepcional são a mesma coisa?

Não.

Essa é uma confusão muito comum porque os dois tratamentos podem conter hormônios.

A terapia hormonal utilizada na IOP busca principalmente fornecer os hormônios que o organismo deveria continuar produzindo nessa fase da vida.

Já o anticoncepcional hormonal tem como uma de suas principais funções evitar a ovulação e prevenir uma gravidez.

Em algumas mulheres com IOP, o anticoncepcional combinado pode ser uma alternativa de tratamento, especialmente quando também existe necessidade contraceptiva. Mas a escolha entre anticoncepcional e terapia hormonal deve levar em consideração objetivos, perfil de risco, saúde óssea, preferências e planejamento reprodutivo.

E existe uma informação especialmente importante:

terapia hormonal não é anticoncepcional.

Mulher de 35 anos refletindo sobre seu diagnóstico de insuficiência ovariana prematura e considerando a terapia hormonal

Ainda é possível engravidar tendo IOP?

A insuficiência ovariana prematura reduz significativamente a chance de gravidez espontânea, mas em mulheres com IOP não cirúrgica pode ocorrer atividade ovariana ocasional. Por isso, uma gestação natural ainda pode acontecer em alguns casos.

Isso gera duas conversas diferentes.

Para a mulher que não deseja engravidar, é necessário conversar sobre contracepção, porque a terapia hormonal isoladamente não evita uma gestação.

Para quem deseja engravidar, vale discutir as possibilidades reprodutivas de maneira individualizada e, quando necessário, realizar avaliação com especialista em reprodução humana. A própria terapia hormonal não precisa necessariamente ser retirada apenas porque existe possibilidade de atividade ovariana intermitente.

Leia também: Endometriose na menopausa: ela não tem idade 

E os riscos da terapia hormonal?

Essa é uma conversa que merece contexto.

Os riscos da terapia hormonal não podem ser simplesmente transferidos de estudos feitos com mulheres mais velhas para uma mulher jovem com insuficiência ovariana prematura.

A diretriz internacional mais recente informa que não há evidência de que a terapia hormonal aumente o risco de câncer de mama em mulheres com IOP quando comparadas a outras mulheres da mesma idade.

Isso não significa que o tratamento seja indicado indiscriminadamente.

História de câncer de mama ou outros tumores hormônio-dependentes, risco trombótico ou cardiovascular elevado e determinadas condições clínicas exigem avaliação especializada. Em alguns cenários, a terapia hormonal pode não ser recomendada; em outros, é possível ajustar hormônio, dose ou via.

Por isso, uma boa consulta não começa com “qual hormônio usar?”. Ela começa entendendo quem é a mulher que vai usar esse hormônio.

Até quando a terapia hormonal deve ser usada?

De maneira geral, as recomendações atuais orientam manter a terapia hormonal até aproximadamente a idade habitual da menopausa, desde que não exista contraindicação.

Quando essa mulher chega à faixa etária em que a menopausa aconteceria naturalmente, a lógica muda.

A partir daí, o médico e a paciente podem reavaliar sintomas, saúde óssea, fatores cardiovasculares, riscos individuais, preferências e qualidade de vida para decidir se faz sentido manter, modificar ou interromper o tratamento.

Ou seja, chegar aos 50 anos não significa que o tratamento precise ser interrompido automaticamente — significa que chegou o momento de uma nova decisão clínica.

Leia também: Exame AMH: o que é e qual a relação com a menopausa?

Perguntas frequentes

Quem tem insuficiência ovariana prematura precisa fazer terapia hormonal?

Na ausência de contraindicações, as principais diretrizes recomendam terapia hormonal até a idade habitual da menopausa, inclusive para mulheres sem sintomas importantes. A decisão final, porém, deve considerar a história clínica individual.

Terapia hormonal evita gravidez?

Não. A terapia hormonal utilizada na IOP não funciona como anticoncepcional. Se a mulher não deseja engravidar, precisa conversar com o ginecologista sobre contracepção.

Anticoncepcional pode ser usado no lugar da terapia hormonal?

Em algumas mulheres, sim. Existem situações nas quais o anticoncepcional combinado pode ser uma opção, principalmente quando também é necessária contracepção. A escolha deve ser individualizada.

Preciso esperar ter ondas de calor para começar o tratamento?

Não necessariamente. Na IOP, a terapia hormonal não tem apenas o objetivo de tratar sintomas. Ela também é discutida para reduzir consequências da deficiência estrogênica precoce, especialmente sobre ossos e saúde cardiovascular.

Terapia hormonal na IOP é uma conversa sobre o futuro

Mulher, receber um diagnóstico de insuficiência ovariana prematura pode fazer parecer que seu corpo “pulou etapas”. Mas o diagnóstico também abre a possibilidade de construir um cuidado pensado para os próximos anos.

A terapia hormonal nesse contexto não deve ser entendida simplesmente como uma versão antecipada do tratamento da menopausa.

Estamos falando de uma mulher jovem, que provavelmente permaneceria muitos anos sob influência dos hormônios ovarianos se a IOP não tivesse acontecido. É justamente por isso que os objetivos do tratamento, a duração e a forma de avaliar riscos são diferentes.

E você não precisa decidir tudo de uma vez.

O primeiro passo é entender seu diagnóstico, suas prioridades, sua necessidade ou não de contracepção, seu desejo reprodutivo e sua saúde como um todo. A partir daí, é possível construir uma estratégia segura e individualizada.

Se você quer entender quais cuidados são indicados para o seu momento de vida, agende sua consulta. Vamos conversar com calma sobre terapia hormonal, saúde óssea, fertilidade e o que faz sentido para você.

Referências

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  7. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). O cuidado integral das mulheres no climatério – Parte 2. 2025.
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