A adenomiose na perimenopausa é uma doença benigna, caracterizada pelo crescimento do tecido endometrial (revestimento interno do útero) em camada mais profunda da parede uterina (miométrio). Tem prevalência na literatura em 31% a 61,5% das mulheres.
Na perimenopausa é uma causa importante de sangramento intenso, cólicas fortes e desconforto pélvico em mulheres a partir dos 40 anos. Como essa fase da vida já costuma trazer irregularidade menstrual e oscilações hormonais, muitos sinais acabam sendo confundidos com algo “normal da idade”, e isso pode atrasar a investigação.
No consultório, eu costumo explicar que a perimenopausa realmente pode mudar o padrão do ciclo. Mas quando o fluxo fica excessivo, a dor aumenta ou a qualidade de vida começa a ser afetada, vale olhar com mais atenção. Informação correta, no momento certo, faz diferença também aqui.
Se você tem sangramento mais intenso, cólicas importantes ou sente que o seu ciclo mudou além do esperado, agende agora mesmo uma avaliação ginecológica individualizada.
Quais são os sintomas da adenomiose na perimenopausa?
Nem toda mulher com adenomiose terá os mesmos sintomas. Algumas podem ter poucas queixas. Outras sentem impacto importante na rotina.
Os sinais mais comuns incluem:
- menstruação muito intensa (hipermonorreia);
- sangramento prolongado;
- cólicas mais fortes do que o habitual( dismenorreia);
- dor pélvica ou sensação de peso no baixo ventre;
- presença de coágulos menstruais;
- sensação de inchaço na região abdominal;
- cansaço, tontura ou indisposição relacionados à perda de sangue e à anemia.
Na adenomiose na perimenopausa, esses sintomas podem ser confundidos com “mudanças esperadas dos hormônios”. Esse é um dos motivos pelos quais o diagnóstico pode demorar.
Como a adenomiose na perimenopausa afeta a qualidade de vida?
Esse ponto é muito importante. Muitas vezes, a mulher não chega ao consultório dizendo “acho que tenho adenomiose”. Ela chega dizendo que está exausta, que o sangramento está atrapalhando o trabalho, que não consegue sair de casa nos dias de fluxo, que sente dor com frequência ou que não reconhece mais o próprio corpo.
A adenomiose pode impactar a qualidade de vida de várias formas:
- limita atividades do dia a dia;
- piora a disposição por causa da anemia;
- interfere no sono e no bem-estar;
- aumenta o desconforto físico e emocional;
- gera insegurança em relação ao ciclo e ao sangramento.
Na perimenopausa, esse impacto pode ser ainda maior porque a mulher já está lidando com outras mudanças hormonais, emocionais e corporais ao mesmo tempo.
Adenomiose na perimenopausa ou apenas alteração hormonal?
Essa é uma dúvida muito comum. E a resposta é: pode ser uma coisa, a outra ou as duas ao mesmo tempo.
Na perimenopausa, é esperado que o ciclo fique mais irregular. Mas isso não significa que todo sangramento mais forte ou toda dor importante deva ser atribuída apenas aos hormônios.
Alguns sinais pedem investigação mais cuidadosa, como:
- aumento progressivo do fluxo menstrual;
- cólicas mais intensas do que antes;
- sangramento que dura muitos dias;
- anemia;
- piora importante da qualidade de vida;
- sensação de útero aumentado ou pressão na pelve.
Quando esse padrão aparece, vale ampliar a avaliação para entender o que está acontecendo.
Adenomiose, mioma e endometriose: qual é a diferença?
Esses três diagnósticos podem causar dor e sangramento, mas não são a mesma coisa.
Adenomiose
Na adenomiose, o tecido semelhante ao endométrio cresce dentro da musculatura do útero. O útero pode ficar mais espessado, doloroso e, às vezes, aumentado.
Mioma
O mioma é um tumor benigno do músculo do útero. Dependendo do tamanho e da localização, ele pode causar sangramento aumentado, sensação de pressão, aumento do volume abdominal e dor.
Endometriose
Na endometriose, o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, como nos ovários, trompas, intestino ou peritônio. Ela costuma estar mais associada a dor pélvica, dor na relação sexual, dor para evacuar em alguns casos e dificuldade para engravidar.
Um ponto importante: a mulher pode ter mais de uma dessas condições ao mesmo tempo. Por isso, não vale tentar adivinhar a causa apenas pelos sintomas.
Como é feito o diagnóstico da adenomiose na perimenopausa?
O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame ginecológico. O padrão do sangramento, o tipo de dor e o impacto na rotina já ajudam bastante a levantar suspeita.
Depois disso, os exames de imagem costumam fazer diferença.
Ultrassonografia transvaginal
A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem indicado como primeira linha para o diagnóstico da adenomiose. Quando bem realizada, pode mostrar sinais sugestivos de adenomiose, além de ajudar a diferenciar o quadro de miomas e outras alterações uterinas.
Ressonância magnética
Nem sempre é necessária, mas pode ser útil em casos selecionados, principalmente quando há dúvida diagnóstica ou necessidade de avaliar melhor o útero.
Exames complementares
Dependendo do padrão do sangramento, da idade e dos fatores de risco, o médico também pode solicitar investigação adicional do endométrio e exames laboratoriais, especialmente para avaliar anemia.
Se o sangramento está intenso, a dor está aumentando ou existe dúvida entre adenomiose, mioma e outras causas uterinas, agende uma investigação precoce, isso pode evitar meses de sintomas sem direção.
Adenomiose na perimenopausa pode atrapalhar a fertilidade?
Sim, pode. A adenomiose não é uma condição exclusiva da perimenopausa, apesar de ser mais frequente nesta fase da vida. Embora muitas mulheres descubram a adenomiose em uma fase mais próxima da menopausa, a condição também pode ter impacto reprodutivo.
Após os 40 anos, a fertilidade já diminui naturalmente por causa do envelhecimento ovariano. Quando a adenomiose está presente, esse cenário pode ficar mais complexo, porque a doença pode se associar a alterações do ambiente uterino ( alterações endometriais) e a mais inflamação local.
Na prática, isso significa que a adenomiose pode ser relevante para mulheres que:
- ainda desejam engravidar após os 40;
- têm histórico de infertilidade;
- apresentam abortamentos de repetição;
- estão em investigação reprodutiva.
Isso não significa que toda mulher com adenomiose terá dificuldade para engravidar. Significa apenas que, quando há desejo reprodutivo, esse diagnóstico merece ser considerado no contexto clínico.
Como é o tratamento da adenomiose na perimenopausa?
O tratamento depende de alguns fatores centrais:
- intensidade dos sintomas;
- idade;
- proximidade da menopausa;
- desejo de engravidar ou não;
- presença de anemia;
- impacto na qualidade de vida;
- coexistência com miomas, endometriose ou outras alterações.
Em geral, a abordagem começa tentando controlar sintomas e reduzir o sangramento.
Tratamento clínico
De forma geral, podem ser consideradas opções para controle de dor e sangramento, especialmente quando a prioridade é evitar cirurgia ou atravessar a perimenopausa com mais qualidade de vida.
Entre as estratégias mais usadas estão:
- medicamentos para dor ( analgesicos e anti-inflamatorios);
- tratamentos hormonais;
- sistema intrauterino com levonorgestrel, em casos selecionados.
Opções cirúrgicas
Quando os sintomas são intensos, persistentes ou não respondem bem ao tratamento clínico, opções cirúrgicas podem entrar na conversa.
Entre elas, dependendo do caso, podem ser consideradas:
- histeroscopia com ablação endometrial (cirurgia do útero com preservação em casos específicos);
- histerectomia, que é a retirada do útero, principalmente quando a mulher já não deseja gestação e os sintomas têm grande impacto.
Na adenomiose na perimenopausa, essa decisão sempre precisa ser individualizada. O melhor tratamento não é o mais “forte”, e sim o que mais combina com os sintomas, a fase de vida e os objetivos daquela mulher.

Quando a adenomiose na perimenopausa deve ser investigada com mais urgência?
Alguns sinais merecem atenção mais rápida:
- sangramento menstrual muito intenso;
- anemia;
- tontura ou fraqueza;
- piora importante da dor;
- aumento progressivo do volume abdominal;
- sangramento fora do padrão habitual;
- piora relevante da qualidade de vida.
Esses sinais não fecham diagnóstico por si só, mas mostram que não vale esperar indefinidamente para procurar ajuda.
Tabela: adenomiose, mioma e endometriose em linguagem simples
| Condição | Onde está o problema | Sintomas que podem aparecer | O que costuma chamar atenção |
| Adenomiose | Dentro da musculatura do útero | Sangramento intenso, cólica forte, dor pélvica, sensação de peso | Útero mais doloroso, fluxo difícil de controlar |
| Mioma | No músculo do útero, formando nódulos benignos | Sangramento aumentado, pressão pélvica, aumento do abdome | Presença de nódulos uterinos |
| Endometriose | Fora do útero | Dor pélvica, dor na relação, dor intestinal em alguns casos, infertilidade | Dor cíclica e lesões fora do útero |
Perguntas frequentes sobre adenomiose na perimenopausa
Adenomiose na perimenopausa é comum?
Ela é uma condição ginecológica importante nessa faixa etária e pode se tornar mais evidente justamente porque o padrão do ciclo muda e os sintomas passam a chamar mais atenção.
Toda mulher com sangramento forte na perimenopausa tem adenomiose?
Não. Sangramento forte pode ter várias causas, como alterações hormonais, miomas, pólipos e alterações do endométrio (hiperplasia ou câncer). Por isso, investigar corretamente faz diferença.
Adenomiose vira câncer?
A adenomiose é uma condição benigna. O ponto principal é não presumir a causa do sangramento sem avaliação, porque outros diagnósticos uterinos podem coexistir.
Adenomiose melhora quando a menopausa chega?
Muitas mulheres apresentam melhora dos sintomas após a menopausa, porque a doença costuma ser sensível ao ambiente hormonal. Ainda assim, o caminho até lá pode exigir tratamento, especialmente quando o impacto na qualidade de vida é importante.
Adenomiose e endometriose são a mesma doença?
Não. Elas são condições diferentes, embora possam coexistir na mesma mulher.
Conclusão
A adenomiose na perimenopausa pode se manifestar com sangramento intenso, cólicas importantes, dor pélvica e queda da qualidade de vida. Como essa fase já traz mudanças hormonais e irregularidade menstrual, é comum que o diagnóstico seja confundido ou retardado.
Na prática, o mais importante é não normalizar sintomas que estão claramente saindo do padrão do seu corpo. Quando a mulher entende melhor o que pode estar por trás do sangramento e da dor, ela consegue tomar decisões com mais segurança.
Se você se identificou com esse quadro, vale agendar uma avaliação agora mesmo, para investigar a causa do sangramento e discutir qual conduta faz mais sentido para a sua fase de vida.
Referências
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