A menopausa cirúrgica acontece quando os ovários são retirados antes que a menopausa natural ocorra. Quando isso acontece antes dos 40 anos, o impacto costuma ser maior, porque o corpo deixa de receber, de forma repentina, hormônios que ainda seriam produzidos por muitos anos.
Esse processo pode trazer sintomas físicos, emocionais e sexuais, além de exigir atenção à saúde óssea, cardiovascular e metabólica. A boa notícia é que, com acompanhamento adequado, informação clara e cuidado contínuo, é possível atravessar essa fase com mais segurança e qualidade de vida.
Logo no início dessa jornada, vale buscar orientação individualizada. O Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa ajuda você a encontrar profissionais preparados para conversar sobre menopausa cirúrgica, riscos, sintomas e opções de cuidado.
O que é menopausa cirúrgica?
A menopausa cirúrgica ocorre quando há remoção cirurgica dos dois ovários. Os ovários produzem hormônios importantes, como estrogênio, progesterona e parte dos androgênios, que participam do ciclo menstrual, da saúde dos ossos, da função sexual, do sono, do humor e da proteção cardiovascular.
Neste caso, a produção hormonal cai de maneira brusca. Por isso, a menopausa cirúrgica pode provocar sintomas mais rápidos e, em algumas mulheres, mais intensos do que a menopausa natural.
Na menopausa natural, a queda hormonal costuma acontecer aos poucos, ao longo de meses ou anos. Na menopausa cirúrgica, especialmente quando ocorre antes dos 40 anos, essa mudança pode acontecer de um dia para o outro.
Menopausa cirúrgica antes dos 40 anos: por que exige atenção?
Quando a menopausa cirúrgica acontece antes dos 40 anos, ela é considerada uma forma de menopausa precoce induzida. Isso significa que a mulher entra em menopausa muito antes da idade esperada, não por uma transição natural, mas por uma intervenção cirúrgica.
Esse ponto é importante porque os hormônios ovarianos ainda teriam um papel relevante por muitos anos. A queda precoce do estrogênio pode se associar a maior atenção para:
- saúde dos ossos;
- risco cardiovascular;
- metabolismo;
- saúde sexual;
- sintomas urinários e vaginais;
- sono e humor;
- memória, concentração e bem-estar emocional.
Isso não significa que toda mulher terá complicações. Significa que a menopausa cirúrgica antes dos 40 anos merece um plano de acompanhamento mais cuidadoso, com avaliação individual e prevenção de longo prazo.
Leia também: Menopausa precoce e prematura: qual a diferença.
Retirada dos ovários, útero ou ambos: qual a diferença?
Nem toda cirurgia ginecológica causa menopausa cirúrgica. A diferença principal está em saber se os ovários foram retirados ou preservados.
Retirada dos dois ovários
A retirada dos dois ovários é chamada de ooforectomia bilateral. Quando os dois ovários são removidos antes da menopausa natural, ocorre menopausa cirúrgica.
Nesse caso, a menstruação para e os sintomas podem surgir rapidamente, porque há uma queda importante na produção hormonal.
Retirada de apenas um ovário
Quando apenas um ovário é retirado, o outro pode continuar produzindo hormônios. Por isso, nem sempre há menopausa cirúrgica imediata.
Ainda assim, dependendo da idade, da saúde do ovário restante e do motivo da cirurgia, pode haver alterações no ciclo menstrual ou antecipação da menopausa. O acompanhamento médico continua sendo importante.
Retirada do útero com ovários preservados
A retirada do útero é chamada de histerectomia. Se os ovários forem mantidos, a mulher deixa de menstruar porque não tem mais útero, mas pode continuar produzindo hormônios.
Nesse caso, ela pode não entrar em menopausa cirúrgica imediatamente. A dificuldade é que, sem menstruação, fica mais difícil perceber quando a menopausa natural começou.
Retirada do útero e dos ovários
Quando útero e dois ovários são retirados, a mulher deixa de menstruar e entra em menopausa cirúrgica se ainda não estava na menopausa.
Esse cenário costuma exigir orientação bem individualizada, especialmente quando acontece em idade precoce.
Por que os ovários podem ser retirados?
A retirada dos ovários pode ser indicada por diferentes motivos. Em alguns casos, é uma cirurgia de tratamento. Em outros, pode ser uma cirurgia preventiva, principalmente quando há risco genético aumentado para câncer ginecológico.
Entre as possíveis razões estão:
- endometriose grave;
- cistos ovarianos complexos ou recorrentes;
- torção ovariana ou danos importantes ao ovário;
- suspeita ou diagnóstico de câncer de ovário;
- alguns casos de câncer ginecológico;
- cirurgias redutoras de risco em mulheres com mutações genéticas, como BRCA1 ou BRCA2;
- outras condições avaliadas pela equipe médica.
A decisão de retirar os ovários deve considerar idade, diagnóstico, risco futuro, desejo reprodutivo, histórico familiar, qualidade de vida e alternativas disponíveis.
Leia também: Câncer e Menopausa: Entenda a Relação e Como se Cuidar.
Quais sintomas podem aparecer na menopausa cirúrgica?
Os sintomas da menopausa cirúrgica variam muito. Algumas mulheres sentem mudanças intensas logo nas primeiras semanas. Outras percebem alterações mais graduais ou mais leves.
Os sintomas mais comuns incluem:
- ondas de calor;
- suores noturnos;
- insônia ou sono fragmentado;
- irritabilidade ou oscilação de humor;
- ansiedade;
- cansaço;
- queda da libido;
- secura vaginal;
- dor nas relações;
- urgência urinária ou infecções urinárias recorrentes;
- dores articulares;
- dificuldade de concentração.
É importante lembrar: sentir sintomas após a retirada dos ovários não é “fraqueza” nem exagero. É uma resposta possível do corpo a uma mudança hormonal importante.
Menopausa cirúrgica e riscos de longo prazo
Além dos sintomas imediatos, a menopausa cirúrgica em idade precoce pede atenção aos cuidados de longo prazo. O foco não é gerar medo, mas prevenir.
Saúde óssea
O estrogênio participa da manutenção da massa óssea. Quando sua produção cai cedo, pode haver maior risco de perda óssea e osteoporose ao longo do tempo.
Por isso, o plano de cuidado pode incluir avaliação de vitamina D, ingestão adequada de cálcio, exercício físico, musculação e, quando indicado, exames como densitometria óssea.
Saúde cardiovascular
A queda hormonal precoce também pode influenciar colesterol, vasos sanguíneos, pressão arterial e composição corporal. Por isso, mulheres com menopausa cirúrgica precoce precisam acompanhar fatores como pressão, glicemia, colesterol e circunferência abdominal.
A prevenção cardiovascular começa com o básico bem feito: alimentação equilibrada, movimento regular, controle do sono, manejo do estresse e acompanhamento profissional.
Metabolismo e composição corporal
Algumas mulheres percebem maior facilidade para ganho de gordura abdominal, perda de massa muscular ou mudança na disposição após a menopausa cirúrgica.
Isso não significa que o corpo “saiu do controle”. Pequenos ajustes na rotina são suficiente para produzir efeito muito positivo, como dar mais atenção a proteínas, treino de força, sono e exames periódicos.
Saúde sexual e vaginal
A queda hormonal pode causar ressecamento vaginal, desconforto nas relações, redução da lubrificação e diminuição da libido. Esses sintomas têm tratamento e não devem ser normalizados como algo que a mulher precisa simplesmente suportar.
Lubrificantes, hidratantes vaginais, fisioterapia pélvica, terapias locais e cuidado médico individualizado podem fazer grande diferença.
Saúde emocional e cognitiva
A menopausa cirúrgica pode vir acompanhada de luto simbólico, medo, insegurança, mudanças na autoimagem e preocupação com fertilidade, sexualidade ou envelhecimento.
Também podem surgir queixas de memória, foco e clareza mental. Em muitos casos, sono ruim, calorões, ansiedade e estresse pós-cirúrgico contribuem para essa sensação.
Buscar apoio psicológico, conversar com profissionais de saúde e ter uma rede de suporte pode tornar esse processo menos solitário.
No meio dessa trajetória, uma orientação especializada pode evitar dúvidas e condutas desencontradas. O Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa reúne profissionais que podem apoiar mulheres em diferentes momentos da menopausa cirúrgica.
Menopausa natural x menopausa cirúrgica
| Aspecto | Menopausa natural | Menopausa cirúrgica |
|---|---|---|
| Como acontece | Transição gradual, geralmente ao longo de anos | Queda hormonal abrupta após retirada dos dois ovários |
| Idade mais comum | Por volta dos 45 a 55 anos | Pode ocorrer em qualquer idade, inclusive antes dos 40 |
| Sintomas | Podem surgir aos poucos | Podem aparecer rapidamente e com mais intensidade |
| Menstruação | Vai ficando irregular até parar | Para se os ovários e/ou útero forem retirados conforme o tipo de cirurgia |
| Impacto emocional | Pode haver adaptação gradual | Pode haver sensação de ruptura, luto ou susto com a mudança |
| Cuidados | Acompanhamento conforme sintomas e riscos | Acompanhamento mais atento, especialmente em idade precoce |
Terapia hormonal: quando pode entrar na conversa?
Na menopausa cirúrgica, a terapia hormonal pode ser considerada para algumas mulheres, especialmente quando a retirada dos ovários acontece em idade precoce. Ela pode ajudar no controle de sintomas, na saúde óssea e na proteção contra consequências da falta precoce de estrogênio.
Mas essa decisão não deve ser automática. A indicação depende de idade, motivo da cirurgia, histórico pessoal, histórico familiar, presença ou ausência do útero, risco cardiovascular, risco trombótico, enxaqueca, doenças prévias e preferências da mulher.
Em geral, a conversa deve ser feita com ginecologista ou profissional habilitado, avaliando benefícios, riscos, dose, via de uso e tempo de acompanhamento.
Leia também: Terapia de reposição hormonal na menopausa: prós e contras.
Cuidados não hormonais após a retirada dos ovários
Mesmo quando a terapia hormonal é indicada, ela não substitui um plano integral de cuidado. E quando não é indicada, os cuidados não hormonais se tornam ainda mais importantes.
Algumas medidas úteis incluem:
- manter consultas regulares com ginecologista;
- avaliar saúde óssea, cardiovascular e metabólica;
- praticar musculação ou treino de força;
- incluir atividade aeróbica, como caminhada, bicicleta ou dança;
- priorizar sono de qualidade;
- cuidar da alimentação, com atenção a proteínas, fibras, cálcio e vitamina D;
- evitar tabagismo;
- moderar álcool;
- cuidar da saúde vaginal e sexual;
- procurar apoio psicológico quando houver sofrimento emocional;
- conversar sobre fertilidade antes da cirurgia, quando houver tempo e desejo reprodutivo.
A menopausa cirúrgica é o início de um plano mais intencional de cuidado com o corpo, a saúde e a vida.
Quando procurar ajuda após a menopausa cirúrgica?
Procure avaliação se você passou por retirada dos ovários e apresenta:
- ondas de calor muito frequentes;
- insônia persistente;
- tristeza, ansiedade ou irritabilidade intensa;
- dor nas relações;
- secura vaginal importante;
- perda de libido com sofrimento;
- infecções urinárias de repetição;
- ganho de peso rápido;
- dor óssea ou fraturas;
- dúvidas sobre terapia hormonal;
- sensação de não ter recebido orientação suficiente após a cirurgia.
Também vale buscar ajuda antes da cirurgia, sempre que possível. Entender o que pode acontecer depois ajuda a mulher a tomar decisões mais conscientes e a se preparar melhor para a recuperação.

Perguntas frequentes sobre menopausa cirúrgica
Menopausa cirúrgica é igual à menopausa natural?
Não. A menopausa natural acontece de forma gradual. A menopausa cirúrgica ocorre quando os dois ovários são retirados, causando queda hormonal repentina.
Retirar o útero causa menopausa cirúrgica?
Depende. Se apenas o útero for retirado e os ovários forem preservados, a mulher deixa de menstruar, mas pode continuar produzindo hormônios. A menopausa cirúrgica acontece quando os dois ovários são retirados.
A menopausa cirúrgica antes dos 40 anos é mais preocupante?
Ela exige mais atenção porque ocorre antes da idade esperada da menopausa natural. Isso pode impactar ossos, coração, metabolismo, sexualidade, sono e saúde emocional.
Toda mulher com menopausa cirúrgica precisa de terapia hormonal?
Não necessariamente. A terapia hormonal pode ser uma possibilidade, mas precisa ser avaliada de forma individual, considerando histórico, riscos, idade, sintomas e motivo da cirurgia.
Dá para ter qualidade de vida depois da menopausa cirúrgica?
Sim. Com informação, acompanhamento, cuidado integral e tratamento adequado dos sintomas, muitas mulheres conseguem recuperar bem-estar, segurança e qualidade de vida.
Conclusão
A menopausa cirúrgica é diferente da menopausa natural porque pode acontecer de forma repentina, especialmente após a retirada dos dois ovários. Quando ocorre antes dos 40 anos, merece atenção ainda maior, não apenas pelos sintomas, mas pelos cuidados de longo prazo.
O mais importante é não atravessar essa fase sozinha, nem aceitar sintomas como algo inevitável. Há caminhos para cuidar do sono, da sexualidade, dos ossos, do coração, do humor e da qualidade de vida.
Para encontrar apoio profissional, acesse o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa e busque orientação individualizada para a sua história.
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Referências
- The North American Menopause Society. The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022.
- American College of Obstetricians and Gynecologists. Hormone Therapy in Primary Ovarian Insufficiency. Committee Opinion No. 698. 2017, reaffirmed.
- British Menopause Society. Surgical menopause: a toolkit for healthcare professionals. 2024.
- Mayo Clinic. Oophorectomy: ovary removal surgery. Atualizado em 2024.
- Rocca WA, et al. Premature or early bilateral oophorectomy: a 2021 update. Climacteric. 2021.







