Falar sobre climatério no SUS é falar sobre algo muito concreto: onde procurar ajuda quando os sintomas começam a atrapalhar o sono, o humor, a rotina, o trabalho, a vida sexual ou a sensação de bem-estar.
Muitas mulheres passam por essa fase achando que “é assim mesmo” ou que precisam esperar uma consulta particular para serem ouvidas. Mas o climatério é uma etapa importante da saúde da mulher e pode, sim, ser acolhido dentro da rede pública, começando pela Atenção Primária à Saúde, geralmente na UBS mais próxima.
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O que significa buscar cuidado para climatério no SUS
O climatério é a fase de transição entre o período reprodutivo e a pós-menopausa. Ele pode começar anos antes da última menstruação e continuar depois dela.
Já a menopausa é confirmada quando a mulher passa 12 meses seguidos sem menstruar, sem outra causa que explique essa ausência.
Na prática, buscar cuidado para climatério no SUS não significa procurar atendimento apenas quando os sintomas estão insuportáveis. Significa ter um espaço para conversar sobre mudanças do corpo, prevenção, qualidade de vida, sexualidade, sono, saúde emocional e riscos que podem se tornar mais importantes com o passar dos anos.
O primeiro ponto importante é este: a mulher não precisa chegar à consulta com todas as respostas. Ela pode chegar com dúvidas, sintomas e relatos do que mudou.
Por que o climatério no SUS ganhou mais atenção
Nos últimos anos, a menopausa deixou de ser vista apenas como um assunto íntimo ou silencioso e passou a aparecer com mais força no debate sobre saúde pública.
Em 2026, o Ministério da Saúde publicou um manual voltado ao cuidado de mulheres na transição menopausal e na menopausa na Atenção Primária. Também foram publicados subsídios técnicos para organizar melhor o cuidado integral nessa fase.
Isso é importante porque ajuda profissionais e gestores a reconhecerem que sintomas como fogachos, insônia, alterações de humor, ressecamento vaginal, dor na relação, perda urinária, piora da qualidade de vida e maior risco cardiovascular não devem ser minimizados.
Ao mesmo tempo, propostas legislativas e debates públicos recentes têm chamado atenção para a necessidade de ampliar informação, acompanhamento multiprofissional e acesso a tratamentos quando indicados.
Ou seja: o tema ainda precisa avançar, mas já existe um movimento importante para tirar o climatério da invisibilidade.
Climatério no SUS: por onde começar
Para a maioria das mulheres, o caminho mais adequado começa pela UBS, a Unidade Básica de Saúde.
A UBS é a porta de entrada preferencial do SUS para muitos cuidados de saúde. É ali que a equipe pode escutar a queixa, avaliar riscos, orientar condutas iniciais, acompanhar sintomas e, quando necessário, encaminhar para outros profissionais ou serviços.
1. Procure a UBS da sua região
Se você ainda não sabe qual é a sua unidade de referência, procure a Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade ou consulte os canais digitais disponíveis, como o Meu SUS Digital, quando estiver acessível na sua região.
Leve um documento com foto, CPF, Cartão SUS se tiver, comprovante de residência e, se possível, exames ou receitas recentes.
2. Explique que você está no climatério
Você pode começar de forma simples:
“Estou percebendo mudanças que podem ser do climatério e gostaria de orientação.”
Essa frase já ajuda a direcionar a conversa. Muitas vezes, a mulher chega falando apenas de insônia, irritação ou cansaço, e os sintomas acabam sendo tratados de forma isolada.
Quando você nomeia o climatério, fica mais fácil abrir uma conversa integral.
3. Conte o que mudou na sua vida
A consulta fica mais produtiva quando você leva exemplos concretos. Antes de ir, anote:
- quando os sintomas começaram;
- se sua menstruação mudou;
- se há ondas de calor ou suores noturnos;
- como está o sono;
- houve piora de ansiedade, tristeza ou irritabilidade;
- se existe dor na relação ou ressecamento vaginal;
- há perda urinária;
- se os sintomas atrapalham trabalho, rotina ou relações;
- quais remédios, suplementos ou hormônios você já usa;
- histórico pessoal e familiar de câncer, trombose, doenças cardíacas ou osteoporose.
Você não precisa falar “bonito” nem usar termos médicos. O mais importante é contar a verdade do seu corpo.
Se você sente que precisa de uma escuta mais direcionada sobre climatério, o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa pode ajudar a encontrar profissionais com experiência no cuidado da mulher 40+. Ele não substitui o SUS, mas pode ser uma ferramenta complementar para quem busca orientação qualificada.
Leia também: Climatério e menopausa: o que é, sintomas e como lidar
O que pedir na consulta sobre climatério no SUS
Em vez de chegar pedindo um exame específico ou um tratamento pronto, uma boa estratégia é pedir uma avaliação completa dos sintomas.
Você pode perguntar:
- “Esses sintomas podem ter relação com o climatério?”
- “O que podemos fazer para melhorar minha qualidade de vida?”
- “Preciso de acompanhamento com ginecologista?”
- “Existe algum tratamento disponível para o meu caso?”
- “Quando devo retornar?”
- “Quais sintomas exigem atendimento mais rápido?”
- “Esse sintoma precisa ser investigado antes de eu esperar melhorar sozinha?”
Essas perguntas ajudam a transformar a consulta em um plano de cuidado, não apenas em uma conversa rápida.
Também é válido pedir que suas queixas sejam registradas no prontuário. Isso ajuda na continuidade do cuidado, especialmente se você precisar retornar ou passar por outro profissional.
Sintomas que merecem insistência no climatério no SUS
Nem todo sintoma do climatério é sinal de gravidade. Mas alguns merecem atenção porque podem afetar muito a qualidade de vida ou indicar que algo precisa ser investigado.
Procure ajuda e insista em acompanhamento se você tiver:
- fogachos intensos ou muito frequentes;
- suores noturnos que prejudicam o sono;
- insônia persistente;
- tristeza, ansiedade ou irritabilidade fora do seu padrão;
- perda importante de energia;
- dificuldade de concentração que atrapalha a rotina;
- dor na relação sexual;
- ressecamento, ardor ou desconforto vaginal;
- infecções urinárias de repetição;
- perda de urina;
- dor pélvica persistente;
- palpitações recorrentes;
- dor no peito ou falta de ar;
- sangramentos fora do padrão;
- queda importante da qualidade de vida.
A mensagem principal é: comum não significa irrelevante. Um sintoma pode ser frequente no climatério e, ainda assim, merecer cuidado.
Exige urgência: quando não esperar
Alguns sinais não devem ser deixados para “ver se passa”.
Procure atendimento com urgência se houver:
- sangramento após 12 meses sem menstruar;
- sangramento intenso, com tontura, fraqueza ou desmaio;
- dor no peito;
- falta de ar;
- desmaio;
- dor pélvica forte;
- febre associada a dor pélvica ou secreção com mau cheiro;
- pensamento de morte ou vontade de se machucar;
- perda de força em um lado do corpo, confusão mental ou dificuldade para falar.
O sangramento depois da menopausa merece destaque especial. Mesmo quando a causa é benigna, ele precisa ser avaliado. Não é um sintoma para normalizar.

Climatério no SUS e encaminhamentos: quem pode ajudar
A UBS pode resolver muita coisa, mas nem tudo precisa ficar apenas ali. Dependendo dos sintomas, da disponibilidade local e dos protocolos do município, a equipe pode encaminhar para outros pontos da rede.
Ginecologista
Pode ser necessário quando há sangramento anormal, dor pélvica, ressecamento vaginal importante, dor na relação, suspeita de alterações uterinas, necessidade de avaliar terapia hormonal ou sintomas ginecológicos persistentes.
Endocrinologista
Pode ser indicado em situações específicas, como alterações hormonais complexas, menopausa precoce, problemas de tireoide, diabetes de difícil controle ou outras condições metabólicas associadas.
Cardiologista
Pode ser importante quando há palpitações, dor no peito, falta de ar, pressão alta, risco cardiovascular aumentado ou histórico familiar importante.
Psicologia ou saúde mental
Alterações de humor, ansiedade, irritabilidade, tristeza persistente, sensação de sobrecarga e sofrimento emocional merecem cuidado. O climatério não explica tudo sozinho, mas pode ser uma fase em que a saúde mental pede mais atenção.
Fisioterapia pélvica
Pode ajudar em casos de perda urinária, urgência para urinar, dor pélvica, dor na relação e alterações do assoalho pélvico.
Nutrição
Pode contribuir quando há ganho de peso, alterações metabólicas, piora do colesterol, resistência à insulina, constipação ou dúvidas sobre alimentação nessa fase.
O tempo de encaminhamento pode variar bastante entre cidades. Por isso, é importante perguntar qual é o fluxo local, se existe fila, como acompanhar a solicitação e quando retornar à UBS.
Se você já passou por atendimento, mas ainda sente que suas dúvidas sobre climatério não foram respondidas, o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa pode ser um apoio para buscar uma segunda opinião ou uma orientação complementar.
Terapia hormonal no climatério no SUS: como conversar
A terapia hormonal pode fazer parte da conversa sobre climatério, especialmente quando há sintomas vasomotores importantes, como ondas de calor e suores noturnos, ou sintomas que prejudicam muito a qualidade de vida.
Mas ela não é “igual para todas”.
Antes de indicar qualquer tratamento hormonal, é necessário avaliar idade, tempo desde a menopausa, útero presente ou não, histórico de trombose, câncer de mama, doenças cardiovasculares, doenças hepáticas, sangramentos sem explicação e outros fatores individuais.
Na consulta, você pode perguntar:
- “No meu caso, faz sentido conversar sobre terapia hormonal?”
- “Tenho alguma contraindicação?”
- “Existem opções não hormonais?”
- “Se não houver acesso a um tratamento específico aqui, quais alternativas podem ser consideradas?”
- “Preciso de encaminhamento para avaliar melhor?”
Também é importante lembrar: terapia hormonal não deve ser iniciada por conta própria, nem compartilhada entre amigas ou familiares. O que ajuda uma mulher pode não ser seguro para outra.
Como buscar continuidade do cuidado no climatério no SUS
Um dos maiores desafios no cuidado do climatério é não transformar a consulta em um evento isolado.
Sintomas podem mudar. Tratamentos podem precisar de ajuste. Encaminhamentos podem demorar. E a mulher pode precisar de acompanhamento ao longo do tempo.
Para melhorar a continuidade, algumas atitudes ajudam:
- peça orientação clara sobre quando voltar;
- pergunte se haverá retorno agendado;
- anote o nome dos profissionais que atenderam você;
- guarde receitas, exames e encaminhamentos;
- acompanhe solicitações quando houver fila;
- registre seus sintomas entre uma consulta e outra;
- leve a mesma lista atualizada no retorno;
- peça explicação quando não entender uma orientação;
- procure a UBS novamente se os sintomas piorarem.
Se você sentir que não foi ouvida, que um sintoma importante foi ignorado ou que não recebeu orientação sobre próximos passos, tente retornar à unidade e explicar novamente a situação.
Quando necessário, também é possível recorrer à Ouvidoria do SUS para registrar solicitação, reclamação, denúncia, elogio ou sugestão relacionada ao atendimento.
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Climatério no SUS: passo a passo prático
Para facilitar, aqui está um caminho simples:
- Identifique seus sintomas
Anote o que mudou no corpo, no sono, no humor, na menstruação, na sexualidade e na rotina. - Procure a UBS de referência
Comece pela unidade do seu território. Ela é a principal porta de entrada para o cuidado. - Diga que suspeita de climatério
Use uma frase simples: “Acho que estou no climatério e preciso de orientação.” - Explique o impacto na sua vida
Fale se você não dorme, falta ao trabalho, evita relações, sente tristeza, perde urina ou tem medo dos sintomas. - Pergunte sobre o plano de cuidado
Peça orientação sobre tratamento, retorno, sinais de alerta e possibilidade de encaminhamento. - Volte se não melhorar
Persistência de sintomas merece reavaliação. Não é preciso esperar piorar muito para procurar ajuda novamente. - Insista nos sinais de alerta
Sangramento pós-menopausa, dor no peito, falta de ar, desmaio, dor pélvica forte e sofrimento emocional intenso exigem atenção rápida.
FAQ: dúvidas comuns sobre climatério no SUS
O SUS atende mulheres no climatério?
Sim. O cuidado pode começar pela UBS, com escuta dos sintomas, orientação, acompanhamento e encaminhamento quando necessário.
Preciso ir direto ao ginecologista?
Nem sempre. Em muitos casos, a UBS é o melhor primeiro passo. A equipe pode avaliar sua situação e encaminhar para ginecologia se houver necessidade.
Posso pedir terapia hormonal no SUS?
Você pode conversar sobre essa possibilidade. A indicação depende de avaliação individual, sintomas, riscos, contraindicações e disponibilidade local.
Sangramento depois da menopausa é normal?
Não deve ser tratado como normal. Sangramento após 12 meses sem menstruar precisa ser avaliado.
O que fazer se eu não conseguir encaminhamento?
Retorne à UBS, explique que os sintomas persistem, peça orientação sobre o fluxo do município e solicite registro no prontuário. Se necessário, procure a Ouvidoria do SUS.
Sintomas emocionais também podem ser levados ao SUS?
Sim. Ansiedade, tristeza persistente, irritabilidade intensa, sofrimento emocional e alterações importantes do sono merecem cuidado e podem ser acompanhados pela rede.
Conclusão
O climatério no SUS não deve ser um caminho de silêncio, vergonha ou resignação. A mulher tem direito a ser escutada, orientada e acompanhada com respeito.
Nem tudo se resolve em uma única consulta. Nem sempre o encaminhamento é rápido. Mas saber por onde começar, o que dizer, quando voltar e quais sintomas exigem insistência pode mudar a experiência de cuidado.
Se você deseja complementar sua jornada com profissionais que compreendem as particularidades do climatério e da menopausa, conheça o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa.
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Referências
- Ministério da Saúde. Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Menopausa. 2026.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 72/2026-DGCI/DESF/DEPROS. 2026.
- Ministério da Saúde. Sistema Único de Saúde – SUS.
- Organização Mundial da Saúde. Menopause Fact Sheet. 2024.
- The Menopause Society. The 2022 Hormone Therapy Position Statement.







