Quando falamos de saúde íntima no verão, é comum eu receber no consultório mulheres com queixas de ardor, coceira, irritação e alterações de corrimento. E isso não acontece “do nada”: calor, suor, praia, piscina e roupas úmidas podem mexer com o equilíbrio natural da vulva e da vagina.
A boa notícia é que, com hábitos simples — e atenção aos sinais do corpo — dá para proteger a região íntima e curtir a estação com mais conforto. A seguir, eu reuni orientações práticas e seguras para você aplicar no dia a dia.
Saúde íntima no verão: por que a região íntima sofre mais?
O verão combina três fatores que irritam a região íntima:
- Umidade prolongada (biquíni molhado, roupa de treino suada)
- Atrito (caminhadas, areia, roupas justas)
- Produtos e químicos (cloro da piscina, fragrâncias, lenços perfumados)
A vulva é pele — e pode inflamar com facilidade. Já a vagina tem uma microbiota própria, que ajuda a manter o pH e a proteção local. Quando o ambiente fica mais quente e úmido, algumas mulheres ficam mais suscetíveis a irritações e a desequilíbrios.
Saúde íntima no verão em mulheres 40+
Se você está na perimenopausa ou menopausa, pode perceber a região mais sensível. Isso acontece porque, com a queda de estrogênio, é mais comum ter:
- ressecamento
- microfissuras (pequenos “cortes” que ardem)
- maior sensibilidade a perfumes e sabonetes agressivos
Saúde íntima no verão: checklist de hábitos que funcionam
A base da prevenção é simples: menos umidade, menos atrito e menos irritantes.
1) Troque o biquíni molhado o quanto antes
Ficar muito tempo com a peça úmida mantém calor e umidade na região íntima. O ideal é:
- levar uma calcinha/biquíni seco na bolsa
- trocar assim que sair do mar/piscina
- secar com delicadeza, sem esfregar
2) Prefira calcinhas de algodão
No dia a dia, escolha tecidos que deixam a pele “respirar”. O algodão ajuda a reduzir abafamento e atrito.
Se você ama roupa fitness justa, combine com duas atitudes:
- troque após o treino
- não fique horas com a roupa suada
3) Sempre que possível, durma sem calcinha
Para muitas mulheres, dormir sem calcinha ajuda a diminuir umidade e atrito, especialmente em dias de muito calor.
Se você não se sente confortável, tudo bem: priorize apenas uma peça leve e respirável.
4) Evite duchas íntimas e sabonetes perfumados
Aqui eu preciso ser direta: ducha interna não é cuidado — é risco. Ela pode remover a proteção natural e favorecer desequilíbrios.
Na higiene diária:
- lave apenas a parte externa (vulva)
- use sabonete neutro, sem perfume
- evite desodorantes íntimos, sprays e lenços perfumados
5) Depois da praia/piscina: enxágue e vista roupa seca
Cloro e sal podem ressecar e irritar. Ao chegar:
- faça um enxágue rápido
- seque bem
- troque por roupa íntima seca
O que evitar no verão: erros comuns
Alguns hábitos parecem inofensivos, mas pioram bastante a região íntima:
- absorvente diário todo dia (aumenta abafamento)
- roupas muito apertadas por longos períodos
- “produtos íntimos” com fragrância
- automedicação repetida para “candidíase” sem avaliação
Se você trata por conta própria e volta a ter sintomas, vale investigar. Coceira e ardor podem ser irritação, dermatite, candidíase, vaginose e até outras condições — e cada uma tem conduta diferente. Sempre caso isso ocorra.
Saúde íntima no verão: sinais de alerta
Eu sempre digo: seu corpo avisa. Procure avaliação se você tiver:
- coceira intensa ou que não melhora em poucos dias
- ardor persistente
- dor, fissuras ou sangramento
- corrimento com odor forte, mudança de cor ou aumento importante
- dor ao urinar, urgência urinária, febre ou dor lombar
Dica prática: “corrimento com odor” e ardor que não passam não são “normais do verão”. É sinal de que algo precisa ser avaliado.
Saúde íntima no verão para mulheres 40+: cuidados extras
Se você tem ressecamento vaginal, ardor com facilidade ou infecções urinárias recorrentes, converse com sua médica sobre estratégias de proteção para essa fase.
Algumas mulheres se beneficiam de:
- hidratantes vaginais (uso regular)
- lubrificantes para reduzir atrito
- investigação de fatores associados (diabetes, imunidade, uso de antibióticos, mudanças hormonais)
A escolha do melhor caminho é individual — e faz diferença na qualidade de vida.
Perguntas frequentes sobre saúde íntima no verão
Biquíni molhado “dá” candidíase?
Não é que o biquíni “cause” sozinho, mas umidade e abafamento podem favorecer desconfortos e facilitar desequilíbrios em quem já tem predisposição. Trocar a peça úmida é uma das medidas mais eficazes.
Piscina causa infecção?
Piscina não “transmite” infecção vaginal como se fosse contagiosa, mas cloro e mudanças no ambiente podem irritar a vulva e, em algumas mulheres, desencadear sintomas.
Posso usar sabonete íntimo todos os dias?
A região íntima não precisa de fragrância para estar limpa. Se você usa algo, prefira produto neutro e evite exageros. No dia a dia, o essencial é higiene delicada e evitar irritantes.
Conclusão
Cuidar da saúde íntima no verão é um ato de autocuidado: pequenas escolhas no dia a dia reduzem irritação, desconforto e risco de desequilíbrios.
Se aparecerem sinais de alerta — coceira intensa, ardor persistente, dor ou corrimento com odor — não normalize. Agende uma consulta com um especialista para avaliar a causa e tratar corretamente.
Sobre a autora
Dra. Ana Bettega | CRM 37258 — médica com foco em saúde da mulher e protocolos 40+. Atua com cuidado integral e orientações práticas para qualidade de vida no climatério e menopausa.








