Alergias na menopausa: coceira, rinite e histamina

1Shares
Mulher de meia-idade em um quarto, espirrando e cobrindo o nariz com um lenço em frente a um armário aberto, ilustrando um possível sintoma de alergias na menopausa.

Alergias na menopausa é um termo que muitas mulheres usam para descrever um combo bem real: coceira, nariz entupido/escorrendo (rinite), espirros, olhos lacrimejando e, às vezes, até episódios de urticária (placas avermelhadas que coçam). A dúvida mais comum é: “isso é hormonal ou ambiental?”.

A resposta mais honesta é: pode ser os dois, e nem sempre é “alergia” de verdade. Na transição menopausal, a pele e as mucosas podem ficar mais secas e sensíveis, e isso aumenta a chance de irritação e piora da percepção de sintomas. Ao mesmo tempo, o ambiente (poeira, mofo, perfumes, poluição) continua sendo um gatilho enorme.

Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta, exames ou acompanhamento individual. Se os sintomas forem intensos, persistentes ou vierem com falta de ar/inchaço, procure avaliação.

Alergias na menopausa: alergia de verdade ou irritação?

Antes de “culpar a histamina”, vale separar três coisas que podem parecer iguais:

  • Alergia (imunológica): o sistema imune reage a um gatilho (ex.: ácaros, pólen, pelos), liberando mediadores como histamina.
  • Irritação (não alérgica): a pele/mucosa reage a perfume, mudanças de temperatura, ar seco, produtos de limpeza, sem mecanismo alérgico clássico.
  • Sensibilidade + pele/mucosa mais seca: queda de estrogênio pode reduzir barreira cutânea e hidratação, favorecendo coceira e “ardor” (que podem ser confundidos com alergia).

Essa distinção importa porque o que funciona melhor muda conforme o caso.

Alergias na menopausa: sinais comuns

Você pode notar um ou mais destes padrões:

  • Coceira na pele sem lesão clara: muitas vezes ligada a ressecamento, banho quente, sabonete agressivo, ar seco.
  • Coceira com placas/vermelhidão que aparecem e somem: pode sugerir urticária (com múltiplas causas).
  • Rinite (nariz entupido, espirros, coriza): pode ser alérgica (ácaros/pólen) ou não alérgica (perfume, mudança de clima, poluição).
  • Olhos irritados/lacrimejando: comum em rinite alérgica e exposição a irritantes.

Se você quer um contexto importante sobre pele seca na transição menopausal, vale ler:

Tabela — Alergias na menopausa: sintoma, gatilhos prováveis e primeira atitude

Sintoma principalO que pode estar por trásO que tentar por 7 dias (simples)Quando procurar avaliação
Coceira difusa sem lesãopele seca, sabonete forte, banho quente, ar secohidratante sem perfume 2x/dia + banho morno curto + trocar sabonetese persistir >2–3 semanas, piorar à noite ou vier com perda de peso/febre
Coceira com placas que vão e voltamurticária (gatilhos variados)diário de gatilhos (alimento/álcool/remédio/estresse) + evitar anti-inflamatório sem orientaçãose houver inchaço de lábios/olhos, falta de ar ou mal-estar intenso
Rinite (espirro, coriza, entupimento)ácaros, pólen, mofo, perfume, poluiçãolimpeza do quarto + evitar fragrâncias + lavagem nasal com soro (se tolerado)se houver sinusites repetidas, sangramento, obstrução unilateral persistente
Olhos irritados/lacrimejandorinite alérgica/irritativareduzir exposição (poeira/poluição) + compressa friase houver dor forte, secreção purulenta, alteração visual

Alergias na menopausa e histamina: qual é a conexão real?

A histamina é uma substância liberada principalmente por mastócitos (células do sistema imune). Ela participa de sintomas clássicos de alergia: coceira, coriza, espirros e urticária.

O ponto importante: falar em “histamina” não significa que você precisa entrar em dietas restritivas. A ideia aqui é entender o mecanismo:

  • Alguns estudos mostram que hormônios sexuais podem interagir com células envolvidas em inflamação alérgica (incluindo mastócitos) e com vias respiratórias/pele.
  • Na prática, isso pode ajudar a explicar por que algumas mulheres percebem o corpo mais reativo em fases de maior oscilação hormonal — mas isso não prova que a menopausa “causa alergia”.

Se você está curiosa sobre “histamina e dieta”, use como regra de segurança:

  • evite radicalismos (principalmente sem acompanhamento)
  • observe gatilhos consistentes (álcool, ultraprocessados, noites ruins, estresse)
  • foque primeiro em sono, hidratação e barreira da pele

Para uma estratégia alimentar com base mais ampla (sem “dieta maluca”), esse conteúdo conversa bem com o tema:

O que pode ser hormonal vs. ambiental: checklist prático

Se você quer perceber cedo de onde vem suas alergias na menopausa, faça este checklist:

Sinais que apontam mais para hormonal/sensibilidade

  • coceira piora em períodos de pele mais seca
  • ardor e irritação com sabonetes, perfumes, tecidos
  • sensação de “nariz seco” e irritação em ar-condicionado
  • melhora quando você reforça hidratação da pele e reduz banho quente

Sinais que apontam mais para ambiental/alérgico

  • sintomas aumentam no quarto (ácaros) ou em locais com mofo
  • rinite sazonal (piora em certas épocas)
  • melhora clara ao reduzir poeira, trocar roupa de cama, ventilar
  • histórico familiar de alergias, asma, dermatite atópica

Alergias na menopausa: o que ajuda de verdade

1) Barreira da pele: a base para coceira

  • banho morno e mais curto
  • hidratante sem perfume logo após o banho (pele ainda úmida)
  • sabonete suave (menos espuma, menos fragrância)
  • atenção a roupas muito sintéticas e amaciantes perfumados

2) Nariz e vias aéreas: reduza irritantes e organize o ambiente

  • ventilar casa e quarto diariamente
  • reduzir poeira (panos úmidos funcionam melhor do que “varrer”)
  • revisar mofo/umidade (principalmente no quarto)
  • se você tolera: lavagem nasal com soro pode ajudar algumas pessoas (converse com seu médico se tiver sinusite de repetição ou desconforto importante)

3) Medicações: conversar com o médico

Dependendo do quadro, seu médico pode discutir opções como:

  • anti-histamínicos modernos (geralmente com menos sedação)
  • sprays nasais específicos para rinite
  • avaliação para imunoterapia (em casos selecionados)

Se você tem asma, chiado ou falta de ar, isso muda a prioridade — e vale avaliação mais cedo.

Quando procurar avaliação mais rápida

Procure atendimento com mais urgência se houver:

  • falta de ar, chiado ou aperto no peito
  • inchaço em lábios/olhos/rosto ou sensação de garganta “fechando”
  • urticária com tontura, fraqueza intensa ou mal-estar importante
  • obstrução nasal unilateral persistente, sangramento recorrente
  • coceira intensa e persistente sem explicação, especialmente com outros sintomas sistêmicos

Perguntas para levar ao consultório

  • “Vale fazer testes alérgicos no meu caso (e quais)?”
  • “Minha pele está mais seca: como montar um plano de barreira cutânea?”
  • “Algum remédio (anti-inflamatório, descongestionante, suplemento) pode estar piorando?”
  • “Quais sinais seriam motivo para voltar antes do retorno?”

Leia também no Blog da Menopausa

Referências científicas

  1. Bonds RS, Midoro-Horiuti T. Estrogen effects in allergy and asthma. Current Opinion in Allergy and Clinical Immunology. 2013;13(1):92–99. PMID: 23090385. DOI: 10.1097/ACI.0b013e32835a6dd6. PubMed
  2. Kohen F, et al. Expression of estrogen and progesterone receptors in mast cells in upper airways. Allergy. 2001. PMID: 11182013. PubMed
  3. Zuberbier T, Abdul Latiff AH, Abuzakouk M, et al. The international EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI guideline for the definition, classification, diagnosis and management of urticaria (2021 update). Allergy. 2022. PMID: 34536239. DOI: 10.1111/all.15090. PubMed
  4. Ober C, et al. Perimenopausal women with allergic rhinitis have higher risks of hypertension and obesity. Allergy, Asthma & Clinical Immunology. 2023. DOI: 10.1186/s13223-023-00839-7. Artigo
  5. McCoy J, et al. Dermatological Changes during Menopause and Hormone Replacement Therapy. Genes (Basel). 2024. DOI: 10.3390/genes15101299. Artigo
  6. Hormonal Effects on Asthma, Rhinitis, and Eczema. Immunology and Allergy Clinics of North America. 2022. PMID: 35436605. PubMed
1Shares

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *