Palpitações na menopausa: normal ou sinal de alerta?

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Mulher de meia-idade com expressão de preocupação em um consultório médico, segurando a mão no peito e na cabeça, ilustrando os sintomas de palpitações na menopausa, enquanto uma médica está ao fundo.

Sentir o coração “disparar”, bater mais forte ou parecer “falhar” pode dar um susto enorme. E sim: palpitações na menopausa são um relato comum, especialmente quando elas aparecem junto de calorões, ansiedade, noites mal dormidas ou períodos de estresse.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, palpitações têm explicações benignas. A parte importante é aprender a reconhecer o padrão, identificar gatilhos e saber quando vale investigar com mais rapidez.

Palpitações na menopausa: o que são e por que parecem tão assustadoras

“Palpitação” é a percepção dos batimentos do coração. Algumas mulheres descrevem como:

  • coração acelerado
  • batidas fortes no peito
  • “pulos” ou batimentos irregulares
  • sensação de aperto no peito com ansiedade

Palpitações na menopausa, taquicardia e arritmia: qual a diferença?

  • Palpitação é o sintoma (o que você sente).
  • Taquicardia é quando a frequência está mais alta do que o normal.
  • Arritmia é quando o ritmo está irregular (e pode ou não causar sintomas).

Você pode ter palpitações na menopausa com ritmo normal (por exemplo, em um pico de ansiedade), e também pode ter palpitações por uma arritmia. Por isso, observar o contexto faz diferença.

Por que as palpitações podem acontecer

A transição menopausal envolve mudanças hormonais e do sistema nervoso autônomo (aquele que regula “acelerar” e “desacelerar” o corpo). Isso pode favorecer episódios de sensação de batimento acelerado, especialmente em alguns cenários.

Palpitações na menopausa e calorões

Ondas de calor podem vir acompanhadas de uma ativação do corpo (como se ele apertasse um “botão de alerta”). Em algumas mulheres, isso aparece como suor, rubor e palpitações na menopausa, inclusive à noite.

Palpitações e ansiedade

Ansiedade e estresse aumentam adrenalina e podem amplificar a percepção dos batimentos. Às vezes, o coração está batendo dentro do esperado, mas a sensação fica muito intensa.

Se quiser aprofundar esse ponto:

Palpitações na menopausa e sono ruim

Poucas horas de sono (ou sono fragmentado) podem deixar o corpo mais reativo. E noites com despertares por calorões podem somar dois gatilhos de uma vez: ativação + cansaço.

Palpitações na menopausa e estimulantes do dia a dia

Alguns gatilhos são bem “pé no chão” e valem checar:

  • café, energéticos e pré-treinos
  • álcool (principalmente à noite)
  • nicotina
  • descongestionantes nasais e alguns inaladores
  • suplementos estimulantes

Palpitações na menopausa e causas que confundem

Algumas condições podem se misturar com sintomas da menopausa e também causar palpitações:

  • anemia (especialmente se o fluxo aumentou na perimenopausa)
  • alterações da tireoide
  • desidratação e desequilíbrio de eletrólitos

Por isso, quando as palpitações passam a ser frequentes, a avaliação médica ajuda a organizar o quebra-cabeça.

Palpitações na menopausa: como identificar o seu padrão

Uma forma simples de levar clareza para a consulta é registrar, por 7 dias, três coisas:

  1. Quando começou e quanto tempo durou (minutos?)
  2. O que estava acontecendo (calorão, estresse, após café, após álcool, no meio da noite)
  3. O que veio junto (tontura, falta de ar, dor, suor, ansiedade)

Esse mini diário evita achismo e ajuda seu médico a decidir se faz sentido pedir um eletrocardiograma, um Holter (monitor de 24h) ou apenas ajustar hábitos e observar.

Palpitações na menopausa: quando costuma ser algo comum

Em geral, episódios curtos, que aparecem em momentos previsíveis (calorão, ansiedade, pós-cafeína) e melhoram com descanso tendem a ser considerados menos preocupantes.

Sinais que costumam apontar para um padrão mais “benigno”:

  • duração de poucos minutos
  • melhora com respiração lenta e pausa
  • ocorre junto de estresse/ansiedade ou calorões
  • sem desmaios, sem dor no peito e sem falta de ar importante

Mesmo assim, se está te incomodando ou atrapalhando seu sono, vale investigar. Tranquilidade também é saúde.

Palpitações na menopausa: sinais de alerta para procurar avaliação mais rápida

Aqui é onde a clareza protege. Procure atendimento com mais urgência se houver:

  • desmaio ou sensação de desmaio
  • dor no peito
  • falta de ar fora do seu padrão
  • palpitações prolongadas (por exemplo, muitos minutos sem aliviar) com mal-estar
  • palpitações com fraqueza intensa, suor frio ou confusão
  • histórico de doença cardíaca, ou casos de morte súbita na família

Se estiver em dúvida, prefira pecar pelo cuidado.

Palpitações na menopausa: quais exames podem ser considerados

O caminho mais comum é começar pelo básico e ir avançando conforme a história e o exame físico.

Palpitações na menopausa: avaliação inicial

Na consulta, seu médico geralmente avalia:

  • pressão arterial e frequência cardíaca
  • ausculta cardíaca
  • histórico familiar e uso de medicamentos/suplementos
  • relação com esforço, sono e ansiedade

Palpitações na menopausa: exames que podem ser indicados

Dependendo do seu caso, podem ser considerados:

  • ECG (eletrocardiograma)
  • Holter (monitor de 24h) ou monitor por mais dias, se necessário
  • exames de sangue para excluir causas comuns (ex.: hemograma, TSH, eletrólitos)
  • avaliação cardiometabólica (colesterol, glicemia, etc.), quando fizer sentido

Se você quer organizar seu check-up de forma prática, este guia pode ajudar:

E para aprofundar a visão preventiva:

O que fazer durante uma palpitação

Se você sentir palpitações na menopausa, tente este roteiro simples:

  1. Pare e sente (ou apoie-se) para evitar quedas.
  2. Respire lento: inspire pelo nariz por 4 segundos, solte o ar por 6–8 segundos. Repita por 2–3 minutos.
  3. Observe o contexto: foi calorão, café, estresse, álcool, noite mal dormida?
  4. Hidrate-se se estiver com sede ou suou muito.
  5. Se vier junto dor no peito, falta de ar importante, desmaio ou confusão, procure atendimento.

Evite “testar o coração” fazendo esforço na hora, e evite automedicação com produtos estimulantes.

Palpitações na menopausa: como reduzir a frequência com hábitos realistas

Sem promessas mágicas, o que costuma ajudar é reduzir a chance de gatilhos se acumularem.

  • Sono como prioridade: horário mais regular e higiene do sono.
  • Cafeína com estratégia: experimente reduzir dose e evitar após o meio da tarde.
  • Álcool com atenção: em algumas mulheres, piora palpitação e calorão à noite.
  • Movimento que acalma: caminhadas e treino de força progressivo, no seu ritmo.
  • Ferramentas antiestresse: respiração lenta, pausas curtas ao longo do dia.

E se você gosta de checklist prático, a próxima matéria do calendário é um guia em 7 passos para proteger o coração na menopausa.

Palpitações na menopausa: perguntas para levar ao médico

  • “Isso parece mais relacionado a calorões/ansiedade ou preciso investigar arritmia?”
  • “Pelos meus sintomas, quais exames fazem sentido agora?”
  • “Meus remédios, descongestionantes ou suplementos podem estar contribuindo?”
  • “Devo usar um monitor (Holter) para capturar os episódios?”
  • “Há sinais no meu histórico familiar que mudam a investigação?”

Para continuar com a gente

Se este artigo te ajudou a entender melhor as palpitações na menopausa, salve nos favoritos. Ter um mapa claro do que observar já traz calma.

Se você quiser se aprofundar com uma conversa prática e acolhedora, vale assistir ao PodKefi 23 | Saúde cardiovascular da mulher na menopausa. A gente fala sobre prevenção, sinais que merecem atenção e como cuidar do coração nessa fase, sem alarmismo.

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Referências científicas

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  3. Thurston RC, Christie IC, Matthews KA. Hot flashes and cardiac vagal control during women’s daily lives. Menopause. 2012 Apr;19(4):406-12. doi: 10.1097/gme.0b013e3182337166. PMID: 22095062; PMCID: PMC3292670.
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  5. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2023 Jun 1;30(6):573-590. doi: 10.1097/GME.0000000000002200. PMID: 37252752.
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