Acne na menopausa: causas e cuidados após os 40

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Mulher madura em frente ao espelho examinando a pele do rosto com sinais visíveis de acne na menopausa na região do queixo e mandíbula.

Se você voltou a ter espinhas depois dos 40, respira: acne na menopausa é mais comum do que muita gente imagina — e não tem nada a ver com “falta de higiene” ou “desleixo”.

O que muda nessa fase é o terreno: hormônios, pele mais sensível, estresse, sono e até resistência à insulina podem se combinar. A boa notícia é que dá para controlar com uma estratégia certa para pele madura, sem agredir sua barreira cutânea.

Acne na menopausa é comum?

Sim. Estudos com adultos mostram que a acne pode persistir na vida adulta e continuar depois dos 40. Para muitas mulheres, ela nunca foi embora; para outras, aparece pela primeira vez (a chamada acne de início tardio).

Além de ser frequente, a acne na menopausa costuma impactar autoestima e qualidade de vida porque pode deixar manchas (hiperpigmentação pós-inflamatória) e marcas com mais facilidade.

Acne na menopausa: principais causas

A acne nessa fase não acontece por um único motivo. Em geral, é a soma de “peças” pequenas que, juntas, viram um quebra-cabeça.

Acne na menopausa e o hiperandrogenismo relativo

Um ponto-chave é o hiperandrogenismo relativo: não significa necessariamente testosterona alta, e sim que a queda do estrogênio reduz parte da “proteção” hormonal na pele.

Uma proteína chamada SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) ajuda a “segurar” parte da testosterona no sangue. Com menos estrogênio e, em alguns casos, mais resistência à insulina, a SHBG pode cair e a fração “livre” (mais ativa) de andrógenos pode aumentar.

Acne na menopausa e a ação local dos hormônios na pele

A pele não é só “alvo” dos hormônios: ela também os metaboliza. Dentro da unidade pilossebácea, enzimas podem transformar testosterona em DHT (um andrógeno mais potente), favorecendo:

  • aumento de sebo (oleosidade)
  • poros obstruídos (microcomedões)
  • inflamação

Resistência à insulina e gordura abdominal

Na transição menopausal, é comum a gordura “migrar” para a região abdominal. Quando há ganho de gordura visceral, pode crescer a resistência à insulina.

Em algumas mulheres, isso contribui para piora da acne porque a insulina alta pode reduzir SHBG e aumentar mediadores como IGF‑1, que estimula glândulas sebáceas e proliferação de queratinócitos.

Estresse e sono: os gatilhos silenciosos

Estresse crônico e sono ruim podem amplificar inflamação e bagunçar a regulação hormonal. E aqui entra um detalhe importante: pele “reativa” tende a piorar quando a gente tenta resolver tudo com excesso de ácidos e esfoliação.

Leia também: Estresse na menopausa: entenda os impactos no corpo

Terapia hormonal e medicamentos: quando podem influenciar?

Algumas mulheres notam piora ou melhora da acne com terapias hormonais, dependendo de dose, via e tipo de progestagênio. Isso não é motivo para pânico — é um motivo para ajuste médico individualizado.

Como é a acne na menopausa, e por que ela parece diferente?

A acne na menopausa pode ser mais “teimosa” e menos parecida com a acne da adolescência.

Acne na menopausa na “zona U” (queixo e mandíbula)

É comum o predomínio no queixo, mandíbula e ao redor da boca (zona U). Mas um ponto que vem sendo reforçado em estudos recentes é que muitas mulheres também têm lesões em outras áreas do rosto (como bochechas) e até no tronco.

Microcomedões e cravos continuam importantes

Mesmo quando o que mais incomoda são pápulas e nódulos, muitas mulheres têm microcomedões e comedões fechados. Isso explica por que retinoides continuam sendo uma peça central — com adaptação para uma pele mais seca e sensível.

É acne mesmo? Diagnóstico diferencial que evita erro

Nem toda “bolinha” é acne. Confundir quadro pode piorar a pele com tratamentos inadequados.

Acne x rosácea

Rosácea costuma ter vermelhidão central no rosto, sensação de ardor e vasos aparentes. Pode ter pápulas, mas geralmente não tem comedões típicos.

Acne x dermatite perioral

A dermatite perioral costuma formar pequenas lesões ao redor da boca, muitas vezes associadas a irritação, uso de corticoide tópico ou produtos muito oclusivos.

Acne x foliculite

A foliculite tende a formar “espinhas” muito parecidas entre si, às vezes com coceira, e pode estar relacionada a suor, atrito ou microrganismos.

Se você está em dúvida, o diagnóstico com dermatologista encurta o caminho e evita “tentativa e erro” que inflama mais a pele.

Acne na menopausa: cuidados diários que funcionam sem agredir

Pense na rotina como um tripé: barreira + anti-inflamação + tratamento do poro.

Manhã: rotina simples e consistente

  1. Limpeza suave (gel/espuma gentil, sem sensação de repuxar).
  2. Tratamento leve (opções frequentes: niacinamida, ácido azelaico, ou outro ativo bem tolerado).
  3. Hidratante com foco em barreira (ceramidas, glicerina, pantenol).
  4. Protetor solar (todos os dias). Ele é parte do tratamento porque reduz manchas pós-espinha.

Noite: onde o tratamento costuma “morar”

  1. Limpeza suave.
  2. Retinoide (se indicado para você): comece devagar.
  3. Hidratante reparador.

Como começar retinoide sem “detonar” a pele

  • comece 2–3 noites por semana
  • use a técnica do “sanduíche”: hidratante → retinoide → hidratante
  • aumente a frequência conforme tolerância

Um retinoide bem tolerado pode ajudar acne e, de quebra, melhorar textura, linhas finas e sinais de fotoenvelhecimento.

Erros comuns que pioram a acne na menopausa

  • tentar “secar” a acne com limpeza agressiva
  • esfoliar demais (físico ou químico) e destruir a barreira
  • trocar de produto toda semana
  • “cutucar” lesões (aumenta mancha e cicatriz)

Tratamentos para acne na menopausa: o que pode ser indicado

A escolha depende do tipo de lesão (cravos x inflamatória), sensibilidade da pele, presença de manchas e sinais de hiperandrogenismo.

Tratamentos tópicos: primeira linha na maioria dos casos

  • Retinoides tópicos (ex.: adapaleno, tretinoína): base para comedões e manutenção.
  • Peróxido de benzoíla: útil para inflamação e para reduzir resistência bacteriana (muitas vezes em combinação).
  • Ácido azelaico (15–20%): ótimo para acne + sensibilidade + manchas pós-inflamatórias.
  • Antibióticos tópicos: quando usados, geralmente fazem mais sentido em combinação e por tempo limitado.
  • Clascoterona (antiandrogênico tópico, onde disponível): opção interessante para acne com componente hormonal.
  • Dapsona gel: pode ser alternativa em perfis específicos.

Tratamentos orais: quando a acne é persistente ou moderada/grave

  • Espironolactona: frequentemente usada em acne feminina persistente, especialmente quando há padrão hormonal.
  • Antibióticos orais (curto prazo): em geral para controlar fase inflamatória, com plano de manutenção.
  • Isotretinoína: opção para acne grave, com risco de cicatriz ou grande impacto na qualidade de vida, sempre com acompanhamento rigoroso.

Procedimentos: adjuvantes, não “solução mágica”

Para algumas mulheres, procedimentos ajudam a acelerar resposta e tratar marcas:

  • peelings superficiais (com indicação e cuidado para evitar hiperpigmentação)
  • tecnologias de consultório para inflamação e textura
  • microagulhamento/lasers para cicatrizes (com plano de fotoproteção)

Acne na menopausa e manchas: como prevenir o “efeito rebote”

Mancha pós-espinha é uma das maiores queixas após os 40. O plano geralmente envolve:

  • protetor solar diário
  • não manipular lesões
  • ativos que controlam inflamação e ajudam a uniformizar (como ácido azelaico)
  • ajustar irritação (porque irritar a pele também mancha)

Se você já tem melasma ou tendência a manchas, vale conectar os cuidados.

Leia também: Melasma na menopausa: causas, cuidados e prevenção

Quando investigar hormônios

Na maioria das vezes, acne na menopausa é multifatorial. Mas vale conversar com médico se houver:

  • acne de início súbito e intensa
  • aumento rápido de pelos faciais/ corporais
  • queda de cabelo importante com padrão androgênico
  • voz mais grossa, aumento de massa muscular sem explicação
  • irregularidade menstrual importante na perimenopausa (quando ainda há ciclos)

Esses sinais não significam “algo grave” automaticamente — só indicam que vale investigar causas de hiperandrogenismo.

Leia também:

Hábitos que ajudam a acne na menopausa

Você não precisa entrar em dietas restritivas para ter resultado. O que costuma ter melhor retorno:

  • priorizar refeições com fibra e proteína (reduz picos glicêmicos)
  • reduzir ultraprocessados e açúcar em excesso
  • testar, por um período, se leite desnatado piora sua pele (em algumas pessoas, pode ser gatilho)
  • manter movimento regular (força + aeróbico)
  • cuidar do sono

Perguntas frequentes

Acne na menopausa é sinal de testosterona alta?

Nem sempre. Muitas vezes é hiperandrogenismo relativo e sensibilidade da pele aos andrógenos, mesmo com exames “normais”.

Posso usar retinol/retinoide com pele sensível?

Em geral, sim — desde que com adaptação. Começar devagar e proteger a barreira costuma ser o segredo.

Qual ativo é mais “coringa” na acne na menopausa?

Para muitas mulheres, ácido azelaico é um excelente coringa porque ajuda acne e manchas, e tende a ser bem tolerado.

Quanto tempo leva para ver resultado?

Em acne, consistência vence intensidade. Melhoras costumam aparecer em semanas, mas um plano completo (com manutenção) é o que sustenta o resultado.

Conclusão

No fim das contas, a acne na menopausa costuma ser menos sobre “limpar mais” e mais sobre equilibrar: proteger a barreira da pele, tratar inflamação e poros com consistência, e olhar com carinho para sono, estresse e metabolismo. Com um plano gentil (e ajustes médicos quando necessário), é totalmente possível reduzir espinhas, prevenir manchas e voltar a se sentir confortável na própria pele.

Se a acne está mexendo com sua autoestima, procure avaliação dermatológica: existe tratamento eficaz e seguro para pele madura.

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Referências bibliográficas

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