Creatina na menopausa: vale a pena? Guia prático 40+

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Mulher de meia-idade com expressão concentrada realizando exercício de musculação para as pernas em uma academia bem iluminada, ilustrando como o treino de força, que pode ser potencializado pelo uso de creatina na menopausa, ajuda na manutenção da massa muscular.

Se você está pesquisando sobre creatina na menopausa, provavelmente já percebeu que o corpo muda: a força parece cair mais rápido, a recuperação fica mais lenta, e o “cansaço que antes passava” pode virar companhia diária. Isso não é fraqueza — é fisiologia.

Na transição para a menopausa (perimenopausa) e na pós-menopausa, é comum ocorrer perda progressiva de massa e potência muscular, além de maior dificuldade para manter o mesmo desempenho em exercícios e atividades do dia a dia. E é justamente aí que a creatina entra na conversa.

A creatina é um composto natural presente no corpo (principalmente nos músculos) e também em alimentos como carne e peixe. Na forma de suplemento — geralmente creatina monoidratada — ela é usada há décadas por seu papel na produção rápida de energia durante esforços intensos e curtos.

A pergunta que importa para você é: isso faz sentido para mulheres 40+ e para a menopausa? Vamos por partes, com expectativas realistas.

Creatina na menopausa: para que serve

Pense assim: dentro do músculo existe um “sistema de energia de emergência” que ajuda em movimentos de força e potência (subir escada, levantar peso, carregar sacolas, levantar da cadeira). A creatina participa desse sistema.

Quando a creatina está bem disponível no músculo, é mais fácil sustentar algumas repetições a mais, manter a intensidade e recuperar melhor entre séries. Ao longo de semanas, isso pode ajudar a treinar com mais qualidade — e treino de força é um dos pilares mais fortes para saúde na menopausa.

Em outras palavras: para muitas mulheres, a creatina não é “mágica”. Ela é um facilitador.

Creatina na menopausa funciona mesmo? O que a ciência sugere hoje

A evidência em mulheres na menopausa ainda não é tão vasta quanto em homens ou em atletas, mas existe um padrão consistente:

  • O benefício mais provável está em força e desempenho (especialmente quando combinado com treino de força).
  • Em composição corporal (mudança visível de gordura/músculo), o efeito tende a ser menor, mais variável e geralmente exige tempo + treino estruturado.
  • Para sono, cognição e hormônios, os dados são mais incertos; alguns estudos não observaram melhora significativa no curto prazo.

Ou seja: creatina na menopausa pode valer a pena, mas principalmente se a sua meta envolve força, funcionalidade, independência e suporte ao treino.

Creatina na menopausa e força: onde o benefício parece mais claro

Em estudos com mulheres na menopausa, uma tendência observada é melhora de força em alguns testes, especialmente de membros superiores, após semanas de uso diário.

O raciocínio por trás disso é prático: se você consegue manter melhor a intensidade e a performance, você “constrói” mais estímulo ao longo das semanas. Isso favorece força e manutenção de massa muscular.

Creatina na menopausa e massa magra: o que esperar

É muito comum a dúvida: “creatina na menopausa ajuda a ganhar massa?”

Ajuda, mas com contexto:

  • A creatina pode aumentar água dentro do músculo (um efeito esperado), o que pode refletir em peso na balança sem ser ganho de gordura.
  • Ganho real de massa muscular costuma depender de treino de força + proteína adequada + sono e consistência.

Se você procura um suplemento para “secar” ou “definir” sem mudar hábitos, a creatina tende a frustrar. Se você está construindo rotina de treino e quer apoio para desempenho, ela faz mais sentido.

Creatina na menopausa para fadiga: pode ajudar no cansaço do dia a dia?

Aqui vale separar dois tipos de fadiga:

  • Fadiga do treino / muscular: a creatina pode ajudar indiretamente, melhorando recuperação entre esforços e qualidade do treino.
  • Fadiga geral (mental, emocional, sono ruim, sobrecarga): a creatina pode não ser a peça principal. Nesses casos, investigar sono, estresse, ferro/ferritina, vitamina D, B12 e padrão de alimentação costuma ter impacto maior.

Se a sua queixa principal é “exaustão constante”, vale usar a creatina como coadjuvante, não como solução central.

Creatina na menopausa para sono, cognição e hormônios: o que ainda é incerto

Muita gente busca creatina na menopausa pensando em “neblina mental” e sono. Até o momento, os resultados não são consistentes no curto prazo.

Isso não significa que seja inútil — significa apenas que a ciência ainda não permite prometer efeito claro para esses desfechos em mulheres na menopausa. É uma área em evolução.

Creatina na menopausa: como tomar

Se você chegou até aqui, a próxima pergunta é prática: como usar creatina na menopausa do jeito certo?

1) Qual creatina escolher

  • Prefira creatina monoidratada.
  • Dê preferência a marcas com boa reputação e controle de qualidade.

Formas “diferentonas” (HCL, buffered, etc.) geralmente não mostram vantagens relevantes para a maioria das pessoas.

2) Dose mais usada no dia a dia

O mais comum é:

  • 3 a 5 g por dia, todos os dias.

Em alguns estudos com mulheres na menopausa foram usadas doses como 6 g/dia por algumas semanas.

O ponto-chave é a consistência: creatina funciona por saturação gradual dos estoques no músculo.

3) Precisa fazer fase de saturação?

Você tem duas opções válidas:

  • Sem saturação: 3–5 g/dia. Em geral, leva algumas semanas para saturar.
  • Com saturação (opcional): cerca de 20 g/dia (divididos em 4 doses) por 5–7 dias, depois manutenção de 3–5 g/dia.

Para a maioria das mulheres 40+, não é necessário saturar. Sem saturação costuma ser mais confortável (menos desconforto gastrointestinal).

4) Melhor horário para tomar creatina na menopausa

Não existe um “horário mágico”. O que importa é:

  • tomar todos os dias
  • escolher um horário que você não esqueça

Muitas pessoas preferem:

  • com uma refeição
  • junto de um shake de proteína
  • após o treino (por hábito)

5) Por quanto tempo testar antes de decidir

Antes de concluir se a creatina funcionou para você, dê um período mínimo de 6 a 8 semanas com uso diário.

E avalie pelos sinais certos:

  • mais força (cargas maiores, mais repetições)
  • melhor recuperação entre treinos
  • mais disposição para treinar

Creatina na menopausa: “engorda”? retém líquido?

Creatina na menopausa engorda?

Creatina não é gordura. O que pode acontecer é:

  • aumento de água dentro do músculo
  • pequena elevação do peso na balança no início

Isso pode assustar, mas não significa “ganho de gordura”. Para muitas mulheres, esse efeito é discreto.

Creatina na menopausa retém líquido?

Ela puxa água para dentro do músculo (efeito osmótico). Em geral, isso é visto como parte do mecanismo de ação.

Se você tem histórico de inchaço importante, observe como se sente e ajuste com orientação profissional — mas, na maioria dos casos, o inchaço não é “generalizado”.

Creatina na menopausa combina melhor com qual rotina?

Se a meta é aproveitar o melhor da creatina na menopausa, a estratégia mais eficaz costuma ser:

  • Treino de força 2–4x/semana (com progressão)
  • Proteína adequada ao longo do dia
  • Sono como prioridade

Mini-guia de treino de força para quem está começando

Se você está voltando do zero, comece simples:

  • 2x por semana
  • 5–7 exercícios por sessão
  • 2–3 séries de 8–12 repetições
  • foco em movimentos grandes: agachamento, puxada/remada, empurrar (supino/peito), levantamento terra com variações seguras, desenvolvimento de ombros, exercícios de glúteo

A creatina entra como apoio, não como substituto.

Dica extra: se você quer entender como treinar nessa fase — intensidade, progressão e como adaptar quando o corpo muda — assita o PodKefi 22 | Musculação na menopausa: como treinar aos 40+. É um ótimo complemento para colocar a creatina na menopausa dentro de uma estratégia que realmente funciona: treino de força consistente e bem orientado.

Quem deve ter cautela com creatina na menopausa

A creatina monoidratada é considerada segura para muitas pessoas quando usada nas doses habituais, mas existem situações em que vale conversar com um profissional de saúde antes:

  • doença renal prévia ou função renal reduzida
  • uso de medicamentos com impacto renal
  • histórico de desidratação frequente
  • condições clínicas que exigem acompanhamento individualizado

Um ponto importante: creatinina no exame não é o mesmo que “problema no rim”

Muita mulher se assusta com a palavra “creatinina”. A creatinina é um marcador laboratorial que pode aumentar por vários motivos (inclusive massa muscular e suplementação).

Isso não significa, por si só, lesão renal. O ideal é avaliar o contexto e, quando necessário, outros marcadores (como taxa de filtração glomerular estimada) com orientação profissional.

Creatina na perimenopausa: faz sentido começar antes?

A perimenopausa é aquela fase em que os ciclos mudam, os sintomas podem oscilar e você começa a notar alterações de energia, sono e composição corporal.

Em teoria, faz sentido pensar em estratégias de manutenção de músculo e força antes da pós-menopausa se instalar completamente. Na prática, como ainda há menos estudos específicos nessa fase, a recomendação mais segura é:

  • priorizar treino de força e proteína
  • se você quiser usar creatina, usar como apoio com expectativas realistas

Resumo em 30 segundos: creatina na menopausa vale a pena?

  • Sim, para muitas mulheres, principalmente para apoiar força, desempenho e treino.
  • Não é suplemento de emagrecimento e não substitui treino.
  • Pode aumentar um pouco o peso por água intramuscular.
  • Para sono e cognição, os dados ainda são inconclusivos.
  • Dose prática: 3–5 g/dia, diariamente, por pelo menos 6–8 semanas.

Perguntas frequentes sobre creatina na menopausa

Posso tomar creatina na menopausa sem treinar?

Pode, mas o benefício tende a ser menor. Se for possível, ao menos inclua caminhadas, exercícios com peso do corpo e resistência leve.

Creatina na menopausa dá problema no estômago?

Algumas pessoas têm desconforto gastrointestinal, especialmente com doses altas. Se acontecer:

  • tome com refeição
  • reduza a dose
  • divida em 2 tomadas

Creatina na menopausa dá problema no estômago?

Algumas pessoas têm desconforto gastrointestinal, especialmente com doses altas. Se acontecer:

  • reduza a dose
  • divida em 2x ao dia
  • tome com refeição

Creatina na menopausa pode ser usada junto com proteína?

Sim. Essa é uma combinação comum e prática.

Preciso fazer pausa (“ciclar”) a creatina?

Para a maioria das pessoas, não há necessidade de ciclos. O mais importante é reavaliar periodicamente objetivos, rotina e exames quando indicado.

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Conclusão

A creatina na menopausa pode ser uma escolha inteligente quando o foco é fortalecer o corpo, sustentar o treino e proteger funcionalidade no dia a dia. Ela não substitui hábitos, mas pode facilitar a consistência — e consistência é o que mais transforma a saúde após os 40.

Se você está na perimenopausa ou menopausa e quer começar, o caminho mais seguro é simples: 3 a 5 g por dia, rotina de treino possível para a sua realidade e acompanhamento quando houver condições de saúde que pedem cautela.

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Referências

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  2. Smith-Ryan AE, DelBiondo GM, Brown AF, Kleiner SM, Tran NT, Ellery SJ. Creatine in women’s health: bridging the gap from menstruation through pregnancy to menopause. J Int Soc Sports Nutr. 2025 Dec;22(1):2502094. doi: 10.1080/15502783.2025.2502094. Epub 2025 May 15. PMID: 40371844; PMCID: PMC12086928.
  3. Smith-Ryan AE, Cabre HE, Eckerson JM, Candow DG. Creatine Supplementation in Women’s Health: A Lifespan Perspective. Nutrients. 2021 Mar 8;13(3):877. doi: 10.3390/nu13030877. PMID: 33800439; PMCID: PMC7998865.
  4. Ellery SJ, Walker DW, Dickinson H. Creatine for women: a review of the relationship between creatine and the reproductive cycle and female-specific benefits of creatine therapy. Amino Acids. 2016 Aug;48(8):1807-17. doi: 10.1007/s00726-016-2199-y. Epub 2016 Feb 22. PMID: 26898548.
  5. Abreu, B F; Dantas, LHSF. A suplementação da creatina como atenuante da fadiga no pós menopausa. 2023.
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