Tabagismo na menopausa: por que o risco aumenta

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Mulher brasileira entre 45 e 55 anos, em uma cozinha clara e acolhedora, descarta calmamente uma carteira de cigarros no lixo, com expressão de alívio e decisão consciente, representando o impacto do Tabagismo na menopausa e a escolha por hábitos mais saudáveis nessa fase da vida.

Se você está vivendo a menopausa (ou chegando nela) e ainda fuma — mesmo “só alguns cigarros” — talvez tenha percebido que o corpo responde diferente. O tabagismo na menopausa pode pesar mais para o coração e para o metabolismo, e a boa notícia é que parar (ou reduzir com plano) traz ganhos rápidos e reais.

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Tabagismo na menopausa e inflamação

O cigarro é um fator inflamatório crônico: ele agride vasos sanguíneos, aumenta estresse oxidativo e favorece um ambiente mais “pró-aterosclerose” (formação de placas) e “pró-coágulo”.

Ao mesmo tempo, a menopausa traz queda de estrogênio, que pode aumentar a suscetibilidade a inflamação, rigidez arterial e piora do perfil lipídico. Quando as duas coisas se somam, o risco tende a aumentar.

Isso não é um motivo para medo. É um motivo para estratégia.

Tabagismo na menopausa: o que muda no corpo

Alguns efeitos do tabaco que importam muito na menopausa:

  • Vasos mais “irritados”: o cigarro danifica o revestimento interno dos vasos (endotélio), facilitando inflamação e placas.
  • Sangue mais propenso a coagular: isso aumenta risco de eventos cardiovasculares em longo prazo.
  • Piora do colesterol “funcional”: tende a reduzir HDL (“colesterol bom”) e pode aumentar triglicérides.
  • Mais carga inflamatória: menopausa já pode aumentar vulnerabilidade inflamatória; o tabaco acelera esse processo.

Resultado prático: aquilo que antes parecia “só um hábito” passa a ter um custo maior na saúde cardiometabólica.

Tabagismo na menopausa: sinais de dependência

Dependência de nicotina é uma condição de saúde. Se você se identifica com alguns itens abaixo, vale tratar com mais estrutura:

  • fuma logo ao acordar (por exemplo, nos primeiros 30–60 minutos)
  • sente “fissura” e irritabilidade quando tenta reduzir
  • percebe que o cigarro é sua principal ferramenta para lidar com ansiedade, estresse ou solidão
  • já tentou parar e voltou várias vezes
  • fuma mais em situações específicas (álcool, café, encontros, trabalho)
  • “negocia” consigo: só hoje, só esse, só depois do almoço

Se isso parece familiar, você não está sozinha. E você não precisa fazer isso no grito.

Tabagismo na menopausa: estratégias que funcionam

A combinação com maior chance de sucesso costuma unir mudança de rotina + suporte + (quando indicado) medicação.

1) Defina um objetivo realista

Você pode escolher um destes caminhos, ambos são válidos:

  • Parar de vez com uma data marcada (muita gente se beneficia desse formato)
  • Reduzir com plano por 2–4 semanas até chegar ao dia de parar

O que costuma atrapalhar é tentar “parar só na força” sem mexer nos gatilhos.

2) Mapeie seus 3 gatilhos principais

Pegue papel e anote:

  • quando você mais fuma: manhã? noite? após refeições?
  • com o quê: café? álcool? redes sociais?
  • para quê: acalmar? fazer pausa? aliviar tensão?

A partir daí, você cria substituições específicas.

3) Tenha um “kit fissura”

Quando a fissura vier, use uma sequência curta:

  • 10 respirações lentas
  • água gelada ou chiclete (sem açúcar)
  • 2 minutos de movimento (subir escada, alongar, caminhar)

A fissura costuma vir em onda: ela cresce, atinge pico e diminui. Seu trabalho é atravessar a onda.

4) Troque a “pausa do cigarro” por uma pausa que regula o corpo

Opções simples:

  • sol no rosto por 5–10 minutos pela manhã
  • café sentado, sem celular, respirando mais lento
  • caminhada curta após almoço (ajuda glicose e ansiedade)
  • banho morno à noite

5) Se precisar, trate como tratamento e não como desafio

Existem abordagens com boa evidência:

  • apoio comportamental (individual, grupo, telefone, apps)
  • terapias de reposição de nicotina (adesivo + forma de ação rápida)
  • medicamentos prescritos (como bupropiona SR ou vareniclina)

A escolha depende de histórico clínico, sintomas, pressão, sono e saúde mental. Vale discutir com seu médico(a) ou equipe do SUS.

Tabagismo na menopausa: ganhos em semanas e meses

Parar de fumar costuma trazer mudanças rápidas, e isso é motivador. Em linhas gerais:

  • em minutos: pressão e pulso tendem a melhorar
  • após dias: melhora do paladar e olfato; mais fôlego para atividades simples
  • após semanas: respiração e circulação ficam mais fáceis; fissura costuma reduzir bastante
  • em meses: queda consistente do risco cardiovascular e melhora da capacidade física
  • em 1 ano: o risco cardiovascular cai de forma importante, aproximando-se de quem não fuma

Mesmo que você já tenha fumado por muitos anos, parar sempre vale a pena.

Tabagismo na menopausa: como pedir ajuda e onde encontrar?

Você não precisa fazer isso sozinha.

  • SUS: há tratamento gratuito para cessação do tabagismo em muitas unidades, com suporte e, quando indicado, medicação.
  • Disque Saúde 136: pode orientar caminhos na rede e tirar dúvidas.
  • Apoio psicológico: terapia (inclusive Terapia Cognitivo-Comportamental) ajuda muito quando o cigarro está ligado a ansiedade, compulsão, estresse ou rotina emocional.
  • Família e amigas: peça apoio objetivo, não julgamento. Exemplo de pedido: “Se eu pedir cigarro, me lembra do meu motivo e caminha comigo 5 minutos?”

Tabagismo na menopausa e vaping: “mais leve” não significa seguro

Cigarro eletrônico pode parecer menos agressivo, mas continua entregando nicotina e pode aumentar dependência, além de estar associado a estresse oxidativo e inflamação vascular.

Se você migrou para o vaping, a lógica do cuidado é parecida: trate como dependência de nicotina e busque estratégia e suporte.

Se você recaí: como voltar sem se punir

Recaída não é fracasso. É dado.

Faça 3 perguntas:

  1. O que disparou? (álcool, briga, estresse, cansaço)
  2. O que faltou? (sono, apoio, substituição, medicação)
  3. Qual ajuste eu faço hoje? (voltar ao plano, marcar consulta, entrar em grupo)

O caminho é tentativa com aprendizado.

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Conclusão

O tabagismo na menopausa aumenta o risco porque soma dois fatores importantes: a vulnerabilidade cardiometabólica que cresce com a queda do estrogênio e o efeito inflamatório crônico do tabaco. A boa notícia é que parar (com estratégia e apoio) melhora o corpo em semanas — e protege sua saúde por anos.

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Referências

  1. Oliveira GMM, et al. Position Statement on Cardiometabolic Health Across the Woman’s Life Course – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025 Nov 21;122(9):e20250615. Portuguese, English. doi: 10.36660/abc.20250615. PMID: 41294176; PMCID: PMC12674840.
  2. INCA (Brasil). Tratamento do tabagismo (Programa Nacional de Controle do Tabagismo).
  3. Kondo T, et al. Effects of Tobacco Smoking on Cardiovascular Disease. Circ J. 2019 Sep 25;83(10):1980-1985. doi: 10.1253/circj.CJ-19-0323. Epub 2019 Aug 29. PMID: 31462607.
  4. US Preventive Services Task Force; Krist AH, Davidson KW, Mangione CM, Barry MJ, Cabana M, Caughey AB, Donahue K, Doubeni CA, Epling JW Jr, Kubik M, Ogedegbe G, Pbert L, Silverstein M, Simon MA, Tseng CW, Wong JB. Interventions for Tobacco Smoking Cessation in Adults, Including Pregnant Persons: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2021 Jan 19;325(3):265-279. doi: 10.1001/jama.2020.25019. PMID: 33464343.
  5. Peltier MR, et al. Smoking Across the Menopausal Transition in a 10-Year Longitudinal Sample: The Role of Sex Hormones and Depressive Symptoms. Nicotine Tob Res. 2020 May 26;22(6):872-877. doi: 10.1093/ntr/ntz069. PMID: 31058288; PMCID: PMC7249927.
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