Odor corporal na menopausa: por que muda e o que fazer

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Mulher madura em um banheiro, vestindo camisola com marcas visíveis de suor e verificando a axila com expressão de preocupação, ilustrando o desconforto com o odor corporal na menopausa.

A menopausa muda muita coisa — e, sim, o odor corporal na menopausa pode mudar também. Para muitas mulheres, é como se o corpo “ganhasse um cheiro novo” de um dia para o outro, principalmente nas axilas, no suor noturno ou até na região íntima. E antes que a culpa apareça: isso não tem a ver com falta de higiene.

Em geral, a mudança acontece porque hormônios, suor, pele e microbioma (as bactérias naturais que vivem na nossa pele) entram em uma fase de reajuste. A boa notícia é que, na maioria dos casos, dá para melhorar bastante com cuidados simples e consistentes — e também entender quando o cheiro pode ser um sinal de alerta.

Odor corporal na menopausa: isso é normal?

Na maioria das vezes, sim. Durante a perimenopausa (os anos de transição) e a menopausa, oscilações hormonais podem aumentar a sudorese, alterar a oleosidade da pele e mudar o ambiente onde as bactérias vivem. Resultado: o cheiro que antes era discreto pode ficar mais evidente.

O ponto principal é separar duas situações:

  • Mudança de odor sem outros sintomas importantes (muito comum e geralmente manejável com rotina).
  • Mudança de odor com sinais associados (dor, coceira intensa, corrimento, febre, perda de peso, feridas, sangue, ardor ao urinar etc.), que merece avaliação.

Por que muita mulher percebe a mudança nessa fase

Uma parte importante da história são os sintomas vasomotores (fogachos e suores), que são muito frequentes nessa fase. Muitas mulheres suam mais durante o dia ou à noite, e isso aumenta a umidade na pele — um cenário perfeito para intensificar o cheiro.

“É falta de higiene?”

Não. O odor corporal na menopausa é um fenômeno biológico: ele depende de como sua pele produz suor e sebo, e de como as bactérias “processam” essas secreções. Você pode tomar banho todos os dias e ainda assim perceber mudança. O caminho é ajustar a estratégia, não aumentar a fricção ou usar produtos agressivos.

Como o odor corporal se forma

Aqui vai a ideia mais importante: o suor, sozinho, quase não tem cheiro. O odor aparece quando o suor e a oleosidade (sebo) entram em contato com microrganismos da pele e se transformam em compostos voláteis (aqueles que “sobem” e chegam ao nosso nariz).

Suor não é o vilão: o papel das bactérias e dos compostos voláteis

A pele abriga diferentes tipos de bactérias (isso é normal e saudável). Em determinadas áreas, como axilas e virilha, o ambiente é mais quente e úmido — e pequenas mudanças no pH e na oleosidade podem favorecer microrganismos que produzem odores mais intensos.

Áreas que mais costumam mudar

  • Axilas (mais glândulas e mais umidade)
  • Dobras (abaixo das mamas, virilha)
  • Pés (principalmente com calçados fechados)
  • Couro cabeludo (oleosidade e suor)

O que muda na perimenopausa e pode alterar o cheiro

O corpo não “vira outra pessoa”, mas passa por uma reorganização real. E o cheiro pode ser uma das pistas.

Ondas de calor, suor noturno e mais umidade na pele

Fogachos e suores noturnos podem aumentar a sudorese e a umidade na pele. Esse excesso de umidade muda o ambiente cutâneo e tende a intensificar o odor, especialmente se a pele fica úmida por longos períodos (por exemplo, durante a noite).

Queda do estrogênio, sebo e pH da pele

O estrogênio influencia a pele: hidratação, barreira cutânea e composição do sebo. Quando ele cai, é comum notar pele mais seca em algumas regiões e, ao mesmo tempo, alterações de oleosidade e sensibilidade em outras. Pequenas mudanças no pH e na barreira podem impactar quais bactérias predominam.

Microbioma da pele: por que ele “reorganiza”

O microbioma cutâneo é um ecossistema. Com mudanças hormonais, temperatura, suor e hábitos (por exemplo, mais antitranspirante, mais banho, mais fricção), ele pode se reorganizar. Estudos recentes sugerem que o estado menopausal pode se associar a mudanças na composição do microbioma em algumas áreas da pele — o que ajuda a explicar por que o cheiro “muda de padrão” para algumas mulheres.

Odor íntimo na menopausa: quando é só mudança e quando é alerta

Falar de odor íntimo com naturalidade é parte do autocuidado. Na menopausa, o estrogênio mais baixo pode afetar a mucosa vaginal e favorecer mudanças no pH e na flora local.

pH vaginal, lactobacilos e predisposição a desequilíbrios

Na fase reprodutiva, lactobacilos ajudam a manter o pH vaginal mais ácido, o que protege contra desequilíbrios. Na menopausa, com menor estrogênio, pode haver redução de glicogênio na mucosa e alterações no pH, favorecendo desconforto e mudanças de odor.

Escapes de urina e síndrome geniturinária: impacto no odor

Pequenos escapes (às vezes discretos) podem deixar cheiro de amônia/urina na roupa íntima, principalmente se a pele fica úmida por horas. Além disso, sintomas geniturinários (secura, ardor, urgência) podem coexistir e merecem conversa com o ginecologista.

Quando investigar vaginose/infecção

Procure avaliação se houver:

  • Cheiro forte persistente (especialmente “cheiro de peixe”)
  • Corrimento diferente do habitual
  • Coceira, ardor, dor
  • Sangramento fora do padrão
  • Febre ou mal-estar

Não é para se assustar — é para não normalizar o que precisa de cuidado.

O que pode piorar o odor corporal na menopausa

Mesmo quando a base é hormonal, alguns fatores do dia a dia amplificam.

Clima, roupas sintéticas e estresse

  • Calor e umidade aumentam suor.
  • Tecidos sintéticos podem reter odor (principalmente quando a roupa não “respira”).
  • Estresse pode intensificar a sudorese e mudar o padrão do suor.

Alimentação e odor corporal na menopausa

Alguns alimentos e bebidas, como alho/cebola, álcool e excesso de carne, podem deixar o odor mais evidente (no suor e no hálito). Isso não significa “cortar tudo”, mas observar o que piora em você, especialmente em períodos de fogachos mais intensos.

Treino e “efeito rebote” de sabonetes agressivos

Produtos muito adstringentes e esfoliação excessiva podem irritar a pele e bagunçar a barreira cutânea. Às vezes, na tentativa de “resolver”, a gente piora.

Odor corporal na menopausa: o que fazer

Aqui vai um caminho realista: menos agressão, mais consistência.

Higiene inteligente (sem agredir a barreira da pele)

  • Prefira sabonetes suaves e evite fricção intensa nas áreas sensíveis.
  • Seque muito bem as dobras (abaixo das mamas, virilha).
  • Troque roupa úmida rapidamente (principalmente pós-treino).

Antitranspirante x desodorante: como escolher e usar

  • Desodorante: reduz odor (geralmente por ação antimicrobiana/perfumante).
  • Antitranspirante: reduz suor (age nas glândulas sudoríparas).

Dicas de uso:

  • Aplicar em pele seca.
  • Se você sua muito, testar aplicação à noite (muitas pessoas têm melhor resposta assim).
  • Se irritar, pause e troque por uma opção para pele sensível.

Roupas, ventilação e rotina pós-suor

  • Prefira algodão ou tecidos tecnológicos que “respiram”.
  • Lave peças que acumulam odor (sutiã, roupas de treino) o quanto antes.
  • Se o cheiro “gruda”, experimente deixar de molho com produtos adequados para tecidos (sem exageros) e seque ao sol quando possível.

Ajustes alimentares “realistas” por 14 dias

Em vez de dietas radicais, teste um experimento curto:

  • Reduzir álcool por 14 dias
  • Moderar alho/cebola e ultra processados
  • Aumentar água, vegetais e fibras
  • Observar se o odor melhora junto com fogachos e sono

O objetivo é descobrir o seu “gatilho”, não viver em restrição.

Probióticos e microbioma: o que é promissor vs. o que ainda é incerto

A ciência do microbioma está avançando, mas ainda não existe “um probiótico para cheiro” com promessa universal. O que costuma ajudar mais, na prática, é:

  • cuidar da barreira da pele (menos agressão)
  • reduzir umidade prolongada
  • ajustar hábitos que amplificam suor/estresse

Se você quiser testar suplementos, vale conversar com um profissional que considere seu histórico e medicamentos.

Sinais de alerta: quando o odor corporal na menopausa exige avaliação médica

Alguns padrões merecem investigação, especialmente se forem novos, persistentes ou vierem com outros sintomas.

Cheiro de peixe persistente

Pode sugerir desequilíbrio vaginal (como vaginose) — principalmente se houver corrimento e desconforto.

Cheiro frutado/acetona

Se vier com sede intensa, perda de peso não intencional, fadiga importante ou mal-estar, é motivo para avaliação clínica.

Cheiro de amônia/urina

Pode ocorrer por escapes urinários, desidratação ou outras condições. Se houver ardor, urgência ou dor, avalie.

Condições raras (ex.: TMAU)

Existe uma condição rara chamada trimetilaminúria (TMAU), que causa odor forte e característico. É incomum, mas vale citar para lembrar que, quando o cheiro é muito persistente e impacta a vida, existem caminhos de diagnóstico e acolhimento.

Perguntas frequentes sobre odor corporal na menopausa

1) Por que minhas axilas ficaram com cheiro mais forte na menopausa?

Geralmente por combinação de mais suor (fogachos), mudança de pH/oleosidade e reorganização do microbioma.

2) Suor noturno causa mau cheiro?

Ele aumenta umidade e tempo de contato do suor com a pele e o tecido — o que amplifica odor.

3) Desodorante parou de funcionar: o que faço?

Teste antitranspirante, mude o horário de aplicação (noite), garanta pele seca e evite fricção agressiva.

4) Menopausa muda o cheiro íntimo?

Pode mudar, por alterações de pH e mucosa vaginal. Se houver corrimento, coceira ou ardor, investigue.

5) Alimentação influencia mesmo o cheiro?

Para algumas pessoas, sim — principalmente álcool, alho/cebola e ultraprocessados. Um teste de 14 dias ajuda a perceber.

6) Quando devo procurar um médico?

Quando o odor for persistente e vier com dor, coceira intensa, corrimento, febre, feridas, sangue, ardor ao urinar ou perda de peso não explicada.

Resumo em 30 segundos

  • Odor corporal na menopausa pode mudar por suor, pH/oleosidade e microbioma.
  • Na maioria dos casos, melhora com higiene gentil, controle de umidade, ajuste de antitranspirante e observação de gatilhos.
  • Procure avaliação se houver odor persistente com sintomas, cheiro íntimo anormal com desconforto, ou sinais gerais de alerta.

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Referências

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  4. Min, M.; Egli, C.; Sivamani, R.K. The Gut and Skin Microbiome and Its Association with Aging Clocks. Int. J. Mol. Sci. 2024, 25, 7471. https://doi.org/10.3390/ijms25137471
  5. Li, M., Al-Sarraf, A., Sinclair, G., & Frohlich, J. (2011). Fish odour syndrome. Cmaj183(8), 929-931.
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