Suores noturnos na menopausa: por que e como aliviar

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Mulher brasileira de 45 a 55 anos sentada na cama durante a noite, em quarto acolhedor com iluminação suave, segurando uma garrafa de água enquanto afasta o lençol do corpo, com expressão de leve incômodo causado por suores noturnos; pijama discretamente úmido, ventilação ao fundo e amplo espaço lateral para inserção de título.

Acordar encharcada, trocar de pijama, virar o travesseiro para o “lado frio”… Se você vive isso, saiba: suores noturnos na menopausa (especialmente na perimenopausa) são comuns — e não é “frescura”. Eles bagunçam o sono, aumentam cansaço e podem piorar irritabilidade e ansiedade no dia seguinte.

Aqui você vai entender por que acontece, como diferenciar suores noturnos da menopausa de outras causas e quais estratégias práticas ajudam de verdade.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.

Suores noturnos na menopausa são o mesmo que calorão?

Eles são “parentes”, mas a experiência pode ser diferente.

  • Calorão (fogacho) costuma ser um pico súbito de calor, muitas vezes com rubor e suor, que pode acontecer de dia.
  • Suores noturnos são episódios de sudorese durante o sono, frequentemente acompanhados de despertar, sensação de calor e, às vezes, palpitações.

Na prática: muita gente não percebe o “calorão” completo à noite — percebe o acordar suando e o sono fragmentado.

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Por que os suores noturnos na menopausa acontecem

Os suores noturnos na menopausa fazem parte dos sintomas vasomotores. Em linguagem simples: o “termostato” do cérebro (que regula temperatura) fica mais sensível durante a transição hormonal.

Na perimenopausa, os hormônios podem oscilar bastante. Esse vai-e-vem pode estreitar a “zona de conforto térmico”: pequenas variações (um edredom mais quente, um quarto abafado, um vinho, um banho quente, estresse) viram gatilho para suar.

E tem um detalhe importante: o suor noturno não é só desconforto. Ele costuma provocar microdespertares e acordar completo — e isso vira um ciclo:

  • suor → acorda → ansiedade/irritação → demora a dormir → mais vulnerável no dia seguinte

Suores noturnos na menopausa: sinais típicos

Em geral, o padrão “com cara de perimenopausa” tem algumas pistas:

  • piora em noites quentes ou em fases de mais estresse
  • despertares com sensação de calor, lençol/pijama úmido
  • melhora parcial com ajustes do ambiente (mais ventilação, menos camadas)
  • pode coexistir com outros sinais da transição (ciclo mudando, sono leve, humor oscilando)

Se você está na fase 40+, isso se encaixa bastante em perimenopausa.

Quer encurtar o caminho com orientação individual?
Se os suores noturnos estão afetando seu sono e seu dia, uma consulta ajuda a diferenciar causas e montar um plano seguro.
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Quando suores noturnos podem NÃO ser menopausa

Aqui está o diferencial que dá mais segurança: nem todo suor noturno é menopausa. Na perimenopausa, é comum atribuir tudo aos hormônios — mas existem causas que merecem ser consideradas.

1) “Aqueceu demais” (ambiente e hábitos)

  • quarto muito quente/abafado
  • pijama/lençol sintético
  • edredom pesado
  • banho muito quente perto de dormir

Teste útil: por 7–14 dias, reduza temperatura do quarto, use tecido respirável e faça “camadas” leves.

2) Álcool e cafeína

Para muitas mulheres, álcool e cafeína são gatilhos claros (e cumulativos).

  • álcool pode aumentar despertares e piorar vasomotores em algumas mulheres
  • cafeína pode aumentar alerta, palpitações e reduzir profundidade do sono

Se isso faz parte do seu dia: vale conectar com estes guias:

3) Refluxo e refeições pesadas à noite

Refluxo (mesmo “silencioso”) pode provocar despertares e suor por ativação do sistema nervoso.

  • jantar grande e tarde
  • chocolate, fritura, pimenta, álcool

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4) Apneia do sono

Na perimenopausa, a apneia pode aparecer ou piorar e se manifestar com sudorese noturna, além de ronco, engasgos e sono não reparador.

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5) Medicamentos

Alguns remédios podem aumentar suor noturno (por exemplo, alguns antidepressivos) ou alterar regulação térmica. Se o suor começou depois de uma mudança de medicação, vale revisar com seu médico.

6) Tireoide, infecções e outras condições

Sem alarmismo, mas com objetividade: suores noturnos persistentes também podem aparecer em outras condições.

Procure avaliação com prioridade se, além do suor, houver:

  • febre recorrente
  • perda de peso sem explicação
  • tosse persistente
  • caroços/linfonodos aumentados
  • suores “muito intensos” e novos, sem padrão de gatilhos

A boa notícia é que, na maioria das vezes, dá para investigar com calma e clareza.

Regra prática: como aliviar suores noturnos (sem complicar)

A ideia aqui é focar em gatilhos frequentes e em ações com alta chance de ajudar.

Passo 1 — Ajuste o quarto (o que mais rende)

Escolha 2–3 medidas para testar por 14 dias:

  • camadas leves: lençol + manta fina (em vez de edredom pesado)
  • tecidos respiráveis: algodão/linho; evite poliéster no pijama
  • ventilação: ventilador em modo indireto ou janela entreaberta
  • travesseiro extra ou toalha fina para trocar rapidamente sem despertar demais
  • água ao lado da cama (hidratação e sensação de controle)

Passo 2 — Corte os gatilhos “clássicos” no horário crítico

Em muitas mulheres, o problema não é o gatilho em si — é o horário.

  • álcool: teste 14 dias sem álcool ou, se preferir, evite totalmente 4–6 horas antes de dormir
  • comidas muito apimentadas: evite no jantar
  • banho quente: prefira morno e mais cedo
  • exercício intenso tarde da noite: puxe para mais cedo (ou faça algo leve à noite)

Passo 3 — Ajuste o jantar para não “aquecer por dentro”

Uma régua simples:

  • jantar 2–3 horas antes de deitar
  • porções menores
  • se o refluxo aparece: reduza chocolate, fritura, café e álcool no período da noite

Passo 4 — Faça um microplano para quando você acordar suando

Isso reduz o tempo acordada (e a ansiedade de “lá vamos nós de novo”).

  • troque a camada de cima (manta/pijama) sem ligar luz forte
  • respiração lenta por 60–90 segundos
  • se precisar levantar, use luz mínima (amarela/fraca)
  • evite olhar o relógio (isso costuma “acender o cérebro”)

Passo 5 — Use um diário de 14 dias (curto e inteligente)

Anote em 30 segundos:

  • hora aproximada do episódio
  • intensidade (0–10)
  • o que teve antes (álcool, jantar pesado, estresse, banho quente, quarto abafado)
  • impacto no sono (voltei a dormir rápido? demorei?)

Esse registro vira um mapa de gatilhos e também ajuda muito na consulta.

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Suores noturnos na menopausa: quando vale conversar com o médico

Vale buscar orientação quando:

  • acontece 3+ noites por semana por várias semanas
  • o sono ficou claramente pior (despertares + cansaço diurno)
  • há palpitações importantes, falta de ar, dor no peito, desmaios
  • você tem ronco alto, engasgos noturnos ou sonolência diurna (suspeita de apneia)
  • você já testou ajustes comportamentais por 2–4 semanas sem melhora

Se você quer uma avaliação do seu perfil e opções seguras:
Um especialista pode diferenciar perimenopausa de outras causas e sugerir estratégias (comportamentais e, quando necessário, médicas). Encontre um especialista em menopausa

Se fizer sentido, você também pode ler este guia para organizar o assunto “tratamento” sem virar lista de produtos:

Checklist rápido

Se você quer um caminho bem direto, siga esta ordem:

  1. Quarto mais fresco + camadas leves por 14 dias
  2. Sem álcool à noite (ou corte 4–6 horas antes de dormir) por 14 dias
  3. Jantar mais cedo e menor por 14 dias
  4. Diário curtinho de gatilhos e intensidade
  5. Se persistir: consulta para investigar apneia, refluxo, tireoide, anemia e revisar medicações

Suores noturnos são exaustivos — e você não precisa normalizar isso. Se este guia te ajudou, assine gratuitamente a newsletter do Blog da Menopausa para receber conteúdos práticos e acolhedores. E, se você quiser apoio individual:

Referências científicas

  1. Shreyer S, Brown DE, Dorsey AF, Witkowski S, Sievert LL. Distinguishing hot flashes and night sweats: a mixed-method analysis. Menopause. 2025 Oct 21. doi: 10.1097/GME.0000000000002646. Epub ahead of print. PMID: 41117615.
  2. Troìa L, Garassino M, Volpicelli AI, Fornara A, Libretti A, Surico D, Remorgida V. Sleep Disturbance and Perimenopause: A Narrative Review. J Clin Med. 2025 Feb 23;14(5):1479. doi: 10.3390/jcm14051479. PMID: 40094961; PMCID: PMC11901009.
  3. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2023 Jun 1;30(6):573-590. doi: 10.1097/GME.0000000000002200. PMID: 37252752.
  4. Harlow SD, Elliott MR, Bondarenko I, Thurston RC, Jackson EA. Monthly variation of hot flashes, night sweats, and trouble sleeping: effect of season and proximity to the final menstrual period (FMP) in the SWAN Menstrual Calendar substudy. Menopause. 2020 Jan;27(1):5-13. doi: 10.1097/GME.0000000000001420. PMID: 31567864; PMCID: PMC6934911.
  5. Baker FC. Optimizing sleep across the menopausal transition. Climacteric. 2023 Jun;26(3):198-205. doi: 10.1080/13697137.2023.2173569. Epub 2023 Apr 3. PMID: 37011660; PMCID: PMC10416747.
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