A gravidez na perimenopausa, apesar da baixa frequência é uma situação que gera dúvidas e apreensão entre mulheres a partir dos 40 anos. Para aquelas que engravidaram espontaneamente, que achavam que isto não iria mais acontecer e que o planejamento de família já estava consolidado, o sentimento de medo advém da possibilidade do bebe apresentar alguma doença genética relacionada com a idade materna ou ainda dos riscos de comorbidades durante a gestação.
Já, no grupo de mulheres que desejam engravidar a angustia vem da incerteza de que ela vai conseguir engravidar, da necessidade de se submeter a tratamentos de reprodução assistida que muitas vezes representam alto custo e empenho pessoal. Nesta fase, os ciclos começam a mudar, a menstruação pode falhar por alguns meses, os sintomas hormonais aparecem e, com isso, muitas mulheres passam a acreditar que a chance de engravidar acabou. Mas não é exatamente assim.
Importante: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual. Está na dúvida se você já está na perimenopausa? Agende agora mesmo uma avaliação.
O que é perimenopausa?
A perimenopausa é um período de transição na vida reprodutiva da mulher que antecede a menopausa. Ela pode começar alguns anos antes da última menstruação, mas pode variar de mulher para mulher. Esse período pode se iniciar por volta dos 40, 45 anos e se estende até 12 meses da última menstruação, momento em que se define a menopausa. Neste período o envelhecimento ovariano se traduz por importantes oscilações hormonais.
Essas oscilações podem provocar:
- alterações no padrão menstrual;
- ciclos mais curtos ou mais longos;
- meses sem menstruação;
- fogachos e outros sintomas vasomotores;
- piora do sono;
- ansiedade e oscilação de humor;
- sintomas geniturinários e atrofia vulvovaginal;
- queixas cognitivas em algumas mulheres.
Leia também: Primeiros sinais da menopausa: saiba como identificá-los
Gravidez na perimenopausa: por que a fertilidade diminui nessa fase?
A queda da fertilidade tem relação direta com o envelhecimento ovariano. Ao longo da vida, há redução progressiva do número de folículos e também piora da qualidade dos óvulos restantes.
O que acontece com os ovários ao longo do tempo?
No período gestacional, por volta da 22ª semana, no feto feminino ocorre a formação dos ovários e o agrupamento das células germinativas, os ovócitos. Esses ovócitos, ou óvulos, ficam envolvidos por uma camada de outras células, formando os folículos.
Nesse período, o número de folículos presentes nos ovários chega a cerca de 6 a 7 milhões. Por um processo natural, muitos deles entram em atresia e morte celular ainda durante a vida intrauterina. Ao nascimento, esse número já cai para aproximadamente 1 a 2 milhões. Na puberdade, quando se inicia o período reprodutivo, a mulher conta com cerca de 400 a 700 mil folículos.
A partir daí, há uma redução contínua dessa reserva, independentemente de o ciclo ser regular ou não, do uso de contraceptivos ou mesmo da gravidez. Além disso, tratamentos como a quimioterapia podem acelerar essa perda de forma mais intensa e abrupta.
Após os 35 anos, além da diminuição do número de folículos viáveis, ocorre também envelhecimento dos óvulos presentes, o que compromete a fertilidade e aumenta a chance de alterações cromossômicas.
Gravidez na perimenopausa: quais são as chances após os 40?
A fertilidade diminui gradativamente com a idade, e esse processo se torna mais evidente após os 35 anos e mais acentuado depois dos 40.
Em termos práticos, isso significa que:
- a chance de gravidez espontânea por ciclo é menor do que em idades mais jovens;
- pode levar mais tempo para engravidar;
- a chance de abortamento espontâneo aumenta com a idade;
- cresce o risco de alterações cromossômicas relacionadas ao óvulo.
Mesmo assim, gravidez espontânea após os 40 ainda pode acontecer. Por isso, quando existe desejo reprodutivo, eu costumo reforçar no consultório que não vale a pena adiar a avaliação. E, quando não existe desejo de gravidez, também não é seguro presumir que ela não possa mais acontecer.
Agende agora mesmo uma consulta para avaliarmos como está sua fertilidade e iniciarmos um protocolo individualizado.
Gravidez na perimenopausa: quais são os riscos?
A gravidez na perimenopausa é considerada de maior risco quando comparada à gestação em mulheres mais jovens. Isso não significa, necessariamente, que o desfecho será ruim, mas exige mais atenção e melhor acompanhamento.
Entre os principais riscos, estão:
- maior chance de abortamento espontâneo;
- maior risco de alterações cromossômicas embrionárias;
- aumento da ocorrência de diabetes gestacional;
- maior risco de hipertensão e pré-eclâmpsia;
- maior chance de parto prematuro;
- necessidade de pré-natal mais atento, especialmente na presença de comorbidades.
Algumas alterações cromossômicas são compatíveis com a vida, como a trissomia 21, conhecida como síndrome de Down. Por isso, orientação pré-concepcional e acompanhamento adequado fazem diferença não só para engravidar, mas também para reduzir riscos e organizar a investigação quando necessário.
Gravidez planejada ou não planejada: o que muda na prática?
Os cuidados devem ser os mesmos, seja a gestação planejada, muitas vezes com auxílio da reprodução assistida, seja a gestação espontânea e não planejada.
A diferença é que, quando a gravidez é planejada, nós temos a oportunidade de agir antes:
- reavaliar doenças pré-existentes como a diabetes, cardiopatias, obesidade entre outras:
- ajustar medicações em uso como os ansiolíticos, antidepressivos e hormônios.
- avaliar reserva ovariana (capacidade ovariana para ovular) e função ovulatória, quando indicado;
- orientar suplementação e vacinação;
- investigar fatores femininos e masculinos, se houver dificuldade para engravidar.
Nas situações em que a reprodução assistida é necessária, podem existir recursos adicionais de avaliação embrionária, como o teste genético pré-implantacional para aneuploidias, isto é, doenças genéticas como a síndrome de Down ou outras compatíveis com a vida. Ainda assim, a indicação deve ser individualizada, sem promessas simplistas de sucesso e sempre com discussão clara sobre benefícios, limites e custos.
Gravidez na perimenopausa: quando procurar ajuda?
Se a mulher tem 40 anos ou mais e deseja engravidar, minha orientação é não postergar a avaliação. Nessa faixa etária, o tempo importa.
Em geral, vale procurar atendimento quando houver:
- desejo de engravidar após os 40 anos;
- ciclos muito irregulares ou ausência de menstruação por períodos prolongados;
- história de abortamento;
- suspeita de baixa reserva ovariana;
- endometriose, cirurgias pélvicas, quimioterapia prévia ou outras condições que possam comprometer a fertilidade;
- tentativas sem sucesso, mesmo por poucos meses, especialmente após os 40.

Cuidados para uma gestação mais segura após os 40
Independentemente de a gravidez ter sido espontânea ou obtida após tratamento, os cuidados pré-concepcionais e o pré-natal são cruciais para um bom desfecho.
O que merece atenção nessa fase
- praticar atividade física de forma regular;
- manter o peso em faixa mais saudável possível;
- priorizar boa alimentação;
- evitar tabagismo;
- reduzir ou evitar bebidas alcoólicas;
- revisar medicamentos em uso antes de tentar engravidar;
- tratar doenças clínicas, como hipertensão, diabetes e alterações da tireoide;
- iniciar o pré-natal precocemente.
Mulheres na perimenopausa podem ser mais suscetíveis a intercorrências desfavoráveis. Por isso, acompanhamento periódico com o médico assistente e realização de exames pré-gestacionais podem contribuir muito para uma gestação mais segura.
Leia também: Primeiros sinais da menopausa: saiba como identificá-los
Perguntas frequentes sobre gravidez na perimenopausa
Posso engravidar mesmo menstruando de forma irregular?
Sim. Menstruação irregular não exclui ovulação. Enquanto houver ovulação, a gestação ainda é possível.
Gravidez na perimenopausa é sempre de alto risco?
Ela é considerada uma gestação de maior risco quando comparada à de mulheres mais jovens, mas isso não significa que terá necessariamente um mau desfecho. Significa, sim, que exige planejamento e acompanhamento mais cuidadoso.
Se eu tenho mais de 40 anos, quanto tempo posso tentar engravidar antes de procurar ajuda?
Após os 40 anos, o ideal é não adiar a avaliação. Mesmo poucos meses( no máximo 6 meses) de tentativa quando os ciclos são regulares já justificam uma conversa com especialista, dependendo do histórico clínico. A procura deve ser imediata se os ciclos já são irregulares ou na presença de antecedentes já descritos como endometriose, tratamentos quimioterápicos, cirurgias pélvicas ou outras doenças que possam comprometer a fertilidade. Não esquecer da avaliação do parceiro para afastar um fator masculino de infertilidade.
Perimenopausa e infertilidade são a mesma coisa?
Não. A perimenopausa é uma fase de transição hormonal. A infertilidade é definida como dificuldade de obter gravidez após um período de tentativas sem contracepção. As duas situações podem se cruzar, mas não são sinônimos.
Conclusão
A gravidez na perimenopausa é possível, mas exige uma leitura realista do tempo reprodutivo. Nessa fase, os ciclos podem confundir, a fertilidade diminui e os riscos obstétricos aumentam, mas isso não elimina a chance de gestação.
O ponto mais importante é buscar informação de fonte segura, principalmente com o seu ginecologista-obstetra. O profissional qualificado vai poder além de esclarecer as dúvidas, realizar a avaliação adequada e objetiva quanto ao prognóstico reprodutivo e obstétrico. Quando a mulher entende melhor o que está acontecendo com o próprio corpo, ela consegue decidir com mais segurança se o momento é de prevenir, investigar ou planejar uma gravidez.
Quer uma avaliação e acompanhamento individualizados? Agende uma consulta agora mesmo.
Referências:
- NICE. Menopause: identification and management (guideline NG23).
- American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Optimizing natural fertility: a committee opinion (2022).
- American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Testing and interpreting measures of ovarian reserve: a committee opinion (2020).
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Pregnancy at Age 35 Years or Older (Obstetric Care Consensus, 2022).
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Early Pregnancy Loss (Practice Bulletin, 2018).
- American Society for Reproductive Medicine (ASRM). The use of preimplantation genetic testing for aneuploidy: a committee opinion (2024).
- World Health Organization (WHO). Infertility (fact sheet, 2025) e Guideline for the prevention, diagnosis and treatment of infertility (2025).
- European Society for Human Reproduction and Embriology . Female Fertility Preservation . Guideline, 2020
- Boletim do Comite Nacional de Climatério. Transição menopausal. – Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Abril, 2026
- European Society for Human Reproduction and Embriology . Premature Ovarian Insufficienty. Guideline (2024)







