Sentir como se uma formiguinha estivesse andando pelo braço, uma pequena picada aparecesse sem motivo ou vários “bichinhos” percorressem a pele pode causar uma estranheza enorme. Essa experiência tem nome: formicação na menopausa.
Apesar da descrição curiosa, a sensação é real para quem a percebe, mesmo quando não existe nenhum inseto sobre a pele. A formicação já aparece descrita entre os possíveis sintomas do climatério, mas ainda é pouco estudada quando comparada aos fogachos, à insônia ou ao ressecamento vaginal.
E há um cuidado importante: sentir formicação durante a menopausa não significa automaticamente que os hormônios sejam a causa. Outras condições podem provocar sensações parecidas e precisam entrar na investigação quando o problema persiste.
Se essa sensação apareceu recentemente, está se repetindo ou vem acompanhada de outros sintomas, uma avaliação individualizada pode ajudar a entender o que está acontecendo. Conheça o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa.
Formicação na menopausa: o que significa?
Formicação é o nome dado à sensação de que pequenos insetos estão rastejando sobre, dentro ou logo abaixo da pele, mesmo quando não há um estímulo externo correspondente.
A palavra vem do latim formica, que significa “formiga”.
Na prática, a mulher pode descrever a experiência de várias maneiras:
- “Parece que tem uma formiguinha andando no meu braço.”
- “Sinto alguma coisa caminhando pela pele.”
- “É como se um bichinho passasse pela perna.”
- “Sinto pequenas picadas, mas não encontro nada.”
- “Parece que alguma coisa rasteja embaixo da pele.”
Algumas fontes médicas classificam a formicação como uma sensação tátil anormal ou uma forma específica de percepção tátil sem estímulo externo. No contexto da menopausa, ela também aparece em escalas e pesquisas que investigam sintomas do climatério.
Isso não quer dizer que a pessoa esteja “imaginando” o que sente. O cérebro realmente interpreta aquela percepção como um estímulo vindo da pele.
Leia também: Formigamento na menopausa: mãos e pés dormindo
Quando a formicação na menopausa fica mais evidente?
Os dados disponíveis ainda são limitados, mas um grande estudo publicado em 2025 ajuda a localizar melhor esse sintoma ao longo da transição menopausal.
A pesquisa avaliou mais de 51 mil mulheres e encontrou a maior gravidade da formicação na fase inicial da transição menopausal, chamada de estágio -2 pelo sistema científico STRAW+10.
É justamente a fase em que os ciclos menstruais começam a apresentar mudanças persistentes de duração, embora a mulher ainda menstrue.
Isso sugere que, para algumas mulheres, a formicação na menopausa pode chamar mais atenção durante a perimenopausa, quando os hormônios ovarianos ainda não estão simplesmente “baixos”: eles podem oscilar bastante.
Mas é importante interpretar esse resultado com cautela. Ele vem de uma população específica e não significa que todas as mulheres terão formicação nessa fase ou que o sintoma não possa ocorrer posteriormente.
Por que a formicação na menopausa pode acontecer?
Essa é uma das perguntas para as quais a ciência ainda não tem uma resposta definitiva.
O estrogênio participa de diferentes funções do sistema nervoso e da pele. Durante a transição menopausal, seus níveis oscilam e, posteriormente, diminuem de forma mais sustentada.
Por isso, pesquisadores consideram biologicamente plausível que alterações hormonais possam participar de mudanças na percepção sensorial de algumas mulheres.
Entretanto, a ligação específica entre os hormônios e a formicação ainda não está completamente esclarecida.
Estudos sobre sintomas do climatério registram tanto formicação quanto outras alterações sensoriais, como parestesias, mas isso demonstra uma associação, não prova que a variação hormonal seja a causa direta da sensação.
A pele também muda nessa fase
Ao mesmo tempo, a redução do estrogênio modifica características da pele, incluindo hidratação, espessura, elasticidade e capacidade de manter sua barreira protetora.
Isso pode favorecer ressecamento, sensibilidade e coceira.
Essas alterações podem coexistir com a formicação e tornar as sensações cutâneas ainda mais incômodas, mas pele seca e formicação não são a mesma coisa.
Formicação, formigamento ou coceira: qual a diferença?
Esses sintomas podem parecer semelhantes quando são descritos em uma conversa, mas a sensação predominante costuma ajudar a diferenciá-los.
| Sensação | Como costuma ser descrita | Característica principal |
|---|---|---|
| Formicação | “Bichinhos andando”, rastejamento, pequenas picadas | Sensação de algo se movimentando sobre ou sob a pele |
| Formigamento | Agulhadas, mãos ou pés “dormindo”, pinicação | Alteração da sensibilidade, muitas vezes acompanhada de dormência |
| Choque elétrico | Descarga, fisgada elétrica, “estalo” | Sensação rápida semelhante a uma corrente elétrica |
| Coceira | Vontade de esfregar ou coçar a pele | Predomina o prurido |
Essas sensações podem, inclusive, aparecer juntas.
Leia também: Choques elétricos na menopausa: por que acontecem
Nem toda sensação de insetos na pele vem da menopausa
Esse talvez seja o ponto mais importante da matéria.
A mulher pode estar atravessando a perimenopausa e, ao mesmo tempo, apresentar outro problema capaz de alterar a sensibilidade da pele ou dos nervos.
Por isso, a formicação na menopausa não deve ser automaticamente atribuída aos hormônios.
Entre as possibilidades que podem entrar na investigação estão:
- diabetes ou alterações persistentes da glicemia;
- deficiência de vitamina B12 e outras carências nutricionais;
- alterações da tireoide;
- compressões ou lesões de nervos;
- algumas neuropatias;
- consumo excessivo de álcool;
- uso, ajuste ou retirada de determinados medicamentos;
- algumas condições neurológicas.
Diabetes, deficiência de vitamina B12, doenças da tireoide, consumo de álcool, compressões nervosas e medicamentos estão entre causas reconhecidas de neuropatias e alterações de sensibilidade.
Isso não significa que quem sente formicação tenha alguma dessas condições. Significa apenas que vale olhar para o quadro completo.
Se a sensação está persistente, piorando ou dificultando seu sono e sua rotina, não é necessário tentar descobrir a causa sozinha. No Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa você pode encontrar profissionais para uma avaliação individualizada.
Ansiedade e estresse podem piorar a formicação na menopausa?
Podem influenciar a forma como percebemos sensações corporais.
Quando estamos ansiosas ou sob estresse intenso, o cérebro tende a ficar mais atento aos sinais do corpo. Uma sensação discreta que passaria despercebida em outro momento pode ganhar muito mais destaque.
Sono ruim também pode aumentar irritabilidade, tensão corporal e percepção de desconfortos.
Isso não significa que a formicação seja “coisa da cabeça”.
O que acontece é que percepção física, sono, emoções e sistema nervoso conversam entre si. Portanto, dois fatores podem existir simultaneamente: uma sensação física verdadeira e um estado de alerta que aumenta sua intensidade percebida.
Formicação não é o mesmo que acreditar em uma infestação
Existe outra diferença importante.
Uma pessoa pode sentir claramente algo rastejando na pele e, ao olhar, perceber que não há insetos. Essa experiência pode acontecer na formicação.
Em outros quadros, a pessoa desenvolve uma convicção persistente de que existe uma infestação no corpo ou no ambiente, apesar de avaliações repetidas não encontrarem evidências dela.
São situações diferentes.
Quando há medo intenso de infestação, feridas provocadas por manipulação repetitiva da pele ou grande sofrimento relacionado à crença de que existem organismos no corpo, é importante procurar avaliação profissional com acolhimento e sem julgamento.

O que fazer quando a formicação na menopausa aparece?
O primeiro passo é observar o padrão.
Tente perceber se:
- ocorre sempre no mesmo lugar;
- acontece nos dois lados do corpo;
- vem junto de dormência, dor ou queimação;
- começou depois de algum medicamento;
- piora após noites mal dormidas;
- existe lesão, vermelhidão ou ressecamento da pele;
- há outros sintomas neurológicos;
- onde a sensação aparece;
- quanto tempo dura;
Um pequeno registro no celular durante alguns dias pode ajudar bastante na consulta.
Cuide também da pele
Se houver ressecamento ou irritação associados, algumas medidas simples podem aumentar o conforto:
- prefira banhos mornos e mais curtos;
- evite esfoliação excessiva;
- use hidratantes adequados ao seu tipo de pele;
- reduza produtos perfumados se perceber irritação;
- evite coçar ou manipular repetidamente a região.
Esses cuidados ajudam principalmente quando existe ressecamento associado. Eles não tratam necessariamente a causa da formicação.
Leia também: Coceira na menopausa: pele, causas e soluções
Terapia hormonal melhora a formicação na menopausa?
Ainda não existe evidência suficientemente robusta para indicar terapia hormonal apenas para tratar formicação isolada.
Um estudo antigo observou redução de formicação e outros sintomas em mulheres que utilizaram estrogênio associado a progestagênio, mas a formicação não era o principal objetivo do estudo e esse resultado, isoladamente, não permite concluir que a terapia hormonal seja um tratamento específico para esse sintoma.
Na prática, a indicação de terapia hormonal deve considerar o conjunto de sintomas da menopausa, idade, tempo desde a última menstruação, histórico pessoal, contraindicações, riscos e preferências da mulher.
Se a queixa principal for formicação, o mais importante é primeiro avaliar se existe outra causa que precise ser investigada.
Formicação na menopausa: quando procurar avaliação?
Vale marcar uma consulta quando a sensação:
- aparece com frequência;
- persiste por dias ou semanas;
- está ficando progressivamente mais intensa;
- interfere no sono;
- provoca feridas porque você acaba coçando ou manipulando a pele;
- vem acompanhada de dormência persistente;
- ocorre junto de dor ou queimação;
- começou após a introdução ou mudança de algum medicamento.
Quando buscar atendimento rapidamente?
Procure atendimento imediato se uma alteração sensorial surgir subitamente acompanhada de:
- fraqueza em um lado do corpo;
- assimetria no rosto;
- dificuldade para falar ou compreender;
- perda ou alteração súbita da visão;
- dificuldade importante para caminhar;
- confusão;
- desmaio;
- perda súbita importante da sensibilidade.
Nessas situações, o objetivo não é descobrir se a menopausa está envolvida, mas excluir rapidamente problemas neurológicos que precisam de atendimento.
FAQ: formicação na menopausa
Formicação na menopausa é comum?
Ela é descrita em estudos e escalas de sintomas do climatério, mas é muito menos estudada do que fogachos, alterações do sono ou sintomas geniturinários. Por isso, ainda não temos uma estimativa universal confiável de frequência.
Sentir insetos andando na pele significa que estou com um problema psicológico?
Não. A formicação é uma percepção sensorial que pode aparecer em diferentes contextos médicos. Sozinha, ela não permite concluir que exista uma condição psiquiátrica.
A formicação pode aparecer só em uma parte do corpo?
Pode. Mas quando a sensação é persistente, sempre do mesmo lado, segue um trajeto específico ou vem acompanhada de dormência, dor ou fraqueza, é importante investigar causas neurológicas ou compressões nervosas.
Deficiência de vitamina B12 pode causar uma sensação parecida?
Sim. A deficiência de vitamina B12 pode causar alterações neurológicas e neuropatia, com sintomas como formigamento, dormência e outras mudanças de sensibilidade. A necessidade de dosagem ou suplementação deve ser avaliada individualmente.
A formicação desaparece depois da menopausa?
Não existe uma trajetória única. Algumas mulheres percebem melhora com a estabilização hormonal, enquanto outras podem apresentar o sintoma por causas independentes da menopausa. Persistência ou piora merece avaliação.
Entender a sensação ajuda a diminuir o susto
A formicação na menopausa tem um nome estranho para uma experiência que pode ser bastante familiar: aquela impressão desconcertante de que alguma coisa está andando sobre a pele quando não há nada ali.
Os estudos mostram que essa sensação pode aparecer durante a transição menopausal e há dados indicando maior intensidade já na fase inicial da perimenopausa. Mas a ciência ainda não estabeleceu exatamente quanto desse fenômeno é provocado diretamente pelas alterações hormonais.
Por isso, a melhor estratégia não é ignorar o sintoma nem atribuir tudo à menopausa.
Observe o padrão, cuide da pele, registre os episódios e procure avaliação se a sensação persistir, piorar ou vier acompanhada de outros sintomas.
Cada sintoma conta uma parte da história. Se você precisa de ajuda para juntar essas informações, conheça o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa e encontre profissionais preparados para acompanhar a mulher 40+.
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