Mulher, deixa eu te dizer algo que eu repito muito no consultório: endometriose não é “coisa de adolescente” e não é “frescura”. E mais: endometriose na menopausa pode acontecer — seja porque a doença persistiu por anos, seja porque só foi reconhecida mais tarde, quando os sintomas já estavam impactando sua vida.
Se você está na faixa dos 40, 50, 60+ e convive com dores pélvicas, desconfortos intestinais ou dor na relação sexual, respira: não é drama e não é normal “ter que aguentar”. Tem investigação, tem cuidado e qualidade de vida é possível.
Se você sente dor na relação, dor pélvica ou alterações intestinais/urinárias, agende uma consulta para investigarmos com calma e método.
Por que a endometriose não tem idade?
Por muito tempo, endometriose foi vista como um problema exclusivamente “da fase reprodutiva”. Hoje, a literatura já descreve que endometriose na menopausa pode afetar uma parcela pequena, mas real, das mulheres, e que pode envolver ovários, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve.
E um ponto importante: a dor pode começar depois da menopausa, o que faz com que muita mulher demore para associar os sintomas a endometriose.
Isso muda tudo, porque nos ajuda a parar de atribuir automaticamente qualquer dor aos “hormônios”, ao “estresse” ou ao “envelhecimento”.
Sintomas que não devem ser normalizados durante a endometriose:
A endometriose não causa apenas cólica forte. Na mulher madura, ela pode aparecer com sintomas que confundem (e por isso atrasam diagnóstico). Entre os sinais mais comuns:
- Dor na relação sexual (principalmente profunda)
- Dor pélvica ou abdominal persistente
- Inchaço abdominal e sensação de “barriga estufada”
- Desconforto após se alimentar
- Alterações intestinais (diarreia, constipação, dor ao evacuar)
- Sintomas urinários (dor, urgência, ardor, desconforto)
- Sangramentos anormais (dependendo do caso e do contexto)
Se você se reconheceu aqui: não precisa se entender sozinha. Um bom primeiro passo é organizar sua história e definir o melhor caminho de investigação.
Endometriose na menopausa: um jeito simples de “se orientar” pelos sintomas
| O que você sente | Pode parecer “normal”, mas não é | Próximo passo |
| Dor na relação | “Ressecamento da menopausa” apenas | Avaliar atrofia, inflamação, endometriose e outras causas |
| Inchaço + dor após comer | “Gases” / “intestino irritável” | Investigar intestino + pelve (imagem, histórico, exame) |
| Dor ao evacuar/urinar | “Infecção” recorrente | Avaliar bexiga/intestino e mapeamento pélvico |
| Dor pélvica crônica | “Coluna”, “idade”, “ansiedade” | Olhar global: pelve, aderências, assoalho pélvico, imagem |
Por que a endometriose pode persistir (ou reativar) na menopausa?
Mesmo com a queda dos hormônios ovarianos, ainda existe produção de estrogênio fora dos ovários (como no tecido adiposo) e também produção local no próprio tecido endometriótico, o que pode manter inflamação e dor.
Além disso, alguns fatores merecem atenção na mulher madura:
- História antiga de sintomas nunca bem investigados
- Cirurgias prévias com aderências pélvicas
- Uso de terapia hormonal da menopausa (THM) em alguns cenários (não é proibido “de cara”, mas precisa de critério)
- Perimenopausa (45–49 anos) como fase em que a vigilância deve ser ainda mais cuidadosa, especialmente diante de cistos ovarianos/endometriomas
E tem outro ponto importante para a vida toda: algumas mulheres com endometriose passam por intervenções cirúrgicas mais precoces, o que pode antecipar a menopausa — e isso exige um olhar amplo para saúde óssea e cardiovascular.
Se você está na perimenopausa e apareceu cisto no ovário, ou se sua dor voltou/piorou, marque uma consulta para avaliarmos com segurança.
Endometriose: como é o diagnóstico
Eu gosto de pensar em diagnóstico como um passo a passo — claro e humano:
- Escuta da sua história
- Quando começou?
- O que piora/melhora?
- Como isso afeta sono, humor, trabalho e vida sexual?
- Exame ginecológico com delicadeza
- Nem sempre dói, nem sempre “aparece” no exame — e tudo bem.
- Exames de imagem quando indicados
- Em mulheres na peri e pós-menopausa, qualquer nova estrutura suspeita precisa ser avaliada com cuidado.
- Avaliar sinais de alerta e diagnósticos diferenciais
- Porque nem toda dor é endometriose — mas toda dor merece explicação.
Se você sente que “já investigou de tudo” e ninguém amarra as peças, vale uma consulta focada, com tempo de escuta e estratégia.
Endometriose na menopausa: riscos e por que a gente leva a sério
A grande maioria das mulheres melhora após a menopausa — mas existe risco de recorrência e, raramente, de transformação maligna em lesões endometrióticas.
Por isso eu reforço: dor persistente + massa/cisto novo + sangramento anormal não é para “ir empurrando”.
Tratamento e qualidade de vida da endometriose na menopausa
Aqui vai a parte mais importante: existe tratamento, e o objetivo é um só — você voltar a viver com conforto e autonomia.
Cirurgia (quando indicada)
Em casos sintomáticos, especialmente quando há endometrioma e necessidade de excluir malignidade, a cirurgia pode ser a abordagem principal (diagnóstica e terapêutica).
Tratamento medicamentoso
Podem ser consideradas opções para controle de sintomas em situações selecionadas, como terapias com progestagênios (incluindo sistemas intrauterinos em alguns contextos), além de outras estratégias individualizadas.
Em casos específicos, algumas medicações podem ser discutidas, mas sempre com avaliação cuidadosa de riscos e benefícios (inclusive efeitos em densidade mineral óssea na mulher pós-menopausa).
Cuidado da dor “de verdade” (não só analgésico)
Endometriose é dor + inflamação + sensibilização do sistema nervoso. Por isso, quando eu monto plano, penso também em:
- Fisioterapia pélvica / assoalho pélvico
- Reabilitação e condicionamento físico possível
- Saúde emocional e suporte psicológico
Você não precisa normalizar desconfortos íntimos. Cuidar de você é autocuidado — não é luxo.
Endometriose na menopausa e terapia hormonal: dá para usar?
Essa é uma dúvida muito comum — e a resposta é: às vezes sim, mas com estratégia e decisão compartilhada.
- Em mulheres com história de endometriose e sintomas importantes de menopausa, nem sempre a THM é automaticamente contraindicada.
- Quando indicada, costuma-se preferir esquemas que reduzam risco de reativação, com acompanhamento.
- A escolha do tipo, dose e via depende da sua história, do seu exame e dos seus objetivos.
Se você já usa THM e começou a sentir dor pélvica, inchaço ou dor na relação, não pare por conta própria — mas ajuste com orientação.
Endometriose na menopausa: quando procurar atendimento sem esperar
Procure avaliação com prioridade se houver:
- Sangramento vaginal após a menopausa
- Sangue na urina ou no intestino
- Dor pélvica progressiva e intensa
- Massa/cisto novo visto em ultrassom
- Perda de peso inexplicada, anemia, sintomas sistêmicos
Esses sinais não significam “algo grave” automaticamente — mas exigem investigação organizada.
Este é um convite para você
Mulher, eu quero que você guarde isso: endometriose na menopausa existe, endometriose não tem idade — e você não precisa conviver com dor.
Se algo aí dentro te disse “é isso”, escuta. Vamos conversar com carinho sobre o que faz sentido para você: investigar com método, tratar com segurança e colocar sua qualidade de vida como prioridade.
Se você quer uma avaliação acolhedora e completa, agende sua consulta. A gente organiza sua história, seus exames e seu plano de cuidado.
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Sobre a autora
Dra. Ana Luiza Bettega — médica focada em saúde da mulher, com atuação em anticoncepção, cuidados íntimos, rotina ginecológica e acompanhamento em diferentes fases da vida. Participa de iniciativas de educação em saúde e desenvolve projetos voltados à menopausa, aproximando informação médica de qualidade do dia a dia da mulher.







