Novembro Azul: como as mulheres podem salvar vidas

0Shares
Um casal maduro sentado em um sofá confortável em uma sala de estar iluminada por um abajur. O homem, de cabelos grisalhos e camisa azul, e a mulher, também de cabelos grisalhos, estão de mãos dadas e se olham com expressões de carinho e apoio. Em primeiro plano, sobre uma mesa de centro redonda, há uma caneca azul e um panfleto branco e azul com o texto 'NOVEMBRO AZUL' e o símbolo da fita da campanha.

O Novembro Azul é um convite para olharmos com carinho para a saúde dos homens que amamos. Embora a campanha seja amplamente divulgada, muitas leitoras ainda se perguntam: “qual é o meu papel nessa conversa?”. A resposta é simples e poderosa: você pode ser o elo que salva vidas.

O câncer de próstata é o tumor mais comum entre homens no Brasil (excluindo pele não melanoma) e, quando descoberto cedo, tem altíssima chance de cura. Mas o grande desafio é que muitos homens ainda evitam consultas preventivas por medo, vergonha ou desinformação. Aqui, a presença feminina faz toda a diferença.

Novembro Azul: de campanha de bigode a movimento global pela saúde

Do Movember ao Novembro Azul no Brasil

O movimento nasceu em 1999, na Austrália, quando um grupo de amigos deixou o bigode crescer em novembro para chamar atenção à saúde masculina. A iniciativa evoluiu para o Movember, hoje uma das maiores campanhas globais sobre câncer de próstata, câncer de testículo e saúde mental dos homens.

No Brasil, o movimento tornou-se conhecido como Novembro Azul, impulsionado pelo Instituto Lado a Lado Pela Vida e pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O objetivo é simples: quebrar tabus, incentivar exames preventivos e promover saúde integral.

Muito além do câncer de próstata

Embora o câncer de próstata seja o principal foco, a campanha também enfatiza:

  • saúde mental
  • doenças cardiovasculares
  • diabetes
  • prevenção de comportamentos de risco
  • impacto do estilo de vida na longevidade masculina

Câncer de próstata: números que toda família precisa conhecer

Incidência e mortalidade

O câncer de próstata é um problema de saúde pública global. Estimativas internacionais apontam mais de 1,4 milhão de novos casos por ano.

No Brasil:

  • cerca de 71 mil novos casos anuais (INCA)
  • aproximadamente 17,5 mil mortes por ano, com tendência de aumento
  • muitos diagnósticos ainda acontecem em fases avançadas

O dado mais importante para a leitora: quando descoberto no início, as chances de cura ultrapassam 90%.

Sintomas: por que o silêncio preocupa

Nos estágios iniciais, o câncer de próstata não apresenta sintomas. Quando os sinais surgem (dificuldade para urinar, sangue na urina, dor óssea), geralmente a doença já está mais avançada.

Por isso, esperar sintomas é arriscado.

Fatores de risco

  • idade acima de 50 anos
  • histórico familiar de câncer de próstata
  • homens negros (maior risco e maior mortalidade)
  • obesidade e alimentação inadequada

Rastreio do câncer de próstata: o que realmente importa

INCA x SBU: entendendo as diferenças

O INCA não recomenda rastreamento populacional indiscriminado, por risco de sobrediagnóstico.
Já a SBU orienta que:

  • homens a partir de 50 anos conversem sobre PSA e toque retal
  • homens a partir de 45 anos (com fatores de risco) iniciem a vigilância

O que significa na prática

O ideal é um modelo de decisão compartilhada junto ao médico. Ele avaliará idade, histórico familiar, etnia, sintomas e preferências pessoais.

PSA e toque: exames complementares

  • PSA: exame de sangue que mede o antígeno prostático específico.
  • Toque retal: rápido, indolor na maioria dos casos e essencial — cerca de 20% dos tumores só são detectados por ele.

Juntos, eles aumentam a precisão do diagnóstico precoce.

Quando o machismo se torna um fator de risco

O mito do “homem que aguenta tudo”

Desde a infância, muitos homens são ensinados a não demonstrar fragilidade. Na prática, isso se traduz em evitar consultas, ignorar sintomas e postergar cuidados.

O tabu do exame de toque

O exame ainda é alvo de piadas e preconceitos, mas essa barreira simbólica tem um preço alto: muitos diagnósticos tardios. Uma conversa acolhedora pode ajudar a dissolver esse mito.

Desigualdades de acesso

Homens de regiões rurais, com menor escolaridade ou pouca informação, têm maior risco de diagnóstico tardio.

O papel essencial da mulher: ciência confirma o que você já sabia

Mulheres influenciam 70% das consultas masculinas

Pesquisas recentes mostram que:

  • 70% dos homens vão ao médico incentivados por mulheres
  • 66% dizem que a companheira é a maior motivação para buscar ajuda
  • Mães, irmãs e filhas também exercem forte influência

Você já faz mais do que imagina

A rotina feminina costuma incluir:

  • observar sintomas
  • marcar consultas
  • lembrar exames
  • acompanhar o parceiro no médico
  • buscar informações confiáveis

Isso não significa sobrecarga, mas sim que a sua voz e cuidado têm impacto real.

Estratégias de saúde pública reconhecem esse vínculo

O “pré-natal do parceiro” é um exemplo: usar a presença masculina nas consultas da gestante como porta de entrada para a saúde do homem.

Guia prático: como falar de Novembro Azul com empatia

Aborde com carinho, não com cobrança

Exemplos de frases:

  • “Quero você comigo por muitos anos, vamos cuidar da sua saúde?”
  • “Você já conversou com o médico sobre Novembro Azul?”

Use dados para reduzir o medo

Explique que:

  • diagnóstico precoce tem mais de 90% de chance de cura
  • toque e PSA são exames rápidos
  • muitos casos não exigem cirurgia imediata (vigilância ativa existe)

Fale do toque com naturalidade

Desmistifique o procedimento:

  • rápido
  • indolor na maioria das vezes
  • feito com profissionalismo e respeito

Ofereça apoio

  • ajude a marcar a consulta
  • vá junto, se ele quiser
  • combine check-up em dupla

Respeite o tempo dele, mas não desista

Use gatilhos como matérias, notícias, vídeos e a campanha Novembro Azul para retomar o tema.

Sinais de alerta que exigem consulta

  • dificuldade para urinar
  • jato urinário fraco
  • sangue na urina ou sêmen
  • dor óssea persistente
  • vontade de urinar muitas vezes à noite

Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas sempre merecem avaliação médica.

Cuidar da saúde dele também é cuidar de você

O Novembro Azul não fala apenas sobre câncer. Ele fala sobre viver mais e melhor, sobre compartilhar futuro, sonhos e longevidade.

Quando você incentiva um homem a se cuidar, você está protegendo o vínculo, a família e a possibilidade de envelhecerem juntos com qualidade.

Compartilhe essa matéria com o homem da sua vida.

Quer continuar aprendendo? Cadastre-se na newsletter do Blog da Menopausa.

Referências científicas selecionadas

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023–2025: Incidência de Câncer no Brasil.
  2. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Diretrizes para rastreamento do câncer de próstata.
  3. Rawla P. Epidemiology of Prostate Cancer. World Journal of Oncology.
  4. Pernar CH et al. The Epidemiology of Prostate Cancer. Cold Spring Harbor Perspectives in Medicine.
  5. Loeb S et al. Overdiagnosis and Overtreatment of Prostate Cancer. European Urology.
0Shares

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *