HPV na menopausa: quando investigar e se proteger

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Ginecologista mostra informações em um tablet para uma paciente de meia-idade durante uma consulta médica, abordando o tema do HPV na menopausa em um ambiente clínico iluminado.

Se você recebeu um resultado positivo para HPV na menopausa (ou na perimenopausa), é normal sentir um frio na barriga — principalmente quando a vida já está cheia de mudanças no corpo, no sono, no humor e na sexualidade.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, existe caminho de investigação e acompanhamento. E entender o que muda após os 40 ajuda a transformar ansiedade em ação.

Ao longo deste artigo, você vai entender o que a ciência recente mostra sobre HPV na menopausa, por que os exames podem ter particularidades nessa fase e quais atitudes realmente fazem diferença.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Se você tem sangramento após a menopausa, dor importante ou qualquer sintoma persistente, procure avaliação.

HPV na menopausa: o que muda após os 40

O HPV (Papilomavírus Humano) é muito comum e, na maioria das pessoas, o organismo consegue controlar o vírus ao longo do tempo.

Mas o contexto pode mudar com a idade.

Por que o HPV pode persistir ou “reaparecer” após anos

Na prática clínica, há três possibilidades que costumam explicar um HPV positivo depois dos 40–50:

  • Uma infecção recente, por exposição ao vírus.
  • Persistência: o vírus ficou detectável por mais tempo.
  • Reativação: o vírus ficou “silencioso” por um período e volta a ser detectado.

A ciência ainda investiga os mecanismos com detalhe, mas sabemos que a transição hormonal e mudanças do sistema imune podem influenciar a capacidade do corpo de manter o HPV sob controle.

HPV na menopausa e o microbioma vaginal

Você já ouviu falar em “microbioma vaginal”? É o conjunto de microrganismos que vivem naturalmente na vagina.

Em muitos cenários, uma flora com predominância de Lactobacillus ajuda a manter o pH mais ácido e funciona como uma camada de proteção.

Em um estudo que comparou mulheres com HPV antes e depois da menopausa, as pós-menopáusicas tinham:

  • Menor proporção de Lactobacillus (redução importante em relação ao grupo pré-menopausa)
  • Maior presença de algumas bactérias associadas a desequilíbrio da flora
  • Diferenças no “perfil” do microbioma entre os grupos

Essa pista é relevante porque pesquisas sugerem que alterações no microbioma podem se associar a maior chance de persistência do HPV.

Aqui, o ponto principal não é “culpa” nem “falha” do corpo: é entender que o ambiente vaginal pode mudar, e isso pode entrar na conversa sobre conforto íntimo, prevenção e acompanhamento.

HPV na menopausa costuma dar sintomas?

Na maioria das vezes, não.

O HPV costuma ser silencioso — e por isso o rastreamento é tão importante.

Ainda assim, vale procurar avaliação se você notar:

  • Sangramento fora do padrão (especialmente após a menopausa)
  • Dor pélvica persistente
  • Dor durante a relação (que também pode ter outras causas, como ressecamento/atrofia)
  • Corrimento persistente e diferente do habitual

Importante: muitos desses sintomas têm causas benignas e tratáveis. O objetivo é não normalizar sinais que merecem olhar clínico.

HPV na menopausa e exames: por que pode ser diferente

Quando falamos de HPV na menopausa, os exames preventivos continuam sendo a principal ferramenta para reduzir risco.

Em geral, a investigação pode envolver:

  • Citologia (Papanicolau)
  • Teste de HPV (DNA/alto risco)
  • Colposcopia (exame do colo do útero com lupa)

Por que a avaliação pode ser mais desafiadora após a menopausa

Após a menopausa, é comum ocorrer:

  • Atrofia (afinamento/maior fragilidade dos tecidos)
  • Mudanças na zona de transformação do colo do útero (área onde a maioria das alterações relacionadas ao HPV se inicia)

Um estudo com mulheres pós-menopausa destacou que a chamada “zona de transformação tipo 3 (TZ3)” pode aparecer com mais frequência e tornar a avaliação mais desafiadora em alguns casos.

Tradução prática: às vezes, a colposcopia pode exigir estratégias adicionais definidas pela ginecologista (por exemplo, avaliação endocervical quando indicado).

Dica para o exame quando existe ressecamento

Se você tem desconforto, ardor ou ressecamento, você não precisa “aguentar calada”. Algumas atitudes ajudam:

  • Avise na recepção e para a médica sobre dor/ansiedade
  • Peça para ir com calma e combinar pausas
  • Converse sobre opções para melhorar conforto vaginal (existem abordagens não hormonais e hormonais, quando indicadas)

Conforto não é luxo — é parte do cuidado.

HPV na menopausa após conização: por que o seguimento é decisivo

A conização (ou outros procedimentos no colo do útero) pode ser indicada quando há lesões que precisam ser tratadas.

Mesmo com tratamento, o acompanhamento continua sendo essencial.

Um estudo com mulheres que passaram por conização e tinham HPV de alto risco mostrou que:

  • A positividade para HPV tende a cair bastante nos primeiros 24 meses após o procedimento
  • Porém, a menopausa influenciou esse ritmo: mulheres pós-menopausa tiveram maior risco de permanecer com HPV positivo ao longo do seguimento, especialmente nos primeiros 24 meses

O recado aqui é simples e poderoso: se você está em acompanhamento de HPV na menopausa após tratamento, o seu seguimento não é burocracia — é proteção.

Checklist de perguntas para levar à consulta

  • Meu resultado é HPV de alto risco? Quais tipos?
  • Qual é o plano de acompanhamento (tempo e tipo de exame)?
  • Preciso de colposcopia? Em que cenário?
  • Existe algo que possa melhorar conforto vaginal para facilitar exames?
  • Há sinais de alerta que exigem retorno antes do prazo?

Prevenção do HPV na menopausa: o que realmente ajuda

Quando o assunto é HPV na menopausa, prevenção não significa perfeição. Significa reduzir riscos com o que está ao seu alcance.

Vacina contra HPV: vale conversar?

A vacina é uma estratégia de prevenção muito eficaz, especialmente antes do início da vida sexual.

Mas, dependendo do seu histórico e orientação médica, pode fazer sentido discutir individualmente (idade, exposição, situação imunológica, histórico de lesões, etc.).

Se você tem dúvidas, leve a pergunta para a consulta: “No meu caso, vale considerar vacina?”

Hábitos que protegem o colo do útero e o sistema imune

  • Não fumar (o tabagismo se relaciona com pior resposta do organismo a infecções)
  • Priorizar sono e manejo de estresse (seu corpo “lê” isso como sinal de segurança)
  • Alimentação com boa densidade nutricional
  • Acompanhamento de condições como diabetes e outras que impactam imunidade

Aqui no Blog da Menopausa, você pode aprofundar nutrientes e saúde global:

Sexo, parceria e HPV na menopausa

HPV é comum e não é sinônimo de infidelidade recente.

O vírus pode ficar indetectável por um tempo e voltar a aparecer. Por isso, a conversa com parceria deve ser:

  • clara, sem culpa
  • focada em cuidado
  • com espaço para dúvidas práticas (preservativo, exames, acompanhamento)

Se você sente que o resultado mexeu com sua autoestima ou segurança sexual, isso também merece acolhimento — e, se necessário, apoio profissional.

HPV na menopausa e coração: o que a ciência começa a investigar

Algumas pesquisas têm explorado se infecções por HPV de alto risco poderiam se associar a marcadores de risco cardiovascular em mulheres no climatério.

O ponto importante é: isso ainda é um campo em construção. Não é para gerar medo, e sim para lembrar que saúde íntima e saúde cardiovascular fazem parte do mesmo organismo.

Se você quer aprofundar o tema de prevenção cardiovascular com linguagem acessível e acolhedora, vale ouvir:

PodKefi 23 | Saúde cardiovascular da mulher na menopausa — um episódio com foco em prevenção, fatores de risco e sinais que não devem ser ignorados.

Dúvidas comuns sobre HPV na menopausa

1) HPV na menopausa significa câncer?

Não.

HPV é comum. O que reduz risco é rastrear, investigar quando indicado e acompanhar. Lesões iniciais costumam ser tratáveis.

2) Posso ter HPV na menopausa mesmo sem vida sexual recente?

Sim.

O HPV pode permanecer silencioso e voltar a ser detectado, e isso não “prova” quando ocorreu a exposição.

3) HPV 16/18 é sempre mais preocupante?

Alguns tipos, como 16 e 18, são considerados de maior risco para lesões importantes.

Mas “maior risco” não é “sentença”. Significa que o acompanhamento pode ser mais criterioso — e isso é exatamente o que protege.

4) Vou precisar fazer exame para sempre?

Depende do seu histórico, resultados anteriores e diretrizes do seu país.

O que sabemos é que muitas mulheres reduzem o rastreio após a menopausa, e isso pode aumentar risco de diagnósticos tardios. Se você está em dúvida, leve seu histórico para a ginecologista e peça um plano claro.

5) Existe algo que eu possa fazer agora?

Sim:

  • Se possível, organizar seus exames anteriores (leva para consulta)
  • Marcar consulta para interpretar o resultado com calma
  • Checar quando foi seu último preventivo e qual foi o resultado
  • Cuidar do conforto vaginal para não evitar exames por medo/dor

Informação diminui medo e aumenta a proteção

Receber um resultado de HPV na menopausa pode assustar, mas você não está sozinha.

Com acompanhamento adequado, rastreio e cuidado integral (incluindo conforto íntimo e saúde imunometabólica), a tendência é você se sentir mais segura e no controle do seu cuidado.

Se este conteúdo te ajudou, assine gratuitamente nossa newsletter e explore outros temas de prevenção e bem-estar no Blog da Menopausa. E, quando quiser, reserve um tempo para ouvir o PodKefi 23 | Saúde cardiovascular da mulher na menopausa — sua saúde é um projeto de vida, não um “exame isolado”.

Referências científicas

  1. So KA, Hur SY, Cho CH, Lee JK, Seong SJ, Jeong DH, Ki M, Kim TJ. Menopausal status induces vaginal dysbiosis in women with human papillomavirus infection. Sci Rep. 2024 Mar 26;14(1):7092. doi: 10.1038/s41598-024-56314-9. PMID: 38528061; PMCID: PMC10963737.
  2. Gravitt, P. E., Rositch, A. F., Silver, M. I., Marks, M. A., Chang, K., Burke, A. E., & Viscidi, R. P. (2013). A cohort effect of the sexual revolution may be masking an increase in human papillomavirus detection at menopause in the United States. The Journal of infectious diseases207(2), 272-280.
  3. Granja, A. D. N., Lima, A. B. R., Martins, P. V. B., Salgado, B. J. L., Costa, R. M. G. D., Brito, H. O., & Salgado Filho, N. (2024). HPV and coronary diseases in menopausal women: an integrative review. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia46, e-rbgo57.
  4. Zhou, J., & Chen, J. (2025). Cervical conization and high risk-HPV status changes in relation to menopause: a retrospective longitudinal study based on generalized additive mixed models. BMC Infectious Diseases25(1), 1-11.
  5. Shende, S., Das, R., Joshi, S., Yanamandra, S., Taji, N., & Karyakarte, R. P. (2025). Human Papilloma Virus Infection and Vaginal Microbiome Profiles in Pre-menopausal Women: A Cross-Sectional Study. Cureus17(8).
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