A sexualidade na menopausa costuma vir acompanhada de perguntas silenciosas: “Será que é normal eu ter menos desejo?”, “E se doer?”, “Como eu falo disso sem virar cobrança?”. Se você está vivendo algo assim, respira comigo: mudanças nessa fase são comuns e não significam o fim do prazer ou da intimidade.
A boa notícia é que a sexualidade na menopausa pode ganhar um novo formato — muitas vezes mais maduro, mais conversado e até mais gostoso — quando o casal aprende a cuidar do corpo, acolher as emoções e trazer leveza (e brincadeira) para a conexão.
Sexualidade na menopausa: o que muda no corpo
Na menopausa, a queda do estrogênio afeta tecidos, circulação e respostas do corpo ao estímulo. Isso pode interferir na excitação, no conforto e na disposição para o sexo — e entender esses “porquês” tira um peso enorme das costas.
Sexualidade na menopausa e a síndrome geniturinária
Um termo importante (e bem comum) é a Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM). Ela reúne sintomas como:
- ressecamento vaginal
- ardor ou irritação
- dor na relação (dispareunia)
- sensação de “atrito” mesmo com desejo
- urgência urinária ou desconfortos urinários
Esses sintomas têm tratamento e, na maioria dos casos, melhoram bastante com medidas adequadas.
Sexualidade na menopausa e o ciclo “dor → evitação”
Quando existe dor, é muito humano o corpo “aprender” a evitar o que machuca. Aí entra um ciclo difícil:
- tenta → dói
- vem medo/ansiedade
- evita
- diminui a confiança e a vontade
- aumenta a distância do casal
A regra aqui é simples e gentil: dor não é normal e não deve ser tolerada. Se algo incomoda, o caminho é ajustar — não insistir.
Sexualidade na menopausa: desejo também é cérebro e emoção
Desejo não é um botão hormonal. Ele é uma mistura de corpo + mente + contexto. Por isso, a sexualidade na menopausa sofre com coisas que parecem “não sexuais”, como estresse, sono ruim e sobrecarga mental.
Sexualidade na menopausa e o impacto do estresse e do sono
Cansaço crônico, ansiedade e noites mal dormidas derrubam energia, humor e libido. Às vezes, o primeiro passo para melhorar a sexualidade na menopausa não é “tentar mais” — é descansar melhor, reduzir tensão e recuperar vitalidade.
Leia também: Biohacking do sono: estratégias eficazes na perimenopausa
Sexualidade na menopausa e a qualidade da conexão do casal
Muitas mulheres descrevem que o desejo aparece quando se sentem:
- seguras
- admiradas
- escutadas
- com espaço emocional
- sem pressão de “ter que”
Aqui, “brincar” (combinados, jogos, desafios leves) não é infantilizar o casal — é criar um ambiente seguro para voltar a experimentar proximidade.
Sexualidade na menopausa: o que ajuda de verdade com passos práticos
Se você pudesse levar uma coisa deste artigo, que fosse isso: na sexualidade na menopausa, consistência é mais importante do que intensidade.
Sexualidade na menopausa e um check-in de 10 minutos
Uma conversa curta, sem julgamento, já muda o clima. Teste este roteiro:
- “Como você tem se sentido no seu corpo?”
- “O que te dá mais conforto e o que te tira do clima?”
- “O que você gostaria de receber mais: carinho, elogio, tempo, ajuda?”
- “Vamos escolher uma coisa leve para tentar essa semana?”
Dica de ouro: evite abrir a conversa na cama, “na hora H”. Prefira um momento neutro.
Sexualidade na menopausa e carinho sem meta
Quando o casal volta a se tocar com presença (sem obrigação de chegar “até o fim”), o corpo reaprende a sentir prazer com segurança.
Uma técnica usada em terapia sexual é o foco sensorial (às vezes chamado de sensate focus): explorar toque, respiração e atenção ao corpo sem colocar orgasmo ou penetração como objetivo.
Você pode começar assim:
- 10 minutos de abraço e respiração juntos
- depois, 10 minutos de carinho em áreas “neutras” (mãos, braços, costas, cabelo)
- se estiver confortável, ampliar aos poucos
- se algo incomodar, reduzir e ajustar
Isso fortalece confiança e pode melhorar muito a sexualidade na menopausa ao longo das semanas.
Sexualidade na menopausa e conforto físico: lubrificante, hidratante e avaliação médica
Para ressecamento e desconforto, costuma funcionar uma combinação de:
- lubrificante íntimo à base de água (para reduzir atrito no momento)
- hidratante vaginal (uso regular, para melhorar conforto ao longo dos dias)
- avaliação com ginecologista quando há dor persistente, ardor, fissuras, sangramento ou infecções recorrentes
Em casos moderados a intensos de SGM, diretrizes clínicas apontam que tratamentos locais (como terapias hormonais vaginais em baixa dose, quando indicadas) podem ser muito eficazes — e a decisão deve ser individualizada com profissional de saúde.
💡 Para se aprofundar: a fisioterapia pélvica pode ser uma grande aliada quando há dor, desconforto, tensão muscular ou dificuldade de relaxar na relação. Ela trabalha consciência corporal, mobilidade, relaxamento e fortalecimento quando necessário — sempre com acolhimento e respeito aos limites.
🎧 Ouça também: PodKefi 15 | Fisioterapia Pélvica: Saúde, Sexualidade e Autoestima para Mulheres 40+.
Sexualidade na menopausa e baixa libido persistente: quando investigar outras causas
Se a libido caiu muito e isso traz sofrimento, vale investigar:
- dor (mesmo “discreta”)
- medicamentos (antidepressivos, por exemplo)
- depressão/ansiedade
- problemas de relacionamento
- alterações da tireoide, anemia, diabetes
- imagem corporal e autoestima
Em casos específicos, existe discussão sobre terapias hormonais. Por exemplo, consensos internacionais apontam que testosterona tem indicação baseada em evidência apenas para algumas mulheres com transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD), sempre com prescrição e acompanhamento médico.
Sexualidade na menopausa: brincadeiras para reconectar o casal
A proposta aqui é simples: trazer novidade + leveza + consentimento para a rotina. Brincadeiras funcionam porque tiram o casal do “modo cobrança” e colocam no “modo curiosidade”.
Antes de começar, combinem dois pilares da sexualidade na menopausa:
- sem pressão: qualquer pessoa pode pausar ou parar
- sem adivinhação: vocês vão falar claramente o que está bom e o que não está
Sexualidade na menopausa e o “semáforo do consentimento”
Escolham palavras fáceis:
- Verde: “continua”
- Amarelo: “mais devagar / menos intenso”
- Vermelho: “para agora”
Isso aumenta segurança e melhora a experiência para os dois.
Sexualidade na menopausa: 12 ideias de brincadeiras leves (do simples ao mais íntimo)
Escolha 1 para testar nesta semana:
- Cartas de perguntas: cada um responde 3 perguntas sobre carinho, desejo e limites.
- Elogio guiado: 1 minuto dizendo o que admira no outro (sem ironia, sem “mas”).
- Encontro em casa: arrumar a mesa, música e conversa (sem celular).
- Massagem em turnos (5 min + 5 min): um cuida, depois troca.
- Banho a dois: com foco em relaxar e rir, não em performance.
- Caça ao tesouro: bilhetes com memórias boas e convites leves.
- Menu do carinho: cada um escolhe 2 itens (abraço, beijo, cafuné, massagem, conversa).
- Playlist do casal: 3 músicas que lembram vocês — e uma nova para “recomeço”.
- Noite do “slow”: 20 minutos só de presença e toque suave.
- Desafio do riso: contar a história mais engraçada do casal e terminar com abraço longo.
- Cartão de “hoje eu preciso de…”: cada um completa a frase (atenção, colo, apoio, desejo, silêncio).
- Jogo de intimidade (para adultos): se vocês gostam, jogos podem ajudar a conversar e propor desafios leves com regras claras.
Se você optar por jogos, escolha os que:
- priorizam conversa e conexão
- respeitam limites
- não colocam “obrigação” como regra
- permitem pular etapas sem culpa
Sexualidade na menopausa: como propor sem parecer cobrança
Uma frase certa abre portas. Três opções prontas:
- “Eu sinto falta da gente. Topa uma brincadeira leve, sem obrigação?”
- “Quero que seja bom e confortável pra nós dois. Vamos começar devagar?”
- “Se em algum momento ficar estranho, a gente ajusta. O objetivo é conexão.”
Na sexualidade na menopausa, o convite mais potente é o que transmite: segurança + liberdade + carinho.
Sexualidade na menopausa: quando é sinal de alerta
Procure avaliação (ginecologista, fisioterapeuta pélvica, sexologia/terapia) se houver:
- dor persistente na relação
- sangramento após relação
- ardor intenso, fissuras, feridas
- infecções recorrentes
- queda importante de desejo com sofrimento emocional
- ansiedade intensa associada ao sexo
A SGM é frequente e tratável, e existem recomendações claras sobre opções não hormonais e hormonais conforme intensidade dos sintomas.
Perguntas frequentes sobre sexualidade na menopausa
Sexualidade na menopausa acaba?
Não. Ela muda. Muitas mulheres relatam uma vida sexual satisfatória quando encontram conforto físico e reconexão emocional.
Ressecamento vaginal tem solução?
Na maioria dos casos, sim: lubrificantes, hidratantes vaginais e, quando indicado, terapias locais.
Dá para ter prazer sem penetração?
Sim. Prazer é mais amplo do que um “tipo” de relação. Toque, presença, intimidade e criatividade contam muito.
Meu parceiro acha que é “falta de interesse”. Como explico?
Explique que desejo depende de conforto e contexto. Convide para cuidar disso juntos, sem culpa.
Leia também
- Bexiga hiperativa na menopausa: urgência e noctúria
- Saúde do Intestino na Menopausa: O Eixo Cérebro-Intestino
- Masturbação na menopausa: o que a ciência descobriu
- Sexo na menopausa: por que manter relações reduz sintomas
Conclusão
Se a sexualidade na menopausa tem sido um tema sensível para você, comece pequeno: escolha uma brincadeira desta lista e teste por uma semana, sem cobrança. Pequenos “sim” repetidos criam uma nova história no corpo e no relacionamento.
Quer receber conteúdos práticos e acolhedores toda semana? Assine gratuitamente a newsletter do Blog da Menopausa e continue navegando pelos nossos guias de bem-estar, sono, corpo e relacionamentos.
Referências
- The NAMS 2020 GSM Position Statement Editorial Panel. The 2020 genitourinary syndrome of menopause position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2020 Sep;27(9):976-992. doi: 10.1097/GME.0000000000001609. PMID: 32852449.
- FEBRASGO. Síndrome geniturinária da menopausa: posição oficial, 2022.
- Johnston S, Bouchard C, Fortier M, Wolfman W. Guideline No. 422b: Menopause and Genitourinary Health. J Obstet Gynaecol Can. 2021 Nov;43(11):1301-1307.e1. doi: 10.1016/j.jogc.2021.09.001. Epub 2021 Sep 8. PMID: 34506989.
- Hocké C, Diaz M, Bernard V, Frantz S, Lambert M, Mathieu C, Grellety-Cherbero M. Syndrome génito-urinaire de la ménopause (SGUM). RPC les femmes ménopausées du CNGOF et du GEMVi [Genitourinary menopause syndrome. Postmenopausal women management: CNGOF and GEMVi clinical practice guidelines]. Gynecol Obstet Fertil Senol. 2021 May;49(5):394-413. French. doi: 10.1016/j.gofs.2021.03.025. Epub 2021 Mar 20. PMID: 33757926.
- Davis SR, Baber R, Panay N, Bitzer J, Perez SC, Islam RM, Kaunitz AM, Kingsberg SA, Lambrinoudaki I, Liu J, Parish SJ, Pinkerton J, Rymer J, Simon JA, Vignozzi L, Wierman ME. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. J Sex Med. 2019 Sep;16(9):1331-1337. doi: 10.1016/j.jsxm.2019.07.012. PMID: 31488288.
- Treatment of Urogenital Symptoms in Individuals With a History of Estrogen-dependent Breast Cancer: Clinical Consensus. Obstet Gynecol. 2021 Dec 1;138(6):950-960. doi: 10.1097/AOG.0000000000004601. PMID: 34794166.








