A perimenopausa (geralmente entre 40 e 50 anos) não é “só uma fase de ciclos irregulares”: ela pode ser um ponto de virada para a saúde do coração, do metabolismo e do peso. Um check-up cardiometabólico na perimenopausa ajuda a identificar riscos cedo — quando ainda dá tempo de ajustar a rota com mudanças simples e consistentes.
E se você gosta de aprender ouvindo, vale acompanhar também o PodKefi 23 | Saúde cardiovascular da mulher na menopausa e o programa Hora da Menopausa: informação boa, com linguagem clara, muda decisões no dia a dia.
O que é saúde cardiometabólica e por que ela muda após os 40
“Cardiometabólico” é um jeito direto de falar do conjunto coração + vasos + metabolismo. Em termos práticos, ele reúne fatores como:
- pressão arterial
- colesterol e triglicérides
- glicose, insulina e hemoglobina glicada (HbA1c)
- gordura abdominal (cintura)
- inflamação e saúde do fígado e dos rins
Na perimenopausa, a oscilação e a queda progressiva do estrogênio podem favorecer mudanças no perfil de gordura corporal (mais tendência à gordura abdominal), piora do sono e alterações no colesterol — e isso pode se refletir em pressão e glicose ao longo do tempo. Por isso, manter seu check-up cardiometabólico em dia é importante após os 40 anos.
Sinais do corpo que merecem virar pauta no seu check-up cardiometabólico
Você não precisa “esperar piorar” para fazer um check-up. Alguns sinais comuns da perimenopausa podem ser um convite para olhar com mais carinho para o risco cardiometabólico:
- calorões e suores noturnos moderados a intensos, especialmente se atrapalham o sono
- sono ruim (acordar várias vezes, não se sentir descansada)
- cansaço fora do padrão, queda de energia e falta de fôlego aos esforços habituais
- ganho de cintura (mesmo com o peso parecido)
- mudanças no colesterol em exames recentes
- histórico de pressão alta na gravidez, preeclâmpsia ou diabetes gestacional
- diagnóstico de SOP (síndrome dos ovários policísticos)
- tabagismo (mesmo “social”)
Esses sinais não significam que algo “grave” está acontecendo. Eles só indicam que vale aproveitar a janela dos 40+ para um cuidado mais estratégico.
Check-up cardiometabólico na perimenopausa: por onde começar
Se você quiser deixar isso simples, pense em três passos:
- Meça o que é fácil e repetível: pressão, peso, cintura e hábitos (sono, atividade física, álcool, tabaco).
- Faça exames-linha de base: lipídios e glicose/HbA1c (e, em muitos casos, rim e fígado).
- Transforme resultado em plano: uma meta pequena por vez (ex.: caminhar + força 2x/sem; fibras no almoço; rotina de sono).
Um bom check-up não é uma “lista infinita de exames”. É um mapa para decidir o próximo passo com tranquilidade.
Check-up cardiometabólico na perimenopausa: exames essenciais
A seguir, um roteiro prático (e realista) do que costuma fazer mais diferença aos 40–50.
1) Pressão arterial: consultório + confirmação em casa
- Por que importa: a pressão pode subir silenciosamente na meia-idade.
- Como melhorar a qualidade do dado: se a medida no consultório vier alta, peça orientação para confirmar com medidas em casa (aparelho de braço validado) por alguns dias.
2) Cintura e composição corporal: menos foco na balança, mais na medida
- Por que importa: a gordura abdominal é um marcador forte de risco cardiometabólico.
- Como acompanhar: fita métrica na linha do umbigo, sempre do mesmo jeito. O objetivo é tendência, não perfeição.
3) Colesterol e triglicérides: perfil lipídico
- O básico que vale: colesterol total, HDL, LDL e triglicérides.
- Por que importa na perimenopausa: é comum ocorrer piora do LDL e da qualidade protetora do HDL nesse período.
- Exames “extra” que podem ajudar em alguns casos: ApoB e lipoproteína(a) podem ser considerados quando há história familiar forte, resultados limítrofes ou risco global mais alto.
4) Glicose e HbA1c: prediabetes entra no radar
- O básico que vale: glicemia de jejum e/ou HbA1c.
- Por que importa: resistência à insulina pode aparecer sem sintomas claros, e a perimenopausa pode ser um período de maior vulnerabilidade metabólica.
5) Rim: creatinina, eGFR e (quando indicado) urina
- O básico que vale: creatinina com estimativa de eGFR.
- Quando a urina entra com força: se houver pressão alta, diabetes/prediabetes, histórico familiar ou alteração prévia, vale discutir albuminúria (urina) como marcador precoce.
6) Fígado: enzimas e risco de gordura no fígado
- O básico que vale: TGO/TGP (AST/ALT) como porta de entrada.
- Quando ir além: se houver ganho de cintura, triglicérides altos ou resistência à insulina, converse com sua médica sobre avaliação de esteatose (gordura no fígado).
7) Sono e apneia: sim, isso é cardiometabólico
Sono não é “luxo”. Se você ronca, acorda cansada ou tem sonolência diurna, vale investigar. Apneia do sono está ligada a pressão alta, resistência à insulina e piora do risco cardiovascular.
Check-up cardiometabólico na perimenopausa: quadro-resumo de metas
Use este quadro como um guia para conversar com sua médica. As metas variam conforme seu histórico, exames e medicações.
| O que acompanhar | Meta prática (em geral) | Por que vale a pena | Frequência sugerida* |
|---|---|---|---|
| Pressão arterial | manter em faixa saudável e estável | reduz risco de AVC e infarto | 1x/ano (ou mais, se alterar) |
| Cintura (cm) | reduzir/estabilizar tendência de aumento | indica gordura abdominal | mensal (em casa) |
| Peso + sintomas | foco em tendência + bem-estar | ajuda a conectar rotina e resultados | quinzenal/mensal |
| Colesterol/Triglicérides | melhorar LDL/TG e proteger HDL | risco cardiovascular de longo prazo | 1x/ano (ou conforme caso) |
| Glicose/HbA1c | prevenir prediabetes/DM2 | protege vasos, rim e cérebro | 1x/ano (ou conforme caso) |
| Rim (eGFR) | manter função estável | risco “silencioso” | 1x/ano se fatores de risco |
| Fígado (AST/ALT) | reduzir sinais de sobrecarga | gordura no fígado é comum com cintura alta | 1x/ano se risco |
| Sono (qualidade/ronco) | dormir 7–9h com menos despertares | melhora apetite, glicose e pressão | revisar a cada 4–8 semanas |
*Frequência sugerida é uma referência geral, inspirada nas recomendações do Position Statement brasileiro (Arq Bras Cardiol, 2025) e deve ser individualizada. Quem já tem pressão alta, diabetes, esteatose ou histórico familiar importante pode precisar de um acompanhamento mais próximo.
O que fazer com o resultado do seu check-up cardiometabólico?
Um bom check-up cardiometabólico na perimenopausa só vale se ele virar ação. Aqui vai um plano enxuto e eficaz.
Pilar 1) Alimentação que melhora glicose e lipídios sem radicalismo
- monte o prato com fibra + proteína (salada/legumes + feijão/grão + ovos/peixe/frango/tofu)
- priorize gorduras boas (azeite, castanhas) e reduza ultraprocessados
- se triglicérides subirem, observe álcool e excesso de açúcar/suco
Pilar 2) Força + aeróbico, a dupla que protege o metabolismo
- força 2–3x/semana (musculação, pilates com carga, funcional bem feito)
- aeróbico moderado (caminhada rápida, bike, dança) na maioria dos dias
Pilar 3) Sono como tratamento
- rotina de horário (mesmo nos fins de semana)
- quarto escuro e fresco
- cafeína só até o início da tarde
- se houver suspeita de apneia, investigue: tratar apneia muda pressão e energia
Pilar 4) Estresse e hábitos, o detalhe que vira diferença
- micropráticas diárias: 10 minutos de respiração, alongamento ou caminhada após o almoço
- se você fuma: parar é uma das medidas com maior impacto no risco cardiovascular
Terapia hormonal e coração: como isso entra no check-up cardiometabólico
Se você está considerando terapia hormonal para sintomas (como calorões e sono), o check-up ajuda a decidir com mais segurança.
- em geral, a escolha de via e dose é individualizada
- em mulheres com fatores de risco (como obesidade, síndrome metabólica, tabagismo ou hipertensão), costuma-se discutir opções com menor impacto metabólico e de coagulação, conforme avaliação médica
- evite soluções “manipuladas/bioidênticas” sem padronização e acompanhamento — segurança importa
Quando procurar atendimento sem esperar o próximo check-up cardiometabólico
Procure atendimento médico imediato se houver:
- dor ou pressão no peito, aperto que irradia para braço/mandíbula
- falta de ar importante, desmaio, confusão
- pressão muito alta com dor de cabeça intensa, dor no peito ou alteração visual
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Conclusão
A perimenopausa é uma fase de ajustes — e também uma oportunidade. Com um check-up cardiometabólico na perimenopausa, você ganha clareza para cuidar do que realmente protege sua energia, seu sono e seu coração nos próximos anos.
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Referências
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- Grundy SM, et al. Guideline on the Management of Blood Cholesterol: Executive Summary: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. J Am Coll Cardiol. 2019 Jun 25;73(24):3168-3209. doi: 10.1016/j.jacc.2018.11.002. Epub 2018 Nov 10. Erratum in: J Am Coll Cardiol. 2019 Jun 25;73(24):3234-3237. doi: 10.1016/j.jacc.2019.05.012. PMID: 30423391.








