Março Lilás é a campanha que nos convida a lembrar de algo essencial: a prevenção ginecológica não deve entrar em pausa em nenhuma fase da vida.
Para a mulher 40+, especialmente durante a perimenopausa e na pós-menopausa, essa conversa se torna ainda mais relevante. Nesse período, é comum que sintomas como ondas de calor, alterações no sono, ressecamento vaginal, mudanças de humor ou queda da libido ocupem grande parte da atenção. E, muitas vezes, o acompanhamento preventivo acaba ficando em segundo plano.
Mas saúde feminina não acontece em episódios isolados. Ela acontece ao longo de uma jornada.
O Março Lilás traz esse cuidado de volta para o centro da conversa com uma mensagem simples e necessária: climatério e prevenção não competem entre si. Eles precisam caminhar juntos.
Se você está na peri ou na pós-menopausa e deseja organizar seu preventivo, revisar sua rotina de acompanhamento e esclarecer dúvidas sobre sua saúde íntima, clique aqui e agende uma consulta.
O que é Março Lilás e o que ele representa
O Março Lilás é uma campanha de conscientização voltada à prevenção do câncer do colo do útero. Seu objetivo é ampliar o acesso à informação, reforçar a importância da prevenção, orientar sobre sintomas e lembrar que o rastreamento e o tratamento oportuno fazem toda a diferença.
Na prática, o recado é claro: o câncer do colo do útero é, em grande parte, uma doença evitável quando existe vacinação, rastreamento adequado e cuidado no momento certo.
Ou seja, não se trata de gerar medo. Trata-se de promover clareza, continuidade no cuidado, e de não adiar aquilo que precisa ser acompanhado.
Leia tambérm: Ginecologia integrativa: cuidado além do “exame anual”
O que é o HPV
O HPV, sigla para papilomavírus humano, é um vírus que infecta a pele e as mucosas, principalmente por meio do contato sexual. Existem muitos tipos diferentes de HPV. Na maioria dos casos, o próprio organismo consegue controlar essa infecção espontaneamente.
No entanto, alguns tipos considerados de alto risco podem persistir ao longo do tempo e se associar ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, além de outros tipos de câncer.
Por isso, quando falamos em HPV, não estamos falando apenas de uma infecção viral.
Estamos falando de prevenção em diferentes camadas: vacinação, rastreamento, informação e acompanhamento médico.
Qual é o objetivo do Março Lilás
O objetivo do Março Lilás não é alarmar as mulheres. É ajudá-las a compreender que:
- o HPV é o principal fator associado ao câncer do colo do útero;
- a infecção persistente pode levar a alterações celulares ao longo dos anos;
- o rastreamento permite identificar lesões antes que evoluam;
- sintomas persistentes não devem ser negligenciados;
- prevenção também envolve consulta médica, escuta e continuidade do cuidado.
Para a mulher 40+, esse objetivo ganha um significado ainda mais prático. Isso porque essa é uma fase em que diversas mudanças hormonais começam a acontecer — e muitas vezes tudo acaba sendo atribuído ao climatério.
Mas nem tudo é “só hormônio”.
E isso precisa ser investigado com atenção.
Março Lilás na peri e pós-menopausa
Durante a perimenopausa, o ciclo menstrual pode se tornar irregular e o corpo passa por mudanças naturais de ritmo. Isso faz parte da fisiologia. No entanto, justamente por isso, alguns sinais precisam ser observados com mais cuidado.
Sangramento fora do padrão habitual, sangramento após a relação sexual, corrimento persistente ou dor pélvica não devem ser automaticamente classificados como “coisa da idade” ou apenas mudanças hormonais. Esses sintomas merecem avaliação médica.
Lesões precursoras e fases iniciais do câncer do colo do útero muitas vezes não apresentam sintomas. E é exatamente por isso que o rastreamento continua sendo tão importante.
Na pós-menopausa, o raciocínio é semelhante. O fato de não menstruar mais não significa automaticamente sair da rotina de rastreamento. O acompanhamento continua sendo parte fundamental do cuidado, sempre considerando a faixa etária, o histórico clínico e os resultados anteriores dos exames.
Prevenir não é exagero.
É acompanhar.
Como prevenir na prática
Março Lilás e vacinação contra HPV
A vacinação contra o HPV é uma das estratégias mais importantes de prevenção. No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, além de alguns grupos específicos.
Mesmo para a mulher 40+, esse tema continua sendo relevante. Muitas vezes não diretamente para si, mas dentro da família e da comunidade.
A campanha também nos lembra da importância de orientar filhos, filhas e adolescentes próximos sobre vacinação e prevenção.
Isso também é cuidado.
Também é saúde feminina ampliada.
Março Lilás e rastreamento ginecológico
No Brasil, o rastreamento deve ser realizado em mulheres e pessoas com útero entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual.
O país está gradualmente migrando para o teste molecular de DNA-HPV como exame primário de rastreamento. Ainda assim, o Papanicolau continua sendo uma estratégia segura e eficaz nos locais onde o novo exame ainda não está disponível.
Mas o ponto mais importante é outro: não esperar o cenário perfeito para se cuidar.
Não espere o exame ideal.
Ter sintomas.
Ou “sobrar tempo”.
O cuidado funciona melhor quando existe continuidade. Quando o exame é feito, o resultado é acompanhado e a consulta deixa de ser apenas um evento isolado.
Março Lilás e atenção aos sinais de alerta
Nem todo sintoma ginecológico significa câncer. Mas alguns sinais não devem ser negligenciados.
Merecem avaliação:
- sangramento fora do padrão habitual;
- sangramento após a relação sexual;
- corrimento persistente;
- dor pélvica;
- sintomas ginecológicos que se repetem ou não melhoram.
O ponto central do Março Lilás é justamente esse: observar, investigar e não adiar.
Porque muitas vezes o exame pode até parecer normal em determinado momento da vida.
Mas a mulher não está bem e isso também precisa fazer parte da consulta.
Se você está com sintomas íntimos, desconforto nas relações, sangramentos fora do padrão ou dúvidas sobre preventivo e rastreamento, clique aqui e agende uma consulta agora mesmo.
Leia também: Ressecamento vaginal na menopausa

O que a mulher 40+ pode levar desta campanha
O Março Lilás não fala apenas sobre uma doença. Ele fala sobre rotina de cuidado.
Para quem está na perimenopausa ou na pós-menopausa, isso significa:
- manter consultas em dia;
- entender qual exame está sendo feito e por quê;
- acompanhar os resultados;
- falar sobre sintomas íntimos sem vergonha;
- não abandonar a prevenção porque a vida ficou corrida.
Também é um bom momento para revisar algumas crenças antigas:
Mulher vacinada ainda precisa de rastreamento dentro da faixa etária indicada.
Mulher sem sintomas não está automaticamente dispensada do preventivo.
E mulher 40+ não deve naturalizar todo sinal ginecológico como “coisa da idade”.
Nem tudo é urgência.
Mas muita coisa não deve esperar.
FAQ sobre Março Lilás
Março Lilás é só para quem já entrou na menopausa?
Não. O Março Lilás é uma campanha de saúde pública voltada à prevenção do câncer do colo do útero em todas as fases da vida. No entanto, para a mulher 40+, ele tem um significado especial porque coincide com um período de mudanças hormonais e reorganização da rotina — momento em que o cuidado preventivo muitas vezes acaba sendo adiado.
Mulher vacinada contra HPV ainda precisa fazer preventivo?
Sim. A vacinação é fundamental, mas não substitui o rastreamento. Mesmo vacinada, a mulher deve seguir as recomendações de acompanhamento de acordo com sua faixa etária.
Papanicolau e teste de HPV são a mesma coisa?
Não. O Brasil está adotando progressivamente o teste molecular para detecção do DNA do HPV como exame primário de rastreamento. Ainda assim, o Papanicolau continua sendo uma estratégia segura e eficaz nos locais onde o novo exame ainda não está disponível.
Quais sinais merecem avaliação sem esperar a próxima consulta de rotina?
Sangramento fora do padrão, sangramento após a relação sexual, corrimento persistente, dor pélvica e sintomas ginecológicos que não melhoram devem ser avaliados. Lesões precursoras podem ser silenciosas, por isso o rastreamento continua sendo essencial mesmo quando não há sintomas.
Leia também: Sintomas da menopausa
Conclusão
O Março Lilás fala sobre prevenção. Mas, para mim, ele fala também sobre presença.
Presença no próprio corpo.
Na própria rotina de cuidado.
Durante a decisão de não deixar a saúde íntima em último lugar.
Para a mulher 40+, esse é um lembrete importante: a perimenopausa e a pós-menopausa trazem mudanças reais, mas elas não anulam a necessidade de prevenção. Pelo contrário — pedem ainda mais critério, acompanhamento e escuta.
Cuidar da saúde feminina de verdade é olhar para o todo.
É entender sintomas.
Rastrear quando necessário.
E acompanhar ao longo do tempo.
Como toda mulher merece.
Se você quer revisar seus exames, entender seu momento hormonal e cuidar da sua saúde íntima com orientação confiável, agende sua consulta agora mesmo.
Quer continuar aprendendo com informação confiável e acolhedora? Assine gratuitamente a newsletter do Blog da Menopausa e receba conteúdos sobre prevenção, sintomas, autocuidado e saúde da mulher 40+.
Referências
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção precoce do câncer do colo do útero.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Conceito e magnitude do câncer do colo do útero.
- Ministério da Saúde. HPV.
- Organização Mundial da Saúde (WHO). Human papillomavirus and cancer.
- Governo Federal. Março Lilás e prevenção do câncer do colo do útero.







