IST na menopausa: riscos reais e como se proteger

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Mãos 55–65 segurando preservativo vermelho; foco em prevenção de IST na menopausa.

As infecções sexualmente transmissíveis na menopausa (IST na menopausa), são infecções causadas por vírus, bactérias ou parasitas transmitidas principalmente pelo contato sexual. IST na menopausa é um tema cercado de tabus, mas falar sobre ele é um ato de cuidado consigo mesma.

Após os 50, muitas mulheres vivem uma fase de redescoberta da sexualidade — novos relacionamentos, aplicativos de namoro, mais autonomia. Ao mesmo tempo, a percepção de risco cai (gravidez deixa de ser preocupação) e os exames de rotina nem sempre incluem testagem para infecções. O resultado? Diagnósticos tardios que poderiam ser evitados com informação e acolhimento.

Nosso convite é simples: sem medo e sem julgamentos. Vamos entender por que o risco de IST pode aumentar após a menopausa e como se proteger, mantendo o prazer e a saúde em primeiro lugar.


IST na menopausa: por que o risco cresce

Sexualidade ativa não tem idade. Com a longevidade, a vida sexual permanece — e, em muitos casos, se intensifica. Três fatores ajudam a explicar o aumento do risco:

  • Menor uso de preservativo: sem a preocupação com a gestação, muitas vezes o preservativo é abandonado, especialmente em novos relacionamentos.
  • Novos parceiros e apps de namoro: mais encontros, mais variedade de parceiros e, portanto, maior exposição.
  • Sintomas silenciosos: sinais iniciais podem ser confundidos com queixas comuns do climatério (ex.: secura e desconforto vaginal), dificultando o reconhecimento de uma possível infecção.

Sexualidade ativa após os 50: o que mudou

A sexualidade nessa fase costuma vir acompanhada de autoconhecimento e desejo de qualidade. O que precisa mudar é a percepção de risco e o hábito de testagem regular — atitudes que protegem você e o(a) parceiro(a).

Sífilis e HIV: tendências e alerta no Brasil

Estudos brasileiros apontam tendência de aumento de sífilis e diagnósticos tardios de HIV em pessoas 60+. Isso não é motivo para pânico; é um chamado à prevenção: testagem, preservativo e diálogo ativo com profissionais de saúde.


Rastreio de IST na menopausa: quando testar e quais exames

A testagem é parte do autocuidado, especialmente quando há novos parceiros. Discuta com seu/sua ginecologista ou clínico(a) os exames abaixo:

  • Sífilis: testes rápidos (TR) e/ou VDRL/FTA-ABS conforme orientação clínica.
  • HIV: teste rápido de 4ª geração e/ou sorologia convencional.
  • Hepatites B e C: sorologias específicas; verifique situação vacinal para hepatite B.
  • Gonorreia e clamídia: pesquisa por biologia molecular (NAAT/PCR) quando indicado.
  • HPV e lesões cervicais: siga o calendário do rastreamento do colo do útero; o Papanicolau continua importante, conforme orientação médica.

Sinais que merecem atenção (mesmo sem sintomas)

  • Corrimento atípico, coceira, odor diferente.
  • Ardor ao urinar, dor pélvica ou sangramento fora do esperado.
  • Lesões, feridas ou bolhas na região genital.
  • Atenção: muitas IST podem ser assintomáticas. Por isso, a testagem periódica é chave.

Periodicidade se você tem novos parceiros

  • Antes de iniciar um novo relacionamento sexual, converse sobre testagem de ambos.
  • Anualmente se você é sexualmente ativa e tem (ou pode ter) novos parceiros.
  • Imediatamente em caso de sintomas ou exposição de risco (ex.: preservativo rompeu).

Como prevenir IST na menopausa sem abrir mão do prazer

Prevenção não significa abrir mão do desejo — pelo contrário, dá tranquilidade e melhora a experiência.

Preservativo externo e interno: qual escolher e como usar

  • Externo (masculino): amplamente disponível; verifique validade e integridade da embalagem.
  • Interno (feminino): alternativa ótima quando você deseja mais autonomia.
  • Dicas universais: use lubrificante à base de água para reduzir atrito, coloque antes do contato íntimo e troque a cada relação. Não use dois preservativos ao mesmo tempo (aumenta o risco de romper).

Lubrificantes, secura vaginal e conforto na relação

A secura vaginal é comum no climatério e pode causar microfissuras, aumentando o desconforto. Ajustes que ajudam:

  • Lubrificantes à base de água ou silicone durante a relação.
  • Tratamento da atrofia vulvovaginal quando indicado por profissional de saúde.
  • Preliminares, ritmo e comunicação: prazer e conforto andam juntos.

Vida sexual, apps e novos relacionamentos: acordos de segurança

Novos encontros são parte da vida — e podem ser deliciosos. Combine acordos claros:

  • Testagem do casal antes de abandonar o preservativo.
  • Exclusividade ou não: alinhe expectativas para evitar riscos e frustrações.
  • Conversa franca sobre histórico sexual e vacinação (hepatite B, HPV conforme faixa etária e indicação médica).

Checklist de prevenção de IST na menopausa (passo a passo)

  1. Use preservativo (externo ou interno) em todas as relações com novos parceiros.
  2. Faça testagem regular: ao iniciar um novo relacionamento e, se sexualmente ativa, anualmente.
  3. Leve o tema para a consulta: peça explicitamente exames de IST.
  4. Cuide do conforto: trate secura/atrofia; use lubrificante à base de água.
  5. Alinhe acordos com o parceiro: exclusividade, testagem e vacinação.
  6. Atenção a sinais (ou ausência deles): muitas IST são silenciosas.
  7. Não compartilhe objetos cortantes; cuide da higiene de acessórios íntimos.
  8. Busque informação de qualidade e evite automedicação.

Consulta sem constrangimentos: como pedir testagem

Você tem direito a um atendimento acolhedor e sem julgamentos. Para facilitar:

O que levar e perguntas essenciais

  • Sua lista de dúvidas e histórico de sintomas.
  • Relação de medicamentos utilizados.
  • Pergunte: “Quais testes de IST são indicados para meu caso?”
  • “Qual a frequência de testagem ideal para mim?”
  • “Como posso prevenir sem abrir mão do prazer?”

Dica: se sentir constrangimento, leve alguém de confiança ou solicite outra profissional/o outro profissional.


Mitos e verdades sobre IST na menopausa

  • “Não preciso usar preservativo porque não posso engravidar.”
    Mito. O preservativo protege de IST mesmo quando a gravidez não é uma questão.
  • “Se eu não tenho sintomas, estou livre de IST.”
    Mito. Muitas IST são assintomáticas; a testagem é essencial.
  • “Preservativo diminui o prazer.”
    Mito. Com ajuste do tamanho e uso de lubrificante, ele pode até aumentar o conforto.
  • “Aos 60+, ninguém fala sobre sexo.”
    Mito. A sexualidade existe em todas as idades — e merece cuidado, informação e respeito.

Quando buscar ajuda imediata em casos de IST na menopausa

  • Após exposição de risco (rompimento do preservativo, violência sexual, feridas genitais recentes).
  • Na presença de lesões, dor intensa, febre, corrimento com odor forte ou sangramento inexplicado.
  • Se houver suspeita de hepatite (icterícia/pele amarelada, urina escura) ou sintomas sistêmicos.

Procure serviços de pronto atendimento, unidades básicas de saúde ou serviços especializados em ISTs. Em situações de violência, busque atendimento imediato e acolhimento especializado.


Conclusão: informação e autonomia sobre IST na menopausa

Cuidar da sua saúde sexual é parte da sua qualidade de vida. IST na menopausa pede informação confiável, diálogo com profissionais de saúde e decisões compartilhadas. Com testagem, preservativo, tratamento adequado e respeito ao seu prazer, é possível viver a sexualidade com segurança e bem-estar — em qualquer idade.


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