Biohacking com alimentação na menopausa: guia prático

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Uma mulher madura e sorridente em uma cozinha moderna segura e aponta para um prato saudável com tofu, brócolis e gergelim, ilustrando uma opção de alimentação na menopausa.

A expressão biohacking com alimentação na menopausa pode parecer algo futurista, mas fala de escolhas muito concretas: usar a comida do dia a dia, baseada em ciência, para reduzir sintomas, proteger a saúde e melhorar energia, humor e sono após os 40.

Na perimenopausa e na pós-menopausa, oscilações hormonais influenciam calorões, ganho de peso, névoa mental, irritabilidade e até o risco de doenças cardiovasculares. A boa notícia é que aquilo que vai ao prato pode ser um dos biohacks mais poderosos – acessível, natural e ajustável à sua rotina.

Alimentação é biohacking? Sim, e com muita ciência por trás

Quando falamos em biohacking com alimentação na menopausa, não estamos falando de dietas extremas ou modismos de internet. Estamos falando de:

  • entender como certos alimentos conversam com seus hormônios;
  • usar nutrientes específicos para modular inflamação, humor e sono;
  • proteger ossos, músculos, coração e cérebro a longo prazo;
  • construir hábitos sustentáveis, e não regras impossíveis.

A diferença entre uma dieta qualquer e um biohacking com alimentação na menopausa é a intencionalidade: você faz escolhas alimentares com um objetivo claro (menos fogachos, mais foco, menos oscilação de humor) e observa como o seu corpo responde.

O que comer para aliviar sintomas na menopausa

A força dos fitoestrógenos: soja, linhaça e amora

Alguns alimentos vegetais contêm compostos chamados fitoestrógenos, que têm estrutura semelhante à do estrogênio e podem se ligar a receptores hormonais no organismo, exercendo um efeito suave. Entre os mais estudados estão:

  • Soja e derivados: tofu, tempeh, edamame, leite de soja;
  • Linhaça, especialmente a semente triturada ou moída na hora;
  • Amora e outras frutas ricas em polifenóis.

Estudos clínicos mostram que padrões alimentares ricos em soja inteira podem reduzir a intensidade e a frequência dos fogachos, melhorar o perfil de colesterol e apoiar a saúde óssea quando associados a um estilo de vida saudável.

Como incluir na prática:

  • usar tofu em refogados, escondidinho ou saladas;
  • adicionar 1 a 2 colheres de sopa de linhaça triturada em frutas, iogurte ou mingau;
  • incluir preparações com amora (in natura, em smoothies ou chás de folha de amora, quando orientados por profissional).

Importante lembrar: não existe alimento “milagroso”. O efeito vem do conjunto da dieta, repetido dia após dia.

Intestino e humor: o eixo digestivo-cérebro na menopausa

Cerca de 90% da serotonina, neurotransmissor associado ao bem-estar, é produzida no intestino. Isso significa que o seu humor também depende do que acontece ali.

Na prática, o biohacking com alimentação na menopausa passa por:

  • Fibras: legumes, verduras, frutas com casca, aveia, feijões, lentilha e grão-de-bico alimentam as bactérias benéficas do intestino;
  • Alimentos fermentados: iogurte, kefir, kombucha, chucrute e legumes fermentados ajudam a diversificar a microbiota intestinal;
  • Redução de ultraprocessados: biscoitos recheados, snacks, congelados prontos, embutidos e refrigerantes favorecem inflamação e desequilíbrio da microbiota.

Pesquisas com grandes grupos de mulheres já associaram o consumo elevado de ultraprocessados a maior risco de depressão e pior bem-estar emocional. Cuidar do intestino é, também, cuidar da mente.

Alimentação anti-inflamatória para corpo e cérebro

A inflamação crônica de baixo grau é um dos bastidores da fadiga, do ganho de peso, da dor articular e de alterações de humor na menopausa. Uma estratégia de biohacking com alimentação na menopausa inclui:

  • Colorir o prato: quanto mais cores naturais (verde escuro, roxo, laranja, vermelho), maior a variedade de antioxidantes;
  • Usar gorduras boas: azeite de oliva extravirgem, abacate, castanhas, nozes, sementes e peixes ricos em ômega-3;
  • Priorizar proteínas de qualidade: peixes, ovos, aves, leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), tofu;
  • Reduzir açúcares e farinhas refinadas: trocar pães e massas brancas por versões integrais, sempre que possível.

Um exemplo de prato noturno:

  • 1/2 prato de legumes variados salteados em azeite;
  • 1/4 de prato com tofu grelhado ou filé de peixe;
  • 1/4 de prato com grão-de-bico ou arroz integral;
  • 1 colher de sopa de linhaça ou gergelim por cima.

O que pode piorar os sintomas na menopausa

Cafeína, álcool e açúcar: dose importa

Nem sempre é preciso cortar tudo, mas entender o impacto de certos itens ajuda a tomar decisões mais conscientes.

  • Cafeína (café, chá preto, chimarrão, refrigerantes à base de cola, energéticos): em excesso ou à noite, pode piorar a insônia, aumentar a ansiedade e intensificar palpitações.
  • Álcool: pode desencadear fogachos, fragmentar o sono, aumentar a ansiedade no dia seguinte e dificultar o controle do peso.
  • Açúcares refinados: picos e quedas bruscas de glicemia favorecem irritabilidade, fome fora de hora e cansaço no meio do dia.

Em um biohacking com alimentação na menopausa, a ideia não é viver em restrição, e sim testar: como você se sente em dias com menos café, menos álcool e menos açúcar? Muitas mulheres relatam redução perceptível de calorões e melhora do sono.

Ultraprocessados e inflamação silenciosa

Alimentos ultraprocessados costumam combinar farinhas refinadas, gorduras de baixa qualidade, açúcares, aditivos e sódio em excesso. O consumo frequente está associado a:

  • aumento de inflamação sistêmica;
  • pior controle de peso e da glicemia;
  • maior risco de depressão e ansiedade;
  • alteração da microbiota intestinal.

Não é necessário ser perfeita, mas vale a regra prática: quanto menos rótulos complexos e mais comida de verdade, melhor.

Como montar seu plano pessoal de biohacking com alimentação na menopausa

Comece pela base: 5 passos simples

Você não precisa mudar tudo de uma vez. Um bom biohacking com alimentação na menopausa pode começar com estes passos:

  1. Metade do prato de vegetais em pelo menos duas refeições do dia.
  2. Incluir fontes de fitoestrógenos (soja, tofu, linhaça, amora) várias vezes na semana.
  3. Reduzir ultraprocessados e deixar doces e frituras para ocasiões especiais.
  4. Cuidar da hidratação: água ao longo do dia, chás sem açúcar, menos refrigerantes.
  5. Criar uma rotina alimentar: evitar longos períodos em jejum não planejado e grandes volumes de comida à noite.

Esses ajustes simples já podem trazer impacto em energia, digestão, humor e, com o tempo, nos próprios sintomas da menopausa.

Quando buscar ajuda profissional

Nem sempre é fácil fazer tudo sozinha. É importante procurar acompanhamento personalizado quando você:

  • tem doenças crônicas (diabetes, hipertensão, doença autoimune);
  • usa vários medicamentos de uso contínuo;
  • sente piora importante de sintomas gastrointestinais ao mudar a alimentação;
  • tem histórico de transtorno alimentar ou relação difícil com comida.

Nutricionistas, nutrólogos e médicos de família podem ajudar a transformar o biohacking com alimentação na menopausa em um plano seguro, efetivo e possível para a sua realidade.

Comida como aliada no climatério

A alimentação é um dos biohacks mais poderosos que você pode usar a seu favor na menopausa. Sem radicalismos, sem culpas e sem promessas mágicas, é possível construir um prato que conversa com seus hormônios, com o seu intestino e com o seu cérebro.

Com pequenas mudanças consistentes, você pode:

  • reduzir fogachos e desconfortos digestivos;
  • apoiar a saúde óssea, muscular e cardiovascular;
  • melhorar o humor, o foco e a qualidade do sono;
  • sentir-se mais no comando do seu corpo nessa fase.

Lembre-se: cada mulher é única. Use estas orientações como ponto de partida e observe como você se sente. Se precisar, peça ajuda – autocuidado também é saber compartilhar o peso das decisões com profissionais de confiança.

Se você quiser se aprofundar na relação entre alimentação, comportamento alimentar e emagrecimento na menopausa, vale ouvir o PodKefi 19 | Por que é mais difícil emagrecer na menopausa?. Nesse episódio, a nutricionista Keitey Polato explica, com linguagem acolhedora e baseada em ciência, por que o corpo muda depois dos 40, os riscos das dietas muito restritivas e estratégias práticas para emagrecer com mais consciência, prazer e menos culpa.

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Leia também:

Referências científicas selecionadas

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