A menstruação na pré-menopausa pode virar uma caixinha de surpresas: um mês vem cedo, no outro atrasa, às vezes aparece um escape no meio do caminho e, em alguns casos, o fluxo fica mais intenso. Isso assusta — e é compreensível.
A ideia aqui é te explicar, com clareza, o que muda no ciclo nessa fase, o que costuma ser esperado e quando vale investigar para não normalizar sinais importantes.
Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.
O que é pré-menopausa (perimenopausa) e por que o ciclo muda
A pré-menopausa (também chamada de perimenopausa ou transição menopausal) é a fase em que a função dos ovários começa a oscilar mais. Essa oscilação mexe justamente com os “dois pilares” que organizam o ciclo:
- Estrogênio, que estimula o crescimento do endométrio (a “camada interna” do útero)
- Progesterona, que normalmente aparece depois da ovulação e ajuda a estabilizar o endométrio
Na pré-menopausa, é mais comum ocorrerem ciclos sem ovulação (anovulatórios). Quando isso acontece, a progesterona pode ficar baixa ou não aparecer como antes. O resultado é um endométrio mais “instável” — e aí entram os padrões de sangramento irregular.
Menstruação na pré-menopausa: padrões mais comuns
Nem toda mudança é sinal de problema. A menstruação na pré-menopausa pode variar bastante, especialmente entre os 40 e poucos anos.
1) Ciclo mais curto (menstruação vindo “adiantada”)
Algumas mulheres percebem o intervalo encurtar (por exemplo, ciclos de 28 dias virarem 24–26). Isso pode acontecer no início da transição.
2) Ciclo mais longo (atrasos e “pulos”)
Mais adiante, podem acontecer atrasos maiores, com meses em que a menstruação parece “sumir” e depois volta.
3) Escape (“spotting”) e manchas fora de época
O escape pode aparecer:
- alguns dias antes da menstruação descer
- no meio do ciclo
- após esforço/estresse/oscilações hormonais
Um escape isolado pode ser compatível com a transição. O que pede mais atenção é padrão repetido, aumento progressivo ou associação com outros sintomas.
4) Fluxo mais intenso e/ou com coágulos
Na pré-menopausa, o fluxo pode aumentar por dois motivos principais:
- hormônios oscilando (especialmente ciclos sem ovulação)
- causas estruturais que ficam mais comuns com a idade, como miomas, pólipos e adenomiose
Ter coágulos pequenos ocasionalmente pode ocorrer em fluxos mais fortes. O sinal de alerta é quando isso vem junto com sinais de anemia, dor importante ou sangramento que “não dá trégua”.

Por que a menstruação muda na pré-menopausa
Pense no ciclo como uma coreografia em duas partes:
- Antes da ovulação: estrogênio sobe, o endométrio cresce.
- Depois da ovulação: progesterona sobe, o endométrio estabiliza. Se não houver gravidez, ele descama (menstruação).
Na pré-menopausa, a ovulação pode ficar menos regular. Quando não há ovulação:
- não há pico de progesterona do jeito esperado
- o endométrio pode crescer por mais tempo ou “desandar” sem um padrão
Isso pode gerar:
- atrasos
- escapes
- sangramentos prolongados
- fluxo mais intenso em alguns ciclos
Menstruação na pré-menopausa x outras causas
Nem todo sangramento irregular depois dos 40 é “só hormônio”. Existem condições que podem coexistir ou imitar a pré-menopausa. As mais comuns:
- miomas e pólipos (mudam o padrão de sangramento)
- adenomiose (pode trazer cólica forte e fluxo aumentado)
- distúrbios da tireoide (podem mexer no ciclo)
- anemia (pode ser consequência do sangramento forte, mas também piora cansaço e palpitações)
- SOP (em quem já tem histórico de ciclos irregulares)
- medicações (anticoagulantes, por exemplo)
Se você já tem diagnóstico de tireoide, por exemplo, vale revisar: Menopausa e tireoide: sintomas, exames e tratamento.
Menstruação na pré-menopausa usando anticoncepcional ou DIU hormonal
Sim, dá para ter sintomas e mudanças mesmo usando método hormonal — e isso confunde bastante.
Pílula combinada, anel, adesivo
Esses métodos podem:
- regular o sangramento (ou reduzir)
- mascarar irregularidade do ciclo da transição
- ainda assim, não impedem que o corpo esteja em perimenopausa por trás do “sangramento de privação”
Se um sangramento fora do padrão começa do nada (principalmente após meses estáveis), vale avaliação para descartar causas locais (colo do útero, endométrio) e revisar riscos do método na sua faixa etária.
DIU hormonal
O DIU hormonal frequentemente causa:
- escapes nos primeiros meses
- redução importante do fluxo
- em algumas mulheres, ausência de menstruação
Na pré-menopausa, é comum ficar difícil “usar a menstruação como régua”. Nesse caso, o médico costuma considerar sintomas gerais e histórico para orientar o acompanhamento.
Quando investigar a menstruação na pré-menopausa
Aqui entra a parte que mais reduz ansiedade: saber exatamente o que é sinal de alerta.
Procure avaliação médica com prioridade se você tiver:
- sangramento muito intenso (absorvente/tampão encharcando em 1 hora por mais de 2 horas)
- fluxo prolongado (mais de 7–8 dias repetidamente)
- sangramento entre as menstruações que vira padrão
- sangramento após relação sexual
- dor pélvica importante ou dor nova que não era habitual
- tontura, fraqueza, falta de ar, palpitações (sinais compatíveis com anemia)
- sangramento após a menopausa (depois de 12 meses sem menstruar)
E atenção extra se você tem fatores de risco para alterações endometriais:
- obesidade
- diabetes/prediabetes
- histórico de ciclos muito espaçados ao longo da vida (anovulação crônica)
- uso de tamoxifeno
- história familiar relevante de câncer ginecológico
Exames que costumam ser considerados
Na maior parte das vezes, a avaliação é guiada por história clínica + exame físico.
Quando o médico decide investigar, é comum considerar:
- hemograma (para ver anemia)
- TSH (tireoide)
- ferritina (em suspeita de deficiência de ferro)
- ultrassom transvaginal (endométrio, miomas, pólipos)
- biópsia de endométrio (em situações específicas, principalmente após 45 com sangramento anormal persistente, ou conforme avaliação de risco)
- histeroscopia (quando há suspeita de pólipo/alteração focal)
Sobre hormônios (FSH/estradiol): eles podem oscilar muito na perimenopausa e nem sempre ajudam a “fechar diagnóstico” do sangramento.
O que pode ajudar no dia a dia enquanto você investiga
Sem substituir consulta, algumas atitudes costumam dar mais controle e clareza:
- registre o padrão do sangramento (dias, intensidade, presença de coágulos)
- anote escapes e possíveis gatilhos (estresse, álcool, mudança de rotina)
- observe sintomas de anemia (cansaço desproporcional, tontura)
- se o fluxo está forte, priorize alimentos com ferro e converse com seu médico sobre necessidade de reposição
E, se você quiser entender a transição como um todo, comece por aqui: Pré menopausa: sintomas, idade e quanto tempo dura.
Tratamentos possíveis
A decisão depende do seu perfil, do seu útero (miomas/pólipos), do seu risco cardiovascular e do seu incômodo com o sintoma.
Opções que podem entrar na conversa médica:
- anti-inflamatórios para cólica e redução de fluxo em alguns casos
- ácido tranexâmico para fluxo intenso (quando indicado)
- ajustes de anticoncepcional (se estiver usando)
- DIU hormonal como estratégia para controle de sangramento e proteção endometrial em algumas mulheres
- tratamento de causas estruturais (pólipos/miomas) quando necessário
O ponto-chave é: sangramento anormal tem tratamento — e você não precisa “aguentar” calada.
Perguntas frequentes sobre menstruação na pré-menopausa
Escape é normal na menstruação na pré-menopausa?
Pode acontecer, sim, principalmente em ciclos com mais oscilação hormonal. Mas se o escape vira frequente, aumenta ou vem com dor/sintomas de anemia, vale investigar.
Posso engravidar na pré-menopausa?
Sim. Enquanto houver ovulação (mesmo que irregular), existe chance de gravidez. Se você não deseja engravidar, converse com seu ginecologista sobre contracepção adequada à sua fase de vida.
Coágulos na menstruação na pré-menopausa são preocupantes?
Coágulos podem aparecer quando o fluxo é mais intenso. O que preocupa é fluxo muito forte, prolongado, dor importante ou sinais de anemia.
Menstruação muito forte depois dos 40 é “só hormônio”?
Nem sempre. Pode ser oscilação hormonal, mas também pode haver miomas, pólipos, adenomiose ou outras causas. Se o padrão mudou, é prudente avaliar.
Links internos recomendados
- Pré menopausa: sintomas, idade e quanto tempo dura
- Climatério e menopausa: o que é, sintomas e como lidar
- Menopausa e tireoide: sintomas, exames e tratamento
- Primeiros sinais da menopausa: saiba como identificá-los
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Referências científicas
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