Perda de olfato na menopausa: quando investigar

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Mulher de meia-idade com expressão pensativa e ligeiramente preocupada segura uma caneca perto do rosto, tentando sentir o aroma, ilustrando a perda de olfato na menopausa em uma cozinha iluminada.

Se você percebeu que os cheiros mudaram — ou que ficou mais difícil reconhecer aromas do dia a dia — saiba que perda de olfato na menopausa é uma queixa real e descrita em estudos. E ela pode aparecer de formas diferentes: às vezes é um “cheiro mais fraco”, outras vezes é um “cheiro confuso”, como se o cérebro demorasse para entender o que você está sentindo.

A boa notícia é que, na maioria das vezes, existem explicações tratáveis e estratégias seguras para lidar com isso. O ponto principal é saber quando observar e quando investigar, sem se culpar e sem entrar em alarmismo.

Perda de olfato na menopausa: o que pode mudar no dia a dia

A experiência do olfato não é só “sentir ou não sentir”. Ela costuma envolver três camadas:

  • Sensibilidade (limiar): quanta intensidade você precisa para perceber um cheiro.
  • Identificação: reconhecer e nomear o que está cheirando (café? gás? perfume?).
  • Convicção: a sensação de certeza sobre o que é aquele cheiro.

Na prática, isso pode se manifestar como:

  • Perfumes e aromas de comida parecendo mais “apagados”.
  • Dificuldade de perceber cheiro de gás, fumaça ou alimento estragado.
  • Sensação de que os cheiros “mudaram” ou ficaram estranhos.
  • Cansaço mental ao tentar identificar odores (porque o cérebro faz mais esforço).

Cheiro fraco x cheiro confuso (um jeito simples de entender)

  • Fraco: você sente menos intensidade.
  • Confuso: você até sente que há um odor, mas não tem certeza do que é.

Essa distinção ajuda muito porque aponta caminhos diferentes de investigação e de autocuidado.

O que a ciência já sabe sobre perda de olfato na menopausa

Os estudos sugerem uma tendência consistente: após a menopausa, pode haver piora na sensibilidade e na identificação de odores.

Ao mesmo tempo, existe uma nuance importante: nem sempre dá para separar totalmente o que é efeito da queda hormonal do que é efeito do envelhecimento, porque as duas coisas caminham juntas. Por isso, os melhores textos científicos falam em fatores combinados.

Perda de olfato na menopausa e identificação: por que “reconhecer” pode ser o mais difícil

Um estudo que comparou mulheres em pré e pós-menopausa mostrou algo interessante: as associações cognitivas (por exemplo, a “impressão” que um cheiro causa) podem permanecer semelhantes, mas a capacidade de identificar o odor tende a cair após a menopausa.

Traduzindo: você pode olhar para um perfume e pensar “isso era familiar”, mas, na hora, o cérebro não encaixa o cheiro no lugar certo com a mesma facilidade.

Idade x hormônios: o que é provável

O que faz mais sentido hoje é pensar em dois vetores:

  • Mudanças hormonais podem influenciar mucosas, inflamação e circuitos neurais ligados à percepção.
  • Envelhecimento por si só pode reduzir a performance olfatória ao longo dos anos.

Isso explica por que algumas pesquisas encontram forte relação com a fase pós-menopausa, enquanto outras observam que a duração da menopausa nem sempre prediz piora quando a idade é bem controlada.

Perda de olfato na menopausa pode ser outra coisa?

Sim — e essa é uma das razões para investigar do jeito certo. Muitas condições podem mexer com o olfato, especialmente depois dos 40.

1) Nariz e seios da face: rinite, sinusite, pólipos, obstrução

Quando o ar não chega bem ao epitélio olfatório (na parte alta do nariz), o olfato cai. Alguns sinais que apontam mais para causa nasal:

  • Nariz entupido frequente
  • Secreção, espirros, coceira
  • Dor/pressão facial
  • Piora sazonal

2) Boca seca e mucosas ressecadas

Ressecamento pode alterar a percepção global de sabores e aromas. Se você também sente secura na boca, vale ler:

3) Infecções virais recentes

Perda de olfato temporária após infecções respiratórias é comum. Em geral, melhora ao longo das semanas, mas às vezes persiste.

4) Medicamentos e hábitos

Alguns remédios podem reduzir olfato ou paladar em parte das pessoas (por exemplo, certos antidepressivos, anti-hipertensivos, anti-histamínicos sedativos). Tabagismo e exposição crônica a fumaça/poluentes também podem pesar.

5) Aspectos neurológicos e cognitivos

O olfato se conecta com memória e emoção. Se houver queixas cognitivas relevantes (ex.: esquecimentos importantes, confusão, mudanças importantes de atenção), é útil contextualizar com:

Perda de olfato na menopausa: infográfico em fluxograma mostrando quando investigar e quais sinais de alerta observar.

Perda de olfato na menopausa: quando investigar

Use este roteiro prático para decidir o próximo passo.

Passo 1: foi súbito ou gradual?

  • Súbito (de um dia para o outro): merece atenção mais rápida, especialmente se veio sem resfriado.
  • Gradual (semanas/meses): pode estar ligado a nariz, mucosas, medicações ou mudanças naturais, mas ainda assim vale investigar se atrapalha sua vida.

Passo 2: veio junto com outros sintomas?

Investigue com mais urgência se a perda de olfato na menopausa vier com:

  • Dor de cabeça intensa e diferente do habitual
  • Fraqueza, dormência, alteração de fala, visão dupla
  • Queda importante, pancada na cabeça
  • Sangramento nasal recorrente
  • Perda de peso inexplicada ou sintomas sistêmicos importantes

Passo 3: está afetando sua segurança?

Aqui não é exagero: olfato é um “sensor de segurança”. Procure avaliação se você:

  • Não percebe cheiro de gás, fumaça ou queimado
  • Perdeu a capacidade de identificar alimento estragado
  • Sente cheiros estranhos persistentes que confundem rotina e alimentação

Passo 4: quanto tempo está durando?

  • Se for pós-infecção respiratória, costuma melhorar em semanas.
  • Se persistir por tempo prolongado, se piorar, ou se você tiver dúvida, vale conversar com um profissional.

Um bom norte: se está interferindo com alimentação, prazer, segurança ou bem-estar emocional, merece investigação.

Que profissional procurar e quais exames podem ajudar

Otorrinolaringologista (otorrino)

Geralmente é o primeiro caminho quando a queixa é olfato.

O que pode ser feito:

  • Avaliação do nariz e da respiração (incluindo exame interno)
  • Investigação de rinite/sinusite/pólipos
  • Testes olfatórios padronizados (quando disponíveis)
  • Em alguns casos, exames de imagem se houver sinais de alerta

Ginecologista / endocrinologista

Ajuda a colocar o sintoma no contexto do climatério e da menopausa (e a revisar medicações e sintomas associados). Importante: qualquer abordagem hormonal deve ser individualizada.

Neurologista (em situações específicas)

Quando existe associação com sintomas neurológicos, alterações cognitivas marcantes ou sinais de alerta.

O que fazer enquanto investiga?

1) Segurança doméstica (prioridade)

  • Verifique se você tem detector de fumaça e, se possível, detector de gás
  • Crie o hábito de checar validade e armazenamento dos alimentos
  • Se houver dúvida sobre gás/queimado, peça uma segunda checagem

2) Higiene e conforto nasal

  • Lavagem nasal com soro fisiológico (quando indicada)
  • Hidratação ao longo do dia
  • Umidificação do ambiente se o ar estiver muito seco

Se você tem sintomas nasais frequentes, vale investigar a causa em vez de “se acostumar”.

3) Treinamento olfativo

É uma prática usada em diferentes tipos de disfunção olfatória: cheirar conscientemente aromas específicos por alguns minutos, de forma regular.

Sugestão prática (simples e segura):

  • Escolha 4 aromas bem distintos (ex.: cítrico, floral, resinoso, especiado)
  • 2 vezes ao dia, por 2–3 minutos
  • Por 8–12 semanas

A ideia é treinar o cérebro e o sistema olfatório, com consistência.

4) Diário do olfato: intensidade + convicção

Por 14 dias, anote 1 vez ao dia:

  • Intensidade (0–10) do cheiro (ex.: café, sabonete, alho)
  • Convicção (0–10): quão certa você está do que é

Esse registro ajuda você e o profissional a entender se o problema é mais de sensibilidade, identificação ou ambos.

5) Regulação do estresse – porque ele piora a percepção

Não é “tudo psicológico”, mas estresse e sono ruim podem amplificar desconforto e reduzir clareza sensorial.

Uma leitura que pode ajudar com ferramentas práticas:

Dúvidas comuns sobre perda de olfato na menopausa

Perda de olfato na menopausa pode voltar ao normal?

Muitas vezes, sim — especialmente quando há causa tratável (rinite/sinusite, ressecamento, pós-infecção, medicação). Em outros casos, melhora pode ser gradual e o treinamento olfativo ajuda a ganhar função ao longo do tempo.

Olfato e paladar na menopausa estão ligados?

Sim. Parte do que chamamos de “sabor” depende do olfato. Quando o olfato cai, a comida pode parecer “sem graça” — e isso afeta prazer, apetite e escolhas alimentares.

Terapia hormonal melhora o olfato?

A ciência ainda não dá uma resposta única para todas. O que existe é uma discussão sobre influência hormonal no sistema olfatório, mas a decisão sobre terapia deve considerar riscos, benefícios e seus sintomas como um todo, sempre com avaliação médica.

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Um lembrete gentil

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Referências Bibliográficas

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