A perda óssea na menopausa acontece de forma silenciosa. Diferentemente dos fogachos, das alterações menstruais ou da dificuldade para dormir, ela não costuma produzir um sintoma que avise claramente: “seus ossos estão ficando mais frágeis”.
É justamente por isso que gosto de conversar sobre saúde óssea antes de aparecer um diagnóstico de osteopenia ou osteoporose. Quando entendemos o papel do estrogênio e reconhecemos os fatores de risco com antecedência, conseguimos cuidar dos ossos de maneira muito mais consciente.
Se você está na perimenopausa ou já chegou à menopausa, vale incluir a saúde óssea na conversa com seu ginecologista, especialmente se houver fatores de risco pessoais ou familiares. Agende agora mesmo sua consulta.
Perda óssea na menopausa: por que ela acontece?
Os ossos não são estruturas paradas. Durante toda a vida, nosso organismo está retirando pequenas porções de tecido ósseo antigo e formando tecido novo.
Imagine uma reforma permanente: uma equipe remove o que precisa ser renovado enquanto outra reconstrói.
Antes da menopausa, esse processo tende a permanecer relativamente equilibrado. Com a queda dos níveis de estrogênio, principalmente ao redor da última menstruação, esse equilíbrio muda.
A retirada de tecido ósseo passa a ocorrer mais rapidamente do que sua reposição. Aos poucos, o osso perde densidade e também pode perder qualidade.
Estudos do projeto SWAN, que acompanha mulheres ao longo da transição menopausal, mostram que essa aceleração não começa apenas muitos anos depois da menopausa. Ela pode surgir ainda durante a transição, próximo à última menstruação.
Qual é o papel do estrogênio nos ossos?
O estrogênio participa da regulação do processo de renovação óssea. Enquanto seus níveis estão adequados, ele ajuda a evitar que a retirada de tecido ósseo aconteça em velocidade excessiva.
Quando os níveis de estrogênio diminuem, esse “freio” fica menos eficiente.
Por isso, a queda hormonal característica da transição menopausal está associada ao aumento da reabsorção óssea, o nome técnico para o processo pelo qual o organismo remove tecido ósseo.
Não é necessário decorar esses termos. O mais importante é entender a sequência:
queda do estrogênio → aumento da perda de osso → redução da densidade e da resistência óssea → aumento do risco futuro de osteoporose e fraturas.
Estudos longitudinais também encontraram relação entre as alterações dos hormônios reprodutivos durante a transição menopausal e a redução da densidade mineral óssea.
Perda óssea na menopausa pode começar antes da última menstruação
Esse é um ponto que costuma surpreender muitas pacientes.
A saúde óssea não muda apenas depois que completamos 12 meses sem menstruar.
No estudo SWAN, a perda mais acelerada de densidade mineral óssea apareceu na fase final da perimenopausa e nos primeiros anos após a última menstruação. Em algumas regiões avaliadas, como a coluna, a redução média chegou perto de 2% ao ano durante períodos de perda mais rápida.
Outro acompanhamento longitudinal mostrou que alterações da estrutura interna do osso começaram aproximadamente um ano e meio antes da última menstruação, permanecendo aceleradas nos primeiros anos seguintes.
Esses números são médias de grupos de mulheres. Eles não significam que todas perderão exatamente a mesma quantidade de osso.
Mas deixam uma mensagem importante: não precisamos esperar muitos anos de pós-menopausa para começar a falar sobre prevenção.
Quem tem maior risco de perda óssea na menopausa?
A queda do estrogênio faz parte da menopausa, mas o risco de osteoporose não é igual para todas.
Alguns fatores aumentam nossa atenção, entre eles:
- menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura;
- baixo peso corporal;
- histórico de fratura após trauma pequeno;
- pai ou mãe com histórico de fratura de quadril;
- tabagismo;
- consumo excessivo de álcool;
- pouca atividade física;
- alimentação inadequada em cálcio e proteínas;
- deficiência de vitamina D;
- uso prolongado de alguns medicamentos, especialmente corticoides;
- algumas doenças endócrinas, gastrointestinais, inflamatórias ou renais.
A idade também importa. À medida que envelhecemos, o risco de perda óssea e fraturas aumenta independentemente da menopausa.
Por isso, não existe um único exame ou uma única idade que responda tudo para todas as mulheres.
Se você quiser entender o que acontece nessa fase, leia também: Climatério ou menopausa: entenda a diferença
Perda óssea na menopausa: como podemos investigar?
O principal exame utilizado para medir a densidade mineral óssea é a densitometria óssea, também chamada de DXA.
É um exame rápido e não invasivo, geralmente realizado em regiões como coluna e quadril.
Mas nem toda mulher precisa fazer densitometria assim que entra na menopausa.
Diretrizes atuais recomendam rastreamento rotineiro em mulheres a partir dos 65 anos e avaliação individual do risco em mulheres mais jovens na pós-menopausa quando existem fatores que aumentam a possibilidade de osteoporose ou fraturas.
Dependendo da história clínica, o médico também pode solicitar alguns exames de sangue, como vitamina D, cálcio, função renal ou avaliação da tireoide.
Esses exames não diagnosticam osteoporose sozinhos. Eles ajudam a identificar condições que podem interferir na saúde dos ossos.
Em situações específicas, outros exames de imagem também podem ser necessários.
| Avaliação | Para que pode servir |
|---|---|
| Densitometria óssea | Avaliar a densidade mineral dos ossos |
| Histórico de fraturas e fatores de risco | Estimar o risco individual |
| Exames de sangue | Investigar fatores que podem prejudicar o osso |
| Outros exames de imagem | Avaliar situações específicas quando indicado |
A decisão sobre quais exames fazem sentido deve considerar idade, fase da menopausa, histórico e fatores de risco.
O osso pode enfraquecer sem causar dor?
Sim.
E esse talvez seja um dos aspectos mais importantes da perda óssea na menopausa.
Osteopenia e osteoporose normalmente não provocam uma dor específica enquanto o osso está perdendo densidade. Muitas pessoas só descobrem o problema durante uma densitometria ou depois de uma fratura.
Por isso, não devemos esperar sentir “dor nos ossos” para pensar em prevenção.
Quando a osteoporose se instala, o risco de fraturas aumenta, especialmente em locais como quadril, coluna e punho. A prevenção procura justamente atuar antes desse momento.
Leia também: Menopausa no trabalho: como lidar com os sintomas

Como proteger os ossos depois dos 40?
A proteção óssea não depende de uma única vitamina, suplemento ou medicamento.
Ela é construída por vários pilares.
Exercício também é estímulo para o osso
O osso responde ao esforço mecânico. Exercícios com sustentação de peso e treinamento de força ajudam a oferecer esse estímulo.
Atividade física também melhora força muscular e equilíbrio, dois fatores importantes para reduzir o risco de quedas e fraturas.
Dados longitudinais do SWAN encontraram associação entre maior atividade física e melhor preservação da densidade óssea ao longo da transição menopausal e da pós-menopausa.
Alimentação precisa sustentar essa estrutura
Cálcio, vitamina D e proteínas participam da manutenção da saúde óssea.
Isso não significa que toda mulher precise tomar suplementos.
A necessidade deve ser avaliada considerando alimentação, exposição solar, exames, idade e outras condições de saúde. A orientação nutricional individualizada pode ser muito útil.
Alguns hábitos também contam
Evitar tabagismo, moderar o consumo de álcool, manter atividade física e prevenir quedas fazem parte da estratégia de proteção óssea recomendada para mulheres após a menopausa.
Se você tem histórico familiar de osteoporose, menopausa precoce, baixo peso, fratura prévia ou utiliza medicamentos que podem afetar o osso, vale partir para uma avaliação mais específica e cuidadosa. Agende sua avaliação agora mesmo.
Terapia hormonal protege contra a perda óssea?
A terapia hormonal pode reduzir a perda óssea e o risco de fraturas enquanto está sendo utilizada em mulheres adequadamente selecionadas. Esse é um benefício reconhecido da terapia hormonal da menopausa.
Mas isso não significa que toda mulher deva usar hormônio para proteger os ossos.
A decisão sobre terapia hormonal considera vários pontos ao mesmo tempo:
- sintomas;
- idade;
- tempo desde a menopausa;
- histórico pessoal;
- presença de contraindicações;
- riscos cardiovasculares e trombóticos;
- saúde óssea;
- preferências da própria mulher.
Quando existe osteoporose estabelecida ou risco elevado de fratura, também existem medicamentos específicos para o tratamento da doença, cuja indicação depende da avaliação individual.
Esse assunto merece uma conversa própria. Por isso, recomendo também a leitura de Terapia hormonal na menopausa: o que entra na decisão.
Perda óssea na menopausa: prevenir antes de tratar
Quando falamos em saúde óssea, existe uma vantagem importante em começar cedo.
É mais interessante construir bons hábitos, reconhecer fatores de risco e investigar quando necessário do que esperar uma fratura acontecer para descobrir que o osso estava fragilizado.
Isso não significa viver com medo da osteoporose.
Significa incluir os ossos dentro da visão de saúde da mulher 40+, assim como fazemos com pressão arterial, colesterol, saúde ginecológica, músculos, sono e alimentação.
A perda óssea na menopausa é influenciada pelo estrogênio, mas não depende exclusivamente dele. Genética, idade, atividade física, alimentação, doenças, medicamentos e hábitos também participam dessa história.
Quando conversar com seu médico?
A saúde óssea merece atenção especial se você:
- entrou na menopausa mais cedo do que o esperado;
- já sofreu uma fratura com pouco impacto;
- possui forte histórico familiar de osteoporose;
- usa corticoides por períodos prolongados;
- tem baixo peso;
- apresenta doenças que aumentam o risco de perda óssea;
- tem dúvidas sobre necessidade de densitometria;
- quer avaliar sua saúde de forma preventiva na menopausa.
Não é preciso esperar um problema aparecer para iniciar essa conversa.
Se você está passando pela transição menopausal, aproveite a consulta ginecológica para conversar também sobre seus ossos. Avaliar o risco individual ajuda a definir quais cuidados e exames realmente fazem sentido para você. Agende sua avaliação.
Conclusão
A perda óssea na menopausa acontece porque a queda do estrogênio altera o equilíbrio natural de renovação dos ossos, favorecendo uma perda mais rápida de tecido ósseo.
Esse processo pode começar ainda na perimenopausa e costuma ser mais intenso ao redor dos primeiros anos da menopausa.
A mensagem, porém, não deve ser de medo.
Deve ser de prevenção.
Exercício, alimentação adequada, hábitos saudáveis, identificação de fatores de risco e investigação no momento certo ajudam a construir uma estratégia de cuidado individualizada.
Os ossos podem não dar sinais enquanto estão perdendo força. Por isso, incluí-los na conversa antes de surgir uma fratura é uma das formas mais inteligentes de cuidar da saúde na menopausa.
Referências
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Aviso: Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica individual.







