Depressão na perimenopausa: sinais, diagnóstico e tratamento

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Mulher de pele preta, 50+ com caneca, refletindo sobre depressão na perimenopausa e formas de cuidado.

Se você percebeu mudanças no humor, cansaço e um sentimento de desânimo que não passa, saiba: depressão na perimenopausa é real, comum e tratável. A transição para a menopausa traz oscilações hormonais, alterações do sono e desafios no dia a dia que podem aumentar a vulnerabilidade emocional — mas existem estratégias eficazes para recuperar o bem‑estar.

Este guia foi escrito para acolher e informar. Reunimos o que a ciência já sabe sobre depressão na perimenopausa e organizamos um passo a passo prático para reconhecer sinais, buscar diagnóstico e entender o que funciona no tratamento. Você não está sozinha.


O que é depressão na perimenopausa?

A depressão na perimenopausa é um episódio depressivo que surge ou se agrava durante a transição menopausal (meses a anos antes da última menstruação). Vai além de “tristeza” ocasional: envolve alterações persistentes de humor, energia e interesse, com impacto funcional.

Sinais clássicos incluem humor deprimido, anedonia (perda do prazer), fadiga, irritabilidade, alterações de sono e apetite, dificuldade de concentração e, em casos mais graves, pensamentos de inutilidade ou morte. O diagnóstico é clínico, feito por profissional habilitado, e considera duração, intensidade e interferência nas atividades.


Por que a perimenopausa aumenta o risco de depressão?

Flutuações hormonais e vulnerabilidade individual

A queda e as oscilações de estrogênios modulam áreas do cérebro ligadas ao humor (serotonina, GABA, circuitos de estresse). Estudos de genética populacional mostram correlação genética entre marcadores ligados aos sintomas do climatério e depressão. Algumas mulheres têm maior sensibilidade a essas mudanças, seja por estes fatores genéticos, experiências prévias ou contexto de vida.

Em outras palavras: a variabilidade genética individual altera a sensibilidade às flutuações hormonais e aos sintomas da menopausa; por isso, a mesma queda de estrogênio pode “pesar” diferente de uma mulher para outra. Essa predisposição biológica interage com fatores de vida (sono, estresse, comorbidades e rede de apoio), então risco não é destino — é um ponto de atenção para personalizar o cuidado e evitar a depressão na perimenopausa.

Em termos simples: algumas mulheres são naturalmente mais sensíveis às mudanças de hormônio. Essa sensibilidade vem de pequenas diferenças no DNA e também do que cada uma vive (sono, estresse, saúde e apoio). Por isso, a mesma variação de estrogênio pode gerar sintomas leves em uma pessoa e depressão na perimenopausa em outra — e cuidar do sono, do estresse e tratar os sintomas ajuda a reduzir esse risco.

Sintomas vasomotores, sono e humor: como se conectam

Ondas de calor (sintomas vasomotores) e suores noturnos atrapalham o sono profundo. Isso provoca cansaço no dia seguinte e deixa a mente menos capaz de regular as emoções. Quando estamos exaustas, fica mais difícil manter hábitos que favorecem o sono (horário regular, menos telas, atividade física) e a própria depressão aumenta os pensamentos repetitivos e negativos — fatores que pioram o sono.

É um ciclo: sono ruim ↔ humor baixo. Desta forma, tratar sintomas vasomotores e insônia ajuda a reduzir sintomas depressivos durante a perimenopausa.

Menopausa precoce e “tempo de estrogênio”

Meta‑análises mostram que menopausa mais tardia e período reprodutivo mais longo se associam a menor risco de depressão após a menopausa. Já a menopausa precoce (<40 anos) eleva esse risco. Isso não é determinismo, mas indica que menos tempo de exposição a estrogênios pode aumentar a vulnerabilidade.


Depressão na perimenopausa: principais sinais e sintomas

  • Tristeza persistente, perda de interesse e prazer em atividades antes agradáveis.
  • Irritabilidade, impaciência, sensação de “pavio curto”.
  • Fadiga e falta de energia, mesmo sem grande esforço.
  • Alterações do sono: insônia, despertar precoce ou hipersonia.
  • Névoa mental: dificuldade de foco, memória e tomada de decisão.
  • Alterações de apetite e peso.
  • Queda da libido e menor vitalidade.
  • Sentimentos de culpa, inutilidade ou desesperança.
  • Em quadros graves: pensamentos de morte ou ideação suicida.

Dica: se os sintomas durarem ≥2 semanas, afetarem seu trabalho, relações ou autocuidado, procure avaliação profissional. Se houver risco imediato, veja a seção “Quando buscar ajuda imediata”.


Fatores de risco para depressão na perimenopausa

Histórico de depressão e traços emocionais

Quem já teve depressão, ansiedade ou transtorno disfórico pré‑menstrual (versão grave da TPM, com impacto no dia a dia) tem maior risco de depressão na perimenopausa. Traços de neuroticismo (maior reatividade emocional) também aumentam a probabilidade de sintomas depressivos.

Insônia, ondas de calor e saúde física

Sintomas vasomotores intensos e sono ruim estão fortemente ligados à depressão na perimenopausa. Além disso, condições clínicas — dor crônica, doenças autoimunes, cardiovasculares, obesidade — e limitações funcionais elevam o risco.

Estresse, rede de apoio e eventos de vida

Cuidar de filhos e pais ao mesmo tempo, sobrecarga no trabalho, mudanças de carreira, separações ou lutos podem somar‑se às oscilações hormonais. Baixo suporte social e dificuldades financeiras intensificam a vulnerabilidade.


Tratamento da depressão na perimenopausa

A melhor abordagem costuma ser combinada e individualizada, integrando autocuidado, psicoterapia, manejo de sono/sintomas vasomotores e, quando indicado, medicação. Converse sempre com seu médico ou médica.

Autocuidado, rotina do sono e atividade física

  • Higiene do sono: horários regulares, ambiente escuro e silencioso, evitar telas perto de deitar, reduzir cafeína/álcool à noite.
  • Atividade física: 150–300 minutos/semana de exercício aeróbico moderado + 2 dias de treino de força.
  • Nutrição: priorize fibras, proteínas de qualidade, gorduras boas e hidratação. Evite dietas restritivas que pioram o humor.
  • Mindfulness/respiração: práticas de atenção plena, ioga e respiração diafragmática reduzem estresse e melhoram o sono.
  • Rede de apoio: cultivar conversas significativas, pedir ajuda prática e emocional.

Suporte ao bem‑estar no climatério
Além dos hábitos do dia a dia, algumas mulheres optam por suporte com suplementos específicos. Balance, da Kefi, é formulado para o climatério e pode ajudar no bem‑estar geral, foco e disposição — pontos que influenciam como nos sentimos ao longo do dia.

Psicoterapia baseada em evidências

A Terapia Cognitivo‑Comportamental (TCC) tem eficácia para depressão e insônia, ajudando a reorganizar pensamentos, emoções e hábitos. Outras abordagens (terapia interpessoal, terapia baseada em mindfulness) podem ser úteis conforme preferência e disponibilidade.

Apoio ao sono na perimenopausa
O sono reparador é peça‑chave para regular o humor. Se você avaliar que faz sentido, Sleepy, da Kefi, pode ser um aliado no cuidado do sono e da rotina noturna — uma opção natural e sem hormônios pensada para mulheres no climatério.

Medicamentos (ISRS/IRSN): indicações e segurança

Antidepressivos como ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina; ex.: sertralina, escitalopram) e IRSN (inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina; ex.: venlafaxina, duloxetina) são opções para episódios moderados a graves ou quando medidas não farmacológicas não bastam. Alguns ISRS/IRSN também ajudam ondas de calor em parte das mulheres. A escolha considera histórico, comorbidades, interações e efeitos adversos. Ajustes finos e acompanhamento são essenciais.

Terapia hormonal: quando considerar e cuidados

A terapia hormonal (TH) pode reduzir sintomas vasomotores e melhorar o sono, o que indiretamente beneficia o humor. Em cenários selecionados e na transição menopausal, o estradiol transdérmico associado à progesterona micronizada tem sinais de benefício para sintomas depressivos. A decisão deve ser individualizada, ponderando riscos (história de trombose, câncer de mama/endométrio, enxaqueca com aura etc.), preferências e timing do início.

Importante: TH não é tratamento universal para depressão na perimenopausa. Para muitas mulheres, psicoterapia e ISRS/SNRI são suficientes. O melhor plano é aquele que funciona para você, com segurança.


Mitos e verdades sobre depressão na perimenopausa

“É frescura ou falta de força de vontade.”
Mito. Depressão é condição de saúde que envolve biologia, história de vida e contexto. Precisa de cuidado, não de culpa.

“Toda mulher na perimenopausa terá depressão.”
Mito. Muitas não terão. O que existe é uma janela de vulnerabilidade, especialmente em quem já tem fatores de risco.

“Se eu começar terapia hormonal, minha depressão some.”
Mito. TH pode ajudar sintomas vasomotores e sono, e indiretamente o humor; em alguns casos selecionados, há benefício adicional. Mas não é a única, nem a melhor opção para todas.

“Exercício ajuda depressão na perimenopausa?”
Verdade. Atividade física regular melhora humor, sono e saúde metabólica, com efeito protetor importante.


Checklist de autocuidado e conversa com o médico

  • Estou com sintomas de depressão na perimenopausa há pelo menos 2 semanas?
  • Meu sono está ruim (insônia/despertares) ou tenho ondas de calor intensas?
  • Já tive depressão/ansiedade antes? Isso voltou agora?
  • Tenho doenças crônicas ou uso medicamentos que afetem o humor/sono?
  • Qual é a minha rede de apoio hoje? Com quem posso contar?
  • O que posso ajustar esta semana em sono, atividade física e rotina?
  • Quais opções de psicoterapia existem perto de mim (ou online)?
  • Se indicado, quais ISRS/SNRI são mais adequados ao meu perfil?
  • TH é uma opção para mim? Quais benefícios e riscos no meu caso?

Leve estas perguntas à consulta. Um plano claro, feito em parceria com sua equipe de saúde, aumenta muito as chances de recuperação.


Depressão na perimenopausa: perguntas frequentes (FAQ)

A depressão na perimenopausa passa quando a menopausa “chega de vez”?
Pode melhorar, especialmente se o sono e os vasomotores estiverem controlados, mas não é regra. O tratamento encurta o tempo de sofrimento e reduz recaídas.

Terapia hormonal engorda?
O ganho de peso tem causas multifatoriais (metabolismo, sono, alimentação, sedentarismo). TH não é indicada para emagrecimento e não substitui hábitos saudáveis.

Suplementos resolvem a depressão na perimenopausa?
Alguns podem ajudar em sono, energia ou ondas de calor, mas não substituem diagnóstico e tratamento baseados em evidências. Converse com a equipe de saúde.

Quanto tempo até sentir melhora com antidepressivos?
Em geral, 2–4 semanas para primeiras respostas; 6–8 semanas para avaliar efeito pleno. Mantenha acompanhamento e não interrompa por conta própria.


Quando buscar ajuda imediata

Se você tiver ideias de suicídio, plano ou se sentir em risco, procure ajuda agora:

  • Ligue 188 (CVV – Centro de Valorização da Vida) — atendimento 24h, gratuito.
  • SAMU 192 ou vá ao pronto‑atendimento mais próximo.

Você merece cuidado e não precisa atravessar isso sozinha.


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