As infecções sexualmente transmissíveis na menopausa (IST na menopausa), são infecções causadas por vírus, bactérias ou parasitas transmitidas principalmente pelo contato sexual. IST na menopausa é um tema cercado de tabus, mas falar sobre ele é um ato de cuidado consigo mesma.
Após os 50, muitas mulheres vivem uma fase de redescoberta da sexualidade — novos relacionamentos, aplicativos de namoro, mais autonomia. Ao mesmo tempo, a percepção de risco cai (gravidez deixa de ser preocupação) e os exames de rotina nem sempre incluem testagem para infecções. O resultado? Diagnósticos tardios que poderiam ser evitados com informação e acolhimento.
Nosso convite é simples: sem medo e sem julgamentos. Vamos entender por que o risco de IST pode aumentar após a menopausa e como se proteger, mantendo o prazer e a saúde em primeiro lugar.
IST na menopausa: por que o risco cresce
Sexualidade ativa não tem idade. Com a longevidade, a vida sexual permanece — e, em muitos casos, se intensifica. Três fatores ajudam a explicar o aumento do risco:
- Menor uso de preservativo: sem a preocupação com a gestação, muitas vezes o preservativo é abandonado, especialmente em novos relacionamentos.
- Novos parceiros e apps de namoro: mais encontros, mais variedade de parceiros e, portanto, maior exposição.
- Sintomas silenciosos: sinais iniciais podem ser confundidos com queixas comuns do climatério (ex.: secura e desconforto vaginal), dificultando o reconhecimento de uma possível infecção.
Sexualidade ativa após os 50: o que mudou
A sexualidade nessa fase costuma vir acompanhada de autoconhecimento e desejo de qualidade. O que precisa mudar é a percepção de risco e o hábito de testagem regular — atitudes que protegem você e o(a) parceiro(a).
Sífilis e HIV: tendências e alerta no Brasil
Estudos brasileiros apontam tendência de aumento de sífilis e diagnósticos tardios de HIV em pessoas 60+. Isso não é motivo para pânico; é um chamado à prevenção: testagem, preservativo e diálogo ativo com profissionais de saúde.
Rastreio de IST na menopausa: quando testar e quais exames
A testagem é parte do autocuidado, especialmente quando há novos parceiros. Discuta com seu/sua ginecologista ou clínico(a) os exames abaixo:
- Sífilis: testes rápidos (TR) e/ou VDRL/FTA-ABS conforme orientação clínica.
- HIV: teste rápido de 4ª geração e/ou sorologia convencional.
- Hepatites B e C: sorologias específicas; verifique situação vacinal para hepatite B.
- Gonorreia e clamídia: pesquisa por biologia molecular (NAAT/PCR) quando indicado.
- HPV e lesões cervicais: siga o calendário do rastreamento do colo do útero; o Papanicolau continua importante, conforme orientação médica.
Sinais que merecem atenção (mesmo sem sintomas)
- Corrimento atípico, coceira, odor diferente.
- Ardor ao urinar, dor pélvica ou sangramento fora do esperado.
- Lesões, feridas ou bolhas na região genital.
- Atenção: muitas IST podem ser assintomáticas. Por isso, a testagem periódica é chave.
Periodicidade se você tem novos parceiros
- Antes de iniciar um novo relacionamento sexual, converse sobre testagem de ambos.
- Anualmente se você é sexualmente ativa e tem (ou pode ter) novos parceiros.
- Imediatamente em caso de sintomas ou exposição de risco (ex.: preservativo rompeu).
Como prevenir IST na menopausa sem abrir mão do prazer
Prevenção não significa abrir mão do desejo — pelo contrário, dá tranquilidade e melhora a experiência.
Preservativo externo e interno: qual escolher e como usar
- Externo (masculino): amplamente disponível; verifique validade e integridade da embalagem.
- Interno (feminino): alternativa ótima quando você deseja mais autonomia.
- Dicas universais: use lubrificante à base de água para reduzir atrito, coloque antes do contato íntimo e troque a cada relação. Não use dois preservativos ao mesmo tempo (aumenta o risco de romper).
Lubrificantes, secura vaginal e conforto na relação
A secura vaginal é comum no climatério e pode causar microfissuras, aumentando o desconforto. Ajustes que ajudam:
- Lubrificantes à base de água ou silicone durante a relação.
- Tratamento da atrofia vulvovaginal quando indicado por profissional de saúde.
- Preliminares, ritmo e comunicação: prazer e conforto andam juntos.
Vida sexual, apps e novos relacionamentos: acordos de segurança
Novos encontros são parte da vida — e podem ser deliciosos. Combine acordos claros:
- Testagem do casal antes de abandonar o preservativo.
- Exclusividade ou não: alinhe expectativas para evitar riscos e frustrações.
- Conversa franca sobre histórico sexual e vacinação (hepatite B, HPV conforme faixa etária e indicação médica).
Checklist de prevenção de IST na menopausa (passo a passo)
- Use preservativo (externo ou interno) em todas as relações com novos parceiros.
- Faça testagem regular: ao iniciar um novo relacionamento e, se sexualmente ativa, anualmente.
- Leve o tema para a consulta: peça explicitamente exames de IST.
- Cuide do conforto: trate secura/atrofia; use lubrificante à base de água.
- Alinhe acordos com o parceiro: exclusividade, testagem e vacinação.
- Atenção a sinais (ou ausência deles): muitas IST são silenciosas.
- Não compartilhe objetos cortantes; cuide da higiene de acessórios íntimos.
- Busque informação de qualidade e evite automedicação.
Consulta sem constrangimentos: como pedir testagem
Você tem direito a um atendimento acolhedor e sem julgamentos. Para facilitar:
O que levar e perguntas essenciais
- Sua lista de dúvidas e histórico de sintomas.
- Relação de medicamentos utilizados.
- Pergunte: “Quais testes de IST são indicados para meu caso?”
- “Qual a frequência de testagem ideal para mim?”
- “Como posso prevenir sem abrir mão do prazer?”
Dica: se sentir constrangimento, leve alguém de confiança ou solicite outra profissional/o outro profissional.
Mitos e verdades sobre IST na menopausa
- “Não preciso usar preservativo porque não posso engravidar.”
Mito. O preservativo protege de IST mesmo quando a gravidez não é uma questão. - “Se eu não tenho sintomas, estou livre de IST.”
Mito. Muitas IST são assintomáticas; a testagem é essencial. - “Preservativo diminui o prazer.”
Mito. Com ajuste do tamanho e uso de lubrificante, ele pode até aumentar o conforto. - “Aos 60+, ninguém fala sobre sexo.”
Mito. A sexualidade existe em todas as idades — e merece cuidado, informação e respeito.
Quando buscar ajuda imediata em casos de IST na menopausa
- Após exposição de risco (rompimento do preservativo, violência sexual, feridas genitais recentes).
- Na presença de lesões, dor intensa, febre, corrimento com odor forte ou sangramento inexplicado.
- Se houver suspeita de hepatite (icterícia/pele amarelada, urina escura) ou sintomas sistêmicos.
Procure serviços de pronto atendimento, unidades básicas de saúde ou serviços especializados em ISTs. Em situações de violência, busque atendimento imediato e acolhimento especializado.
Conclusão: informação e autonomia sobre IST na menopausa
Cuidar da sua saúde sexual é parte da sua qualidade de vida. IST na menopausa pede informação confiável, diálogo com profissionais de saúde e decisões compartilhadas. Com testagem, preservativo, tratamento adequado e respeito ao seu prazer, é possível viver a sexualidade com segurança e bem-estar — em qualquer idade.
Leia também
- Menopausa e sexualidade: como resgatar o prazer com saúde
- Ressecamento na menopausa: causas e soluções naturais
- Corrimento na menopausa: o que é normal e quando agir
- Sexo dolorido na menopausa? Veja o que pode ajudar
Assine a newsletter do Blog da Menopausa
💌 Gostou deste conteúdo? Assine a newsletter do Blog da Menopausa e receba, toda sexta, novidades, guias práticos e episódios do PodKefi sobre saúde, sexualidade e bem‑estar — direto no seu e‑mail. É gratuito e você pode sair quando quiser.
👉 Continue com a gente: siga @vivakefi no Instagram e acompanhe o PodKefi nos principais apps.








