É comum notar mais varizes na menopausa (ou varizes ficando mais aparentes) durante essa fase. Às vezes pode ser um incômodo principalmente estético; em outras, é um sinal de que a circulação das pernas precisa de avaliação. A boa notícia: pequenas mudanças de rotina costumam ajudar bastante, e você não precisa “aguentar em silêncio”.
Antes de seguir, um ponto importante: o termo “varizes” pode significar coisas diferentes. Na classificação clínica usada na prática vascular, vasinhos e veias reticulares entram como alterações mais superficiais (C1) as famosas “varicoses”, enquanto varizes são veias dilatadas e tortuosas (C2). Quando aparecem inchaço (C3) e alterações de pele (como eczema/escurecimento), a atenção deve aumentar e é importante buscar um especialista.
Se você quer uma avaliação individual, procure um(a) profissional qualificado para te avaliar em nosso diretório de especialistas.
Vasinhos, veias reticulares e varizes: definição rápida
- Vasinhos: linhas finas avermelhadas/arroxeadas, bem superficiais.
- Veias reticulares: veias um pouco maiores, azuladas/esverdeadas, “em rede”.
- Varizes: veias dilatadas e tortuosas, que podem saltar e vir com peso, dor, coceira ou queimação.
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Varizes na menopausa: por que isso aparece nessa fase?
Na prática, o que mais pesa no climatério costuma ser a soma de fatores: mais tempo sentada, mudanças de peso e composição corporal, piora do sono e do sedentarismo, além da história familiar. Tudo isso pode favorecer doença venosa crônica/insuficiência venosa, em que as veias têm mais dificuldade de “empurrar” o sangue de volta ao coração e ele tende a “represar” nas pernas.
Varizes e doença venosa crônica se associam a sintomas como peso, cansaço, dor, coceira, edema e alterações de pele em casos mais avançados. Em muitas mulheres, o climatério funciona como “gatilho de percepção” (a variz já existia e fica mais sintomática) por mudanças de rotina e ganho de peso — não necessariamente por “ser culpa só do hormônio”.
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Quando o aparecimento de varizes na menopausa é mais estética
Em geral, tende a ser mais estética quando:
- é principalmente vasinho/reticular, sem sintomas relevantes;
- quando não há inchaço persistente;
- sem coceira intensa, ardor constante ou piora progressiva;
- sem alterações de pele (escurecimento, eczema) ao redor do tornozelo/canela.
Ainda assim, estética não significa “irrelevante”: se te incomoda, impacta autoestima e conforto, vale conversar com especialista sobre opções seguras.
Varizes na menopausa: quando é saúde
Aqui entram os sinais de que a circulação pode estar sofrendo mais — e que vale investigação de insuficiência venosa e seus riscos associados.
Busque ajuda se…
- tiver dor, peso, queimação, coceira ou cãibras frequentes associadas às veias, principalmente se pioram ao longo do dia;
- inchaço recorrente (principalmente no tornozelo/canela) ou sensação de “perna pesada” no fim do dia;
- alterações de pele (escurecimento, eczema/dermatite, pele mais endurecida) perto do tornozelo;
- ferida que demora a cicatrizar (úlcera), sangramento por variz, ou dor localizada com área endurecida (“cordão” doloroso).
Atenção imediata (sinais de alerta importantes): inchaço de uma perna só, dor forte repentina, vermelhidão/calor local e falta de ar exigem avaliação urgente para descartar problemas mais sérios, como trombose. São sintomas incomuns, mas precisam ser checados.
Se você marcou vários itens acima, busque um especialista no nosso diretório para uma avaliação e orientação personalizada.
Como aliviar varizes na menopausa no dia a dia
A ideia aqui é rotina “anti-represa” para as pernas, com ações simples e consistentes.
O que tende a ajudar e o que tende a piorar
| Ajuda no dia a dia | Costuma piorar |
|---|---|
| Pausas de movimento (2–5 min) ao longo do dia | Ficar muitas horas sentada ou em pé, sem pausa |
| Caminhada, bicicleta, musculação leve/moderada (regular) | Sedentarismo e longos períodos imóvel |
| Elevar as pernas por 10–20 min quando possível | Calor excessivo constante (banho muito quente prolongado) |
| Hidratação e atenção ao sal (se você incha fácil) | Alto consumo de ultraprocessados/sódio, que favorecem edema |
| Roupas confortáveis (sem apertar virilha/panturrilha) | Roupas muito compressivas e apertos “estrangulando” |
| Controle de peso e fortalecimento de panturrilha | Ganho de peso com piora de edema e desconforto |
Exemplos típicos : “tornozelo some” no fim do dia, marca funda da meia, sensação de peso depois de ficar em pé na cozinha/consultório, coceira na canela à noite.
E a meia de compressão?
A meia pode ajudar em sintomas (peso, edema, desconforto), mas o ajuste faz diferença: tamanho, modelo e compressão precisam ser orientados para não apertar demais ou não fazer efeito. Em especial no climatério, em que edema pode ter outras causas, vale individualizar.
Viagens longas e varizes na menopausa
Em viagens longas (carro/avião/ônibus), o principal é evitar ficar imóvel:
- mexa tornozelos e panturrilhas (flexão/extensão), faça contrações;
- levante e caminhe quando possível;
- hidrate-se e evite álcool em excesso;
- se você tem fatores de risco adicionais, converse com seu médico sobre meia de compressão bem ajustada.
Importante: a maioria das pessoas tem risco baixo de coágulos em viagem, mas o risco aumenta quando há outros fatores associados — por isso a orientação individual é mais segura.
Leia também: Pressão alta na menopausa: é culpa dos hormônios?
Exames e avaliação: o que costuma ser feito
Como triagem, o especialista avalia sinais, sintomas, pele, edema e histórico. Quando necessário, o exame mais usado para confirmar varizes e planejar conduta é o ultrassom com Doppler (duplex).
Conclusão
Na prática, o aparecimento de varizes na menopausa podem ser só um incômodo visual, mas também podem sinalizar que a circulação das pernas está pedindo atenção — especialmente quando há dor, peso, inchaço, coceira importante ou mudanças na pele. Se você quiser começar hoje, foque no básico que funciona: movimento frequente, fortalecimento de panturrilha, pausas na rotina e cuidado em viagens.
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Referências
NICE — Clinical Guideline CG168 (2013): Varicose veins: diagnosis and management
SBACV — Consenso no Tratamento da Insuficiência Venosa Crônica de Membros Inferiores
Eberhardt RT, Raffetto JD. Chronic venous insufficiency. Circulation (2014)
CDC Travelers’ Health — Blood Clots During Travel (página DVT)
CDC — Understanding Your Risk for Blood Clots with Travel (atualizado em 15 maio 2024)







