Unhas fracas na menopausa: causas, nutrientes e exames

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Close de mulher de meia-idade aplicando óleo hidratante com conta-gotas nas cutículas para ajudar a tratar unhas fracas na menopausa.

Unhas fracas na menopausa são mais comuns do que muita gente imagina — e, na maioria das vezes, não têm nada a ver com “desleixo”. A queda do estrogênio pode afetar a matriz da unha, reduzir a retenção de água e deixar a placa ungueal mais fina e quebradiça.

A boa notícia é que dá para melhorar bastante com um plano simples: entender o tipo de fragilidade, reduzir agressões do dia a dia, checar exames quando faz sentido e escolher nutrientes com melhor evidência, sem cair no “suplemento do momento”.

Unhas fracas na menopausa: por que isso acontece?

Depois dos 40, especialmente no climatério e na pós-menopausa, o corpo passa por mudanças que podem aparecer primeiro em detalhes: pele mais seca, cabelo mais fino e unhas que lascam ou descamam.

Em geral, as causas se somam:

  • Privação estrogênica: menos suporte para hidratação e estrutura da matriz ungueal.
  • Unha mais “seca”: a placa perde a “cola” natural (água e lipídios) entre camadas e passa a separar com facilidade.
  • Mudanças de rotina: mais esmaltação, removedor/acetona, alongamentos, e muito contato com água e detergente.
  • Carências silenciosas: ferro baixo (ferritina), vitamina D e, em alguns casos, zinco.

Os 2 tipos mais comuns de unha fraca e como reconhecer

A palavra “fraca” costuma esconder situações diferentes — e isso importa, porque o cuidado muda.

Unhas fracas na menopausa com estrias e quebra (onicorrexe)

Você nota estrias verticais, sensação de “unha áspera” e quebra fácil.

O que costuma piorar:

  • ressecamento crônico
  • trauma repetido (cutícula, lixa agressiva)
  • tireoide desregulada

Unhas fracas na menopausa descamando em camadas (onicosquizia)

A unha parece “abrir” na ponta, em lâminas. É muito típico de unha desidratada + agressão química.

O que costuma piorar:

  • água quente e detergente sem luva
  • acetona/removedor com frequência
  • alongamento/gel sem pausas

Quando unhas fracas NÃO são “da menopausa”

Nem toda mudança ungueal é hormonal. Vale acender uma luz (sem pânico) se você notar:

  • descolamento da unha, espessamento ou mudança importante de cor
  • odor, esfarelamento ou uma unha “opaca e amarelada” que não melhora
  • dor, inchaço na pele ao redor (paroníquia)
  • fragilidade muito rápida e intensa, junto de queda de cabelo e cansaço fora do padrão

Nesses casos, a avaliação médica ajuda a não confundir ressecamento com micose ou alterações sistêmicas.

Exames úteis para investigar unhas fracas na menopausa

Se suas unhas fracas na menopausa persistem por mais de 8–12 semanas apesar dos cuidados, ou se existem outros sintomas associados, este é um caminho prático para conversar com seu médico:

  • Hemograma + ferritina: ferritina baixa pode enfraquecer a unha mesmo sem anemia.
  • TSH e T4 livre: hipotireoidismo é um dos “impostores” mais comuns nessa fase.
  • 25(OH) Vitamina D: níveis baixos podem se associar a unhas mais finas e moles.
  • Zinco (quando há sinais): manchas brancas recorrentes, inflamação em cutículas e cicatrização lenta.

Observação importante: suplementos para “cabelo, pele e unhas” podem conter biotina em doses altas. A biotina pode interferir em alguns exames laboratoriais. Avise sempre seu médico e o laboratório se estiver usando.

Nutrientes com melhor evidência: o que vale priorizar

Aqui vale uma regra de ouro: nutriente funciona melhor quando existe deficiência ou quando ele faz sentido para a estrutura da unha. O resto é promessa bonita.

1) Peptídeos bioativos de colágeno

O foco não é “comer gelatina”. Estudos com peptídeos específicos sugerem melhora em parâmetros de envelhecimento de pele e unhas e redução de quebra em pessoas com fragilidade.

Como usar de forma inteligente:

  • procure por peptídeos/colágeno hidrolisado com dose semelhante à usada em estudos (muitas vezes 2,5–5 g/dia)
  • faça um teste honesto de 8–12 semanas, porque unha muda devagar

2) Silício (oral e/ou tópico): a tendência que faz sentido

O silício aparece como “apoio” estrutural, por atuar em vias ligadas a queratina/colágeno. Nos últimos anos, cresceram os estudos sobre entrega tópica de silício (ex.: sistemas com silicato), com melhora de espessura e força em poucas semanas.

Ponto prático:

  • não precisa ser “mais um suplemento” se você já usa mil coisas
  • pode fazer mais sentido começar pelo tópico (e reservar o oral para casos selecionados)

3) Ferro (ferritina): o ponto cego mais frequente

Antes da menopausa se instalar, muitas mulheres passam por ciclos com sangramento mais intenso e ferritina caindo aos poucos.

Se a ferritina está baixa, corrigir costuma ser uma das intervenções com melhor retorno para unhas fracas na menopausa.

4) Vitamina D e zinco: quando entram na conversa

  • Vitamina D: útil sobretudo quando há deficiência confirmada.
  • Zinco: considerar quando há sinais associados (cutícula inflamada, manchas brancas recorrentes, pele mais reativa).

Se quiser aprofundar, leia também:

5) Biotina: quando faz sentido e quando é só marketing

A biotina pode ajudar em situações específicas, mas, para a maioria das pessoas sem deficiência, o benefício tende a ser pequeno.

Se você decidir testar:

  • combine com hábitos e tópicos (só cápsula raramente resolve)
  • evite usar em doses muito altas sem orientação
  • lembre do alerta sobre exames laboratoriais

O “segredo” que muda o jogo: cuidado tópico e hábitos

Se a unha está seca, não adianta só “endurecer”. Em unha fraca, endurecedor agressivo pode criar o efeito vidro: fica dura, mas quebra mais.

Ureia 10–20%: hidratação ungueal de verdade

A ureia nessa faixa ajuda a ligar água na placa ungueal e melhora a flexibilidade.

Como aplicar:

  • 1 vez ao dia na unha e ao redor
  • capriche após banho e antes de dormir

Filme protetor: ácido hialurônico/quitosana e óleos

Formulações que criam um filme leve na unha ajudam a reduzir perda de água.

Na prática:

  • óleo de cutícula diariamente
  • base protetora suave (sem formol)

Micro-hábitos que protegem as unhas fracas na menopausa

Escolha 3 e leve por 30 dias:

  • use luvas hipoalergênicas para limpeza
  • faça pausas entre gel/alongamentos
  • reduza acetona (prefira removedor menos agressivo e com hidratação)
  • lixe a ponta em uma direção
  • não remova a cutícula “no osso”

Plano prático de 30 dias para unhas fracas na menopausa

Unha melhora com consistência. Aqui vai um plano realista.

Semana 1: parar de piorar

  • pausa de procedimentos agressivos
  • luvas na limpeza
  • ureia 10–20% 1x/dia + óleo de cutícula

Semana 2: reforçar estrutura

  • ajuste de proteína (cada refeição com uma fonte proteica)
  • hidratação diária (água + alimentos ricos em água)
  • se houver sinais: marque consulta e considere exames

Semana 3: testar o que tem melhor evidência

  • se fizer sentido: peptídeos de colágeno por 8–12 semanas
  • tópico com silício (se você prefere evitar mais cápsulas)

Semana 4: reavaliar e ajustar

Perguntas para você mesma:

  • a unha está menos “em camadas”?
  • quebra menos na ponta?
  • a cutícula está menos inflamada?

Se não houver melhora, é um bom momento para investigar tireoide, ferritina e possíveis micoses.

Perguntas frequentes

Unhas fracas na menopausa é falta de quê?

Pode ser combinação de ressecamento pela queda hormonal + agressões do dia a dia. Em alguns casos, entra deficiência de ferro (ferritina), vitamina D ou alterações da tireoide.

Qual o melhor suplemento para unhas fracas na menopausa?

Depende. Em geral, os que têm evidência mais consistente são peptídeos de colágeno (em doses estudadas) e correção de deficiências (como ferro/vitamina D) quando presentes.

Como saber se é micose ou unha fraca?

Micose costuma mudar cor, espessura e textura, podendo descolar e esfarelar. Unha fraca por ressecamento tende a descamar e quebrar sem tanto espessamento. Diagnóstico correto evita tratar “no escuro”.

Conclusões

Unhas fracas na menopausa raramente têm uma causa única. Quando você combina proteção contra agressões, hidratação tópica consistente (ureia + barreira) e investigação inteligente (ferritina, tireoide, vitamina D), a melhora costuma aparecer — e sem precisar entrar numa rotina cara e interminável.

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