Café e menopausa: cafeína piora calorões e ansiedade?

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Uma mulher madura, sorrindo, senta-se à mesa de madeira da cozinha iluminada pelo sol, segurando uma xícara de café e olhando para o celular, que mostra um despertador. Ao lado dela, há uma jarra de água e um prato com comida. A imagem ilustra uma rotina matinal tranquila e consciente, relacionada ao tema café e menopausa, onde a mulher pode estar monitorando seus sintomas ou hábitos.

Se você está pesquisando café e menopausa, é bem provável que tenha percebido algo no corpo: calorões mais fortes depois do cafezinho, coração “acelerado”, ansiedade mais fácil ou um sono que ficou leve demais. Isso é comum — e não significa que você precisa abandonar o café para sempre.

A ideia deste guia é te dar um caminho prático e seguro: entender o que a ciência sugere, identificar se você é sensível à cafeína e ajustar quantidade, horário e tipo de café de um jeito que respeite sua rotina.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual. Se você tem palpitações com desmaio, dor no peito ou falta de ar persistente, procure atendimento.

Café e menopausa: por que a cafeína pode mexer com calorões e ansiedade

A cafeína é um estimulante do sistema nervoso. Em muitas pessoas, ela:

  • bloqueia a adenosina (o “sinal de sono” do cérebro)
  • aumenta alerta e pode elevar a sensação de energia
  • pode intensificar tremor, inquietação e palpitações em quem é mais sensível

Na menopausa, dois pontos importam:

  1. A termorregulação fica mais “sensível” na transição, e alguns gatilhos (bebidas quentes, estresse, álcool, comidas apimentadas) podem facilitar calorões.
  2. Sono e ansiedade ficam mais interligados: dormir mal aumenta ansiedade e irritabilidade; ansiedade aumenta despertares e piora o sono. A cafeína pode entrar nesse ciclo.

Café e menopausa: a evidência é igual para todas?

Não. Estudos observacionais sugerem que, para parte das mulheres, a cafeína se associa a calorões/suores mais incômodos. Mas isso varia muito entre pessoas.

O que costuma funcionar melhor é olhar para o seu corpo como um “experimento guiado”: testar ajustes por 10–14 dias e observar impacto.

Café e menopausa: a régua simples de quantidade e horário

Aqui vai uma régua objetiva para você começar, sem virar contadora de miligramas.

Quantidade: um limite geral e duas metas “para quem tem sintomas”

  • Limite geral para a maioria dos adultos: até 400 mg/dia de cafeína.
  • Meta 1 (sintomas leves): ficar em até 200 mg/dia.
  • Meta 2 (calorões, ansiedade ou insônia frequentes): testar até 100 mg/dia.

Por que duas metas? Porque o objetivo não é “proibir café”. É reduzir o suficiente para ver diferença em calorões/sono/humor.

Horário: o “corte” que costuma mudar o jogo

Um ponto muito ignorado em café e menopausa é o horário.

Como regra prática:

  • Pare a cafeína pelo menos 6 horas antes de dormir.
  • Se você tem insônia ou acorda muito à noite, teste 8 horas.

Exemplo:

  • se você tenta dormir às 22h30, o último café ideal seria até 14h30–16h30 (dependendo da sensibilidade).

Café e menopausa: quanto de cafeína tem no que você bebe?

Os valores variam por marca, moagem e preparo, mas esta tabela ajuda a fazer escolhas melhores.

  • Café coado (240 ml): ~90–120 mg
  • Espresso (1 dose): ~60–80 mg
  • Café solúvel (1 xícara): ~60–90 mg
  • Café “premium” grande / bebidas com 2 doses: pode passar de 150–250 mg

Chás e outros:

  • Chá preto (240 ml): ~40–70 mg
  • Chá verde (240 ml): ~20–45 mg
  • Chimarrão/tereré/mate: pode variar muito (e engana bastante)

“Cafeína escondida” (a gente fala já já): energéticos, pré-treino, refrigerantes, chocolate e alguns analgésicos.

Café e menopausa: 4 cenários comuns e o que fazer na prática

Aqui está o coração do guia. Encontre o seu cenário e comece por um ajuste por vez.

1) Café e menopausa com calorões mais fortes

Sinais típicos:

  • calorão vindo logo após café quente
  • suor noturno pior nos dias de mais cafeína
  • sensação de “corpo esquentando” com café + estresse

O que testar por 14 dias:

  • trocar café muito quente por morno (parece simples, mas ajuda algumas pessoas)
  • reduzir para até 200 mg/dia
  • mover o último café para antes das 14–15h

Se ainda estiver forte:

  • testar half-caf (meio normal + meio descafeinado)
  • ou ir para descafeinado por 10 dias e reintroduzir 1 dose pela manhã

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2) Café e menopausa com ansiedade, tremor e “coração acelerado”

Sinais típicos:

  • mãos trêmulas, inquietação
  • pensamentos acelerados
  • palpitações mais perceptíveis

O que testar por 10–14 dias:

  • limitar a 1 dose de manhã (espresso ou xícara pequena)
  • evitar café em jejum (tente junto com alimento/proteína)
  • cortar cafeína após 12–14h

Se você já tem ansiedade prévia:

  • prefira café pequeno e sempre cedo
  • troque o “reforço” da tarde por água, fruta + castanhas, ou uma caminhada curta

Leia também:

Quando procurar avaliação sem adiar: palpitação com desmaio, dor no peito, falta de ar persistente ou sensação de batimento irregular prolongada.

3) Café e menopausa com insônia ou sono leve

Sinais típicos:

  • demora para dormir
  • acorda no meio da noite (às vezes com calorão)
  • sono não reparador

O que costuma ter melhor custo-benefício:

  • manter café só até 10–12h por 14 dias
  • trocar café do almoço por descafeinado (ou chá sem cafeína)
  • evitar “cafeína escondida” (pré-treino/energético) depois das 14h

Leia também:

Quer um plano personalizado para dormir melhor e reduzir fogachos?
Encontre um especialista em menopausa

4) Café e menopausa com refluxo/azia

A menopausa pode vir com mais refluxo em algumas mulheres, e o café pode piorar por:

  • aumentar acidez em pessoas sensíveis
  • piorar queimação quando associado a jejum, álcool, chocolate ou refeições grandes

O que testar:

  • reduzir a dose e evitar café em jejum
  • usar café mais fraco ou menor volume
  • evitar café após refeições grandes (e, principalmente, à noite)
  • testar descafeinado (algumas pessoas melhoram; outras não)

Leia também:

Café e menopausa: “cafeína escondida” que costuma sabotar o teste

Se a ideia é testar café e menopausa com clareza, não adianta cortar o café e continuar com cafeína em outras fontes.

Fique atenta a:

  • energéticos (muitos têm doses altas)
  • pré-treinos e termogênicos
  • refrigerantes tipo cola
  • chás estimulantes (mate, preto, verde)
  • chocolate (principalmente em grande quantidade)
  • alguns analgésicos e remédios para enxaqueca (podem conter cafeína)

Dica prática: durante 10–14 dias, escolha uma única fonte principal (por exemplo, 1 xícara cedo) e zere as outras.

Café e menopausa: trocas inteligentes (sem virar “vida sem prazer”)

Se café é ritual, a estratégia é manter o prazer e reduzir o impacto.

Trocas que funcionam bem

  • Descafeinado (mantém ritual, reduz cafeína)
  • Half-caf (metade normal + metade descafeinado)
  • Café menor (xícara pequena em vez de caneca grande)
  • Café com comida (evita pico de ansiedade em algumas pessoas)

Trocas para a tarde

  • chá de ervas sem cafeína (camomila, erva-doce, melissa)
  • água com gás + limão
  • um “break” de 5–10 minutos ao ar livre (luz natural melhora alerta)

Se você gosta de chás, este conteúdo complementa sem prometer milagres:

Café e menopausa: um teste de 14 dias

Se você quer uma resposta objetiva, siga este protocolo simples.

Infográfico vetorial com o título 'Café e menopausa: teste de 14 dias', focado em orientar o ajuste de dose e horário da cafeína para observar sintomas como calorões, ansiedade e sono. O design é dividido em seções. À esquerda, 'Régua Simples' estabelece limites diários de cafeína: geral (até 400 mg), para sintomas leves (até 200 mg) e para insônia/ansiedade fortes (até 100 mg), além de indicar o corte do consumo 6 a 8 horas antes de dormir. À direita, 'Cafeína na Prática' mostra ícones e teores aproximados em bebidas comuns, como café coado (90-120 mg), espresso (60-80 mg), chás preto e verde, refrigerante cola e energéticos. Na parte inferior, uma linha do tempo horizontal intitulada 'Passo a Passo' detalha o teste: 'Dias 1–3: mapear' (anotar consumo e sintomas); 'Dias 4–14: ajustar' (escolher uma meta de redução e horário de corte); e 'No final: decidir' (avaliar se houve melhora). O rodapé traz um aviso médico para procurar atendimento em caso de palpitações graves, dor no peito ou falta de ar.

Dias 1–3: mapear

  • anote quantos cafés/chás/energéticos toma
  • marque calorões (0–10), ansiedade (0–10) e sono (noites ruins/semana)

Dias 4–14: ajustar

Escolha um caminho:

  • Caminho A (mais comum): até 200 mg/dia e última dose até 14–15h
  • Caminho B (se insônia/ansiedade fortes): até 100 mg/dia e última dose até 10–12h

No final, se:

  • melhorou claramente, mantenha e estabilize
  • não mudou nada, você provavelmente não é tão sensível (ou o gatilho principal é outro)

Se calorões/sono continuam ruins, vale olhar o conjunto: álcool, estresse, temperatura do quarto e alimentação.

Leia também:

Café e menopausa em quem tem hipertensão ou arritmias: como ser mais segura

Para muita gente, café moderado não é um problema. Mas, se você tem hipertensão, histórico de arritmias ou palpitações frequentes, é mais prudente:

  • preferir doses menores e mais cedo
  • evitar energéticos e pré-treinos (eles concentram cafeína)
  • monitorar pressão quando fizer mudanças

Leia também:

Se você quer ajustar cafeína sem piorar pressão, ansiedade ou sono, fazer isso com orientação individual costuma ser mais tranquilo.
Encontre um especialista em menopausa

Perguntas frequentes sobre café e menopausa

Café e menopausa: preciso parar completamente?

Raramente. A maioria das mulheres se beneficia mais de ajustar horário e dose do que de proibir.

Café descafeinado é “zero cafeína”?

Não. Em geral, tem bem menos, mas ainda pode ter pequenas quantidades. Para a maioria das pessoas sensíveis, já é suficiente para melhorar.

Chá verde é melhor do que café?

Depende. Chá verde tem menos cafeína por xícara, mas ainda é estimulante. Para quem tem insônia, pode atrapalhar se tomado à tarde.

E o café no calor (verão) piora os sintomas?

Para algumas mulheres, sim, por combinar bebida quente + ambiente quente + desidratação. Uma alternativa é reduzir a temperatura da bebida e cuidar da hidratação.

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Referências

  1. Faubion SS, Sood R, Thielen JM, Shuster LT. Caffeine and menopausal symptoms: what is the association? Menopause. 2015 Feb;22(2):155-8. doi: 10.1097/GME.0000000000000301. PMID: 25051286.
  2. FDA. Spilling the Beans: How Much Caffeine is Too Much? (atualização 2024).
  3. Drake C, Roehrs T, Shambroom J, Roth T. Caffeine effects on sleep taken 0, 3, or 6 hours before going to bed. J Clin Sleep Med. 2013 Nov 15;9(11):1195-200. doi: 10.5664/jcsm.3170. PMID: 24235903; PMCID: PMC3805807.
  4. Gardiner C, Weakley J, Burke LM, Roach GD, Sargent C, Maniar N, Townshend A, Halson SL. The effect of caffeine on subsequent sleep: A systematic review and meta-analysis. Sleep Med Rev. 2023 Jun;69:101764. doi: 10.1016/j.smrv.2023.101764. Epub 2023 Feb 6. PMID: 36870101.
  5. Koochakpoor, G., Salari-Moghaddam, A., Keshteli, A. H., Esmaillzadeh, A., & Adibi, P. (2024). Association between coffee and caffeine intake and functional dyspepsia. Scientific Reports14(1), 31690.
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