A libido na menopausa costuma sofrer oscilações — e essa é uma queixa comum, mas absolutamente compreensível. No climatério, mudanças hormonais, emocionais e de estilo de vida se entrelaçam, afetando o desejo sexual. Mas, ao contrário do que muitas pensam, isso não significa o fim do prazer. Este artigo é um convite ao autoconhecimento, à escuta do corpo e à redescoberta da sexualidade com leveza e liberdade.
Por que a libido na menopausa costuma cair?
Durante a transição para a menopausa — chamada de climatério — o corpo da mulher passa por mudanças hormonais profundas. A principal delas é a redução progressiva dos níveis de estrogênio e progesterona, hormônios fundamentais para o funcionamento do ciclo reprodutivo e para o equilíbrio de funções como o humor, o sono, a lubrificação vaginal e, claro, o desejo sexual.
A queda do estrogênio afeta diretamente a região genital. A mucosa vaginal torna-se mais fina, menos lubrificada e menos elástica, o que pode causar dor durante a relação sexual (dispareunia). Já a diminuição da testosterona — sim, as mulheres também produzem esse hormônio — pode impactar a libido e a sensibilidade sexual.
Além dos aspectos fisiológicos, há fatores emocionais e culturais envolvidos. O estigma da menopausa, associado à ideia de “fim da fertilidade” e “envelhecimento”, pode abalar a autoestima e a autoimagem feminina. E quando somamos isso a noites mal dormidas, ondas de calor e irritabilidade, o desejo sexual realmente tende a diminuir.
A queda da libido na menopausa é normal?
Sim, é comum que a libido mude nessa fase. Mas é importante distinguir o que é uma adaptação saudável do que representa sofrimento ou prejuízo à qualidade de vida. Ter menos desejo sexual não é, por si só, um problema. O que importa é como isso é sentido por você.
De acordo com uma pesquisa publicada na revista J Women & Aging, muitas mulheres gostariam de saber se a queda da libido faz parte do “normal” do envelhecimento, para decidir se buscam ajuda ou apenas se adaptam à nova fase. O conceito de “normalidade” sexual é extremamente pessoal e cultural. Por isso, o foco deve estar menos na comparação e mais no bem-estar individual.
Se você está confortável com seu desejo atual, mesmo que ele tenha diminuído, não há razão para preocupação. Mas se sente frustração, angústia ou desconexão emocional por causa disso, vale investigar o que pode estar por trás e buscar soluções.
Quais os sinais de alerta para a saúde sexual?
A queda da libido só se torna um problema quando gera sofrimento. Fique atenta aos seguintes sinais:
- Você sente dor ou desconforto durante a relação sexual?
- O desejo sexual desapareceu completamente, mesmo em situações prazerosas?
- Você se sente menos mulher ou menos valorizada por conta da libido?
- Há impacto negativo na relação afetiva ou na sua autoestima?
Se você respondeu “sim” para uma ou mais perguntas, é hora de olhar com carinho para sua saúde sexual e buscar apoio. A boa notícia é que há caminhos possíveis — e vamos falar deles a seguir.
Como redescobrir o prazer na menopausa
1. Reconheça seu momento com empatia
O primeiro passo é abandonar o julgamento. Seu corpo está mudando, e isso não é sinal de fraqueza ou falha. Encarar a sexualidade como algo dinâmico — que pode ser ressignificado — é libertador. Permita-se viver novas formas de prazer, no seu tempo e com suas próprias regras.
2. Cuide da saúde vaginal
Se há dor ou desconforto nas relações sexuais, procure uma ginecologista. Lubrificantes à base de água ou silicone ajudam a aliviar a secura vaginal. Hidratantes vaginais de uso contínuo e terapias locais com estrogênio (como cremes ou óvulos) podem ser indicados, especialmente quando há atrofia genital. Há ainda opções não hormonais como o ácido hialurônico e, em alguns casos, laser íntimo.
3. Converse sobre libido com quem divide sua intimidade
Falar sobre sexo com naturalidade ainda é um desafio — mas é fundamental. Muitas mulheres sentem vergonha ou culpa por não sentirem mais vontade como antes. Abra espaço para conversas sinceras com seu(sua) parceiro(a), sem cobranças. Isso fortalece o vínculo e permite ajustes amorosos, respeitando os desejos e limites de ambos.
4. Cultive o toque e o erotismo no cotidiano
Nem todo prazer precisa passar pelo ato sexual. Beijos demorados, abraços apertados, massagens, olhares demorados — tudo isso alimenta a conexão e o desejo. Redescobrir o corpo como território de prazer (e não de cobrança) é um ato de reconciliação consigo mesma.
5. Mantenha o corpo em movimento
Exercícios físicos estimulam a circulação, regulam os hormônios e melhoram o humor. Yoga, pilates, dança, caminhadas… Escolha o que te dá prazer. Movimentar o corpo também ajuda a reconectar-se com a sua potência, sua vitalidade e seu próprio ritmo.
6. Olhe com carinho para a sua imagem
A forma como nos vemos influencia diretamente o desejo. A autoestima pode ser abalada pelas mudanças corporais do climatério, mas é possível ressignificá-las. Cuide de si, vista-se para você, elogie-se. A beleza madura tem brilho próprio — e merece ser celebrada.
7. Invista em autoconhecimento e acolhimento emocional
Terapias integrativas, psicoterapia, meditação e rodas de conversa com outras mulheres podem ajudar você a entender melhor suas emoções, seu corpo e sua história sexual. A reconexão com o prazer passa, muitas vezes, por curar feridas antigas, liberar crenças limitantes e reescrever a relação com o próprio desejo.
É possível tratar a libido na menopausa?
Sim. Dependendo do caso, uma abordagem multidisciplinar pode ser indicada, envolvendo:
- Ginecologia: avaliação hormonal, uso de terapias hormonais locais ou sistêmicas, quando indicadas
- Psicoterapia: especialmente terapia sexual e terapia cognitivo-comportamental
- Nutrologia: suporte com vitaminas, suplementos e alimentação adequada
- Fisioterapia pélvica: melhora a sensibilidade e o tônus muscular do assoalho pélvico
Em alguns casos, o uso de testosterona bioidêntica ou medicamentos como o flibanserin pode ser considerado, sempre com orientação médica.
Sexualidade após os 40: fim ou recomeço?
É importante desmistificar a ideia de que o desejo sexual tem prazo de validade. A maturidade pode ser um terreno fértil para uma sexualidade mais consciente, livre de expectativas alheias e repleta de descobertas.
Você não precisa reproduzir o que era antes. Pode (re)escrever sua história íntima com novas palavras, novos significados, novos afetos. O desejo pode adormecer por um tempo — mas ele também pode despertar, reinventado.
Assista ao episódio PodKefi 15 | Fisioterapia Pélvica: Saúde, Sexualidade e Autoestima.
Neste episódio do PodKefi, a fisioterapeuta Patrícia Marafão explica como o cuidado com o assoalho pélvico pode melhorar a libido, a autoestima e o bem-estar feminino após os 40. Uma conversa direta e acolhedora sobre saúde íntima, prazer e qualidade de vida.
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