Fitoestrógenos no climatério: fontes e benefícios

0Shares
Mulher 40+ observando alimentos ricos em fitoestrógenos no climatério, como soja, tofu, linhaça e leguminosas.

Os fitoestrógenos no climatério despertam interesse porque estão presentes em alimentos comuns e conseguem interagir, de maneira suave, com estruturas do organismo que também respondem ao estrogênio. Por isso, muitas mulheres se perguntam se soja, linhaça e outras fontes vegetais podem ajudar a aliviar os sintomas dessa fase.

A resposta exige equilíbrio. Os fitoestrógenos não são hormônios femininos, não “recompõem” o estrogênio perdido e não produzem o mesmo efeito da terapia hormonal. Algumas mulheres podem perceber benefícios, principalmente em sintomas vasomotores, mas os resultados dos estudos são variáveis e geralmente modestos.

Se os sintomas do climatério estão afetando seu sono, bem-estar ou qualidade de vida, você não precisa tentar descobrir tudo sozinha. Conheça o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa e encontre profissionais preparados para cuidar da mulher 40+.

O que são fitoestrógenos no climatério?

Fitoestrógenos são compostos produzidos naturalmente por algumas plantas. O prefixo “fito” significa vegetal, enquanto o restante do nome faz referência à semelhança de sua estrutura com a do estrogênio.

Apesar do nome, eles não são estrogênios humanos. Sua ação é muito mais fraca e pode variar de acordo com o tecido, a quantidade consumida, a microbiota intestinal e a quantidade de estrogênio que já circula no organismo.

Uma comparação simples é pensar nos receptores de estrogênio como fechaduras. O estrogênio produzido pelo corpo é uma chave feita exatamente para essas fechaduras. Os fitoestrógenos têm um formato parcialmente parecido: conseguem se encaixar em algumas delas, mas não abrem todas da mesma maneira nem com a mesma intensidade.

Uma revisão de ensaios clínicos publicada em 2025 não encontrou alterações significativas em marcadores como estradiol, FSH, espessura do endométrio e maturação vaginal após o uso de isoflavonas. Isso reforça que as isoflavonas não se comportam clinicamente como o próprio estrogênio.

Como os fitoestrógenos no climatério funcionam?

O organismo possui dois tipos principais de receptores de estrogênio, chamados de receptor alfa e receptor beta. Eles estão distribuídos de maneiras diferentes em tecidos como ossos, cérebro, vasos sanguíneos, mamas e sistema reprodutivo.

Alguns fitoestrógenos, especialmente as isoflavonas, apresentam maior afinidade pelo receptor beta. Essa característica ajuda a explicar por que seus efeitos podem ser diferentes daqueles provocados pelo estrogênio produzido pelo corpo.

Dependendo do contexto, esses compostos podem exercer uma ação estrogênica muito discreta ou competir com estrogênios mais fortes pelo receptor. Por isso, não é correto dizer simplesmente que eles “aumentam o estrogênio” ou “equilibram os hormônios”.

Além da interação com os receptores, os fitoestrógenos também são estudados por propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e metabólicas. Ainda assim, muitos desses mecanismos foram identificados em pesquisas experimentais e não significam, necessariamente, benefício clínico garantido.

A microbiota intestinal também influencia

Parte dos fitoestrógenos precisa ser transformada pelas bactérias intestinais antes de ser absorvida e utilizada pelo corpo.

Um exemplo é a daidzeína, uma isoflavona da soja. Algumas bactérias conseguem transformá-la em equol, um composto com maior capacidade de se ligar aos receptores de estrogênio.

Nem todas as pessoas possuem uma microbiota capaz de produzir quantidades relevantes de equol. Essa é uma das explicações para duas mulheres consumirem alimentos semelhantes e apresentarem respostas diferentes.

Fitoestrógenos no climatério: quais são os principais tipos?

Os fitoestrógenos formam uma família ampla de substâncias. Os três grupos mais relacionados à alimentação e à saúde feminina são as isoflavonas, as lignanas e os coumestanos.

Isoflavonas

As isoflavonas são os fitoestrógenos mais conhecidos e estudados no climatério. As principais são:

  • genisteína;
  • daidzeína;
  • gliciteína.

A soja e seus derivados são as fontes alimentares mais concentradas e relevantes desse grupo.

Lignanas

As lignanas estão presentes principalmente em sementes, cereais integrais, frutas, hortaliças e algumas leguminosas.

A linhaça se destaca como uma das fontes alimentares mais concentradas. Depois de consumidas, as lignanas são transformadas pelas bactérias intestinais em compostos chamados enterolignanas.

Coumestanos

Os coumestanos aparecem em menor quantidade na alimentação habitual. O mais conhecido é o coumestrol.

Eles podem ser encontrados em brotos de alfafa e de trevo, além de algumas leguminosas. Apesar de integrarem a família dos fitoestrógenos, são menos estudados em mulheres no climatério do que as isoflavonas da soja.

Onde encontrar fitoestrógenos no climatério?

Os fitoestrógenos no climatério podem estar presentes em diferentes grupos alimentares. No entanto, a concentração e o tipo de composto variam bastante.

Alimento ou grupoPrincipal fitoestrógenoConcentração relativaObservação
Soja em grãos, edamame, tofu, tempeh e bebida de sojaIsoflavonasAltaPrincipais fontes alimentares de genisteína, daidzeína e gliciteína
LinhaçaLignanasAltaUma das fontes alimentares mais concentradas de lignanas
GergelimLignanasModeradaFonte relevante, embora geralmente menos concentrada que a linhaça
Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilhaIsoflavonas e outros compostosBaixa a moderadaAs quantidades costumam ser menores do que na soja
Brotos de alfafa e de trevoCoumestanosModerada a alta para esse grupoAlimentos menos frequentes na rotina brasileira
Aveia, centeio, trigo integral e cevadaLignanasBaixa a moderadaA contribuição pode aumentar quando fazem parte regularmente da alimentação
Frutas e hortaliçasDiferentes fitoestrógenosBaixaA quantidade individual é pequena, mas pode somar dentro de uma dieta variada

A quantidade de fitoestrógenos pode mudar conforme a variedade da planta, o local de cultivo, o processamento, a fermentação e o preparo do alimento. Por isso, duas versões do mesmo produto podem não fornecer exatamente a mesma quantidade.

Fitoestrógenos no climatério aliviam os fogachos?

Os fogachos e os suores noturnos estão entre os sintomas mais estudados quando se fala em fitoestrógenos.

Algumas revisões encontraram redução pequena e gradual na frequência ou intensidade das ondas de calor. Entretanto, outros estudos mais recentes não identificaram diferença significativa nos fogachos, suores excessivos ou conjunto dos sintomas vasomotores.

Essa divergência pode estar relacionada a vários fatores:

  • tipo e quantidade de fitoestrógeno avaliado;
  • duração do estudo;
  • intensidade inicial dos sintomas;
  • composição da microbiota;
  • diferenças entre os alimentos e produtos estudados;
  • número reduzido de participantes em alguns trabalhos;
  • forte resposta ao placebo, comum em estudos sobre fogachos.

A conclusão mais segura é que os fitoestrógenos no climatério podem auxiliar algumas mulheres, mas o efeito tende a ser discreto, demora a aparecer e não é previsível.

A posição de 2023 da The Menopause Society não recomenda soja, extratos de soja ou outros produtos herbais como tratamentos comprovadamente eficazes para sintomas vasomotores incômodos, devido à inconsistência das evidências.

Para compreender melhor as causas e os tratamentos disponíveis, leia também: Calorões na menopausa: saiba as causas e como aliviar.

Fitoestrógenos no climatério: e quanto ao sono, humor e saúde mental?

Uma revisão publicada em 2025 encontrou melhora pequena em alguns sintomas psicossociais e escores de depressão, mas não observou benefício significativo para insônia. Os resultados precisam ser interpretados com cautela porque os estudos apresentaram diferenças importantes entre si.

Isso significa que consumir alimentos com fitoestrógenos não deve ser tratado como uma intervenção para depressão, ansiedade ou transtornos do sono.

Quando há melhora, ela também pode estar relacionada ao conjunto da alimentação, à maior ingestão de fibras e proteínas vegetais e a outros hábitos de vida — e não necessariamente à ação isolada dos fitoestrógenos.

Mudanças importantes no humor, insônia persistente, ansiedade intensa ou perda de interesse pelas atividades merecem avaliação. O Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa pode ajudar você a encontrar profissionais qualificados para olhar o quadro de maneira integral.

Fitoestrógenos no climatério: como ajudam os ossos e o coração?

Alguns estudos identificaram efeitos favoráveis sobre marcadores de saúde óssea, colesterol, pressão arterial e função dos vasos sanguíneos. Entretanto, ainda não existem evidências suficientes de que os fitoestrógenos, isoladamente, previnam fraturas, tratem osteoporose ou evitem doenças cardiovasculares.

Também é importante separar o efeito dos fitoestrógenos do efeito do alimento completo.

Soja, feijão, lentilha, grãos integrais e sementes oferecem proteínas, fibras, vitaminas, minerais e gorduras insaturadas. Parte dos benefícios observados pode estar relacionada à qualidade global desse padrão alimentar, e não somente aos fitoestrógenos.

Para entender outro grupo vegetal frequentemente confundido com os fitoestrógenos, leia: Fitoesteróis na menopausa: coração e colesterol.

mesa farta com diversos alimentos ricos em fitoestrógenos, representando os fitoestrógenos no climatério

Fitoestrógenos no climatério melhoram a saúde íntima?

A queda do estrogênio pode provocar secura vaginal, ardência, dor durante a relação sexual, urgência urinária e infecções urinárias recorrentes.

Algumas pesquisas avaliaram os fitoestrógenos para esses sintomas, mas os resultados são limitados e inconsistentes. Eles não devem ser considerados substitutos dos tratamentos específicos para a síndrome geniturinária da menopausa.

Sintomas íntimos persistentes precisam ser avaliados porque existem opções seguras e individualizadas, hormonais e não hormonais. A escolha depende do histórico clínico e da intensidade das queixas.

Por que os benefícios variam tanto entre as mulheres?

A ação dos fitoestrógenos no climatério não depende apenas da presença desses compostos no prato.

A resposta pode variar conforme:

  • microbiota intestinal;
  • capacidade de produzir equol;
  • fase do climatério;
  • intensidade dos sintomas;
  • genética;
  • padrão alimentar completo;
  • tempo de exposição;
  • medicamentos em uso;
  • outras condições de saúde.

Essa variação ajuda a explicar por que o relato de uma amiga ou influenciadora não prevê o que acontecerá com outra mulher.

Também impede que um único alimento seja apresentado como solução universal para sintomas complexos.

Soja aumenta o risco de câncer de mama?

Esse é um dos principais receios relacionados aos fitoestrógenos no climatério.

O medo surge da semelhança estrutural entre as isoflavonas e o estrogênio. No entanto, alimentos à base de soja não se comportam no organismo da mesma maneira que o estrogênio humano.

Uma revisão sistemática publicada em 2024, que reuniu estudos observacionais com mulheres após o diagnóstico de câncer de mama, associou o consumo de isoflavonas da soja a menor risco de recorrência. Isso não prova que a soja trate ou previna a volta do câncer, mas não sustenta a ideia de que o consumo alimentar habitual aumente o risco.

Em um grande estudo com sobreviventes de câncer de mama, o consumo de alimentos de soja esteve associado a menor mortalidade e recorrência, inclusive entre usuárias e não usuárias de tamoxifeno. Por se tratar de evidência observacional, ela demonstra associação, e não causa e efeito.

Mulheres com câncer de mama atual ou prévio não precisam excluir automaticamente alimentos de soja. Entretanto, mudanças relevantes na alimentação devem ser discutidas com a equipe de oncologia, especialmente durante o tratamento.

Quem precisa ter atenção especial?

O consumo habitual de alimentos com fitoestrógenos costuma ser diferente do uso de produtos concentrados. Mesmo com alimentos, algumas situações pedem orientação individualizada.

Histórico de câncer hormônio-dependente

Alimentos de soja não demonstraram aumentar a recorrência do câncer de mama nos estudos observacionais disponíveis. Ainda assim, cada diagnóstico possui características próprias.

A equipe de oncologia deve considerar tipo de tumor, receptores hormonais, tratamento, estado nutricional e outras condições clínicas.

Uso de tamoxifeno

As evidências observacionais não mostraram piora dos desfechos entre mulheres que consumiam soja e utilizavam tamoxifeno. Mesmo assim, a alimentação não deve ser usada para alterar, substituir ou interromper o medicamento.

Hipotireoidismo e levotiroxina

Evitar completamente a soja não apresenta benefício comprovado para a maioria das pessoas com doenças da tireoide.

No entanto, alimentos de soja podem interferir na absorção da levotiroxina quando consumidos muito próximos do medicamento. A evidência é limitada e o impacto clínico parece pequeno, mas mulheres que usam levotiroxina devem conversar com o profissional responsável sobre o intervalo adequado e o acompanhamento do TSH.

Alergia à soja

Quem possui alergia à soja deve evitar os alimentos responsáveis pela reação e procurar orientação para identificar fontes alternativas de proteínas e fitoestrógenos.

Fitoestrógenos substituem a terapia hormonal?

Não. Os fitoestrógenos no climatério não substituem automaticamente a terapia hormonal, nem apresentam a mesma potência, previsibilidade ou quantidade de evidências.

A terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para fogachos e suores noturnos e também pode ser indicada para a síndrome geniturinária da menopausa e para prevenção de perda óssea em situações específicas. A indicação deve ser individualizada de acordo com sintomas, idade, tempo desde a menopausa e histórico de saúde.

Alimentos com fitoestrógenos podem fazer parte de uma dieta equilibrada, mas não devem atrasar a investigação de sintomas intensos nem substituir tratamentos indicados por profissionais habilitados.

Para compreender melhor o papel dos diferentes recursos nutricionais, acesse: Suplementos na menopausa: como escolher o melhor.

O que a ciência permite concluir?

Os fitoestrógenos são compostos vegetais interessantes e biologicamente ativos, mas estão longe de ser uma versão natural da terapia hormonal.

As principais conclusões são:

  • soja e derivados são as fontes alimentares mais concentradas de isoflavonas;
  • linhaça é uma das principais fontes de lignanas;
  • os efeitos são muito mais fracos e variáveis do que os do estrogênio humano;
  • algumas mulheres podem perceber melhora discreta nos sintomas;
  • as evidências sobre fogachos, sono e humor ainda são conflitantes;
  • não há comprovação de que tratem osteoporose, doenças cardiovasculares ou síndrome geniturinária;
  • alimentos de soja não demonstraram aumentar a recorrência do câncer de mama;
  • fitoestrógenos não substituem terapia hormonal ou acompanhamento clínico.

Sintomas persistentes merecem um plano de cuidado construído para você. Acesse o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa e encontre apoio profissional para atravessar o climatério com informação e segurança.

FAQ: fitoestrógenos no climatério

Fitoestrógenos são hormônios?

Não. São compostos vegetais que apresentam semelhança parcial com o estrogênio e conseguem interagir de maneira fraca e seletiva com alguns receptores hormonais.

Fitoestrógenos aumentam o estrogênio?

Não necessariamente. Eles não fazem os ovários produzirem mais estrogênio nem funcionam como reposição hormonal. Sua ação depende do tecido, da quantidade consumida e do metabolismo individual.

Soja ajuda a diminuir os fogachos?

Pode ajudar algumas mulheres, mas os resultados são inconsistentes e o efeito, quando ocorre, costuma ser pequeno. A soja não deve ser considerada tratamento garantido para ondas de calor.

Quem teve câncer de mama pode comer soja?

As evidências observacionais não mostram aumento da recorrência com o consumo habitual de alimentos de soja. Ainda assim, mulheres em tratamento ou com histórico de câncer devem conversar com sua equipe de oncologia.

Quem tem problema de tireoide precisa evitar soja?

Na maioria dos casos, não. Mulheres que tomam levotiroxina precisam apenas verificar com o profissional responsável o intervalo entre o medicamento e a alimentação, pois a soja pode interferir em sua absorção quando consumida muito próxima.

Fitoestrógenos substituem a terapia hormonal?

Não. Eles apresentam efeitos mais fracos, variáveis e menos previsíveis. A terapia hormonal e outras opções de tratamento devem ser avaliadas individualmente.

Quer continuar entendendo o climatério com clareza, acolhimento e informação baseada em evidências? Cadastre-se gratuitamente na newsletter do Blog da Menopausa e receba novos conteúdos sobre sintomas, alimentação, saúde emocional, sexualidade e qualidade de vida.

Referências científicas

  1. Canivenc-Lavier MC, Bennetau-Pelissero C. Phytoestrogens and Health Effects. Nutrients. 2023.
  2. Luan H, et al. Effects of soy isoflavones on menopausal symptoms in perimenopausal women: a systematic review and meta-analysis. PeerJ. 2025;13:e19715.
  3. Gençtürk N, et al. The effect of soy isoflavones given to women in the climacteric period on menopausal symptoms and quality of life: a systematic review and meta-analysis. Explore (NY) 2024.
  4. Viscardi G, et al. Effect of Soy Isoflavones on Measures of Estrogenicity: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Advances in Nutrition. 2025;16(1):100327.
  5. Rowe IJ, Baber RJ. The effects of phytoestrogens on postmenopausal health. Climacteric. 2021;24(1).
  6. Van Die MD, et al. Phytonutrients and outcomes following breast cancer: a systematic review and meta-analysis of observational studies. JNCI Cancer Spectrum. 2024;8(1):pkad104.
  7. Gatta E, et al. Interference or Noninterference Between Soy and Levothyroxine: That Is the Question. Endocrine Practice. 2023;29(11):897–901.
  8. The North American Menopause Society. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2023.
0Shares

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *