Você mantém uma alimentação parecida, continua com praticamente a mesma rotina e, de repente, abre o exame e encontra números diferentes. O colesterol na perimenopausa pode realmente mudar durante essa fase, e isso não acontece necessariamente porque você fez algo errado.
A transição para a menopausa envolve alterações hormonais, metabólicas e corporais que podem influenciar a maneira como o organismo transporta e processa as gorduras no sangue. Entender essas mudanças ajuda a olhar para o exame com mais informação e menos preocupação.
No dia 8 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Colesterol, vale lembrar que cuidar do coração também significa compreender como o risco cardiovascular feminino se transforma ao longo da vida.
Se você percebeu mudanças nos exames e não sabe o que elas significam para a sua saúde, o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa reúne profissionais que podem fazer uma avaliação individualizada, considerando sua fase de vida, histórico e outros fatores de risco.
Colesterol na perimenopausa realmente pode aumentar?
Sim. Estudos que acompanharam mulheres durante vários anos mostram que algumas alterações do colesterol acontecem de maneira mais evidente durante a própria transição menopausal.
Um dos principais trabalhos sobre o tema é o SWAN — Study of Women’s Health Across the Nation, estudo norte-americano que acompanha mulheres desde antes da menopausa.
Os pesquisadores observaram que as mudanças foram mais pronunciadas principalmente na perimenopausa tardia e no início da pós-menopausa. Nesse período, houve tendência de aumento do:
- colesterol total;
- LDL;
- triglicerídeos;
- lipoproteína(a).
Isso é importante porque mostra que o envelhecimento não explica tudo. A própria transição menopausal parece participar dessas mudanças, embora idade, genética, alimentação, atividade física, peso corporal, distribuição da gordura e outras condições de saúde também tenham influência.
Em outras palavras: não existe uma única causa para a mudança do colesterol na perimenopausa.
Por que o colesterol na perimenopausa pode mudar?
Durante os anos reprodutivos, os estrogênios participam de diferentes processos relacionados ao metabolismo das gorduras, ao funcionamento dos vasos sanguíneos e à distribuição da gordura corporal.
Na perimenopausa, esses hormônios não simplesmente “desaparecem”. Primeiro, eles passam por grandes oscilações. À medida que a transição avança, ocorre uma redução progressiva da função ovariana e, posteriormente, dos níveis de estrogênio.
Essas mudanças podem interferir no metabolismo das lipoproteínas — partículas responsáveis por transportar colesterol e outras gorduras pelo sangue.
Ao mesmo tempo, algumas mulheres também apresentam:
- maior acúmulo de gordura na região abdominal;
- redução de massa muscular;
- alterações na sensibilidade à insulina;
- mudanças no peso;
- aumento da pressão arterial;
- alterações no sono e na atividade física.
Por isso, seria simplista dizer que “a queda do estrogênio aumenta o colesterol”. O organismo funciona como um sistema, e diversos fatores podem agir ao mesmo tempo.
Leia também: Gordura visceral na menopausa: como avaliar o risco?
Colesterol na perimenopausa: entendendo o exame sem complicação
Ao abrir o resultado do laboratório, você provavelmente encontrará vários nomes e números. Eles não significam exatamente a mesma coisa.
Uma forma simples de entender é imaginar o sangue como uma estrada.
O colesterol e os triglicerídeos precisam de “veículos” para circular pelo organismo. Esses veículos são as lipoproteínas.
Algumas transportam colesterol para diferentes tecidos. Outras participam do transporte de volta ao fígado.
Por isso, olhar apenas para o colesterol total pode esconder informações importantes.
Colesterol total
O colesterol total representa uma medida ampla do colesterol transportado pelas diferentes lipoproteínas presentes no sangue.
Ele pode aumentar durante a transição menopausal, mas isoladamente não permite definir o risco cardiovascular de uma mulher.
O profissional precisa observar também quais partículas estão contribuindo para esse resultado.
LDL: por que recebe tanta atenção?
O LDL-c representa o colesterol transportado pelas lipoproteínas de baixa densidade.
Quando existem muitas partículas aterogênicas circulando durante muito tempo, aumenta a possibilidade de colesterol se acumular na parede das artérias e participar da formação das placas de aterosclerose.
Por isso, o LDL é um dos principais marcadores utilizados na prevenção cardiovascular.
Estudos longitudinais mostram que o LDL tende a aumentar especialmente próximo da última menstruação e no início da pós-menopausa.
Mas não existe um único valor considerado ideal para todas as mulheres.
A meta de LDL depende do risco cardiovascular individual. Uma mulher sem fatores de risco pode ter uma meta diferente daquela que apresenta diabetes, doença cardiovascular, doença renal ou outros fatores relevantes.
Colesterol na perimenopausa: e o HDL, o chamado “colesterol bom”?
Por muito tempo, aprendemos uma regra bastante simples:
LDL baixo é bom e HDL alto é bom.
Hoje sabemos que a história é mais complexa.
O HDL participa do transporte do colesterol de diferentes tecidos de volta ao fígado e desempenha outras funções importantes. Entretanto, apenas medir sua quantidade no sangue não revela completamente como essas partículas estão funcionando.
Pesquisas do SWAN mostraram algo interessante: o HDL-c pode até aumentar durante a transição menopausal, enquanto algumas características das próprias partículas de HDL se modificam de maneira potencialmente desfavorável.
Isso significa que um HDL alto não deve ser interpretado isoladamente como um passe livre contra doenças cardiovasculares.
Para a leitora, a mensagem mais importante é simples: não tente interpretar o exame apenas procurando qual número está “bom” e qual está “ruim”. O conjunto importa.
Colesterol na perimenopausa e triglicerídeos
Os triglicerídeos são outro tipo de gordura presente no sangue.
Eles não são colesterol, embora apareçam no mesmo exame chamado perfil lipídico.
Seus níveis podem ser influenciados por vários fatores, como:
- consumo de álcool;
- excesso de açúcares e carboidratos refinados;
- excesso de peso;
- gordura visceral;
- resistência à insulina;
- diabetes;
- algumas doenças;
- certos medicamentos;
- predisposição genética.
Durante a transição menopausal, estudos também identificaram aumento dos triglicerídeos em parte das mulheres.
Por isso, quando os triglicerídeos começam a subir junto com alterações da glicemia, aumento da circunferência abdominal ou outros marcadores metabólicos, vale analisar o cenário de forma mais ampla.
Leia também: Resistência à insulina na menopausa: sinais e exames
Colesterol na perimenopausa: o que é colesterol não-HDL?
Apesar do nome estranho, o cálculo é bastante simples:
colesterol não-HDL = colesterol total − HDL
Ele reúne o colesterol transportado por diferentes partículas capazes de participar da formação da aterosclerose.
Isso inclui LDL e outras lipoproteínas aterogênicas.
Imagine que, em vez de contar apenas um tipo de veículo que circula pela estrada, o não-HDL ajude a estimar um grupo maior de veículos que carregam colesterol potencialmente relacionado ao risco cardiovascular.
Por isso, ele pode complementar a avaliação feita pelo LDL.
Colesterol na perimenopausa: ApoB – por que esse exame aparece cada vez mais?
A apolipoproteína B, ou ApoB, é uma proteína encontrada nas principais partículas capazes de contribuir para a aterosclerose.
De forma simplificada, podemos imaginar que cada uma dessas partículas carrega uma espécie de “etiqueta ApoB”.
Ao medir a ApoB, o exame ajuda a estimar quantas partículas aterogênicas estão circulando, e não apenas quanto colesterol existe dentro delas.
Essa diferença pode ser útil porque duas mulheres podem apresentar valores semelhantes de LDL, mas quantidades diferentes de partículas circulantes.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 reconhece a ApoB como um marcador capaz de refinar a avaliação do risco em situações específicas.
Isso não significa que toda mulher precise solicitar ApoB por conta própria. A indicação deve considerar o resultado do perfil lipídico, outras doenças, histórico e avaliação profissional.
Se LDL, não-HDL, ApoB e outros nomes deixaram seu exame mais confuso do que esclarecedor, não é necessário interpretar tudo sozinha. Um profissional do Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa pode ajudar a organizar esses resultados dentro do seu risco cardiovascular individual.
Colesterol na perimenopausa: e a lipoproteína(a), ou Lp(a)?
A lipoproteína(a), abreviada como Lp(a), é uma partícula semelhante à LDL, mas possui características próprias.
Aqui existe uma diferença importante em relação a muitos outros fatores do colesterol: a quantidade de Lp(a) é determinada principalmente pela genética.
Isso significa que alimentação, exercício e perda de peso geralmente têm influência muito menor sobre seus níveis do que têm sobre outros componentes do perfil lipídico.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 destaca a Lp(a) como um marcador adicional para refinar a avaliação do risco cardiovascular.
Como seus níveis costumam permanecer relativamente estáveis ao longo da vida, sua dosagem não funciona da mesma forma que acompanhar LDL ou triglicerídeos repetidamente.
Curiosamente, estudos sobre a transição menopausal identificaram mudanças da Lp(a) próximas à menopausa. Ainda assim, a genética continua sendo o principal determinante desse marcador.
Se existe histórico familiar de infarto ou AVC precoce, por exemplo, esse é um dos elementos que o profissional pode considerar durante uma avaliação mais detalhada.
Colesterol na perimenopausa: preciso pedir todos esses exames?
Não necessariamente.
Para muitas mulheres, o perfil lipídico tradicional já fornece informações muito importantes:
- colesterol total;
- LDL-c;
- HDL-c;
- triglicerídeos.
Dependendo do resultado e do histórico individual, o profissional pode avaliar se faz sentido acrescentar:
- colesterol não-HDL;
- ApoB;
- Lp(a);
- glicemia e hemoglobina glicada;
- pressão arterial;
- outros exames ou avaliações cardiovasculares.
O objetivo não é fazer a maior quantidade possível de exames.
O objetivo é fazer os exames que realmente ajudam a responder às perguntas clínicas daquela mulher.

Esta ilustração 3D revela o interior de uma artéria saudável, onde uma variedade de componentes coexistem em movimento perpétuo. Entre os numerosos glóbulos vermelhos (discos bicôncavos), circulam as lipoproteínas, os “veículos” que transportam colesterol e triglicerídeos. As grandes esferas amarelas representam as partículas transportadoras de triglicerídeos (VLDL), enquanto as médias são o LDL (conhecido como colesterol “ruim”). As partículas texturizadas azul-esverdeadas representam o HDL (colesterol “bom”), que realiza a limpeza do excesso de lipídeos. Notam-se também partículas distintas com apêndices, simbolizando complexos proteicos como a ApoB ou a Lipoproteína(a), que desempenham papéis cruciais na sinalização e no risco cardiovascular.
Um resultado diferente significa que tenho doença cardiovascular?
Não.
Um exame alterado representa uma informação sobre o seu organismo naquele momento. Ele não significa automaticamente que exista uma artéria obstruída, nem permite prever sozinho se você terá um infarto ou AVC.
O risco cardiovascular é construído pela combinação de diversos fatores.
Entre eles podem estar:
- idade;
- pressão arterial;
- tabagismo;
- diabetes;
- colesterol;
- histórico familiar;
- doença renal;
- doenças inflamatórias;
- obesidade e distribuição da gordura corporal;
- histórico de algumas complicações da gestação;
- menopausa precoce;
- presença de doença cardiovascular já conhecida.
É justamente por isso que interpretar apenas um número do exame pode gerar conclusões erradas.
Meu colesterol sempre foi normal. Por que mudou agora?
Essa é uma dúvida muito comum, e uma das razões pelas quais falar sobre colesterol na perimenopausa é tão importante.
Em algumas mulheres, a alteração coincide justamente com a fase em que os ciclos menstruais ficam mais espaçados e a última menstruação se aproxima.
O estudo SWAN observou que colesterol total, LDL, triglicerídeos e Lp(a) apresentaram mudanças mais marcantes na perimenopausa tardia e no início da pós-menopausa.
Isso não quer dizer que toda mudança seja causada pela menopausa.
O envelhecimento continua acontecendo ao mesmo tempo. Genética, alimentação, movimento, sono, medicamentos, tireoide, peso corporal, resistência à insulina e outras condições também podem interferir.
Por isso, comparar os exames atuais com resultados de anos anteriores pode ser muito útil. Mais do que olhar apenas para um número isolado, o profissional consegue observar a trajetória dos seus marcadores ao longo do tempo.
O colesterol alto dá sintomas?
Na maioria das vezes, não.
É possível ter LDL elevado durante anos sem sentir dor, cansaço ou qualquer outro sintoma específico.
Por isso, exames preventivos e avaliação periódica são importantes, especialmente quando existem outros fatores de risco cardiovascular.
A frequência ideal do acompanhamento não é igual para todas as mulheres. Ela depende da idade, dos resultados anteriores, das doenças existentes, do histórico familiar e do risco individual.
Colesterol na perimenopausa: o que fazer quando o exame muda?
Primeiro, não entre em pânico e não tente corrigir o resultado sozinha.
Uma mudança no exame é um convite para investigar o contexto.
Vale levar para a consulta:
- o exame atual;
- resultados de anos anteriores, se disponíveis;
- lista dos medicamentos e suplementos utilizados;
- histórico de doenças;
- informações sobre infarto ou AVC na família;
- mudanças recentes no peso ou na cintura;
- informações sobre seu ciclo menstrual;
- hábitos de alimentação, atividade física, álcool e tabagismo.
A partir daí, o profissional poderá avaliar se basta acompanhar, se existem hábitos que podem ser ajustados ou se há indicação de tratamento específico.
Medicamentos para redução do colesterol podem ser necessários em algumas mulheres. Essa decisão é baseada no risco cardiovascular e não apenas no fato de a paciente estar na menopausa.
Leia também: Colesterol na menopausa: por que muda e como agir
Terapia hormonal resolve o colesterol na perimenopausa?
A terapia hormonal da menopausa pode modificar alguns componentes do perfil lipídico, e os efeitos podem variar conforme o tipo de hormônio, dose e via de administração.
Mas isso não significa que a terapia hormonal deva ser iniciada com o objetivo de tratar colesterol alto ou prevenir doenças cardiovasculares.
Sua indicação deve partir principalmente da avaliação dos sintomas do climatério, riscos, benefícios, contraindicações e preferências de cada mulher.
Se uma mulher já possui alterações importantes do colesterol ou outros fatores cardiovasculares, essas informações também fazem parte da decisão sobre o tratamento da menopausa.
O exame mudou? Use essa informação a seu favor
Descobrir que o colesterol na perimenopausa mudou pode assustar, especialmente quando os resultados anteriores sempre estiveram dentro da faixa esperada.
Mas o exame não precisa ser visto como uma sentença.
Ele pode funcionar como uma oportunidade para entender melhor como seu corpo está atravessando essa fase e identificar fatores que podem ser acompanhados ou modificados precocemente.
A prevenção cardiovascular não começa apenas quando surge uma doença. Ela também acontece quando você conhece seus números, entende seu histórico e participa das decisões sobre a própria saúde.
Quer compreender seus exames dentro da sua história, e não apenas comparar números com uma tabela? Consulte o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa e encontre profissionais preparados para acompanhar a saúde da mulher 40+.
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Perguntas frequentes sobre colesterol na perimenopausa
A menopausa sempre aumenta o colesterol?
Não. Existe uma tendência populacional de alterações do perfil lipídico durante a transição menopausal, mas a resposta individual varia. Genética, idade, peso, alimentação, atividade física e condições metabólicas também participam.
O LDL pode aumentar mesmo sem eu engordar?
Sim. Alterações do perfil lipídico podem acontecer mesmo sem grande mudança no peso corporal. A transição hormonal, genética e outros fatores metabólicos também influenciam o LDL.
HDL alto significa que meu coração está protegido?
Não necessariamente. O HDL faz parte da avaliação cardiovascular, mas um valor alto isoladamente não garante proteção. O risco precisa ser analisado em conjunto com LDL, outras partículas e demais fatores clínicos.
ApoB e Lp(a) são exames obrigatórios na perimenopausa?
Não. Eles podem acrescentar informações em determinadas situações, mas a indicação deve ser individualizada. Não é necessário solicitar uma lista extensa de exames apenas porque você entrou na perimenopausa.
Preciso repetir o colesterol todos os anos?
A periodicidade depende do seu risco cardiovascular, histórico, idade, doenças existentes e resultados anteriores. O profissional que acompanha sua saúde pode definir o intervalo mais adequado.
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