Intestino preso na menopausa: causas e o que fazer

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Intestino preso na menopausa: mulher 50+ sentada no vaso sanitário em banheiro moderno, com mãos no abdômen e expressão de desconforto, com itens de fibras e frutas ao fundo

Se o seu intestino ficou mais lento depois dos 40, você não está imaginando. Intestino preso na menopausa é uma queixa frequente — e quase nunca tem uma única causa. Hormônios, rotina, estresse, sono, mudanças no microbioma e até medicamentos podem se somar e virar aquele combo: barriga estufada, esforço para evacuar e sensação de que “nunca esvazia por completo”.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, dá para destravar com um plano simples e consistente (sem dietas radicais). E quando não dá, existem caminhos seguros e bem respaldados.

Intestino preso na menopausa: por que isso acontece?

Na menopausa, o corpo inteiro muda — e o intestino também pode sentir.

O que os hormônios têm a ver com o seu intestino

Estrogênio e progesterona influenciam diversos tecidos e sinais do organismo. Com a transição menopausal, algumas mulheres percebem:

  • motilidade intestinal mais lenta
  • maior tendência a ressecamento (inclusive das fezes)
  • mais sensibilidade a estresse e alterações de sono

O efeito não é igual para todas. Por isso, uma mesma estratégia pode funcionar muito bem para uma mulher e quase nada para outra.

Microbioma: o que já sabemos e o que ainda é hipótese

Nos últimos anos, cresceu o interesse em como o microbioma intestinal muda na peri e pós-menopausa. Há evidência de que a transição menopausal pode se associar a mudanças na composição do microbioma, com repercussões metabólicas e inflamatórias.

O ponto honesto aqui: a conexão direta “microbioma → constipação na menopausa” ainda tem lacunas. Mas entender o microbioma ajuda a explicar por que algumas mulheres ficam mais sensíveis a certos alimentos, gases e distensão abdominal.

Leia também: Microbioma na menopausa: como cuidar do seu ecossistema

Eixo cérebro–intestino: estresse e sono contam

Constipação não é só comida. Estresse, ansiedade e noites mal dormidas podem piorar o intestino preso na menopausa, porque:

  • mudam rotina e horário de evacuação
  • aumentam tensão abdominal e do assoalho pélvico
  • reduzem movimento e hidratação

Leia também: Saúde do Intestino na Menopausa: O Eixo Cérebro-Intestino

Como saber se é constipação de fase ou algo que precisa investigar

O intestino preso na menopausa costuma aparecer como uma combinação de:

  • evacuar menos de 3 vezes por semana
  • fezes duras ou ressecadas
  • esforço para evacuar
  • sensação de evacuação incompleta

Sinais de alerta

Alguns sinais pedem consulta o quanto antes:

  • sangue nas fezes (especialmente se recorrente)
  • perda de peso sem explicação
  • anemia
  • dor abdominal intensa e persistente
  • constipação de início súbito e progressivo
  • histórico familiar importante de câncer colorretal

Intestino preso na menopausa: 5 causas comuns que passam batido

Às vezes, você está “fazendo tudo certo”, mas uma peça está sabotando o processo.

1) Fibra insuficiente ou fibra rápida demais

Muita mulher acha que come fibra porque “come salada”. Mas fibra que ajuda o intestino precisa estar em volume suficiente e entrar de forma gradual.

E o inverso também é verdade: aumentar fibra muito rápido pode piorar gases e distensão.

2) Pouca água ou água sem estratégia

Fibra sem água vira “massa” difícil de passar. O foco não é bater meta de litros a qualquer custo: é distribuir a hidratação ao longo do dia.

3) Sedentarismo e pouca força

Movimento é um estimulante intestinal subestimado. Caminhar, fazer treino de força e se mexer após refeições costumam melhorar trânsito intestinal.

4) Medicamentos que prendem

Alguns remédios podem piorar constipação, como:

  • ferro oral
  • alguns antidepressivos
  • antialérgicos
  • analgésicos opioides

Não interrompa nada sozinha. Mas vale citar isso na consulta.

5) Tireoide: o “impostor” clássico

Hipotireoidismo pode causar intestino preso e fadiga. Se você tem constipação persistente, queda de energia e pele mais seca, pode ser útil checar.

Leia também: Menopausa e tireoide: sintomas, exames e tratamento

Protocolo de 14 dias para destravar o intestino preso na menopausa

Este protocolo é simples e funciona melhor quando você escolhe a constância, não a perfeição.

Passo 1: fibra na dose certa: suba aos poucos

Escolha uma base e aumente gradualmente:

  • fruta com casca por dia (quando possível)
  • porção de leguminosa (feijão, lentilha, grão-de-bico)
  • porção de grão integral (aveia, arroz integral, quinoa)

Se você costuma ter gases, aumente em etapas a cada 3–4 dias.

Passo 2: água com estratégia

  • distribua água ao longo do dia
  • prefira beber mais até o fim da tarde
  • combine água com refeições ricas em fibra

Passo 3: movimento que funciona

Escolha o mínimo viável:

  • 10–15 minutos de caminhada após 1 refeição do dia
  • 2–3 sessões de força por semana (mesmo que curtas)

Passo 4: rotina do banheiro (sem pressa, sem força)

  • escolha um horário fixo (muitas pessoas respondem bem após o café da manhã)
  • não “segure” quando o corpo pedir
  • use apoio para os pés (postura mais favorável)

Passo 5: ajuste o que mais atrapalha

Por 14 dias, observe:

  • excesso de café
  • álcool
  • ultraprocessados
  • comer rápido e com pouca mastigação

Quando suplementos e laxantes entram

Quando hábitos não bastam, é normal precisar de uma ajuda pontual. Diretrizes recentes organizam opções com boa evidência.

Psyllium: a fibra que costuma funcionar melhor

O psyllium pode ajudar porque forma um gel que melhora o trânsito e pode deixar as fezes mais macias.

Como começar:

  • dose baixa no início
  • sempre com água
  • aumentar gradualmente conforme tolerância

PEG (polietilenoglicol): opção bem respaldada

O PEG (macrogol) é um laxante osmótico com boa evidência para constipação crônica.

Ele costuma ser uma opção útil quando:

  • a fibra não foi suficiente
  • existe fezes duras recorrentes
  • há sensação de “tampão”/ressecamento

Magnésio: pode ajudar, mas depende da forma e do perfil

Algumas formas de magnésio têm efeito mais laxativo do que outras. O ponto essencial é individualizar e ter cautela em quem tem doença renal.

Leia também: Magnésio na menopausa: para que serve e como usar

Quando discutir medicações prescritas

Se a constipação é persistente e atrapalha muito a qualidade de vida, pode fazer sentido conversar com gastro sobre opções como:

  • agonistas de guanilato ciclase-C (ex.: linaclotida, plecanatida)
  • procinéticos (ex.: prucaloprida)

Aqui o objetivo não é “tomar remédio para sempre”, e sim destravar o quadro com segurança e depois manter com hábitos.

Intestino preso na menopausa e inchaço: como ajustar sem piorar gases

Um erro comum é aumentar fibra muito rápido. Se você está estufada:

  • reduza um pouco a fibra por 3–4 dias e suba de novo mais lentamente
  • prefira fibras mais bem toleradas (como psyllium)
  • observe feijão e algumas crucíferas (cada corpo reage de um jeito)

Probióticos e prebióticos podem ajudar algumas pessoas, mas não são garantia. Quando ajudam, o efeito costuma ser gradual.

Perguntas frequentes

Quantos dias sem evacuar é preocupante?

Mais do que contar dias, observe o conjunto: dor, distensão, fezes muito duras, esforço e sensação de evacuação incompleta. Se houver sinais de alerta, procure avaliação.

Intestino preso na menopausa tem cura?

Em muitos casos, melhora muito com hábitos e ajustes. Em outros, pode ser uma condição crônica que precisa de manutenção — ainda assim, com controle e qualidade de vida.

Magnésio resolve constipação?

Pode ajudar em alguns perfis e formas, mas não substitui fibra, água e movimento. E precisa de cautela em quem tem problema renal.

Probiótico resolve?

Para algumas mulheres, melhora gases e regularidade; para outras, não muda muito. O teste deve ser consciente, com prazo e observação de resposta.

    Conclusões

    Intestino preso na menopausa costuma ser um sinal de que o corpo está pedindo um ajuste de rotina — e não um veredito de “envelheci e pronto”. Quando você combina fibra na dose certa, água bem distribuída, movimento e um horário de banheiro mais respeitado, a melhora costuma aparecer em 1–3 semanas.

    E se não aparecer, isso também é informação: vale investigar tireoide, medicamentos, constipação crônica e discutir opções seguras com o médico.

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