Melatonina e coração na menopausa: risco ou proteção?

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Imagem artística ilustrando a relação entre melatonina e coração.

Nos últimos dias, manchetes sobre melatonina e coração chamaram a atenção de muitas mulheres. Um grande estudo observacional associou o uso prolongado de melatonina a um aumento no risco de insuficiência cardíaca, hospitalizações e morte por causas cardiovasculares. Para quem já usava o hormônio do sono para lidar com insônia na menopausa, a sensação foi de susto imediato.

Antes de concluir que a melatonina “faz mal para o coração”, é importante olhar o quadro completo. Existem dezenas de estudos mostrando efeitos protetores da melatonina sobre o sistema cardiovascular, ao mesmo tempo em que o estudo recente levanta dúvidas sobre o uso crônico, sem acompanhamento, em pessoas já vulneráveis. Este artigo vai ajudar você a entender onde estamos nessa discussão – especialmente se está vivendo a menopausa ou o climatério.

O que é melatonina e por que ela importa na menopausa

Como a melatonina age no corpo e no coração

A melatonina é um hormônio produzido principalmente pela glândula pineal, no cérebro, com secreção que aumenta à noite em resposta à escuridão. Ela atua como um sinal do relógio biológico, ajudando a regular o ciclo sono–vigília.

O que muita gente não sabe é que existem receptores de melatonina em vários tecidos – incluindo coração e vasos sanguíneos. Entre os principais efeitos descritos em estudos experimentais e clínicos estão:

  • Ação antioxidante, ajudando a neutralizar radicais livres que danificam células cardíacas e vasculares
  • Efeito anti-inflamatório, reduzindo processos inflamatórios crônicos envolvidos em doenças cardiovasculares
  • Proteção mitocondrial, favorecendo a produção de energia nas células do coração
  • Modulação da pressão arterial, especialmente no período noturno

Em outras palavras, há uma base biológica plausível para conectar melatonina e coração além do papel no sono.

Melatonina, envelhecimento e menopausa

Com o envelhecimento, a produção natural de melatonina tende a cair. Em muitas mulheres, essa queda coincide com a transição menopausal, somando-se às oscilações de estrogênio e progesterona.

Na prática, isso pode significar:

  • Mais dificuldade para pegar no sono e para mantê-lo ao longo da noite
  • Despertares noturnos associados a ondas de calor
  • Piora de sintomas de ansiedade, irritabilidade e alterações de humor

Sono ruim, por sua vez, está diretamente ligado a maior risco de hipertensão, ganho de peso, resistência à insulina e inflamação – todos fatores que afetam o coração. Por isso, quando falamos em melatonina e coração na menopausa, não estamos apenas discutindo um hormônio isolado, mas um conjunto de efeitos em cascata sobre todo o organismo.

Melatonina e coração: o que os estudos mostravam até agora

Evidências de proteção: melatonina e coração em diferentes contextos

Antes da polêmica recente, a maior parte dos estudos sobre melatonina e coração apontava para um possível papel protetor, especialmente em situações de maior estresse cardíaco, como:

  • Isquemia e reperfusão (por exemplo, durante um infarto ou cirurgias cardíacas)
  • Procedimentos de revascularização (como angioplastia e cirurgia de ponte de safena)
  • Cardiotoxicidade induzida por alguns quimioterápicos

Nesses cenários, doses controladas de melatonina administradas em ambiente hospitalar foram associadas aos seguintes benefícios:

  • Menor área de dano no músculo cardíaco
  • Melhora de marcadores de função do coração
  • Redução de marcadores inflamatórios e de estresse oxidativo

Embora sejam contextos diferentes do uso doméstico para insônia, esses dados mostram que a relação entre melatonina e sistema cardiovascular é complexa – e nem de longe se resume a “faz mal”.

Melatonina, pressão arterial e insuficiência cardíaca

Alguns estudos com pessoas hipertensas observaram que a administração noturna de melatonina de liberação controlada pode ajudar a:

  • Reduzir discretamente a pressão arterial noturna
  • Restaurar o padrão saudável de queda da pressão durante o sono (perfil “dipper”)

Há ainda pesquisas em pacientes com insuficiência cardíaca, sugerindo melhora de sintomas e de indicadores laboratoriais quando a melatonina é usada como terapia adjuvante, sempre sob supervisão médica.

É importante reforçar: isso não significa que a melatonina substitua medicamentos para pressão ou remédios específicos para insuficiência cardíaca. Ela aparece como um possível coadjuvante em protocolos bem definidos.

Doses e formas de uso estudadas

Nos estudos clínicos, as doses de melatonina variam bastante conforme o objetivo:

  • Para sono e ajuste do ritmo circadiano: em geral entre 1 mg e 5 mg, à noite
  • Em protocolos cardiológicos específicos (por exemplo, ao redor de cirurgias): doses maiores, sempre em ambiente controlado

Esses dados são importantes porque nem sempre o que é visto em hospital, com monitorização rigorosa, pode ser extrapolado diretamente para o uso diário, por conta própria, por meses ou anos.

Melatonina e coração: o que o novo estudo sobre insuficiência cardíaca mostra

Quem participou do estudo e quais foram os resultados

O estudo que ganhou espaço na mídia avaliou adultos com insônia que faziam uso de melatonina por tempo prolongado, comparando-os com pessoas com insônia que não usavam o hormônio. Entre os achados, houve uma associação entre uso contínuo de melatonina (por mais de 12 meses) e:

  • Maior risco de desenvolver insuficiência cardíaca
  • Mais hospitalizações por causas cardiovasculares
  • Aumento de mortalidade por doenças do coração

Essa associação, especialmente em pessoas com idade média em torno dos 55 anos, acendeu um alerta importante sobre o uso prolongado de melatonina em populações já fragilizadas.

Limitações importantes e perguntas em aberto

Apesar de impactante, o estudo apresenta limitações que precisam ser consideradas antes de concluirmos que a melatonina “causa” insuficiência cardíaca:

  • Trata-se de um estudo observacional, que mostra associações, não causa e efeito
  • As pessoas avaliadas já tinham insônia crônica – e a própria insônia é fator de risco cardiovascular
  • Não havia detalhes sobre as doses exatas de melatonina utilizadas
  • Muitas participantes tinham outras condições, como hipertensão, diabetes, depressão ou uso de múltiplos medicamentos

Isso significa que outros fatores podem ter contribuído para o risco aumentado observado, e que ainda existem muitas perguntas em aberto.

Como conciliar o estudo com o restante das evidências

Quando juntamos esse estudo às pesquisas anteriores, o quadro que se desenha é o de uma relação complexa entre melatonina e coração:

  • De um lado, estudos experimentais e clínicos sugerem efeitos protetores, especialmente em situações agudas e com doses controladas
  • De outro, o uso prolongado e sem supervisão, em pessoas com múltiplos fatores de risco, pode estar associado a piores desfechos

Em vez de sinal vermelho total, o que esse conjunto de dados sugere é um sinal amarelo: a melatonina não deve ser demonizada, mas também não deve ser vista como suplemento totalmente inofensivo para uso contínuo por anos, sem avaliação médica.

Doses permitidas no Brasil: por que o limite é considerado seguro?

No Brasil, a melatonina é autorizada como suplemento alimentar apenas para pessoas adultas e em doses baixas, com limite diário de 0,21 mg por dia. Esse valor foi definido a partir de uma avaliação toxicológica conservadora, com base em estudos de segurança em humanos e em animais.

De forma simplificada, a agência reguladora parte de uma dose em que não se observam efeitos adversos relevantes e aplica fatores de segurança para chegar a um limite considerado seguro para uso populacional. O resultado é uma dose diária abaixo dos níveis em que surgem problemas em estudos experimentais.

Na prática, isso significa que, dentro desse limite e em pessoas saudáveis, a melatonina tende a apresentar baixo risco de eventos adversos graves. Os efeitos colaterais relatados nessa faixa de dose costumam ser leves e reversíveis, como sonolência, dor de cabeça ou desconforto gastrointestinal.

Sleepy: como um suplemento com melatonina entra na conversa sobre melatonina e coração

O Sleepy é o suplemento da Kefi formulado para apoiar a qualidade do sono de mulheres adultas, em especial no climatério e na menopausa. Ele contém melatonina dentro da faixa permitida pela regulamentação brasileira para suplementos alimentares, respeitando os limites de segurança definidos a partir de estudos toxicológicos.

Na prática, isso significa que o Sleepy se insere no cenário de melatonina e coração como uma opção de suporte ao sono em doses baixas, pensada para uso sob orientação profissional e integrada a outras estratégias de cuidado, como higiene do sono, atividade física e manejo do estresse.

É importante lembrar que o Sleepy não é medicamento, não substitui remédios prescritos para doenças cardíacas, para insônia ou para qualquer outra condição médica, e não dispensa a avaliação individualizada com profissionais de saúde. O foco continua sendo o cuidado global da mulher: sono melhor, rotina mais equilibrada e decisões informadas sobre o uso de melatonina na menopausa.

Melatonina na menopausa: sono, sintomas e impacto indireto no coração

Sono, fogachos e saúde emocional

Na menopausa, o sono passa a ser um dos grandes pontos de tensão. Muitas mulheres relatam:

  • Dificuldade para adormecer
  • Acordar várias vezes à noite
  • Sudorese noturna e ondas de calor que interrompem o descanso
  • Agravamento de ansiedade, irritabilidade e sensação de “mente acelerada”

Estudos com mulheres no climatério mostram que a suplementação de melatonina, em doses baixas a moderadas, pode contribuir para:

  • Diminuir o tempo para pegar no sono
  • Reduzir despertares noturnos
  • Melhorar a qualidade subjetiva do sono
  • Atenuar sintomas de humor, como ansiedade e depressão

Dormir melhor não é um luxo: é um fator de proteção para o cérebro, para o metabolismo e para o coração.

Peso, metabolismo e saúde óssea

A queda de estrogênio na menopausa está associada a ganho de peso, aumento de gordura abdominal, alterações de colesterol, resistência à insulina e perda de massa óssea – todos elementos que se conectam ao risco cardiovascular.

Algumas pesquisas sugerem que a melatonina pode:

  • Ajudar a modular o peso corporal e a distribuição de gordura
  • Influenciar positivamente o metabolismo da glicose
  • Ter efeito benéfico sobre a densidade mineral óssea

Isso não transforma a melatonina em “pílula emagrecedora” ou substituto de exercício físico e alimentação equilibrada. Mas reforça que, ao cuidar do sono e de processos metabólicos, esse hormônio pode impactar indiretamente a saúde do coração.

O que isso significa para melatonina e coração na menopausa

Quando olhamos para melatonina e coração na menopausa, precisamos integrar vários pontos:

  • Melatonina pode melhorar sono, humor e qualidade de vida
  • Sono melhor tende a reduzir pressão, inflamação e estresse crônico
  • Melhor controle de peso e metabolismo também protege o sistema cardiovascular

Ao mesmo tempo, o estudo recente lembra que, para mulheres com risco cardíaco aumentado, especialmente em uso prolongado de melatonina, é prudente conversar com o cardiologista e a ginecologista antes de seguir com o uso contínuo.

Melatonina e coração na prática: quando ter cautela e quando conversar sobre uso

Uso pontual x uso prolongado de melatonina

Uma questão central na discussão sobre melatonina e coração é a diferença entre:

  • Uso pontual ou por períodos limitados, como apoio em fases de maior desorganização do sono
  • Uso diário, por muitos meses ou anos, sem reavaliação

Em geral, os riscos parecem estar mais concentrados no segundo cenário – especialmente em pessoas com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e histórico familiar de doença cardíaca.

Quem precisa de avaliação individualizada

Devem ter atenção redobrada e discutir melatonina com equipe de saúde (ginecologista, cardiologista, médica da família):

  • Mulheres que já têm insuficiência cardíaca ou histórico de infarto
  • Quem usa diversos medicamentos cardiovasculares (como beta-bloqueadores, anti-hipertensivos, anticoagulantes)
  • Pessoas com insônia crônica há muitos anos, associada a ansiedade ou depressão importantes
  • Mulheres com múltiplos fatores de risco: pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, tabagismo

Nesses casos, a decisão sobre usar ou não melatonina – por quanto tempo, em que dose e em que formato – precisa ser individualizada.

Perguntas para levar à consulta

Se você já usa melatonina ou está pensando em começar, algumas perguntas podem ajudar no diálogo com sua médica ou médico:

  • No meu caso específico, a melatonina é realmente indicada?
  • Há outras abordagens para sono (higiene do sono, terapia cognitivo-comportamental para insônia, ajustes de rotina) que devo tentar primeiro?
  • Qual dose e horário fazem mais sentido para mim?
  • Por quanto tempo devo usar melatonina antes de reavaliarmos?
  • Considerando meu histórico e meus exames, há algum risco adicional para meu coração?

Levar essas questões anotadas ajuda a transformar a consulta em um espaço de decisão compartilhada – sem medo, sem culpa e sem automedicação.

Além da melatonina: outros cuidados para proteger o coração na menopausa

Mesmo em um artigo sobre melatonina e coração, é importante lembrar que a saúde cardiovascular não depende de um único hormônio ou suplemento. Alguns pilares com forte evidência científica são:

  • Alimentação balanceada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras de boa qualidade
  • Atividade física regular, combinando exercícios aeróbicos e de força
  • Não fumar e evitar exposição passiva ao cigarro
  • Monitorar e tratar pressão alta, colesterol, glicemia e doenças da tireoide
  • Manejo do estresse com estratégias que façam sentido para você (terapia, meditação, grupos de apoio, espiritualidade, hobbies)

Além disso, em algumas mulheres, a terapia de reposição hormonal (TRH) pode ser uma aliada quando bem indicada, especialmente se iniciada em janelas de oportunidade próximas ao início da menopausa. A avaliação, porém, deve ser sempre individualizada.

Ouça também

Para se aprofundar ainda mais na relação entre menopausa, fatores de risco e saúde do coração, vale ouvir o episódio PodKefi 23 | Saúde cardiovascular da mulher na menopausa. Nele, a Dra. Andressa recebe a médica geriatra e especialista em Estilo de Vida Dra. Kamilla Medeiros para uma conversa clara sobre por que o risco cardíaco aumenta após a menopausa, quais sintomas merecem atenção e o que realmente faz diferença na prevenção.

Leia também

Melatonina e coração na menopausa: sinal vermelho ou amarelo?

A melatonina não é vilã nem solução mágica. O que os estudos mostram até agora é um cenário de nuances:

  • Há diversas evidências de que a melatonina pode proteger o coração em determinados contextos, reduzir inflamação e estresse oxidativo, melhorar sono e metabolismo
  • Há também sinais de alerta em relação ao uso prolongado, sem acompanhamento, especialmente em pessoas com insônia crônica e fatores de risco cardiovascular

Para mulheres na menopausa, o recado principal é: informação e acompanhamento valem mais do que medo. Se você usa ou pensa em usar melatonina, converse abertamente com seus profissionais de saúde, compartilhe seus sintomas, histórico familiar e preocupações, e participe ativamente das decisões.

Cuidar do sono, da saúde emocional, do peso, da pressão e do colesterol continua sendo a base da proteção do seu coração. A melatonina, quando bem indicada e acompanhada, pode ser uma peça a mais nesse quebra-cabeça – nunca a única.

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Referências científicas

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  4. Yi M, Wang S, Fang X, et al. Effects of exogenous melatonin on sleep quality and menopausal symptoms in menopausal women: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Menopause. 2021;28(6):717–725.
  5. Bellipanni G, Bianchi P, Pierpaoli W, et al. Effects of melatonin in perimenopausal and menopausal women: a randomized and placebo-controlled study. Exp Gerontol. 2001;36(2):297–310.
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