A expressão trombose na menopausa costuma dar um frio na barriga — e eu entendo. Aos 40+, a gente começa a ouvir histórias de “coágulo”, “trombose”, “embolia” e, de repente, tudo parece perigoso.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, prevenção é possível. E prevenção aqui não significa paranoia: significa conhecer os fatores de risco, reconhecer sinais de alerta e adotar medidas simples que reduzem muito as chances de um problema.
Neste guia, você vai entender o que muda na circulação após a menopausa, como a reposição hormonal entra nessa conversa e quando itens como meia de compressão podem ser úteis — com segurança e sem promessas fáceis.
Trombose na menopausa: o que é e por que importa
A trombose venosa profunda (TVP) acontece quando um coágulo se forma dentro de uma veia profunda, geralmente nas pernas. O maior risco é que esse coágulo se desprenda e vá para o pulmão, causando uma embolia pulmonar.
Isso não é para assustar. É para deixar claro por que vale a pena falar sobre trombose na menopausa com maturidade: é um tema sério, mas a maioria das mulheres pode reduzir riscos com orientação e hábitos bem práticos.
Trombose na menopausa: por que o risco pode aumentar após os 40
A menopausa, por si só, não “cria” trombose do nada. O que acontece é que, com o passar dos anos, alguns fatores se somam:
- Idade: o risco de trombose aumenta com o envelhecimento.
- Menos estrogênio circulante: a queda hormonal pode influenciar inflamação e função vascular de forma indireta.
- Mudanças corporais: ganho de peso e maior gordura abdominal podem afetar circulação.
- Sedentarismo e longos períodos sentada (trabalho, carro, avião): a bomba muscular da panturrilha fica “desligada”.
- Varizes e insuficiência venosa: pioram retorno do sangue.
- Condições associadas: hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia.
Por isso, quando falamos de trombose na menopausa, estamos falando de um conjunto de fatores. A fase da vida pode coincidir com mudanças que aumentam risco — e isso é exatamente o que torna a prevenção tão poderosa.
Um detalhe importante: trombose pode ser silenciosa
Muita gente só associa TVP a dor forte. Mas uma parte dos casos pode ter poucos sintomas. É mais um motivo para levar a sério medidas de prevenção em situações clássicas (viagens longas, pós-operatório, imobilização).
Sinais de alerta: quando procurar atendimento
Se você suspeita de trombose, o mais seguro é não esperar “passar”. Procure avaliação médica, principalmente se aparecer:
- Inchaço em uma perna só (ou assimetria clara entre as pernas)
- Dor ou sensibilidade que não tem explicação
- Calor, vermelhidão ou mudança de cor na pele
E sinais que exigem urgência (para investigar embolia pulmonar):
- Falta de ar súbita
- Dor no peito ao respirar fundo
- Tontura intensa/desmaio
- Batimentos acelerados sem motivo
Esses sintomas também podem ter outras causas — e é justamente por isso que vale investigar com profissional.
Trombose na menopausa e reposição hormonal: o que você precisa saber
A terapia hormonal pode ser uma ótima aliada para sintomas da menopausa em muitas mulheres. Mas, quando o assunto é trombose na menopausa, existe um ponto chave: o risco pode variar conforme a via e a composição.
Em linhas gerais (e sem substituir a consulta):
- Estrogênio oral costuma estar mais associado ao aumento de risco trombótico do que formas transdérmicas (adesivo/gel), em diferentes diretrizes e estudos.
- O risco também depende de dose, tipo de progestagênio, tempo de uso e fatores individuais.
Quem deve redobrar a conversa com o médico
A avaliação é ainda mais importante se você:
- Já teve trombose/embolia no passado
- Tem história familiar forte de trombose em idade jovem
- Fez cirurgia recente ou vai operar
- Fuma
- Tem obesidade, imobilização frequente ou varizes importantes
Aqui, a meta não é “proibir hormônio”. É personalizar e escolher a opção mais segura para o seu contexto.
Trombose na menopausa: prevenção prática no dia a dia
Pense na prevenção como um tripé: movimento + hidratação + reduzir tempo parada.
1) Movimente a panturrilha (a “bomba” das pernas)
- Caminhe alguns minutos a cada 60–90 minutos sentada.
- Faça flexão do tornozelo (ponta do pé para cima e para baixo) por 30–60 segundos.
- Intercale ficar sentada com ficar em pé, se possível.
2) Ajuste o que dá para ajustar no estilo de vida
- Se puder, priorize atividade física regular (inclusive caminhada já ajuda).
- Cuide do sono e do estresse: eles influenciam escolhas do dia a dia.
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Trombose na menopausa em viagens longas: o que fazer (voo, ônibus, carro)
Viagem longa é um dos cenários mais clássicos para aumentar risco de trombose, porque combina:
- muitas horas sentada
- pouco movimento de tornozelo
- desidratação relativa (ar seco do avião, café/álcool)
Checklist simples para viagens acima de 4 horas
- Levante e caminhe quando possível.
- Faça exercícios de tornozelo no assento.
- Evite cruzar as pernas por longos períodos.
- Beba água regularmente.
- Se você tem fatores de risco, converse com seu médico antes de viajar.
Meia de compressão na menopausa: quando ajuda e quando não
A meia de compressão (ou meia compressiva) pode ser útil para:
- reduzir inchaço e sensação de pernas pesadas
- melhorar o retorno venoso
- ajudar em viagens longas, especialmente em pessoas com maior risco ou tendência a edema
Em estudos com passageiros de voos longos, as meias de compressão reduziram a ocorrência de TVP assintomática em grupos semelhantes aos avaliados. Isso não significa “garantia”, mas é um recurso válido dentro de um plano de prevenção.
Se seu médico liberou e você quer uma opção para considerar (especialmente em viagens longas ou no pós-procedimento, quando indicado) nós indicamos as meias da Yoga Online que são indicadas para prevenção de trombose pré, intra e pós-operatório e condições médicas que requerem repouso prolongado.
Como escolher o tamanho e a compressão sem errar feio
- Tamanho importa: meia larga não comprime; meia apertada demais pode machucar.
- Prefira modelos com tabela de medidas (tornozelo/panturrilha).
- Se você nunca usou, vale começar com orientação (médico/angiologista/fisioterapeuta), especialmente se há varizes importantes.
Quando a meia de compressão pode ser contraindicada
Existem situações em que compressão pode não ser adequada, como em alguns casos de doença arterial periférica (problema nas artérias das pernas) ou feridas/infecções na pele.
Se você tem dor ao caminhar, pé muito frio, feridas que não cicatrizam ou diagnóstico vascular arterial, não comece por conta própria.
Trombose na menopausa: fatores de risco que merecem atenção extra
Você não precisa decorar uma lista — mas vale reconhecer os “cenários de risco”:
- Pós-operatório recente
- Fratura, gesso, imobilização
- Câncer em tratamento
- Viagens longas frequentes
- Uso de terapia hormonal sem avaliação individual
- Tabagismo
- Obesidade e sedentarismo
Se você se reconheceu em vários itens, não é motivo para medo. É motivo para fazer um plano preventivo com seu médico.
Perguntas frequentes sobre trombose na menopausa
Trombose na menopausa é comum?
O risco aumenta com a idade, mas a maioria das mulheres não terá trombose. O foco é identificar fatores individuais e agir nos pontos modificáveis.
Reposição hormonal sempre causa trombose na menopausa?
Não. O risco depende da via (oral vs transdérmica), dose, combinação e perfil individual. Por isso, a decisão deve ser personalizada.
Meia de compressão previne trombose na menopausa?
Meia de compreção pode reduzir o risco de TVP assintomática em viagens longas em estudos e ajuda bastante no inchaço e retorno venoso. Mas não substitui movimento, hidratação e avaliação médica em quem tem risco alto.
Tenho varizes: isso muda algo?
Varizes podem aumentar sintomas e refletir insuficiência venosa. Vale conversar com angiologista para orientar compressão, cuidados e prevenção.
Conclusão
Falar de trombose na menopausa não precisa ser um gatilho de ansiedade. Quando você entende seus riscos e aprende a agir no que é possível (movimento, pausas, hidratação, orientação sobre hormônios e, quando indicado, meia de compressão), você volta a ter sensação de controle.
Se algo aqui acendeu um alerta — principalmente sintomas em uma perna só ou falta de ar súbita — procure avaliação.
No mais: pequenos hábitos, repetidos com constância, valem muito.
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Referências
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- Barros VI, et al. Uso de hormônios e risco de tromboembolismo venoso. Febrasgo. Número 2 – 2024.
- Clarke MJ, Broderick C, Hopewell S, Juszczak E, Eisinga A. Compression stockings for preventing deep vein thrombosis in airline passengers. Cochrane Database Syst Rev. 2021 Apr 20;4(4):CD004002. doi: 10.1002/14651858.CD004002.pub4. PMID: 33878207; PMCID: PMC8092568.
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Informações de risco e prevenção de trombose associada a viagens, sinais e sintomas.
- Vinogradova Y, Coupland C, Hippisley-Cox J. Use of hormone replacement therapy and risk of venous thromboembolism: nested case-control studies using the QResearch and CPRD databases. BMJ. 2019 Jan 9;364:k4810. doi: 10.1136/bmj.k4810. Erratum in: BMJ. 2019 Jan 15;364:l162. doi: 10.1136/bmj.l162. PMID: 30626577; PMCID: PMC6326068.








