Sangramento uterino anormal na perimenopausa e menopausa

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mulher em consulta ginecológica avaliando sangramento anormal na perimenopausa

O sangramento uterino anormal na perimenopausa e menopausa é uma situação relativamente comum, mas que merece avaliação cuidadosa. No consultório, eu costumo reforçar que esse quadro pode variar desde alterações hormonais benignas até doenças mais importantes, incluindo hiperplasia e câncer de endométrio.

Essa situação se caracteriza por um distúrbio em que um ou mais parâmetros do sangramento uterino estão alterados, como quantidade, duração, frequência ou a combinação de todos eles. Além do desconforto, essa perda menstrual excessiva pode trazer repercussões físicas, emocionais, sociais e materiais importantes para a qualidade de vida da mulher.

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Importante: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.

Quando o sangramento uterino anormal deve chamar atenção?

Sangramento uterino anormal na perimenopausa

A perimenopausa é o período de transição antes da menopausa, geralmente entre os 40 e 50 anos, marcado por oscilações hormonais e irregularidade menstrual.

Nessa fase, o sangramento passa a ser considerado anormal quando ocorre:

  • menstruação muito intensa;
  • ciclos muito curtos ou muito longos;
  • sangramento fora do período menstrual;
  • sangramento prolongado;
  • escapes frequentes;
  • anemia associada;
  • sangramento após relação sexual.

Sangramento uterino anormal na menopausa

Após 12 meses consecutivos sem menstruar, qualquer sangramento vaginal é considerado anormal até prova em contrário.

Esse sangramento pode se apresentar como:

  • fluxo mais intenso;
  • pequenas manchas;
  • corrimento com sangue;
  • “borra” marrom;
  • episódio único.

Mesmo quando parece pequeno, ele precisa ser valorizado.

Quando procurar avaliação médica rapidamente

Na menopausa

  • qualquer sangramento vaginal.

Na perimenopausa

  • sangramento muito intenso;
  • anemia;
  • tontura;
  • dor importante;
  • perda de peso inexplicada;
  • sangramento persistente.

Principais causas do sangramento uterino anormal

Causas do sangramento uterino anormal na perimenopausa

Alterações hormonais

No período da perimenopausa, as alterações hormonais são frequentes, devido a uma disfunção ovariana, decorrente na maioria das vezes de ciclos anovulatórios.

A anovulação crônica ou frequente decorre do desequilíbrio hormonal entre estrogênio e progesterona. Esse desequilíbrio acarreta um estímulo estrogênico constante do endométrio, que é a camada de revestimento do útero, sem a contraposição adequada da progesterona, produzida pelo ovário após a ovulação.

São consequências desse estímulo irregular:

  • espessamento endometrial;
  • descamação irregular;
  • sangramento imprevisível.

Outras causas importantes

  • miomas uterinos;
  • pólipos endometriais;
  • adenomiose;
  • hiperplasia endometrial;
  • câncer de endométrio;
  • dispositivo intrauterino deslocado ou sem mais ação hormonal;
  • distúrbios da coagulação sanguínea;
  • uso de medicamentos anticoagulantes.

Causas do sangramento uterino anormal na menopausa

Na menopausa, algumas causas merecem atenção especial:

  • hiperplasia endometrial;
  • câncer de endométrio;
  • atrofia endometrial.

O câncer de endométrio é um dos tumores ginecológicos mais relevantes nessa fase da vida, sendo mais frequente na pós-menopausa, com incidência aumentada com o envelhecimento e na população obesa.

Fatores de risco importantes

Algumas condições aumentam a atenção durante a investigação do sangramento uterino anormal na perimenopausa e menopausa:

  • obesidade;
  • diabetes;
  • hipertensão;
  • síndrome dos ovários policísticos;
  • nuliparidade;
  • menopausa tardia;
  • uso isolado de estrogênio;
  • anticoagulantes;
  • tamoxifeno;
  • história familiar de câncer ginecológico.

Tabela: quando o sangramento é mais suspeito?

SituaçãoO que pode acontecerNível de atenção
Perimenopausa com ciclos irregularesSangramento por oscilação hormonal é comumPrecisa avaliação se for intenso, prolongado, frequente ou associado a anemia
Perimenopausa com sangramento após relaçãoPode ter causa cervical, vaginal ou uterinaMerece investigação
Menopausa com qualquer sangramentoPode variar de causa benigna a câncer de endométrioDeve sempre ser investigado
Reposição hormonal com sangramento persistente ou tardioPode estar relacionado ao esquema, mas também pode sinalizar alteração endometrialPrecisa avaliação

Como investigar o sangramento uterino anormal

A investigação começa com uma boa história clínica, seguida por exame físico, avaliação ginecológica e exames complementares.

História clínica

É importante avaliar:

  • padrão do sangramento;
  • intensidade;
  • duração;
  • sintomas associados;
  • medicamentos em uso;
  • reposição hormonal.

Exame físico e ginecológico

O exame clínico e ginecológico ajuda a direcionar a investigação e pode sugerir se o sangramento tem origem uterina, vaginal ou cervical.

Ultrassonografia transvaginal

A ultrassonografia transvaginal costuma ser o principal exame complementar inicial.

Ela permite avaliar:

  • espessura do endométrio;
  • miomas;
  • pólipos;
  • adenomiose;
  • ovários.

Histeroscopia

A histeroscopia é um procedimento endoscópico que pode ser realizado ambulatorialmente, sem necessidade de anestesia na maioria dos casos.

Ela é considerada o padrão-ouro para avaliar patologias da cavidade uterina, porque permite visualizar diretamente a cavidade uterina, identificar prováveis causas como pólipos, hiperplasia e atrofia endometrial, além de realizar biópsias direcionadas quando necessário.

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Tratamento do sangramento uterino anormal

O objetivo do tratamento é reduzir o fluxo menstrual, diminuir a morbidade e melhorar a qualidade de vida.

A escolha do tratamento depende de vários fatores, como:

  • causa do sangramento;
  • idade;
  • intensidade do quadro;
  • desejo da paciente.

Dependendo desses fatores, pode-se optar por tratamento medicamentoso ou cirúrgico.

Tratamento medicamentoso

O tratamento clínico costuma ser a primeira escolha quando o sangramento é disfuncional, isto é, causado por alterações hormonais ou distúrbios da coagulação.

Tratamento hormonal

Pode incluir:

  • progesterona;
  • anticoncepcionais;
  • DIU hormonal com levonorgestrel.

O sistema intrauterino com levonorgestrel libera o hormônio continuamente e, por vários mecanismos, promove atrofia endometrial, com redução importante do sangramento. Em muitos casos, ele é mais efetivo do que tratamentos orais.

Ácido tranexâmico

O ácido tranexâmico pode ajudar a diminuir perdas menstruais intensas em situações selecionadas.

Tratamento cirúrgico

Quando necessário, o tratamento cirúrgico pode incluir:

  • retirada de pólipos;
  • miomectomia;
  • ablação endometrial;
  • histerectomia.

Sangramento na reposição hormonal

Durante a terapia hormonal na perimenopausa ou menopausa, algum sangramento pode ocorrer dependendo:

  • do esquema utilizado;
  • do tempo de uso;
  • da adaptação endometrial.

Mas um ponto importante é este: sangramento persistente, recorrente ou tardio também precisa ser investigado.

Sinais de alerta

  • qualquer sangramento após a menopausa;
  • sangramento muito intenso;
  • anemia;
  • tontura;
  • dor importante;
  • perda de peso inexplicada;
  • sangramento persistente;
  • piora progressiva do padrão de sangramento.

Leia também: Gravidez na perimenopausa: chances e cuidados

sangramento uterino anormal na menopausa representado por uma mulher visualizando seu absorvente ensanguentado

Perguntas frequentes sobre sangramento uterino anormal

Sangramento irregular na perimenopausa é sempre hormonal?

Não. Alterações hormonais são uma causa muito comum nessa fase, mas não são a única explicação. Miomas, pólipos, adenomiose, hiperplasia e outras condições também podem estar envolvidas.

Uma pequena borra marrom na menopausa precisa investigar?

Sim. Após 12 meses sem menstruar, qualquer sangramento, mesmo pequeno, deve ser avaliado.

Ultrassom resolve toda a investigação?

Nem sempre. O ultrassom transvaginal costuma ser o primeiro exame, mas em muitos casos pode ser necessária avaliação complementar com histeroscopia e biópsia do endométrio.

O tratamento é sempre cirurgia?

Não. O tratamento depende da causa. Em muitos casos, principalmente nos quadros hormonais, o manejo pode ser medicamentoso.

Conclusão

Na perimenopausa, a causa mais comum do sangramento uterino anormal costuma ser hormonal. Já após a menopausa, qualquer sangramento deve ser investigado com atenção.

Na prática, a maioria dos casos é benigna. Ainda assim, o objetivo da investigação é não perder diagnósticos importantes, especialmente hiperplasia e câncer de endométrio.

Para o diagnóstico do sangramento uterino anormal, deve-se inicialmente excluir gravidez nas mulheres em idade fértil e realizar uma avaliação ultrassonográfica pélvica para verificar se o sangramento tem etiologia estrutural ou não estrutural. O tratamento, por sua vez, depende da etiologia: em geral, causas estruturais tendem a ser tratadas cirurgicamente, enquanto causas não estruturais costumam ser tratadas clinicamente.

Quanto mais cedo a mulher busca avaliação, mais claro e seguro tende a ser o caminho diagnóstico e terapêutico. Para agendar uma avaliação, clique aqui.

Referências sugeridas

  1. Sangramento uterino anormal. COMISSÃO NACIONAL ESPECIALIZADA EM GINECOLOGIA ENDÓCRINA – 2016 / 2019. Protocolos Febrasgo vol. Nº42 | 2018
  2. World Health Organization. GLOBOCAN 2020: Estimated Cancer Incidence, Mortality and Prevalence Worldwide in 2020. 2020.
  3. ESGO/ESHRE/ESGE Guidelines for the fertility-sparing treatment of patients with endometrial carcinoma. Alexandros Rodolakis et cols. Human Reproduction Open, Vol. 2023, No. 1, hoac057, 2023
  4. Sangramento uterino anormal Cristina Laguna Benetti et cols.  Rev Bras Ginecol Obstet Vol. 39 No. 7/2017
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