Perimenopausa e infertilidade: o que muda após os 40?

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Mulher em consulta sobre perimenopausa e infertilidade após os 40.

Após os 40 anos, muitas mulheres percebem que os ciclos menstruais começam a ficar irregulares. E é justamente nesse momento que surgem dúvidas muito comuns sobre perimenopausa e infertilidade: essa mudança no ciclo pode estar comprometendo a fertilidade? Já é um sinal de infertilidade? Isso deve preocupar quem ainda deseja engravidar?

A irregularidade menstrual depois dos 40 pode, sim, ser um sinal de transição para a perimenopausa e estar associada à redução da fertilidade. Mas ela não significa, por si só, infertilidade. Entender essa diferença é importante para que a mulher não se assuste desnecessariamente, mas também não perca um tempo precioso quando ainda deseja engravidar.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.

Perimenopausa e infertilidade: o que realmente acontece?

A perimenopausa é a fase de transição que antecede a menopausa e normalmente se inicia após os 40 anos. Nessa etapa, a atividade ovariana torna-se progressivamente mais irregular.

Alguns ciclos ainda apresentam ovulação normal. Em outros, a ovulação pode ocorrer mais cedo, mais tarde ou simplesmente não acontecer. Por isso, os ciclos podem ficar:

  • mais curtos;
  • mais longos;
  • com maior ou menor fluxo;
  • mais irregulares;
  • ou até deixar de acontecer em alguns meses.

Porém, há um ponto importante: a fertilidade já começa a diminuir antes de a menstruação ficar irregular.

O envelhecimento ovariano reduz tanto a quantidade quanto, principalmente, a qualidade dos oócitos, os óvulos. A partir dos 35 anos, essa queda se acelera e, aos 40, a chance de gravidez espontânea já é significativamente menor quando comparada às décadas anteriores.

Ao mesmo tempo em que diminuem as chances de gravidez, o risco de abortamento aumenta de forma progressiva com a idade materna, principalmente em razão do aumento das alterações cromossômicas nos óvulos.

Se você tem 40 anos ou mais e quer saber em que fase você está e qual a melhor estratégia para o seu caso específico, vale apena fazer uma avaliação individualizada. Agende agora mesmo uma consulta.

Fertilidade e risco de abortamento ao longo da idade

IdadeTaxa de gravidez*Taxa de abortamento*
Menos de 30 anos95%<10%
35 anos85%15%
38 anos65%20%
40 anos45%30%
42 anos20%45%
44 anos10%65%
Acima de 45 anos<5%>75%

*valores aproximados e destinados a contextualizar a queda progressiva da fertilidade e o aumento do risco de abortamento com a idade. As taxas podem variar conforme população estudada, condições clínicas, definição utilizada, perimenopausa e infertilidade.

Leia também: Gravidez na perimenopausa: chances e cuidados

Então, ciclo irregular significa infertilidade?

Não.

A irregularidade menstrual pode acontecer em diferentes momentos da vida e normalmente está associada à anovulação, ou seja, a ciclos nos quais não ocorre a liberação de um óvulo.

Nas mulheres acima dos 40 anos, a anovulação acontece com maior frequência. Porém, alguns ciclos continuam sendo ovulatórios e podem possibilitar uma gravidez espontânea.

Enquanto houver ovulação, existe possibilidade de gravidez, inclusive durante a perimenopausa.

Entretanto, a irregularidade menstrual passa a ser um marcador clínico importante do envelhecimento reprodutivo, especialmente quando aparece associada a:

  • redução da duração dos ciclos;
  • aumento da irregularidade menstrual;
  • períodos sem menstruar;
  • diminuição da frequência de ovulação;
  • redução da reserva ovariana;
  • aumento da dificuldade para engravidar;
  • maior risco de abortamento;
  • maior risco de alterações cromossômicas embrionárias.

Perimenopausa e infertilidade: o que os exames podem mostrar?

Esse é outro ponto que costuma gerar muita dúvida.

Marcadores de reserva ovariana, como o hormônio antimülleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais, podem fornecer informações importantes sobre a quantidade de folículos disponíveis nos ovários.

Mas eles não contam a história inteira.

Consensos da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) ressaltam que os marcadores de reserva ovariana, quando avaliados isoladamente, não conseguem prever com precisão a capacidade de uma mulher engravidar espontaneamente.

A idade continua sendo um dos fatores mais importantes na avaliação do potencial reprodutivo.

Por isso, um resultado de reserva ovariana não deve ser interpretado sozinho como uma sentença de fertilidade ou infertilidade. Ele precisa fazer parte de uma avaliação mais ampla.

Se você busca uma avaliação individualizada e uma conduta específica para o seu caso, agende uma avaliação.

O que muda na fertilidade depois dos 40?

Esse é, talvez, o ponto mais importante para entender a relação entre perimenopausa e infertilidade:

a mulher não precisa esperar entrar na menopausa para perder fertilidade.

A menopausa é definida quando se completam 12 meses consecutivos sem menstruar, na ausência de outras causas para a interrupção dos ciclos.

Antes disso, durante a perimenopausa, ainda podem ocorrer ovulações e, consequentemente, gravidezes.

Por isso, uma mulher entre 40 e 45 anos que deseja engravidar não deveria pensar:

“Enquanto eu estiver menstruando, tenho bastante tempo.

O raciocínio mais adequado seria:

Enquanto eu estiver ovulando, ainda posso engravidar, mas minha janela reprodutiva está se tornando cada vez menor.”

Isso não é motivo para alarmismo. É motivo para informação e planejamento.

mulher 40+ avaliando o seu calendário menstrual e na dúvida sobre perimenopausa e infertilidade

Devemos nos preocupar com a fertilidade após os 40?

Eu prefiro dizer que devemos nos ocupar, mais do que nos preocupar.

Se uma mulher com mais de 40 anos deseja engravidar, não é recomendável simplesmente esperar seis meses ou um ano para só então começar uma investigação.

Nessa faixa etária, o tempo reprodutivo tem um peso maior.

A ASRM considera apropriada uma avaliação mais imediata da fertilidade em mulheres acima dos 40 anos, justamente porque a queda da fertilidade relacionada à idade se torna mais acentuada.

Essa avaliação deve considerar, de forma individualizada:

  • idade;
  • padrão menstrual;
  • presença e frequência da ovulação;
  • reserva ovariana;
  • anatomia do útero e das trompas;
  • histórico ginecológico e reprodutivo;
  • condições clínicas que possam interferir na fertilidade;
  • fator masculino, quando aplicável.

Ou seja: a investigação não deve olhar apenas para os ovários. Fertilidade é o resultado de vários fatores que precisam ser analisados em conjunto.

Leia também: Sangramento uterino anormal na perimenopausa e menopausa

Quando procurar um especialista?

Para a mulher acima dos 40 anos que ainda deseja engravidar, vale conversar com um especialista antes mesmo de iniciar as tentativas ou logo no começo desse processo.

A avaliação também merece ser antecipada quando existem situações como:

  • ciclos muito irregulares;
  • longos períodos sem menstruar;
  • endometriose;
  • histórico de cirurgia ovariana ou pélvica;
  • tratamentos prévios que possam afetar a reserva ovariana;
  • abortamentos anteriores;
  • suspeita de alterações uterinas ou tubárias;
  • fatores masculinos conhecidos.

Quanto mais cedo entendemos o cenário, mais clareza existe para conversar sobre possibilidades e próximos passos.

Perimenopausa não é sinônimo de infertilidade

Essa é a principal mensagem que eu gostaria que você levasse deste texto.

Perimenopausa não é sinônimo de infertilidade. Ela representa uma fase de diminuição da capacidade reprodutiva e de maior imprevisibilidade da função ovariana.

A mulher ainda pode ovular e engravidar, mas a probabilidade de gravidez espontânea diminui progressivamente com a idade, enquanto aumentam os riscos de abortamento e alterações cromossômicas embrionárias.

Por isso, para quem ainda deseja engravidar, informação correta no momento certo pode fazer muita diferença.

Não se trata de criar ansiedade em torno do relógio biológico. Trata-se de conhecer melhor o próprio momento reprodutivo e, a partir dessa informação, tomar decisões com mais segurança.

Leia também: Adenomiose na perimenopausa: o que saber após os 40

Referências

  1. American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Fertility evaluation of infertile women: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2021;116:1255-1265.
  2. American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Optimizing natural fertility: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2022.
  3. American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Testing and interpreting measures of ovarian reserve: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2020.
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Menopause: identification and management. Guideline NG23. Atualizada em 2024.
  5. World Health Organization (WHO). Guideline for the prevention, diagnosis and treatment of infertility. Geneva: WHO; 2025.
  6. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Early Pregnancy Loss. Clinical guidance.
  7. Harlow SD et al. Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop +10: addressing the unfinished agenda of staging reproductive aging. Menopause. 2012.
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