A experiência com endometriose e menopausa pode trazer dúvidas — e, às vezes, medo de que a dor volte. A boa notícia é que a maioria das mulheres melhora após a última menstruação. Ainda assim, uma parcela segue com sintomas, e algumas podem ter “flares” na peri ou mesmo na pós-menopausa, especialmente diante de mudanças hormonais.
Neste guia, reunimos o que é mais importante sobre endometriose e menopausa: sinais de alerta, caminhos de diagnóstico, decisões sobre terapia hormonal (THM), quando operar e como cuidar do coração e dos ossos. Informação clara, acolhedora e útil.
Endometriose e menopausa: o que muda da peri à pós
- Perimenopausa: é comum notar oscilações de sintomas. As variações hormonais podem “acordar” focos adormecidos, provocando flutuações de dor pélvica, inchaço e desconforto intestinal.
- Pós-menopausa: a queda do estrogênio tende a reduzir a atividade das lesões, mas endometriose e menopausa podem coexistir. Uma minoria segue sintomática. E atenção: qualquer sangramento vaginal depois de 12 meses sem menstruar merece avaliação.
- Limiar de estrogênio: mesmo após a menopausa, o corpo produz pequenas quantidades de estrogênio (especialmente estrona) em tecidos periféricos, o que pode reativar a doença em algumas pessoas. Fitormônios e THM também podem elevar o nível hormonal.
Mensagem importante: não é “culpa sua”. A endometriose é uma condição inflamatória dependente de estrogênio. Mudanças hormonais e o histórico cirúrgico ou medicamentoso influenciam a evolução, e o cuidado deve ser individualizado.
Sinais de alerta e diagnóstico na endometriose e menopausa
Procure avaliação médica se você notar:
- Dor pélvica persistente ou progressiva
- Sangramento pós-menopausa (vaginal)
- Cisto ovariano novo ou aumento de massa pélvica
- Sangue em urina/fezes quando houver acometimento urinário/intestinal
Como investigar:
- História clínica e exame físico direcionados.
- Ultrassom transvaginal (e, quando necessário, ressonância magnética) para mapear lesões.
- Laparoscopia com biópsia pode ser indicada para confirmar diagnóstico e tratar, especialmente se houver massa suspeita, dor limitante ou falha do tratamento clínico.
Por que a imagem nem sempre basta
Imagens ajudam a guiar, mas a confirmação do diagnóstico — quando necessária — é histológica. Em mulheres na pós-menopausa, as lesões costumam se concentrar nos ovários, e parte dos achados pode simular neoplasia. A investigação cuidadosa evita tanto alarmismo quanto atrasos no tratamento.
THM na menopausa com histórico de endometriose: como decidir
Não existe proibição automática. A terapia hormonal da menopausa (THM) pode ser considerada quando os sintomas vasomotores (ondas de calor, suor noturno, insônia) comprometem a qualidade de vida.
Como escolher o regime:
- Em geral, preferem-se esquemas combinados contínuos (estrogênio + progestagênio) ou tibolona — inclusive em mulheres histerectomizadas — para reduzir a chance teórica de reativação de focos.
- Dose mínima eficaz e menor tempo possível são princípios de segurança.
- A via (oral x transdérmica) é definida por outros fatores clínicos; não há evidências fortes de que uma seja superior especificamente por causa da endometriose.
Trade-offs a considerar:
- Esquemas com progestagênio contínuo podem elevar o risco de câncer de mama em relação ao estrogênio isolado. A decisão deve equilibrar alívio dos sintomas, risco mamário, histórico pessoal/familiar e preferências da mulher.
- Para quem não pode ou não deseja THM, estratégias não hormonais (comportamentais e medicamentosas) podem ser discutidas com o médico.
Se os sintomas “acordam” com a THM
Diante de dor pélvica nova ou piora dos sintomas:
- Reavalie a dose e o regime (migrar para esquema contínuo, reduzir dose ou pausar temporariamente).
- Investigue por imagem e, se necessário, programe abordagem cirúrgica.
- Decisão compartilhada: combine expectativas, riscos e próximos passos.
Endometriose e menopausa: quando operar e quando não
Operar é mais comum na pós-menopausa sintomática, especialmente quando há massa ovariana/ pélvica, dor refratária ou sinais de complicações. O objetivo é remover completamente os implantes quando possível.
Quando a cirurgia não é opção ou precisa ser adiada:
- Progestagênios (inclusive dispositivo intrauterino com levonorgestrel) podem aliviar sintomas em alguns casos.
- Inibidores de aromatase são alternativas de nicho; exigem proteção óssea e acompanhamento próximo.
Conversa franca: a transformação maligna é rara, mas deve ser considerada em avaliação de cistos e massas na pós-menopausa. A maioria das mulheres não terá câncer, e o cuidado é justamente identificar cedo quem precisa de investigação adicional.
Riscos sob medida: câncer, coração e ossos
- Câncer: o risco de transformação de endometrioma em câncer de ovário é baixo, porém real. Sinais de alerta e seguimento adequado ajudam a manter a segurança sem alarmismo.
- Coração e cérebro: pessoas com endometriose podem ter risco discretamente maior de doença cardíaca e AVC. Se você teve menopausa cirúrgica precoce, converse sobre prevenção e, quando indicado, THM.
- Ossos: quem retirou os ovários antes do tempo natural da menopausa ou usou certos medicamentos no passado tem risco aumentado de osteoporose. Medidas protetoras incluem adequação de cálcio e vitamina D, exercícios com impacto e, quando indicado, THM ou outros tratamentos.
Vida prática com endometriose e menopausa
- Para secura vaginal e dor na relação: lubrificantes e umidificantes vaginais regulares; estrógeno local pode ser considerado com orientação médica.
- Ondas de calor e sono: camadas de roupa, ambiente fresco, higiene do sono, técnicas de respiração. Há opções não hormonais que o médico pode prescrever.
- Movimento e alimentação: atividade física regular, manejo do estresse, dieta rica em fibras, leguminosas, frutas e vegetais; moderação de álcool; atenção ao peso (o tecido adiposo produz estrona).
- Cuidado com “naturais”: fitoterápicos e suplementos com ação estrogênica podem interferir nos sintomas; discuta sempre antes de usar.
Perguntas frequentes
Endometriose pode surgir “do zero” após a menopausa?
Raro. Em muitos casos, havia doença prévia silenciosa. Mudanças hormonais podem tornar os sintomas aparentes.
Endometriose e menopausa exigem parar a THM?
Não necessariamente. Se houver sintomas compatíveis com reativação, a equipe pode ajustar dose/regime, investigar e decidir junto com você.
Dor pélvica depois dos 50 é sempre endometriose?
Não. Existem outras causas (miomas, adenomiose, alterações intestinais/urinárias). Por isso, a avaliação clínica é essencial.
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Ouça também: No episódio 15 do PodKefi, recebemos Patrícia Marafão, fisioterapeuta pélvica (UFPR) especializada em disfunções do assoalho pélvico, para falar sobre como o cuidado com o assoalho pélvico pode transformar a vida das mulheres 40+ — especialmente no contexto de endometriose e menopausa.
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