Menopausa precoce após endometriose: qual o risco?

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Mulher com endometriose conversa com ginecologista sobre menopausa precoce após endometriose e histórico de cirurgias ovarianas.

Conviver com endometriose pode trazer muitas dúvidas sobre o futuro do corpo. Entre elas está o medo da menopausa precoce após endometriose, especialmente para mulheres com mais de 35 anos, histórico de endometriomas ou cirurgias nos ovários.

A resposta precisa ser clara: ter endometriose não significa que você obrigatoriamente entrará na menopausa antes do esperado. No entanto, a doença, principalmente quando atinge os ovários, e alguns procedimentos usados em seu tratamento podem aumentar esse risco. Entender a diferença entre associação e certeza ajuda a trocar o medo por acompanhamento informado.

Leia também: Endometriose na menopausa: ela não tem idade

Menopausa precoce após endometriose: resposta direta

A menopausa precoce após endometriose pode acontecer, mas não é uma consequência automática da doença.

Estudos observacionais mostram que mulheres com endometriose apresentam maior probabilidade de chegar à menopausa natural antes dos 45 anos e, principalmente, de passar por uma menopausa cirúrgica. Isso significa que existe uma associação estatística, mas ela não permite prever o que acontecerá individualmente com cada mulher.

Uma análise publicada em 2025, com dados de quase 280 mil mulheres, encontrou maior ocorrência de menopausa natural e cirúrgica antes dos 45 anos entre aquelas com endometriose. A relação foi muito mais forte para a menopausa cirúrgica, geralmente provocada pela retirada dos dois ovários.

Na prática, o risco depende de diferentes fatores combinados:

  • localização da endometriose;
  • presença de endometriomas nos ovários;
  • quantidade de tecido ovariano saudável;
  • número e tipo de cirurgias realizadas;
  • retirada de um ou dos dois ovários;
  • idade da mulher;
  • histórico familiar de menopausa precoce.

Se você tem endometriose, passou por cirurgia nos ovários ou começou a perceber mudanças no ciclo, não precisa interpretar esses sinais sozinha. Consulte o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa e encontre atendimento individualizado.

O que significa menopausa precoce?

Em uma mulher que não usa medicamentos capazes de interromper o sangramento, a menopausa natural é reconhecida depois de 12 meses consecutivos sem menstruação.

No uso cotidiano, “menopausa precoce” costuma descrever qualquer menopausa que chegou muito antes do esperado. Na linguagem médica, porém, a perda da função dos ovários antes dos 40 anos é chamada de insuficiência ovariana prematura.

Quando a menopausa acontece entre 40 e 44 anos, ela costuma ser classificada como menopausa antecipada ou precoce. Essa diferença importa porque uma mulher de 37 anos sem menstruar precisa de uma investigação diferente daquela que está aos 47 anos e começa a ter ciclos irregulares.

Por que a menopausa precoce após endometriose pode acontecer?

A endometriose é uma doença em que um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora dele. Quando as lesões estão apenas em outras regiões da pelve, isso não significa necessariamente que os ovários deixarão de funcionar mais cedo.

O risco merece mais atenção quando a doença compromete diretamente os ovários ou quando o tratamento exige procedimentos sobre eles.

Endometriomas podem afetar a reserva ovariana

Endometriomas são cistos de endometriose que se formam dentro dos ovários. Muitas vezes, são chamados de “cistos de chocolate” por causa do aspecto escuro de seu conteúdo.

Eles podem estar associados à inflamação e a alterações no tecido ao redor. Com o tempo, isso pode comprometer parte dos folículos presentes no ovário e reduzir a chamada reserva ovariana.

Reserva ovariana é uma expressão usada para falar, de maneira aproximada, da quantidade de folículos ainda disponíveis nos ovários.

Uma reserva ovariana reduzida não é sinônimo de menopausa imediata. Também não significa infertilidade obrigatória. Ela é apenas uma parte do quadro e precisa ser interpretada junto com idade, ciclos menstruais, sintomas, histórico de saúde e exames.

Cirurgias nos ovários podem reduzir tecido saudável

A cirurgia para retirar um endometrioma pode ser necessária em determinadas situações. O desafio é que o cisto pode estar aderido ao tecido ovariano.

Mesmo quando o procedimento é realizado com cuidado, parte do tecido saudável pode ser afetada durante a retirada do cisto ou durante o controle do sangramento.

O impacto merece atenção especial quando:

  • os dois ovários apresentam endometriomas;
  • os cistos são grandes;
  • houve mais de uma cirurgia;
  • a cirurgia é realizada em um endometrioma que voltou;
  • a reserva ovariana já estava reduzida antes do procedimento.

A diretriz da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia recomenda cautela específica para minimizar danos ao ovário. O documento também destaca que cirurgias repetidas e procedimentos em ambos os ovários podem ter impacto mais duradouro sobre a reserva ovariana.

Isso não significa que a cirurgia seja sempre inadequada. Significa que seus possíveis benefícios e impactos precisam ser avaliados individualmente.

Retirar um ovário não é igual a retirar os dois

Quando apenas um ovário é retirado, o outro pode continuar produzindo hormônios e liberando óvulos. Isso não provoca menopausa cirúrgica imediata, embora a reserva ovariana total possa ficar menor.

Quando os dois ovários são retirados antes da menopausa natural, a produção dos principais hormônios ovarianos cai de forma abrupta. Nesse caso, ocorre a chamada menopausa cirúrgica.

Também é importante separar útero e ovários:

  • Retirar o útero: interrompe a menstruação, porque não existe mais o tecido que sangraria todos os meses.
  • Preservar os ovários: permite que eles continuem produzindo hormônios.
  • Retirar os dois ovários: causa menopausa cirúrgica quando a mulher ainda não havia chegado à menopausa natural.

Portanto, retirar apenas o útero não significa automaticamente entrar na menopausa.

Leia também: Retirada do útero e menopausa: mitos e verdades

Medicamentos podem imitar a menopausa por um período

Alguns medicamentos usados para controlar a endometriose diminuem temporariamente a produção ou a ação do estrogênio.

Durante o uso, a mulher pode parar de menstruar e apresentar sintomas como:

  • fogachos;
  • suor noturno;
  • secura vaginal;
  • alterações de humor;
  • dificuldade para dormir;
  • dor de cabeça.

Isso pode parecer uma menopausa precoce após endometriose, mas não equivale, por si só, a uma menopausa definitiva.

Esses medicamentos produzem um estado de baixa hormonal durante o tratamento. A resposta após a interrupção varia conforme o medicamento, o tempo de uso, a idade e a função ovariana anterior. Por isso, a ausência de menstruação durante um tratamento hormonal não deve ser interpretada isoladamente como menopausa.

Menopausa precoce após endometriose: quais sintomas observar?

Os sinais podem se confundir com estresse, efeitos de medicamentos, mudanças naturais do ciclo ou outras condições.

Vale observar o conjunto e a persistência dos sintomas, especialmente depois dos 35 anos.

Entre os sinais possíveis estão:

  • menstruações que ficam muito espaçadas;
  • ausência de menstruação sem uma explicação conhecida;
  • fogachos ou ondas de calor;
  • suor noturno;
  • dificuldade para dormir;
  • secura vaginal;
  • redução da libido;
  • irritabilidade ou mudanças de humor;
  • cansaço persistente;
  • dificuldade de concentração ou memória.

Um sintoma isolado não confirma menopausa precoce após endometriose. A investigação precisa considerar a idade, o padrão menstrual, os medicamentos em uso e todo o histórico de saúde.

Mudanças no ciclo depois dos 35 anos podem ter várias explicações. Quando vierem acompanhadas de fogachos, secura vaginal ou histórico de cirurgia ovariana, procure uma avaliação. O Diretório de Especialistas reúne profissionais que podem ajudar a organizar essa investigação.

Como investigar a suspeita?

Não existe um único exame capaz de contar toda a história.

A investigação exige uma avaliação clínica aprofundada. O profissional precisa conhecer:

  • o padrão das menstruações;
  • os sintomas apresentados;
  • os tratamentos hormonais atuais e anteriores;
  • as cirurgias realizadas;
  • a presença ou o histórico de endometriomas;
  • quais órgãos foram preservados ou retirados;
  • o histórico familiar de menopausa precoce.

Exames laboratoriais podem fazer parte da investigação, mas precisam ser interpretados dentro desse contexto. Um resultado isolado não consegue confirmar quando a menopausa acontecerá.

Isso é especialmente importante em mulheres que usam medicamentos capazes de interromper o sangramento. Nesses casos, a ausência de menstruação pode ser um efeito do tratamento, e não a perda definitiva da função ovariana. A insuficiência ovariana antes dos 40 anos exige alterações menstruais associadas à confirmação laboratorial, e não apenas um sintoma ou exame isolado.

Endometriose, cirurgias e fertilidade

A endometriose pode dificultar a gravidez por diferentes caminhos.

Inflamação, aderências na pelve, alterações nas trompas, endometriomas e comprometimento da reserva ovariana podem interferir na fertilidade. As cirurgias nos ovários também podem reduzir a quantidade de tecido ovariano saudável, sobretudo quando são bilaterais ou repetidas.

Isso não significa que toda mulher com endometriose será infértil.

É importante não confundir três conceitos:

  • Reserva ovariana: indica, de forma aproximada, a quantidade de folículos disponíveis.
  • Fertilidade: depende dos ovários, da idade, da ovulação, das trompas, do útero e de outros fatores.
  • Menopausa: representa a interrupção definitiva das menstruações naturais por perda da função ovariana.

Uma mulher pode ter reserva ovariana reduzida e ainda menstruar. Também pode apresentar dificuldade para engravidar sem estar próxima da menopausa.

Ilustração educativa dos ovários explicando menopausa precoce após endometriose, endometriomas e reserva ovariana.

A endometriose desaparece depois da menopausa?

Na maioria das mulheres, a redução dos hormônios ovarianos diminui a atividade da endometriose e seus sintomas.

Porém, a doença não desaparece obrigatoriamente em todos os casos. Algumas lesões podem persistir, e uma parcela das mulheres pode continuar ou voltar a apresentar:

  • dor pélvica;
  • dor na relação sexual;
  • sintomas intestinais;
  • sintomas urinários;
  • sangramento vaginal anormal.

Esses sintomas precisam ser avaliados porque outras condições também podem produzir manifestações semelhantes. A própria diretriz europeia alerta que retirar o útero não garante a eliminação de toda a endometriose e que sintomas podem persistir quando existem lesões residuais.

Leia também: Endometriose e menopausa: quando ela volta e como tratar

Menopausa precoce após endometriose: sinais de alerta

Procure avaliação médica quando houver:

  • interrupção ou alteração importante do ciclo antes dos 40 anos;
  • ciclos muito irregulares acompanhados de fogachos ou suor noturno;
  • sintomas de baixa hormonal após uma cirurgia nos ovários;
  • dúvida sobre quais órgãos foram retirados em uma cirurgia;
  • dor pélvica persistente ou progressiva;
  • sangramento vaginal depois da menopausa;
  • massa ou cisto ovariano novo;
  • dificuldade para engravidar associada à endometriose ou a cirurgias ovarianas.

Esses sinais não provam que exista menopausa precoce após endometriose. Eles mostram que vale investigar sem adiar.

FAQ: menopausa precoce após endometriose

Toda mulher com endometriose terá menopausa precoce?

Não. A endometriose pode aumentar o risco em alguns grupos, mas não determina o futuro de todas as mulheres. O risco merece mais atenção quando há endometriomas ovarianos, cirurgias repetidas ou retirada dos ovários.

Endometrioma significa que a menopausa está próxima?

Não. Um endometrioma pode estar associado a alterações na reserva ovariana, mas não consegue prever sozinho quando a menopausa acontecerá.

Retirar o útero causa menopausa?

Não necessariamente. A retirada do útero acaba com a menstruação, mas a menopausa depende principalmente da função dos ovários. Se eles forem preservados, podem continuar produzindo hormônios.

Retirar um ovário causa menopausa imediata?

Geralmente, não. O ovário restante pode continuar funcionando. A retirada dos dois ovários antes da menopausa natural é que provoca menopausa cirúrgica.

Parar de menstruar durante o tratamento é menopausa?

Nem sempre. Alguns medicamentos interrompem o sangramento e provocam sintomas semelhantes aos da menopausa enquanto estão sendo utilizados. É preciso diferenciar um efeito medicamentoso de uma alteração persistente da função ovariana.

Informação ajuda a substituir medo por cuidado

A menopausa precoce após endometriose pode acontecer, mas não é um destino inevitável.

A relação é mais complexa do que afirmar simplesmente que “a endometriose causa menopausa”. Localização da doença, presença de endometriomas, idade, histórico familiar e cirurgias nos ovários fazem parte dessa análise.

Depois dos 35 anos, conhecer o próprio histórico cirúrgico, observar mudanças no ciclo e não normalizar sintomas persistentes são atitudes importantes. Você não precisa esperar que os sinais se tornem intensos para conversar com um profissional.

Precisa de uma avaliação individualizada? Consulte o Diretório de Especialistas do Blog da Menopausa e encontre profissionais com atuação em saúde da mulher, endometriose, fertilidade e climatério.

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Referências

  1. EUROPEAN SOCIETY OF HUMAN REPRODUCTION AND EMBRYOLOGY. ESHRE Guideline: Endometriosis. 2022.
  2. ESHRE; ASRM; CRE WHIRL; INTERNATIONAL MENOPAUSE SOCIETY. International evidence-based guideline on premature ovarian insufficiency. 2024.
  3. CHUNG, H. F. et al. Association between endometriosis and type and age of menopause: a pooled analysis of 279,948 women from five cohort studies. Human Reproduction, 2025.
  4. EREL, C. T. et al. Endometriosis and menopausal health: an EMAS clinical guide. Maturitas, v. 202, art. 108715, 2025.
  5. YOUNIS, J. S. et al. Endometrioma surgery: a systematic review and meta-analysis of the effect on antral follicle count and anti-Müllerian hormone. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 226, n. 1, p. 33–51.e7, 2022. DOI: 10.1016/j.ajog.2021.06.102.
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