Se você chegou até aqui buscando remédio para menopausa, provavelmente está tentando equilibrar duas necessidades reais: aliviar sintomas (para conseguir viver e dormir melhor) e escolher com segurança (sem promessas fáceis e sem medo exagerado). A boa notícia é que existe um caminho bem claro para organizar opções e decidir junto com seu médico.
Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual. Não inicie, não troque e não interrompa medicamentos por conta própria.
Remédio para menopausa: quando é hora de tratar sintomas
Não existe uma regra única, mas costuma fazer sentido considerar tratamento quando um ou mais sintomas estão:
- frequentes (quase todos os dias ou várias noites por semana)
- intensos (nota 7–10 de impacto)
- atrapalhando a vida (sono, trabalho, humor, relações, atividade física)
- persistentes por semanas a meses
Um jeito simples de deixar isso objetivo é usar um mini-diário por 14 dias:
- quantos fogachos por dia (se houver)
- quantas noites ruins por semana
- humor/ansiedade (0–10)
- energia (0–10)
Levar esses dados para a consulta muda a qualidade da decisão.
Remédio para menopausa: quando investigar antes de “atribuir tudo à menopausa”
Mesmo na transição natural, alguns sinais pedem avaliação antes de focar em remédio para menopausa:
- sangramento muito intenso, prolongado, após relação ou após 12 meses sem menstruar
- palpitações com desmaio, dor no peito ou falta de ar persistente
- perda de peso sem explicação, febre persistente
- piora importante e sustentada de humor/ansiedade
Se o seu tema principal é ciclo irregular, este guia ajuda muito:
Quer orientação para investigar com segurança?
Se você está insegura sobre o que é “esperado” e o que merece exame, dá para encurtar caminho com ajuda especializada.
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Remédio para menopausa: principais formas de tratamento
Para organizar de um jeito útil (sem virar lista de produtos), pense em três “camadas”:
- Terapia hormonal (quando indicada): costuma ser a mais eficaz para sintomas vasomotores (fogachos/suores) e pode melhorar sono quando o despertar está ligado a calorões.
- Remédios não hormonais (prescrição): opções úteis quando terapia hormonal não é indicada, não é desejada, ou quando se busca um plano por etapas.
- Suplementos e abordagens naturais (apoio): podem ajudar em sintomas específicos e hábitos (sono, estresse), mas exigem cuidado com expectativas, qualidade e interações.
Se você quer entender o “contexto de fases”, este post complementa bem:
Remédio para menopausa: terapia hormonal (TRH/THM) com clareza e sem tabu
A terapia hormonal é, de forma consistente, a opção mais eficaz para sintomas vasomotores (ondas de calor e suores noturnos). A decisão não é “sim ou não” apenas: envolve qual hormônio, qual combinação, qual via e qual perfil de risco.
Remédio para menopausa e terapia hormonal: 4 perguntas que guiam a escolha
1) Você tem útero?
Essa pergunta define uma parte central do plano:
- sem útero: em geral, pode-se usar estrogênio isolado (quando não há contraindicação)
- com útero: em geral, é necessário estrogênio + progestagênio (ou estratégia de proteção endometrial), para reduzir risco de hiperplasia/câncer de endométrio
Tradução prática: em quem tem útero, o progestagênio não é “detalhe”. Ele é parte da segurança do tratamento sistêmico.
2) Via oral ou via transdérmica?
Aqui entra um ponto-chave de segurança.
- via oral (comprimidos): passa pelo fígado primeiro (efeito de “primeira passagem”), o que pode influenciar marcadores e, em algumas mulheres, aumentar risco de trombose
- via transdérmica (adesivo/gel/spray): tende a ter menor efeito pró-trombótico e costuma ser preferida quando há fatores de risco para trombose ou quando se busca um perfil cardiovascular mais favorável
Isso não significa que “transdérmica é para todo mundo” nem que “oral é proibida”. Significa que a via muda o perfil de risco e precisa entrar na conversa.
Para aprofundar o tema de forma bem prática (e com foco no coração):
Quer decidir com mais segurança (via oral x transdérmica)?
Um especialista pode avaliar seu histórico e te ajudar a escolher a via e a combinação mais adequadas.
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3) “Janela de oportunidade”: quando o balanço tende a ser mais favorável
Em linhas gerais, diretrizes apontam que, para a maioria das mulheres saudáveis com sintomas incômodos, o balanço risco-benefício tende a ser mais favorável quando a terapia hormonal é iniciada:
- antes dos 60 anos ou
- dentro de ~10 anos do início da menopausa
Isso não é uma sentença. É um jeito de entender por que a mesma terapia pode ter riscos diferentes conforme idade, tempo desde a menopausa e perfil de saúde.
4) Terapia hormonal “local” (vaginal) não é terapia sistêmica
Se o principal problema é ressecamento, ardor, desconforto íntimo, dor na relação ou sintomas urinários, muitas vezes a conversa não precisa começar com terapia sistêmica.
- opções locais (como estrogênio vaginal em baixa dose, quando indicado) atuam principalmente no local e têm absorção sistêmica baixa
Este conteúdo complementa muito bem:
Remédio para menopausa: contraindicações e “zonas de cautela” mais comuns
Em geral, terapia hormonal sistêmica costuma ser evitada (ou exige avaliação especializada) em casos como:
- sangramento vaginal sem causa esclarecida
- câncer de mama atual (ou histórico recente, conforme caso)
- trombose/embolia prévia ou trombofilias importantes
- AVC ou doença cardiovascular estabelecida (depende do caso)
- doença hepática ativa
Mesmo sem contraindicação formal, o plano deve ser individualizado se houver:
- enxaqueca com aura
- hipertensão não controlada
- tabagismo importante
- múltiplos fatores de risco cardiometabólico
Se você se identificou com alguma “zona de cautela”, não é motivo para pânico — é motivo para personalizar a decisão.
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Remédio para menopausa: opções não hormonais
Quando a terapia hormonal não é indicada, não é desejada, ou quando o objetivo é um plano por etapas, existem medicamentos não hormonais que podem reduzir fogachos e melhorar qualidade de vida.
O que guia a escolha é:
- perfil de sintomas e impacto (sono? humor? fogachos diurnos?)
- efeitos colaterais mais prováveis
- outras condições de saúde e medicamentos em uso
- disponibilidade e acompanhamento
SSRIs/SNRIs (antidepressivos em baixa dose)
Alguns antidepressivos, em doses menores do que as usadas para depressão, podem reduzir fogachos em parte das mulheres.
Costumam entrar na conversa quando:
- há fogachos + ansiedade/irritabilidade
- existe dificuldade de sono associada
- terapia hormonal não é opção
Pontos práticos para decisão compartilhada:
- efeitos colaterais variam (náusea, boca seca, alteração de libido, sono)
- interações precisam ser checadas (principalmente se a pessoa já usa outras medicações)
Gabapentina (e opções semelhantes)
Pode ajudar fogachos e, em algumas pessoas, melhorar o sono quando o sintoma principal é “acordar suando” ou ter ondas de calor noturnas.
Pontos de atenção:
- sonolência e tontura são possíveis
- dose e horário fazem diferença (isso é individual)
Clonidina
Pode ser considerada em situações específicas, mas costuma ter mais limitações por efeitos como:
- boca seca
- tontura/queda de pressão
- constipação
Oxibutinina
Em alguns estudos, reduziu fogachos, mas não é primeira escolha para todo mundo.
Pontos de atenção:
- boca seca e constipação podem incomodar
- vale discutir custo-benefício e perfil de efeitos
Antagonistas NK3 (classe mais nova para fogachos)
Uma classe mais recente atua no mecanismo neural ligado aos fogachos (receptor NK3). Em alguns países, um exemplo é o fezolinetant.
Dois recados importantes para manter segurança:
- pode haver recomendação de monitorar exames do fígado, conforme alertas regulatórios e bula
- a disponibilidade pode variar por país e atualizações regulatórias
Se você está considerando uma opção mais nova, pergunte na consulta: “qual acompanhamento e quais exames são necessários no meu caso?”.
Remédio para menopausa: suplementos e abordagens naturais
É muito comum buscar “algo natural” antes de ir para remédios — e isso faz sentido. O problema é quando suplementos e plantas entram como promessa de “cura” ou quando a pessoa mistura várias coisas ao mesmo tempo.
O jeito mais seguro de trabalhar essa camada é:
- tratar como apoio (não como substituto quando sintomas são moderados a graves)
- evitar misturar muitas coisas de uma vez
- checar interações com remédios contínuos
Se a sua dúvida principal é fitoterapia e chás, este guia complementa o tema com foco em segurança:
Rotina e terapias mente-corpo que costumam ajudar
Quando o corpo está em “alerta” (estresse + sono ruim), qualquer estratégia funciona pior. Por isso, faz sentido discutir com o médico um plano em camadas:
- higiene do sono (horários, telas, cafeína/álcool)
- atividade física com consistência (força + caminhada)
- terapia cognitivo-comportamental (TCC) para sono/ansiedade, quando disponível
Se você quer um mapa mais amplo para organizar sintomas por sistemas:
Remédio para menopausa: como escolher com seu médico
A maior virada de chave é transformar “qual remédio eu tomo?” em decisão compartilhada, com objetivo claro e revisão marcada.
1) Defina sua meta em 1 frase
Exemplos:
- “Quero dormir sem acordar suando 4 noites por semana.”
- “Quero reduzir fogachos para conseguir trabalhar e me exercitar.”
2) Leve 3 dados simples
- seus 3 sintomas principais com nota 0–10
- padrão do sono (quantas noites ruins/semana)
- se ainda menstrua: padrão do ciclo e sangramentos diferentes
3) Perguntas que melhoram a consulta (copie e cole)
- “No meu caso, terapia hormonal é opção? Por quê?”
- “Tenho útero: qual é a forma de proteção endometrial indicada?”
- “Qual via faz mais sentido para mim: oral ou transdérmica?”
- “Se eu não quiser (ou não puder) hormônio, qual alternativa não hormonal tem melhor encaixe?”
- “Qual efeito colateral é mais provável no meu caso e como vamos monitorar?”
- “Quando reavaliamos: 4, 8 ou 12 semanas?”
4) Combine o plano de revisão
Um bom plano de remédio para menopausa sempre vem com data de reavaliação:
- em 4–12 semanas: avaliar resposta e tolerabilidade
- depois: revisar dose mínima eficaz e objetivos
Dica prática: leve este artigo aberto no celular e anote 3 perguntas. Se você quiser apoio para montar seu plano (por etapas e com revisão), você pode buscar orientação especializada.
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Perguntas frequentes sobre remédio para menopausa
Preciso tomar remédio para menopausa “para sempre”?
Na maioria dos casos, não. A ideia é usar o menor tratamento eficaz pelo tempo necessário para seus objetivos, com reavaliações regulares.
Exames hormonais são obrigatórios para decidir tratamento?
Muitas vezes, não. Na faixa típica da transição, o diagnóstico costuma ser clínico e exames hormonais podem oscilar e confundir. O foco costuma ser avaliar riscos e causas associadas (pressão, glicemia, lipídios, anemia, tireoide, etc.).
Se eu ainda menstruo (perimenopausa), posso precisar de tratamento?
Sim. Sintomas podem aparecer antes da última menstruação. Para entender fases e duração:
Ouça no PodKefi
Para ampliar a conversa sobre risco-benefício, janela de oportunidade e saúde do coração nessa fase, vale ouvir:
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Referências científicas e diretrizes
- “The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society” Advisory Panel. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022 Jul 1;29(7):767-794. doi: 10.1097/GME.0000000000002028. PMID: 35797481.
- Kim Y, Cho MK, Chung YJ, Hong SH, Hwang KR, Jeon GH, Joo JK, Kim SK, Lee DO, Lee DY, Lee ES, Lee SR, Seo SK, Song JY, Yi KW, Yun BH, Han JY, Kim DH, Kim SE, Lee J, Yuk JS, Hong YH, Chun S, Kim MR; Publication Committee on Clinical Guidelines of the Korean Society of Menopause. The 2025 Menopausal Hormone Therapy Guidelines – Korean Society of Menopause. J Menopausal Med. 2025 Aug;31(2):53-84. doi: 10.6118/jmm.25103. PMID: 40954991; PMCID: PMC12438153.
- Pinkerton, J. V. (2025). Hormone therapy. Menopause, 32(1), 95-97.
- Pan, M., Pan, X., Zhou, J., Wang, J., Qi, Q., & Wang, L. (2022). Update on hormone therapy for the management of postmenopausal women. Bioscience trends, 16(1), 46-57.
- FEBRASGO. Brazilian Guideline on Menopausal Cardiovascular Health – 2024.








