Se você pesquisou “viagra feminino”, provavelmente está tentando entender se existe mesmo um remédio capaz de “religar” a libido — especialmente após os 40, quando sono, estresse, dor na relação e mudanças hormonais podem pesar. A flibanserina (conhecida comercialmente como Addyi em alguns países) é o medicamento mais associado a esse apelido. Mas aqui vai o ponto-chave: ela não funciona como o Viagra masculino e o que dá para esperar dela é mais sutil do que muita propaganda sugere.
A ideia deste artigo é te explicar, com clareza e sem promessas irreais, para quem a flibanserina pode fazer sentido, quais são os riscos e interações, e o que costuma ajudar mais quando a libido cai na perimenopausa e na menopausa.
Viagra feminino: por que esse apelido engana
O Viagra (sildenafila) atua principalmente no fluxo sanguíneo genital. Já a flibanserina atua no cérebro, modulando neurotransmissores ligados a motivação/recompensa e inibição do desejo — e por isso não é um remédio “sob demanda” para tomar antes da relação.
Em outras palavras: o apelido “viagra feminino” pode até ser chamativo, mas cria uma expectativa errada sobre rapidez e intensidade do efeito.
O que é flibanserina e para quem ela foi estudada
A flibanserina foi desenvolvida para tratar o transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD) — quando a pessoa tem baixo desejo que causa sofrimento ou impacto no relacionamento/qualidade de vida, e isso não é explicado por outra condição médica/psiquiátrica, uso de substâncias/medicamentos ou apenas por problemas de relacionamento.
Por que isso importa na menopausa
Na transição dos 40–50+, a queda da libido nem sempre é “HSDD puro”. Muitas vezes, o desejo diminui por uma combinação de fatores como:
- dor na relação (secura vaginal e desconforto)
- sono ruim (insônia, despertares, suores noturnos)
- exaustão e carga mental
- ansiedade/depressão
- efeitos de medicamentos (inclusive alguns antidepressivos)
Por isso, antes de pensar em qualquer remédio, vale investigar o que está “roubando” o desejo no dia a dia.
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Viagra feminino funciona? O que os estudos mostram na prática
Os estudos clínicos mostram que a flibanserina pode trazer melhoras estatisticamente significativas, mas modestas em média. Em linguagem simples:
- Algumas mulheres relatam uma melhora real na “disposição mental” e no interesse.
- Outras percebem pouco ou nenhum efeito.
- O resultado depende muito do contexto (dor, sono, estresse, relacionamento).
O que esperar em termos de resultado
A forma mais honesta de traduzir os dados é: para um grupo de mulheres, a flibanserina pode ajudar, mas o ganho costuma ser sutil e gradual — não um efeito imediato como o senso comum imagina ao ouvir “viagra feminino”.
Em quanto tempo costuma fazer efeito
Quando há resposta, ela tende a aparecer após algumas semanas. A orientação prática mais usada é reavaliar em cerca de 8 semanas: se não houver melhora percebida, geralmente não faz sentido insistir.
Efeitos colaterais: o que você precisa saber
Os efeitos adversos mais comuns incluem:
- tontura
- sonolência/sedação
- náusea
- fadiga
Por isso, o uso costuma ser indicado à noite, ao deitar.
O alerta mais importante: pressão baixa e desmaio
Um ponto de segurança relevante é o risco de hipotensão (pressão baixa) e síncope (desmaio), principalmente quando há combinações que aumentam o efeito sedativo ou interferem no metabolismo do medicamento.
Viagra feminino e álcool: dá para beber?
Esse é um dos tópicos mais sensíveis. Em geral, recomenda-se evitar álcool quando se está usando flibanserina, porque a combinação pode aumentar o risco de queda de pressão, tontura e desmaio.
Se a pessoa consumiu bebida alcoólica, a conduta mais segura é discutir com a médica um plano claro sobre o que fazer — e, na dúvida, não misturar.
Interações medicamentosas e quando NÃO usar
A flibanserina exige cautela especial em casos como:
- doença hepática (problemas no fígado)
- uso concomitante de medicamentos que aumentam o risco de efeitos adversos (incluindo alguns que interferem em enzimas do fígado)
- histórico de quedas, tonturas frequentes ou pressão naturalmente baixa
Essa parte é essencial para reforçar: não é um medicamento para ser usado por conta própria.
Flibanserina na menopausa: faz sentido para quem?
Para mulheres na perimenopausa ou menopausa, a pergunta certa costuma ser:
“O desejo caiu por alteração do desejo em si, ou porque existe dor, cansaço, estresse, sono ruim e desconforto?”
Se houver fatores como secura vaginal e dor, por exemplo, tratar isso primeiro pode ser um divisor de águas. O mesmo vale para insônia e exaustão.
Quando, mesmo após cuidar do básico, a mulher segue com desejo baixo e sofrimento, pode fazer sentido discutir a flibanserina com uma profissional que tenha experiência em saúde sexual.
E no Brasil: o que dá para fazer com segurança
A aprovação do viagra feminino varia por país. Nos Estados Unidos, o FDA ampliou em 15 de dezembro de 2025 a indicação do Addyi (flibanserina) para incluir mulheres na pós-menopausa (além da pré-menopausa) com HSDD, dentro do recorte de idade descrito no rótulo atualizado. Essa decisão, porém, vale para o mercado americano.
No Brasil, a disponibilidade para comercialização ainda depende de registro e regularização pela Anvisa. Ou seja, o produto ainda não é aprovado por aqui. Lembre-se, a forma mais confiável de conferir se existe medicamento registrado é a ferramenta oficial Consulta a registro de medicamentos da própria Anvisa.
Por segurança, evite comprar “por conta própria” em canais duvidosos e discuta qualquer tratamento para baixa libido com uma médica (ginecologista/sexóloga), considerando as opções terapêuticas disponíveis e regulamentadas no Brasil.
Alternativas que costumam funcionar melhor junto com o tratamento
Quando a libido cai na perimenopausa e menopausa, o ganho mais consistente costuma vir de um “combo”:
- tratar dor e secura vaginal
- melhorar o sono
- cuidar da saúde mental e do estresse
- revisar medicamentos que podem reduzir o desejo
- terapia sexual e estratégias comportamentais (individual ou em casal)
Um ponto que muitas mulheres só descobrem tarde (e faz diferença) é a fisioterapia pélvica: ela pode ajudar quando há dor, tensão do assoalho pélvico, desconforto na penetração, insegurança corporal ou dificuldade de relaxar — fatores que, na prática, derrubam o desejo mesmo quando “a cabeça quer”. Se você quiser se aprofundar de um jeito bem acolhedor e prático, vale ouvir o PodKefi 15 | Fisioterapia Pélvica: Saúde, Sexualidade e Autoestima para Mulheres 40+.
A sexualidade não é um “botão” — e isso não é culpa sua. Com um plano bem feito, muitas mulheres conseguem recuperar prazer, conexão e desejo.
Perguntas frequentes
Flibanserina dá efeito imediato?
Não. Quando há efeito, ele tende a ser gradual e aparecer após algumas semanas.
Quem não deveria considerar?
Pessoas com doença hepática, com risco aumentado de quedas/desmaios ou que usam medicamentos que podem interagir — isso deve ser avaliado individualmente.
Posso tomar só quando eu quiser ter relação?
Não é esse o modelo de uso mais conhecido para a flibanserina, que costuma ser diária e à noite.
Posso comprar no Brasil?
Não. O produto ainda não foi aprovado pela ANVISA. Qualquer comercialização dele é irregular.
Conclusão
A flibanserina ganhou o apelido de “viagra feminino”, mas ela é bem diferente do Viagra masculino. Para algumas mulheres, pode ser uma opção válida, com efeito modesto e gradual — desde que haja avaliação cuidadosa de riscos e interações.
E, principalmente na perimenopausa e menopausa, muitas vezes o que mais melhora a libido é tratar o que está por trás: dor na relação, insônia, estresse, saúde mental e conexão no relacionamento.
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Referências científicas
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