A menopausa e dor de cabeça andam juntas para muitas mulheres. Se você percebeu crises mais frequentes ou diferentes nessa fase, não é “coisa da sua cabeça”: as oscilações hormonais podem atuar como gatilho, especialmente em quem já tinha enxaqueca.
A boa notícia? Com informação, acompanhamento e um plano de cuidado personalizado, é possível atravessar o climatério com menos dor, mais previsibilidade e qualidade de vida.
O que a ciência diz sobre menopausa e dor de cabeça
Durante a perimenopausa, os níveis de estrogênio e progesterona variam muito — e isso se associa a mais frequência e intensidade das enxaquecas. Evidências atuais explicam o papel das flutuações hormonais nesse aumento.
Um dado útil para a conversa clínica: estudos populacionais mostram maior risco de enxaqueca frequente na transição menopausal em comparação à fase reprodutiva.
Perimenopausa: por que a menopausa e dor de cabeça podem piorar
Na perimenopausa, quedas e picos de estrogênio são gatilhos comuns. Para quem já tinha enxaqueca, o padrão pode ficar mais errático e imprevisível.
Como estratégia geral, vale priorizar o que estabiliza: rotinas de sono, horários de refeições, hidratação, manejo do estresse e, quando indicado, esquemas hormonais com menos variação.
Pós-menopausa: quando a menopausa e dor de cabeça melhoram
Após a transição, com os hormônios em níveis estáveis e baixos, muitas mulheres relatam crises menos frequentes e mais leves. Em quem passou por menopausa natural, é comum perceber melhora progressiva ao longo dos meses.
Menopausa cirúrgica: atenção redobrada
Quando os ovários são retirados (ooforectomia), a queda hormonal é abrupta e, em muitas mulheres, a enxaqueca pode piorar. Planejamento e seguimento próximos ajudam a reduzir impactos e ajustar o manejo.
TRH, enxaqueca e menopausa e dor de cabeça: o que considerar
- Não é regra única. A terapia hormonal (TRH/MHT) pode melhorar cefaleias em algumas mulheres (especialmente quando as dores caminham com ondas de calor e insônia), mas pode piorar em outras — sobretudo com esquemas que geram picos hormonais.
- Preferir estabilidade. Sempre que possível, priorize estrogênio transdérmico (adesivo/gel) e a menor dose eficaz, que costumam produzir níveis mais estáveis do que vias orais.
- Aura não é contraindicação absoluta. Diferente dos anticoncepcionais combinados, a TRH não é automaticamente contraindicada em enxaqueca com ou sem aura; a orientação é individualizar, preferindo via transdérmica e monitorando sintomas.
- Se piorar, ajuste. Caso aura ou dor piorem após iniciar a TRH, recomenda-se reduzir a dose, trocar a via ou considerar opções não hormonais.
Conversa franca com ginecologia e neurologia é decisiva para equilibrar controle dos sintomas do climatério, segurança vascular e qualidade de vida.
Nem toda menopausa e dor de cabeça é enxaqueca
- Cefaleia tensional: muito comum na meia-idade; costuma se associar a estresse, sono irregular e tensão muscular.
- Uso excessivo de analgésicos (rebote): tomar medicação com muita frequência pode manter as dores. Avaliação médica ajuda a “quebrar” o ciclo.
A enxaqueca pode caminhar junto de névoa mental, oscilações de humor e lapsos de memória. Para aprofundar o cuidado integral, indicamos o episódio Saúde cerebral e mental na menopausa do nosso programa mensal Hora da Menopausa — gravado em formato de rádio e disponibilizado no YouTube.
Plano prático: o que fazer na menopausa e dor de cabeça
- Rastros e gatilhos: registre horários, intensidade, ciclo do sono, alimentação, estresse e uso de analgésicos.
- Higiene do sono e rotina de refeições: horários regulares protegem contra crises.
- Atividade física e hidratação: reduzem estresse e inflamação.
- Cuidado multiprofissional: ajuste de preventivos para enxaqueca, avaliação de TRH (quando indicada) e opções não hormonais.
- Procure ajuda imediata se surgir “a pior dor da vida”, sinais neurológicos novos (fraqueza, fala arrastada, visão dupla) ou dor de cabeça diferente do seu padrão.
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