A perda de colágeno na menopausa é uma das mudanças mais marcantes que muitas mulheres percebem ao entrar no climatério. Rugas mais evidentes, pele mais fina, flacidez e ressecamento podem surgir de forma acelerada, trazendo dúvidas, inseguranças e, muitas vezes, a sensação de que o envelhecimento “chegou de repente”. Mas nada disso é culpa sua — é ciência.
Quando o estrogênio começa a cair, o corpo passa por uma transformação intensa, e a pele está entre os primeiros órgãos a sentir essa mudança. A boa notícia: existem caminhos seguros e eficazes para proteger o colágeno, estimular sua produção e manter a vitalidade da pele após os 40.
O que é colágeno e por que ele importa na menopausa?
O colágeno é a principal proteína estrutural da pele, responsável por firmeza, elasticidade e sustentação. Cerca de 80% da derme é composta por colágeno — principalmente os tipos I e III, que trabalham juntos para manter a pele íntegra e resistente.
Com a chegada da menopausa, o estímulo natural para produção de colágeno diminui, fazendo com que a pele perca espessura, fique mais frágil e apresente sinais de envelhecimento de forma mais evidente.
Como a perda de colágeno na menopausa acontece no corpo?
O papel do estrogênio
O estrogênio atua diretamente nos fibroblastos — células que produzem colágeno na pele. Ele também estimula fatores de crescimento, como o TGF-β, essenciais para manter a matriz extracelular saudável. Quando o estrogênio cai, os fibroblastos reduzem sua atividade e a produção de colágeno diminui de forma significativa.
Ação das metaloproteinases (MMPs)
Com menos estrogênio circulante, há aumento das MMPs, enzimas que degradam colágeno. As MMP-1, MMP-2 e MMP-9 tornam-se mais ativas, enquanto enzimas inibidoras (TIMPs) diminuem. O resultado é um ciclo acelerado de quebra do colágeno existente.
Perda de colágeno na menopausa em números
Os dados científicos mostram que:
- A espessura da pele pode diminuir cerca de 1,13% ao ano após a menopausa.
- O conteúdo de colágeno chega a cair até 2% ao ano.
- Nos primeiros cinco anos após a última menstruação, a perda de colágeno pode alcançar 30%, especialmente dos tipos I e III.
Essa queda rápida explica por que muitas mulheres percebem mudanças significativas em um intervalo curto.
Como a perda de colágeno na menopausa aparece na pele?
A perda de colágeno traz sinais visíveis e palpáveis:
- Pele mais fina e delicada
- Aumento da flacidez facial e corporal
- Rugas finas e profundas
- Ressecamento e descamação
- Cicatrização mais lenta
- Manchas e alterações de pigmentação
Envelhecimento “acelerado”: mito ou realidade?
A sensação de envelhecimento rápido é comum — e tem base biológica. A queda hormonal provoca mudanças estruturais intensas em pouco tempo. Mas isso não significa perda de beleza, e sim uma nova fase do corpo que merece cuidado.
Terapia hormonal e colágeno: o que a ciência mostra
Estudos mostram que a terapia de reposição hormonal (TRH) pode:
- Aumentar a espessura dérmica em até 30% após alguns meses de uso
- Estimular a produção de colágeno
- Melhorar a elasticidade da pele
Mas a TRH não é indicada para todas. A prescrição deve ser feita por ginecologista ou endocrinologista, considerando histórico familiar, perfil de risco e sintomas.
Leia também: Terapia hormonal na menopausa (quando disponível no blog).
Fitoestrógenos e colágeno na menopausa
Fitoestrógenos — compostos presentes em plantas — podem se ligar aos receptores estrogênicos do tipo ERβ, favorecendo leve estímulo à produção de colágeno.
Pesquisas mostram que isoflavonas podem aumentar em até 86% o conteúdo de colágeno dérmico após 6 meses de uso em mulheres pós-menopausadas.
Esses efeitos são mais sutis do que os da TRH, mas podem ser uma alternativa complementar, especialmente quando associados a hábitos saudáveis.
Colágeno hidrolisado na menopausa: funciona?
Meta-análises mostram que o colágeno hidrolisado pode:
- Melhorar a hidratação da pele
- Aumentar a elasticidade
- Contribuir levemente para firmeza ao longo de 8 a 12 semanas
As doses mais estudadas variam entre 3,5 g e 10 g por dia.
Por outro lado, estudos em quadros de dermatoporose leve não encontraram resultados significativos — indicando que o benefício depende do estado da pele e do organismo.
O que analisar antes de comprar um suplemento?
- Tipo de colágeno
- Dose diária
- Presença de vitamina C e minerais
- Qualidade da matéria-prima
- Regularidade do uso
Tratamentos dermatológicos que estimulam colágeno
Dermatologistas costumam recomendar tecnologias que estimulam os fibroblastos:
Radiofrequência
Usa calor controlado para induzir a produção de colágeno.
Bioestimuladores
Substâncias injetáveis que estimulam a produção natural de colágeno, como hidroxiapatita de cálcio, ácido poli-L-láctico e policaprolactona.
Lasers e endolift
Criam microlesões que induzem remodelamento da derme.
Retinoides e vitamina C
Atuam topicamente aumentando renovação celular, síntese de colágeno e proteção antioxidante.
Hábitos que protegem o colágeno na menopausa
- Protetor solar diário (o passo mais importante)
- Alimentação rica em antioxidantes, como frutas, verduras e castanhas
- Sono de qualidade, essencial para a reparação celular
- Parar de fumar, já que o tabagismo acelera a degradação de colágeno
- Controle do estresse, reduzindo inflamação no corpo
Perguntas comuns
Com que idade começa a perda de colágeno?
A partir dos 30 anos, mas se intensifica após a queda do estrogênio.
Toda mulher precisa suplementar colágeno?
Não. O uso deve considerar estilo de vida, alimentação, pele e orientação de profissionais.
TRH rejuvenesce a pele?
Ela pode melhorar a espessura e o conteúdo de colágeno, mas não é um tratamento exclusivamente estético.
Cremes com colágeno funcionam?
O colágeno não atravessa a pele, mas esses cremes podem hidratar e melhorar o aspecto cutâneo.
Quando procurar ajuda profissional?
- Afinamento extremo da pele
- Coceiras persistentes
- Feridas que não cicatrizam
- Manchas recentes ou suspeitas
Dermatologistas, ginecologistas, endocrinologistas e nutricionistas podem atuar juntos para um cuidado completo.
Se você deseja aprofundar o tema de forma leve e prática, vale assistir ao PodKefi 21 | Estética 40+: Colágeno após os 40, Ácido Hialurônico e Pele Madura.
Conclusão
A perda de colágeno na menopausa é normal, biológica e esperada — mas isso não significa que envelhecer precise ser sinônimo de sofrimento. Com informação, autocuidado e apoio profissional, é possível manter a saúde da pele, sua identidade e sua beleza em todas as fases da vida.
Leia também:
- Ressecamento na menopausa: causas e soluções naturais
- Terapia de reposição hormonal na menopausa: prós e contras
- Insônia na menopausa: causas, fadiga e como melhorar
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Referências científicas
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