Se você percebe mais cansaço, mais dificuldade para manter massa magra, “flacidez” que parece aparecer do nada ou recuperação mais lenta depois de treinar, não é impressão: na transição hormonal, o corpo pode mudar o jeito de construir e preservar músculo. E é por isso que cuidar da quantidade de proteína na menopausa vira um tema tão importante.
E aqui entra uma peça que costuma fazer diferença na prática: proteína na menopausa. Não como moda, nem como dieta rígida — e sim como um “seguro” diário para proteger força, autonomia, metabolismo e até qualidade da pele.
Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta, exames ou plano alimentar individual. Se você tem doença renal, hepática, usa medicações específicas ou tem restrições alimentares, converse com seu médico e nutricionista.
Proteína na menopausa: o que ela faz no seu corpo além de “músculo”
A proteína é feita de aminoácidos, que viram matéria-prima para:
- músculos (força, postura, estabilidade)
- ossos (junto com treino e nutrientes como cálcio e vitamina D)
- pele, cabelo e unhas (estrutura e reparo)
- saciedade (ajuda a reduzir beliscos por fome desregulada)
- recuperação após exercício, doença ou noites ruins
Na prática: quando a proteína está baixa por tempo suficiente, fica mais fácil perder massa magra — e isso pode impactar energia e composição corporal.
Para se aprofundar no tema músculo + menopausa:
- Massa muscular na menopausa: seu melhor investimento
- Perda de massa muscular na menopausa: como prevenir
Proteína na menopausa e ganho de peso: por que às vezes a fome aumenta?
Um artigo publicado no BJOG (An International Journal of Obstetrics & Gynaecology) propõe um mecanismo interessante para explicar por que tantas mulheres relatam ganho de 1–2 kg por ano na transição da menopausa “sem mudar nada” na rotina: com a queda do estrogênio, pode haver maior quebra de proteínas do corpo (músculo e outros tecidos). Isso aumentaria o “pedido” do organismo por proteína.
O ponto-chave é o seguinte: quando a fome por proteína sobe, mas a dieta do dia a dia continua pobre em proteína (e rica em carboidratos e gorduras ultraprocessadas), a pessoa pode acabar comendo mais calorias para atingir o que o corpo está buscando — um fenômeno conhecido como “alavancagem proteica”.
Como isso vira prática (sem dieta maluca)
A ideia não é “comer proteína demais”, e sim aumentar um pouco a densidade de proteína do seu prato ao longo do dia. No modelo proposto, ajustes pequenos na composição da dieta (por exemplo, sair de algo como ~16% para ~18–20% da energia vinda de proteínas, dependendo do nível de atividade) já poderiam ajudar a reduzir o risco de ganhar gordura e, ao mesmo tempo, proteger massa magra.
Na vida real, isso costuma se traduzir em:
- colocar proteína também no café da manhã
- evitar que o lanche vire só “carbo rápido” (biscoito, pão, doces)
- trocar parte dos ultraprocessados por opções com mais proteína e fibra
- combinar com treino de força (músculo manda sinais de saciedade e melhora o metabolismo)
Mensagem importante: se você sente fome “sem fim” ou aumento de beliscos na perimenopausa, isso não é falta de força de vontade. Muitas vezes é o corpo pedindo ajuste de rotina, sono, estresse — e um pouco mais de proteína com qualidade.
Proteína na menopausa: quanto consumir por dia
A forma mais simples e prática é pensar em gramas por quilo de peso corporal (g/kg/dia).
Passo 1 — Escolha sua faixa-alvo de proteína na menopausa
Nota: além de pensar em g/kg/dia, alguns estudos discutem a densidade de proteína do cardápio (quanto da energia do dia vem de proteína). Para a maioria das mulheres, subir um pouco essa densidade ajuda a bater a meta diária com menos “belisco” e melhor saciedade.
As faixas abaixo são referências gerais usadas em consensos e revisões. Não são “lei”, e não substituem avaliação individual.
- Base para saúde geral (mínimo para cobrir necessidades da maioria): ~0,8 g/kg/dia
- Mulheres 40+ com objetivo de preservar massa magra (muito comum na prática clínica): ~1,0–1,2 g/kg/dia
- Se você treina força com regularidade (ou quer ganhar massa magra): ~1,4–1,6 g/kg/dia
Importante: se você tem doença renal crônica, histórico de redução importante da função renal ou orientação específica, não aumente proteína por conta própria.
Passo 2 — Multiplique pelo seu peso (ou pelo peso-alvo)
Proteína por dia (g) = peso (kg) × faixa escolhida (g/kg)
Se você está acima do peso e a conta parecer “alta demais”, uma estratégia comum é usar peso-alvo (ou discutir “peso ajustado” com um profissional), para não superestimar.
Tabela 1 — Proteína na menopausa: metas por perfil
| Perfil (referência) | Faixa diária (g/kg/dia) | 60 kg de peso | 70 kg de peso | 80 kg de peso |
|---|---|---|---|---|
| Base para saúde geral | 0,8 | 48 g | 56 g | 64 g |
| Preservar massa magra após os 40 | 1,0–1,2 | 60–72 g | 70–84 g | 80–96 g |
| Treino de força regular | 1,4–1,6 | 84–96 g | 98–112 g | 112–128 g |
Se você leu a tabela e pensou “nossa, parece muito”, respira: não precisa acertar perfeito. Em geral, o que mais muda o jogo é sair do padrão “pouca proteína no dia inteiro” e começar a distribuir melhor.
Proteína na menopausa: como distribuir ao longo do dia
Muita gente concentra proteína só no almoço e no jantar — e o café da manhã vira pão, café e… nada de proteína.
Uma estratégia simples é pensar em 3 refeições com proteína (e, se precisar, 1 lanche planejado).
Proteína na menopausa: um guia fácil por refeição
- Meta prática comum: ~25–35 g de proteína por refeição principal
- Se você precisa de uma meta maior (por treino/objetivo), pode subir para ~30–40 g por refeição
Isso não é obrigatório. É só um jeito simples de organizar sem ficar fazendo conta o dia inteiro.
Tabela 2 — Proteína na menopausa: porções do dia a dia
| Alimento (porção comum) | Proteína aproximada |
|---|---|
| 2 ovos | ~12 g |
| Iogurte natural (170 g) | ~8–12 g |
| Leite (200 ml) | ~6–7 g |
| Queijo (30 g) | ~6–8 g |
| Frango/peixe/carne (100 g) | ~20–30 g |
| Tofu (150 g) | ~15–20 g |
| Feijão/lentilha/grão-de-bico (1 concha grande) | ~7–10 g |
| Whey protein (1 dose, varia por marca) | ~20–25 g |
Proteína na menopausa: ideias de cardápio para bater a meta sem sofrimento
Café da manhã (escolha 1)
- Omelete de 2 ovos + queijo + tomate
- Iogurte natural + frutas + aveia + castanhas
- Tapioca com frango desfiado/queijo + fruta
Almoço e jantar
- Prato base: proteína + legumes/verduras + carboidrato de qualidade
- Exemplos: arroz + feijão + frango + salada; peixe + legumes + batata; carne magra + abóbora + couve
Lanche (se precisar)
- Iogurte proteico/natural + fruta
- Queijo + fruta
- Grão-de-bico torrado
- Shake de proteína (se fizer sentido pra sua rotina)
Proteína animal vs vegetal: preciso escolher um lado?
Não precisa. O melhor plano é o que você consegue sustentar e que respeita sua saúde.
- Proteínas animais tendem a ter alta densidade proteica por porção.
- Proteínas vegetais podem exigir combinações e porções um pouco maiores para chegar na meta — e isso é totalmente possível.
Se você é vegetariana/vegana, vale discutir com uma nutricionista:
- variedade de fontes (leguminosas, soja/tofu, sementes)
- estratégia de distribuição ao longo do dia
- necessidade de suplementação específica (ex.: B12, dependendo do caso)
Proteína na menopausa: quando ter cautela e conversar com o médico
Converse com seu médico antes de aumentar proteína se você tem:
- doença renal crônica ou função renal reduzida
- histórico de cálculos renais (o plano precisa ser ajustado, não “proibido”)
- doença hepática significativa
- dieta muito restritiva ou transtornos alimentares (o plano deve ser acolhedor e seguro)
E se você está fazendo um check-up, vale alinhar seus objetivos (força, composição corporal, colesterol, glicemia) para montar um plano coerente.
Proteína na menopausa: 7 passos para começar hoje
- Escolha sua faixa-alvo (ex.: 1,0–1,2 g/kg se o foco é preservar massa magra).
- Defina uma meta mínima diária (não “máxima”).
- Coloque proteína no café da manhã por 7 dias.
- Garanta 25–35 g em pelo menos 2 refeições (almoço e jantar, por exemplo).
- Faça 2 treinos de força/semana (mesmo que seja leve). Isso potencializa tudo.
- Beba água e cuide do sono: sem isso, o corpo fica mais reativo.
- Reavalie em 2–4 semanas (energia, fome, recuperação, medidas, exames quando fizer sentido).
Para apoiar o treino de força nessa fase:
Perguntas rápidas para levar ao consultório
- “Pelo meu histórico, qual faixa de proteína na menopausa é mais adequada?”
- “Posso usar meu peso atual ou o peso-alvo para calcular?”
- “Minha função renal está ok para esse ajuste?”
- “Quais metas vamos acompanhar (força, cintura, exames, composição corporal)?”
Para continuar com a gente
Se este guia sobre proteína na menopausa te trouxe clareza, salve nos favoritos. O que muda a vida real é constância — e constância começa com passos pequenos.
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Leia também:
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- Treinamento de força contra osteoporose: comece hoje
- Índice inflamatório da dieta na menopausa: como reduzir
Referências científicas
- Bauer J, Biolo G, Cederholm T, et al. Evidence-based recommendations for optimal dietary protein intake in older people: a position paper from the PROT-AGE Study Group. J Am Med Dir Assoc. 2013;14(8):542–559.
- Jäger R, Kerksick CM, Campbell BI, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: protein and exercise. J Int Soc Sports Nutr. 2017;14:20.
- Simpson SJ, Raubenheimer D, Black KI, Conigrave AD. Weight gain during the menopause transition: Evidence for a mechanism dependent on protein leverage. BJOG. 2023 Jan;130(1):4-10. doi: 10.1111/1471-0528.17290. Epub 2022 Sep 25. PMID: 36073244; PMCID: PMC10952331.
- Nahas PC, Rossato LT, Martins FM, et al. Moderate increase in protein intake promotes a small additional improvement in functional capacity, but not in muscle strength and lean mass quality, in postmenopausal women following resistance exercise: a randomized clinical trial. Nutrients. 2019;11(6):1442.
- Cho EJ, Choi Y, Jung SJ, Kwak HB. Role of exercise in estrogen deficiency-induced sarcopenia. J Exerc Rehabil. 2022 Feb 24;18(1):2-9. doi: 10.12965/jer.2244004.002. PMID: 35356136; PMCID: PMC8934617.









Adorei essa matéria! Muito bem explicada, com dicas de alimentação e estruturada de uma maneira clara. Parabéns pelo conteúdo.