Biohacking na menopausa: guia natural e seguro

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Mulher brasileira de 45 anos, em roupas de ginástica, escreve sua rotina de biohacking na menopausa em um quadro branco fixado na geladeira de uma cozinha moderna, com potes de suplementos naturais no balcão.

A expressão biohacking na menopausa pode soar futurista, mas na prática ela fala sobre algo muito simples: usar hábitos do dia a dia, baseados em ciência, para melhorar a forma como o corpo e a mente funcionam após os 40. Não é sobre modismos extremos, e sim sobre autocuidado inteligente.

Nesta fase, oscilações hormonais impactam sono, humor, energia, peso, memória, libido e até a forma como o coração e o cérebro funcionam. O biohacking na menopausa propõe pequenos ajustes em alimentação, movimento, sono, estresse e ambiente, para que essa transição seja mais leve, consciente e alinhada com a sua realidade.

O que é biohacking na menopausa?

Biohacking é um termo que vem da união de “bio” (vida) com “hacking” (ajuste fino). Em vez de mexer em computadores, a ideia é testar e ajustar rotinas, hábitos e escolhas para favorecer o melhor funcionamento do seu corpo.

No contexto da menopausa, biohacking significa:

  • Observar como o seu corpo responde a alimentos, sono, exercício e estresse.
  • Fazer pequenas mudanças planejadas (e sustentáveis!), uma de cada vez.
  • Acompanhar como você se sente e manter o que funciona para você.

Sem chips, sem promessas milagrosas, sem comparações com o corpo de outras pessoas. O foco é:

  • segurança,
  • evidências científicas,
  • respeito à individualidade,
  • apoio de profissionais de saúde quando necessário.

E um ponto importante: biohacking na menopausa não substitui tratamento médico, terapia hormonal ou uso de medicamentos quando eles são indicados. Ele complementa o cuidado.

Biohacking na menopausa com alimentação estratégica

Comida de verdade, intestino e humor

O que você come conversa o tempo todo com seus hormônios, seu intestino e seu cérebro. Dietas muito ricas em ultraprocessados (bolachas recheadas, snacks, embutidos, refrigerantes, congelados prontos) estão associadas a mais inflamação, maior risco de depressão e piora do bem-estar emocional.

Uma alimentação mais alinhada com o biohacking na menopausa dá protagonismo a:

  • legumes, verduras e frutas variados;
  • grãos integrais (aveia, arroz integral, quinoa, centeio);
  • proteínas de boa qualidade (feijões, lentilha, grão-de-bico, ovos, peixes, aves);
  • gorduras boas (castanhas, nozes, sementes, abacate, azeite de oliva).

Quando o intestino funciona melhor e recebe fibras e nutrientes todos os dias, a produção de substâncias como serotonina tende a ser mais equilibrada. Isso pode se refletir em mais estabilidade de humor, energia e sono.

Fitoestrógenos: soja, linhaça e amora

Alguns alimentos de origem vegetal contêm compostos chamados fitoestrógenos, que têm estrutura parecida com a do estrogênio e podem se ligar a receptores no corpo, exercendo um efeito suave. Entre eles estão:

  • soja e derivados (tofu, tempeh, edamame);
  • linhaça (especialmente triturada ou moída na hora);
  • alguns grãos, legumes e frutas, como a amora.

Estudos sugerem que esses alimentos podem ajudar a reduzir fogachos, melhorar o perfil de colesterol e, em alguns casos, apoiar a saúde óssea, especialmente quando inseridos em um padrão alimentar equilibrado.

Exemplos práticos para o dia a dia:

  • colocar 1 a 2 colheres de sopa de linhaça triturada em frutas, iogurte ou mingau;
  • incluir tofu ou feijão de soja em preparações salgadas;
  • aumentar o consumo de vegetais coloridos ao longo da semana.

Sempre vale lembrar: não existe “alimento mágico”. É o conjunto da alimentação, repetido dia após dia, que gera impacto.

Cuidado com dietas radicais e promessas milagrosas

Dietas que cortam grupos alimentares inteiros sem orientação, planos muito restritivos ou modas que prometem “secagem hormonal” rápida podem trazer mais prejuízos do que benefícios:

  • perda de massa muscular;
  • piora de cansaço e irritabilidade;
  • queda de cabelo e alterações de pele;
  • efeito sanfona, com reganho de peso.

No biohacking na menopausa, restrição extrema não é estratégia de longo prazo. A meta é consistência, não perfeição.

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Jejum intermitente e biohacking na menopausa

O que o jejum pode ajudar

O jejum intermitente é uma estratégia em que se organiza a rotina de alimentação em janelas de tempo, intercalando períodos de comer com períodos mais longos sem comer. Em algumas mulheres, ele pode ajudar em:

  • melhor sensibilidade à insulina;
  • redução de gordura abdominal;
  • sensação de clareza mental;
  • maior percepção de saciedade.

Quando usado com cuidado, o jejum intermitente pode ser um recurso interessante dentro do biohacking na menopausa. Mas ele não é obrigatório e nem é a melhor escolha para todo mundo.

Quando o jejum atrapalha

O jejum pode ser um problema quando:

  • aumenta demais o cortisol (hormônio do estresse), piorando fogachos e insônia;
  • desencadeia compulsão alimentar nos horários de comer;
  • piora sintomas de ansiedade;
  • é feito por mulheres com histórico de transtornos alimentares, diabetes sem acompanhamento, uso de certos medicamentos ou condições crônicas sem controle.

Sinais de alerta de que o jejum não está funcionando para você:

  • mais irritabilidade e queda de energia;
  • sono pior;
  • mais dor de cabeça e “névoa mental”;
  • sensação de culpa ou obsessão em torno da comida.

Nesses casos, é fundamental conversar com o médico ou nutricionista e, se necessário, interromper a estratégia.

Como começar de forma segura

Se você e seu profissional de saúde entenderem que faz sentido testar o jejum dentro do seu biohacking na menopausa, algumas recomendações gerais são:

  • começar com uma janela leve, como 12/12 (12 horas com alimentação, 12 horas em jejum, contando o sono);
  • priorizar alimentos nutritivos nos horários de comer;
  • evitar pular refeições em dias de muito estresse físico ou emocional;
  • monitorar sintomas (sono, humor, energia, fogachos) ao longo de algumas semanas.

O objetivo nunca é sofrer, e sim testar de forma respeitosa com o corpo.

Suplementos e fitoterápicos no biohacking na menopausa

Vitaminas e minerais que merecem atenção

Alguns nutrientes ganham destaque nessa fase e podem ser considerados, sempre com orientação profissional:

  • Cálcio e vitamina D: importantes para a saúde óssea, principalmente com a queda de estrogênio.
  • Magnésio: participa de centenas de reações no corpo, incluindo relaxamento muscular, regulação do sono e do humor.
  • Ômega-3: pode ajudar na saúde cardiovascular e na modulação de processos inflamatórios.
  • Vitaminas do complexo B: relacionadas à energia, ao metabolismo e ao bom funcionamento do sistema nervoso.

Esses nutrientes podem vir da alimentação, de suplementos ou de uma combinação dos dois, dependendo do caso.

Na prática, combinações desses nutrientes aparecem em fórmulas integradas pensadas para o climatério. Um exemplo são suplementos como o Balance, que associa fosfatidilserina, fibras, vitamina D3, vitamina E, vitaminas do complexo B, licopeno e boro para apoiar cognição, equilíbrio hormonal, saúde óssea e cardiovascular; e o Sleepy, que reúne melatonina, triptofano, vitaminas do complexo B, magnésio, selênio e zinco, voltado à regulação do sono, do relaxamento e da resposta ao estresse. Eles podem ser ferramentas dentro de uma estratégia de biohacking na menopausa.

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Ervas mais estudadas e como elas agem

Entre os fitoterápicos mais citados em pesquisas sobre menopausa estão:

  • Cimicifuga racemosa: usada para aliviar fogachos e suores noturnos em algumas mulheres.
  • Trevo-vermelho: contém fitoestrógenos, com possíveis efeitos em fogachos e perfil lipídico.
  • Folha de amora: estudada por seu impacto em sintomas vasomotores e perfil metabólico.
  • Maca peruana: associada a melhora de energia, libido e bem-estar em alguns estudos.
  • Valeriana e passiflora: ligadas ao relaxamento e ao sono.

É importante reforçar que:

  • os efeitos costumam ser moderados, não radicais;
  • cada organismo responde de um jeito;
  • a qualidade do produto (origem, concentração, pureza) faz muita diferença.

Natural também exige cuidado

O fato de algo ser “natural” não significa ausência de riscos. Fitoterápicos podem:

  • interagir com medicamentos (como anticoagulantes, antidepressivos, anticonvulsivantes);
  • afetar fígado ou rins em pessoas com doenças pré-existentes;
  • não ser recomendados em casos de câncer hormônio-dependente ou histórico familiar importante.

Por isso, no biohacking na menopausa, não é recomendável usar ervas por conta própria por longos períodos. Sempre informe ao seu médico e, se possível, busque orientação com profissional capacitado em fitoterapia.

Biohacking na menopausa com movimento e exercícios

Força: musculação como aliada de ossos e músculos

Uma das mudanças mais marcantes da menopausa é a tendência à perda de massa muscular e de densidade óssea. Treinos de força (musculação, exercícios com peso do corpo, elásticos) são verdadeiros “remédios de estilo de vida” nessa fase.

Benefícios do treino de força no biohacking na menopausa:

  • preserva músculo, o que ajuda no metabolismo e na disposição;
  • protege os ossos, reduzindo o risco de osteopenia e osteoporose;
  • melhora equilíbrio e reduz risco de quedas;
  • apoia postura e reduz dores articulares.

Começar devagar, com orientação profissional, é melhor do que tentar treinar pesado logo no início.

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Cardio: coração mais forte e mente mais clara

Exercícios aeróbicos, como caminhada, dança, bicicleta e natação, também são parte importante do biohacking na menopausa. Eles podem contribuir para:

  • saúde do coração e dos vasos;
  • controle de pressão arterial;
  • melhora do humor e da clareza mental;
  • redução de ansiedade em muitas mulheres.

Uma meta realista para a maioria das pessoas é acumular 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, sempre adaptando ao seu condicionamento e às orientações médicas.

Yoga, pilates e tai chi: corpo e mente em sintonia

Práticas como yoga, pilates e tai chi unem força, alongamento, equilíbrio e respiração. Elas podem ajudar a:

  • melhorar flexibilidade e consciência corporal;
  • aliviar dor muscular e articular;
  • favorecer um sono mais profundo;
  • modular a resposta ao estresse.

No contexto do biohacking na menopausa, essas atividades funcionam como uma espécie de “atualização de sistema” suave, que cuida do corpo e da mente ao mesmo tempo.

Biohacking na menopausa para estresse e sono

Respiração para fogachos e ansiedade

Técnicas simples de respiração podem ser poderosos “hacks” para o sistema nervoso. Respirar devagar e de forma diafragmática, por exemplo, ativa o sistema parassimpático, ligado ao relaxamento.

Algumas práticas que muitas mulheres relatam como úteis:

  • Respiração 4-7-8: inspira pelo nariz contando até 4, segura o ar contando até 7, solta pela boca contando até 8.
  • Respiração diafragmática: colocar a mão na barriga e sentir o abdome expandindo na inspiração, em vez do peito subir.
  • Coerência cardíaca: respirar em um ritmo suave e contínuo, em torno de 5 a 6 ciclos respiratórios por minuto.

Essas técnicas podem ser usadas antes de dormir, durante um fogacho ou em momentos de ansiedade.

Ritmo circadiano: luz do dia e escuridão à noite

Sono é um dos eixos centrais do biohacking na menopausa. Para ajudar o corpo a entender quando é hora de acordar e quando é hora de descansar, valem algumas estratégias:

  • buscar luz natural pela manhã (abrir a janela, caminhar alguns minutos ao ar livre);
  • reduzir a luz forte à noite, especialmente de telas (celular, computador, TV);
  • manter horários relativamente estáveis para dormir e acordar;
  • cuidar da temperatura e do conforto do quarto, importante para quem tem suores noturnos.

Quando o ritmo circadiano está mais alinhado, o próprio organismo coordena melhor a produção de hormônios ligados ao sono, ao apetite e ao humor.

Rituais de desaceleração antes de dormir

Criar um pequeno ritual de fim de dia pode ajudar o cérebro a entender que é hora de desacelerar. Por exemplo:

  • tomar um banho morno;
  • fazer alongamentos suaves ou algumas posturas restaurativas de yoga;
  • ler algo leve e agradável;
  • praticar 5 a 10 minutos de respiração profunda.

Mais importante do que o ritual “perfeito” é a repetição: o corpo aprende com a constância.

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Outras práticas de biohacking na menopausa: o que avaliar

Acupuntura, massagem e aromaterapia

Algumas terapias complementares podem ser inseridas no biohacking na menopausa com objetivos específicos:

  • Acupuntura: citada em pesquisas como opção para aliviar fogachos, dor e ansiedade em parte das mulheres.
  • Massagem terapêutica: ajuda na percepção corporal, relaxamento e manejo da dor.
  • Aromaterapia: óleos essenciais como lavanda e camomila podem ser usados de forma segura (e diluída) em difusores ou massagens, trazendo sensação de conforto.

Essas práticas não substituem tratamento médico, mas podem enriquecer o cuidado integral.

Banhos frios, sauna e contato com a natureza

Algumas abordagens modernas de biohacking falam sobre banhos frios, crioterapia e exposição ao calor (como sauna). Na menopausa, é importante avaliar:

  • condições cardiovasculares (pressão alta, arritmias, histórico de infarto);
  • tolerância individual ao calor e ao frio;
  • orientação da equipe de saúde.

Já o contato com a natureza (caminhar em parques, cuidar de plantas, tomar sol com segurança) costuma ser um “hack” simples, acessível e frequentemente bem tolerado.

Menos toxinas no dia a dia

Outra frente de biohacking na menopausa é reduzir a exposição a possíveis disruptores endócrinos – substâncias que podem interferir na ação dos hormônios.

Algumas atitudes possíveis incluem:

  • evitar aquecer alimentos em potes plásticos no micro-ondas;
  • preferir armazenar comida em recipientes de vidro quando possível;
  • ler rótulos de cosméticos e produtos de limpeza, escolhendo versões com menos fragrâncias e componentes agressivos;
  • lavar frutas e verduras em água corrente, removendo o máximo de resíduos.

Não é sobre viver com medo, e sim sobre fazer escolhas mais conscientes dentro da sua realidade.

Como criar seu plano pessoal de biohacking na menopausa

Comece pelo básico: 4 pilares em ordem de prioridade

Ao olhar para tudo o que existe sobre biohacking na menopausa, é fácil se sentir sobrecarregada. Por isso, vale organizar em pilares e definir prioridades:

  1. Sono: sem um mínimo de descanso reparador, todo o resto fica mais difícil.
  2. Alimentação: comida de verdade, com fibras, cores e proteínas suficientes.
  3. Movimento: corpo em ação quase todos os dias, mesmo que em pequenas doses.
  4. Respiração e estresse: criar janelas de pausa ao longo do dia.

Depois de fortalecer esses quatro pilares, você pode avaliar se faz sentido incluir estratégias como jejum leve, fitoterápicos ou outras práticas.

Ajuste o plano à sua realidade, não o contrário

Um bom plano de biohacking na menopausa é aquele que cabe na sua vida real:

  • sua rotina de trabalho;
  • sua vida familiar;
  • suas condições de saúde;
  • seu acesso a profissionais e recursos.

Se uma mudança gera mais culpa do que bem-estar, provavelmente ela precisa ser ajustada. Biohacking não é competição de desempenho, é um caminho de autoconhecimento.

Quando procurar ajuda profissional

Procure apoio especializado se você:

  • tem sintomas muito intensos (fogachos, insônia, dor, tristeza, ansiedade);
  • nota mudanças súbitas de peso, sangramentos anormais ou dor no peito;
  • pensa em iniciar jejum intermitente, uso de fitoterápicos ou suplementos em doses altas;
  • tem histórico pessoal ou familiar de câncer, doenças cardíacas, trombose ou transtornos psiquiátricos.

Ginecologistas, endocrinologistas, nutrólogos, nutricionistas, médicos de família, psicólogas/os e outros profissionais podem ajudar a integrar o biohacking na menopausa com tratamentos baseados em evidências, de forma segura.

Se você sente que está passando por muitas mudanças ao mesmo tempo, lembre-se: você não precisa dar conta de tudo sozinha. Pedir ajuda também é uma forma poderosa de cuidado consigo mesma.

Próximos passos: continue sua jornada de autocuidado

Se você se interessou pelo tema biohacking na menopausa, uma boa forma de continuar essa jornada é aprofundar o conhecimento sobre sono, saúde mental e sintomas mais comuns dessa fase.

Sugestões para seguir lendo e se informando:

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Referências científicas selecionadas

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  3. Pereira JPC, Borges BB, de Paula TP, et al. Beneficial effects of flaxseed and/or mulberry extracts supplementation in ovariectomized Wistar rats. Plants (Basel). 2022;11(16):2102.
  4. Cramer H, Lauche R, Langhorst J, Dobos G. Yoga for menopausal symptoms: a systematic review and meta-analysis. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. 2012;2012:863905.
  5. Mohebbi R, von Stengel S, Schoene D, et al. Exercise training and bone mineral density in postmenopausal women: an updated systematic review and meta-analysis of intervention studies. Osteoporosis International. 2023;34:1145–1178.

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