Você percebeu que, depois dos 40, começaram a aparecer manchas acastanhadas no rosto ou nos braços que parecem não sair por nada? Esse quadro pode ser melasma na menopausa, uma condição de hiperpigmentação crônica e recorrente, muito comum em mulheres e que costuma piorar com sol e hormônios.
O melasma se manifesta como manchas marrons ou acinzentadas, de contorno irregular, geralmente simétricas, em áreas que tomam mais sol, como:
- Testa, bochechas, nariz e buço
- Colo, pescoço e dorso
- Braços e antebraços (principalmente após anos de exposição)
Além do impacto estético, o melasma pode mexer com a autoestima, a forma de se vestir e até a vontade de sair em fotos. A boa notícia é que, embora não exista “cura definitiva”, é possível controlar o melasma na menopausa com informação, rotina de cuidado e acompanhamento profissional.
Melasma na menopausa: o que muda com os hormônios?
Durante a fase reprodutiva, estrogênio e progesterona influenciam diretamente a atividade dos melanócitos (as células que produzem melanina). Por isso, uso de anticoncepcionais e gravidez são fases clássicas de aparecimento ou piora do melasma.
Na menopausa, o cenário muda – mas não necessariamente para melhor:
- A queda do estrogênio não “apaga” o melasma já existente.
- A pele fica mais fina, ressecada e com sinais de fotoenvelhecimento acumulado.
- A combinação entre hormônios (quando há terapia de reposição), sol e genética continua favorecendo as manchas.
Menopausa, TRH e melasma extrafacial
Um ponto importante sobre melasma na menopausa é o chamado melasma extrafacial, quando as manchas aparecem em áreas como braços, antebraços, dorso e pescoço.
Estudos mostram que:
- Uma grande parte das mulheres com melasma extrafacial está no pós-menopausa.
- As manchas faciais podem clarear ao longo de anos, enquanto surgem novas manchas em áreas cronicamente expostas ao sol.
- Em algumas mulheres, o uso de terapia de reposição hormonal (TRH) com estrogênio e progesterona está associado à piora ou ao surgimento de manchas.
Isso não significa que TRH “cause” melasma na menopausa em todas as mulheres, mas que hormônios podem potencializar o efeito do sol em quem já tem predisposição.
Quando conversar com a médica sobre hormônios e manchas
Procure sua ginecologista ou endocrinologista se você notar:
- Manchas novas ou mais escuras pouco tempo depois de iniciar TRH ou outro hormônio.
- Melasma que piora muito no verão, mesmo com proteção básica.
- Dúvida se a dose ou o tipo de hormônio é o mais adequado para o seu caso.
O ajuste de hormônios é sempre uma decisão individual, que deve considerar sintomas da menopausa, riscos, benefícios e também o impacto na pele.
Sol, luz visível e melasma na menopausa: por que a pele mancha mais?
Mesmo quem nunca teve melasma na juventude pode perceber que, após os 40, a pele mancha com mais facilidade. Isso não é só culpa da menopausa: é o resultado de um saldo de anos de exposição solar somado às mudanças hormonais e estruturais da pele.
Como a radiação agrava o melasma na menopausa
Alguns pontos-chave:
- Raios UVB: queimam, estimulam a produção de melanina e podem escurecer manchas existentes.
- Raios UVA (especialmente UVA1): penetram mais fundo, aceleram o fotoenvelhecimento e deixam a pigmentação mais persistente.
- Luz visível (especialmente azul-violeta): é responsável por parte importante da energia solar e, em peles morenas e negras, pode causar hiperpigmentação mais intensa e duradoura.
Na prática, isso significa que, na fase do melasma na menopausa, a pele tende a reagir mais fortemente à luz – e não apenas ao “sol forte de praia”. Caminhar, dirigir, sentar perto da janela, fazer atividades ao ar livre no dia a dia: tudo isso conta.
Por que o protetor solar com cor é tão importante
Para quem tem melasma na menopausa, usar “qualquer protetor” pode não ser suficiente. Idealmente, o protetor deve:
- Ter FPS 30 ou mais e proteção para UVA;
- Conter filtros físicos/pigmentos (como óxidos de ferro), que ajudam a bloquear a luz visível;
- Ser reaplicado ao longo do dia, especialmente em exposições prolongadas.
Além do protetor, entram no time de proteção:
- Chapéus de aba larga;
- Óculos de sol com boa proteção UV;
- Roupas com trama fechada ou tecido com proteção UV;
- Preferir sombra e evitar exposição entre 10h e 16h.
Esses cuidados são a base de qualquer estratégia de controle do melasma na menopausa, inclusive quando você faz procedimentos ou usa cremes específicos.
Alimentação e melasma na menopausa: o que a ciência já sabe
É tentador acreditar em promessas do tipo “esta dieta elimina o melasma em 7 dias”. Mas os estudos mostram que a relação entre alimentação e melasma na menopausa é mais complexa – e bem menos milagrosa.
O que a dieta sozinha não faz
Pesquisas com mulheres com e sem melasma indicam que:
- Não há um padrão alimentar único que explique quem terá ou não melasma.
- O consumo dietético de antioxidantes, isoladamente, não parece determinar a presença da doença.
Ou seja: não existe, até o momento, uma “dieta anti-melasma” com efeito garantido.
Padrão alimentar que ajuda a pele (e o resto do corpo)
Por outro lado, sabemos que inflamação crônica e estresse oxidativo favorecem diversos problemas de pele. Por isso, faz sentido pensar em uma alimentação que ajude o organismo como um todo:
- Priorizar frutas, verduras e legumes coloridos (fontes de antioxidantes naturais);
- Consumir gorduras boas (como peixes gordurosos, azeite de oliva, castanhas e sementes);
- Preferir grãos integrais em vez de refinados;
- Reduzir o excesso de açúcares e ultraprocessados;
- Beber água ao longo do dia.
Um ponto de atenção é o álcool: alguns estudos apontam associação entre consumo de bebidas alcoólicas e maior risco de melasma. Isso não significa que uma taça de vinho isolada causará manchas, mas reforça a importância de avaliar o consumo regular de álcool, especialmente na menopausa.
Se você pensa em usar suplementos antioxidantes (como vitamina C, glutationa ou extratos específicos), o ideal é conversar antes com um(a) profissional de saúde para avaliar necessidade, dose e possíveis interações.
Tratamentos para melasma na menopausa: o que conversar com a dermatologista
Se você está lidando com melasma na menopausa, um passo importante é marcar consulta com dermatologista para traçar um plano individualizado. O tratamento costuma combinar diferentes estratégias ao longo do tempo.
Cremes despigmentantes e skincare
Entre as opções mais usadas estão:
- Combinações com hidroquinona (muitas vezes associada a retinoides e corticoide em curto prazo);
- Ácido azelaico, ácido kójico, ácido tranexâmico tópico;
- Derivados de vitamina C e outros antioxidantes tópicos.
Essas fórmulas podem clarear as manchas e melhorar a textura da pele, mas devem ser usadas com orientação, tempo limitado em alguns casos e sempre junto com fotoproteção rigorosa.
Procedimentos e tratamentos sistêmicos
A dermatologista pode sugerir, de acordo com seu tipo de pele e padrão de melasma:
- Peelings químicos de diferentes intensidades;
- Microagulhamento, radiofrequência fracionada ou tecnologias combinadas;
- Laser (como Nd:YAG em protocolos específicos para melasma);
- Ácido tranexâmico oral, em doses baixas e por período determinado, quando há indicação.
É importante ter expectativas realistas: o objetivo é clarear e controlar o melasma na menopausa, e não “apagar para sempre”. Mesmo após bons resultados, a manutenção é fundamental.
Manutenção: o cuidado que continua depois do consultório
Depois da fase inicial de tratamento, costuma ser necessário:
- Manter fotoproteção intensa todos os dias;
- Usar cremes de manutenção algumas noites da semana, conforme orientação;
- Reavaliar, de tempos em tempos, se há necessidade de novos ciclos de tratamento.
Pense no melasma na menopausa como uma condição crônica, mas controlável – assim como cuidar da pressão, do colesterol ou da saúde óssea.
Melasma, autoestima e menopausa: quando as manchas pesam na vida
Para muitas mulheres, o melasma na menopausa não é apenas uma questão “cosmética”. Ele pode mexer com a forma como você se enxerga e com a relação com o próprio corpo.
Alguns sinais de alerta:
- Evitar sair em fotos ou vídeos por causa das manchas;
- Deixar de ir à praia, piscina ou eventos ao ar livre por vergonha da pele;
- Usar maquiagem como “máscara” obrigatória, com ansiedade se estiver sem cobertura;
- Sentir tristeza, irritação ou culpa toda vez que se olha no espelho.
Nesses casos, além do cuidado dermatológico, pode ser valioso buscar apoio psicológico.
Cuidar da pele sem culpa e sem perfeccionismo
Uma abordagem compassiva inclui:
- Entender que o melasma é multifatorial e não é “culpa sua”;
- Lembrar que envelhecer é um processo natural – e que a pele conta essa história;
- Escolher tratamentos que façam sentido para você, sem pressão para atingir um padrão irreal.
Se esse tema mexe muito com a sua autoimagem, vale também acompanhar conteúdos que falem de autoestima e inteligência emocional na menopausa, como episódios do PodKefi que tratam dessas questões.
Melasma na menopausa em resumo: o que você pode fazer hoje
Para organizar as ideias, aqui vai um resumo prático sobre melasma na menopausa:
- Melasma é uma condição crônica, influenciada por genética, hormônios e sol.
- Na menopausa, as manchas podem mudar de lugar e surgir em áreas extrafaciais (como braços e colo).
- Terapia hormonal pode, em algumas mulheres, intensificar o melasma – por isso é importante discutir o tema com a médica.
- Fotoproteção 360° (protetor com cor, chapéu, óculos, sombra) é o pilar do controle.
- Alimentação equilibrada, pouco álcool e rotina de cuidado com a pele ajudam, mas não substituem o acompanhamento profissional.
- Tratar melasma na menopausa é um processo: exige paciência, manutenção e gentileza com você mesma.
Leia também
Para aprofundar o tema e cuidar da sua saúde de forma integral, confira também no Blog da Menopausa:
- Álcool e menopausa: o que a ciência já sabe
- Menopausa e saúde mental: 7 impactos e como lidar
- http://Sono na menopausa: como dormir bem protege o coração
E, se o assunto autoestima e corpo na meia-idade toca você, vale ouvir o PodKefi em episódios que abordam inteligência emocional e autoconfiança na menopausa.
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Referências bibliográficas
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- Ogbechie-Godec OA, Elbuluk N. Melasma: an up-to-date comprehensive review. Dermatol Ther (Heidelb). 2017;7(3):305–318.
- Cassiano DP, et al. Update on melasma: Part II—Treatment. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2022;15:2499–2516.








