Todos os anos, em 29 de setembro, o Dia Mundial do Coração chama atenção para uma das questões mais importantes da saúde global. Em 2026, a campanha tem uma mensagem especialmente útil quando falamos sobre infarto em mulheres: doenças cardiovasculares podem estar diante dos nossos olhos e, ainda assim, alguns sinais podem ser ignorados.
O tema deste ano, “Don’t Miss a Beat”, reforça justamente a importância de perceber os sinais e agir. Isso é especialmente relevante para nós, mulheres, porque um infarto nem sempre corresponde àquela cena clássica dos filmes, em que alguém sente uma dor intensa no peito e imediatamente percebe que algo está errado.
Mas existe um cuidado importante: isso não significa que mulheres não sintam dor no peito. Sentem — e dor ou desconforto no peito continua sendo o sintoma mais frequente do infarto também nelas. A diferença é que outros sintomas podem aparecer junto, chamar mais atenção ou dificultar o reconhecimento do problema.
Por isso, neste Dia Mundial do Coração, nosso convite é simples: conhecer os sinais sem viver com medo deles.
Quer avaliar como anda a sua saúde cardiovascular antes de surgir uma emergência? No Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa você encontra profissionais para uma avaliação individualizada. Em caso de suspeita de infarto ou outro quadro de urgência, porém, o diretório não substitui o atendimento de emergência.
Dia Mundial do Coração: por que falar de infarto em mulheres?
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. Segundo a World Heart Federation, elas estão relacionadas a aproximadamente 20 milhões de mortes por ano.
O objetivo do Dia Mundial do Coração não é fazer você passar a interpretar qualquer desconforto como doença cardíaca. É exatamente o contrário: quanto melhor entendemos os sinais e nossos fatores de risco, mais conseguimos diferenciar situações comuns daquelas em que não vale a pena esperar.
Esse conhecimento se torna ainda mais importante a partir da meia-idade.
Durante a transição para a menopausa, o organismo passa por mudanças hormonais, metabólicas e vasculares. Ao mesmo tempo, a idade avança e fatores como pressão arterial, colesterol, glicemia, tabagismo, sedentarismo, sono, genética e histórico familiar continuam exercendo influência.
A Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e Menopausa destaca justamente essa fase como um período importante para avaliação e prevenção cardiovascular.
Leia também: Saúde do coração na menopausa: mudanças metabólicas
Infarto em mulheres sempre causa dor no peito?
Não necessariamente. Mas aqui existe um mito que precisamos desfazer.
Durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que homens teriam a “dor clássica” do infarto enquanto mulheres apresentariam apenas sintomas diferentes ou vagos.
A realidade é mais complexa.
Segundo a American Heart Association, dor ou desconforto no peito continua sendo o sintoma mais comum do infarto em mulheres, assim como acontece nos homens.
A mulher pode perceber:
- pressão no centro do peito;
- sensação de aperto;
- peso;
- queimação;
- desconforto;
- ou dor que dura alguns minutos, desaparece e volta.
Mas ela também pode apresentar outros sinais, com ou sem uma dor torácica muito evidente.
É justamente aí que reconhecer o conjunto dos sintomas pode fazer diferença.
Quais são os sinais de infarto em mulheres?
Um infarto em mulheres pode se manifestar de formas diferentes. Nenhum sintoma isolado confirma o diagnóstico, mas alguns sinais merecem atenção principalmente quando surgem de forma súbita, intensa ou diferente do que você costuma sentir.
Dor ou pressão no peito
A dor pode aparecer no centro ou em outra região do peito e ser descrita como aperto, peso, pressão ou queimação.
Ela pode durar vários minutos ou ir e voltar.
Também pode se espalhar para outras regiões do corpo.
Dor nos braços, costas, pescoço ou mandíbula
O desconforto pode atingir um ou os dois braços, ombros, costas, pescoço ou mandíbula.
Algumas mulheres podem prestar mais atenção à dor nas costas ou no maxilar do que ao desconforto torácico e, por isso, não fazer imediatamente a associação com o coração.
Falta de ar
A falta de ar pode aparecer junto com o desconforto no peito ou ocorrer sem uma dor torácica importante.
Se surgir de repente, principalmente acompanhada de mal-estar, suor frio, tontura ou dor, precisa ser levada a sério.
Náusea, vômito ou desconforto no estômago
Náusea, vômito, sensação de indigestão ou desconforto na parte superior do abdômen também podem fazer parte de uma síndrome coronariana aguda.
O problema é que esses sintomas podem facilmente ser confundidos com refluxo, indisposição alimentar ou outro problema digestivo.
Suor frio, tontura ou sensação de desmaio
Suor frio inesperado, palidez, tontura ou sensação de desmaio, especialmente quando aparecem acompanhados de outros sintomas, também merecem atenção.
O Ministério da Saúde inclui suor frio, palidez, falta de ar e sensação de desmaio entre os sinais que podem acompanhar um infarto.
Cansaço muito diferente do habitual
Aqui precisamos evitar alarmismo.
Cansaço é extremamente comum e pode ter inúmeras causas: noites mal dormidas, anemia, estresse, alterações da tireoide, ansiedade, infecções, rotina intensa e sintomas da própria transição menopausal.
Mas uma fraqueza ou fadiga incomum, principalmente quando aparece de forma abrupta ou acompanhada de falta de ar, pressão no peito, náusea ou outros sintomas, merece avaliação rápida. A American Heart Association reconhece fadiga incomum e fraqueza entre as possíveis apresentações observadas em mulheres.
Infarto em mulheres ou menopausa: por que alguns sintomas podem confundir?
A perimenopausa pode trazer calorões, palpitações, alterações do sono, ansiedade, cansaço e sensação de falta de energia.
Em algumas situações, portanto, é possível olhar para um sintoma e pensar: “deve ser hormonal”.
É justamente aí que precisamos de equilíbrio.
Um calorão conhecido, semelhante a dezenas de episódios anteriores, é uma situação. Um episódio repentino de suor frio acompanhado de pressão no peito, falta de ar, náusea e sensação de desmaio é outra.
Palpitações também podem acontecer durante a transição menopausal, mas não devemos atribuir automaticamente um sintoma cardíaco novo à menopausa sem avaliação.
A menopausa não transforma todo desconforto em emergência, mas também não deve se tornar uma explicação automática para qualquer sintoma que surge depois dos 40.
Infarto em mulheres: quando ligar para o SAMU?
Em uma possível emergência cardiovascular, não é hora de tentar descobrir sozinha se é refluxo, ansiedade, gases, menopausa ou infarto.
Procure atendimento de emergência diante de sintomas sugestivos, principalmente quando há:
- dor, pressão, aperto ou peso no peito;
- dor associada a falta de ar;
- desconforto que se espalha para braços, costas, pescoço ou mandíbula;
- suor frio intenso;
- palidez;
- tontura ou sensação de desmaio;
- náusea ou vômito junto com outros sinais;
- mal-estar súbito importante e sem explicação.
No Brasil, o Ministério da Saúde orienta acionar o SAMU pelo telefone 192 diante de sinais compatíveis com infarto. O atendimento rápido é fundamental porque o coração pode sofrer lesões progressivas quando uma região fica sem receber sangue adequadamente.
Não dirija sozinha até o hospital se estiver passando mal. Também não espere horas para descobrir se o sintoma “vai passar” quando houver suspeita real de emergência.
O que acontece no corpo durante um infarto?
Imagine que as artérias coronárias sejam pequenas estradas responsáveis por levar sangue e oxigênio até o músculo do coração.
Em muitos infartos, uma dessas artérias sofre uma obstrução repentina, frequentemente relacionada à formação de um coágulo sobre uma placa de gordura existente na parede do vaso.
Quando o sangue deixa de chegar adequadamente a uma parte do coração, aquelas células começam a sofrer por falta de oxigênio.
Quanto mais tempo essa interrupção permanece, maior pode ser o dano ao músculo cardíaco.
É por isso que médicos insistem tanto na rapidez do atendimento.
Não se trata apenas de descobrir se é ou não um infarto. O tempo também faz parte do tratamento.

Por que o risco cardiovascular merece atenção depois dos 40?
Os 40 anos não representam uma espécie de linha divisória depois da qual o coração passa subitamente a correr perigo.
Um infarto em mulheres pode ocorrer antes dessa idade, e a American Heart Association chama atenção inclusive para síndromes coronarianas agudas em mulheres ainda na pré-menopausa.
Mas a meia-idade reúne mudanças importantes.
Na transição menopausal e na pós-menopausa, podem ocorrer:
- aumento do LDL, o chamado colesterol “ruim”;
- aumento dos triglicerídeos;
- alterações na pressão arterial;
- mudanças na distribuição da gordura corporal;
- maior acúmulo de gordura abdominal;
- alterações no metabolismo da glicose;
- mudanças na saúde dos vasos sanguíneos.
Nada disso significa que a menopausa, sozinha, “cause infarto”.
Idade, genética, tabagismo, pressão alta, diabetes, colesterol, atividade física, alimentação, obesidade, doença renal, histórico familiar e outros fatores continuam fazendo parte da avaliação.
A história feminina também importa. Menopausa precoce e algumas complicações anteriores da gestação, por exemplo, podem acrescentar informações à avaliação do risco cardiovascular.
Leia também: Colesterol na perimenopausa: o que muda no exame?
Você não precisa esperar surgir um sintoma para conversar sobre o coração. No Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa é possível encontrar profissionais que podem avaliar pressão, exames, histórico familiar e outros fatores dentro da sua realidade.
E a terapia hormonal, onde entra nessa conversa?
A terapia hormonal da menopausa precisa ser analisada dentro do contexto de cada mulher.
A Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e Menopausa recomenda a terapia hormonal para mulheres climatéricas sintomáticas sem contraindicações, com escolha individualizada de acordo com riscos, benefícios, idade, momento da menopausa, tipo de hormônio, dose e via de administração.
Por isso, a avaliação cardiovascular faz parte dessa conversa.
Pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, obesidade, histórico de trombose ou doença cardiovascular e outros fatores podem interferir na escolha do tratamento.
Se você já utiliza terapia hormonal, não interrompa o tratamento por conta própria por medo do coração. Da mesma forma, não escolha hormônios ou vias de administração sem avaliação profissional.
Como proteger o coração antes que apareçam sintomas?
O Dia Mundial do Coração também serve para lembrar de algo fundamental: cuidar do coração não começa na emergência.
Boa parte do trabalho acontece silenciosamente, muitos anos antes.
Alguns pontos que merecem acompanhamento são:
- pressão arterial;
- colesterol e triglicerídeos;
- glicemia e presença de diabetes;
- tabagismo;
- atividade física;
- alimentação;
- qualidade do sono;
- peso e distribuição da gordura corporal;
- histórico familiar de doença cardiovascular;
- histórico de saúde ao longo da vida.
Não é necessário sair solicitando todos os exames disponíveis.
O objetivo da prevenção é identificar quais informações realmente mudam o cuidado daquela mulher.
Se sua pressão começou a mudar nessa fase, vale aprofundar esse tema em Pressão alta na menopausa: por que sobe e como controlar.
Dia Mundial do Coração: não ignore, mas também não viva com medo
Talvez essa seja a mensagem mais importante desta matéria.
Conhecer os sintomas de infarto em mulheres não significa passar a observar o próprio corpo com medo.
Significa reconhecer quando algo foge do habitual.
Significa não minimizar uma pressão no peito porque você teve um dia estressante.
Não atribuir automaticamente falta de ar à ansiedade.
Não assumir que todo suor depois dos 40 é um calorão.
E, ao mesmo tempo, significa entender que cansaço, náusea, palpitações ou dor nas costas isoladamente podem ter dezenas de outras causas.
O Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, existe para ampliar a consciência sobre as doenças cardiovasculares. Em 2026, o chamado para não deixar os sinais passarem despercebidos combina especialmente com a saúde da mulher.
Conhecer o seu corpo continua sendo uma das melhores ferramentas para perceber quando alguma coisa mudou.
Para prevenção, acompanhamento e avaliação individualizada da sua saúde cardiovascular, conheça o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa. Se os sintomas sugerirem uma emergência, procure atendimento imediatamente ou ligue para o SAMU, pelo 192.
Perguntas frequentes sobre infarto em mulheres
Infarto em mulheres pode acontecer sem dor no peito?
Sim. Dor ou desconforto no peito continua sendo o sintoma mais comum, mas algumas mulheres podem apresentar principalmente falta de ar, náusea, dor nas costas ou mandíbula, suor frio, tontura ou fraqueza incomum. Por isso, o conjunto dos sinais importa.
Como saber se é infarto ou crise de ansiedade?
Os sintomas podem se sobrepor, e tentar diferenciá-los sozinha pode ser arriscado diante de sinais importantes. Dor ou pressão no peito, falta de ar significativa, suor frio, desmaio, dor irradiada ou um mal-estar súbito diferente do habitual justificam avaliação de emergência. Uma crise de ansiedade não deve ser presumida antes de excluir situações potencialmente graves quando os sintomas são compatíveis.
Um calorão pode ser confundido com infarto?
Alguns sintomas podem se parecer, como sensação de calor, suor, palpitações ou ansiedade. Um calorão habitual costuma seguir um padrão que a mulher já reconhece. Já suor frio associado a pressão no peito, falta de ar, náusea, tontura ou mal-estar súbito merece avaliação rápida.
O que fazer se eu suspeitar de infarto?
Não espere para ver se passa. No Brasil, acione o SAMU pelo 192 ou procure imediatamente um serviço de emergência. Evite dirigir sozinha se estiver passando mal e não tome medicamentos por conta própria na tentativa de “testar” se os sintomas melhoram.
Continue cuidando do seu coração
Informação não serve para criar medo. Serve para ajudar você a reconhecer riscos, fazer perguntas melhores e participar das decisões sobre a própria saúde.
Continue acompanhando o Blog da Menopausa para encontrar conteúdos sobre coração, pressão, colesterol, alimentação, atividade física, sono e todas as mudanças que podem acompanhar a mulher depois dos 40.
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Referências
- WORLD HEART FEDERATION. World Heart Day 2026: Don’t Miss a Beat. World Heart Federation, 2026.
- AMERICAN HEART ASSOCIATION. Heart Attack Symptoms in Women.
- AMERICAN HEART ASSOCIATION. Acute Coronary Syndromes in Premenopausal Women: Top Things to Know. Atualizado em 3 fev. 2026.
- OLIVEIRA, G. M. M. et al. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa – 2024. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 7, e20240478, 2024.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Infarto. Brasília: Ministério da Saúde.
- AMERICAN HEART ASSOCIATION. Menopause Transition and Cardiovascular Disease Risk: Implications for Timing of Early Prevention. Circulation, 2020.








