Cansaço na menopausa: causas e como recuperar a energia

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Mulher de meia-idade debruçada sobre a mesa do escritório, ao lado de um notebook, com postura exausta, representando o cansaço na menopausa no dia a dia de trabalho.

Sentir cansaço na menopausa não é “frescura” nem falta de força de vontade. Muitas mulheres relatam uma exaustão diferente, que não passa nem com fim de semana de descanso. Se você sente que a “pilha” vive fraca, mesmo tentando fazer tudo certo, este guia é para você.

Aqui, vamos explicar por que o corpo muda tanto nessa fase, quais são as principais causas do cansaço na menopausa e o que, na prática, você pode fazer para recuperar sua energia com cuidado e gentileza consigo mesma.

O que é o cansaço na menopausa e por que ele é diferente

O cansaço na menopausa costuma ser mais do que um simples “estar cansada” depois de um dia puxado. Muitas mulheres descrevem uma mistura de:

  • Fadiga física (corpo pesado, falta de força)
  • Fadiga mental (dificuldade de foco, “cabeça lenta”)
  • Desânimo (“não tenho energia nem para as coisas que eu gosto”)

A grande diferença é que esse cansaço muitas vezes não melhora completamente com descanso. Ele está ligado a uma série de mudanças hormonais, metabólicas, emocionais e de sono que acontecem no climatério e na menopausa.

Saber disso ajuda a tirar o peso da culpa: não é falta de vontade, é um corpo em transição.

Cansaço na menopausa: principais causas físicas e emocionais

O cansaço na menopausa é multifatorial. Em geral, não existe um único culpado, mas um conjunto de fatores se somando. Vamos destrinchar os principais.

Queda do estrogênio: quando a “usina de energia” desacelera

O estrogênio atua em vários pontos do corpo, inclusive nas mitocôndrias, que são as “usinas de energia” das células. Com a queda desse hormônio:

  • A produção de energia diminui
  • O metabolismo desacelera
  • O corpo pode parecer mais pesado e lento

Isso se traduz em mais fadiga ao longo do dia, mesmo sem grandes mudanças na rotina.

Progesterona, testosterona e a sensação de vitalidade

Outros hormônios também entram na conta:

  • Progesterona ajuda na sensação de calma e na qualidade do sono. Quando cai, aumenta a tendência à ansiedade e à insônia.
  • Testosterona, mesmo em quantidades menores nas mulheres, está ligada à sensação de força, motivação e desejo de fazer coisas.

A soma da queda desses hormônios pode deixar você com a sensação de “zero gasolina” para a vida cotidiana.

Cérebro, neurotransmissores e fadiga mental

O estrogênio conversa com neurotransmissores importantes:

  • Serotonina (humor, bem-estar, sono)
  • Dopamina (motivação, prazer, foco)

Quando esses sistemas entram em descompasso, é comum surgir a fadiga mental: dificuldade de concentração, sensação de “névoa” e perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas.

Esse cansaço na menopausa não é só do corpo: é também do cérebro.

Estresse, cortisol e cansaço que não passa

A vida não para porque a menopausa chegou. Pelo contrário, muitas mulheres estão no auge das responsabilidades profissionais, cuidando de filhos, netos e, às vezes, dos próprios pais.

Com isso, o cortisol (hormônio do estresse) pode ficar cronicamente elevado, atrapalhando:

  • O sono
  • A recuperação muscular
  • O equilíbrio do humor

Resultado: acordar cansada, mesmo depois de “dormir a noite inteira”.

Tireoide: sintomas que se confundem com o cansaço na menopausa

Alterações da tireoide são mais comuns a partir dos 40–50 anos e os sintomas se misturam com os da menopausa:

  • Cansaço intenso
  • Ganho de peso
  • Intestino mais lento
  • Queda de cabelo
  • Desânimo

Por isso, em casos de cansaço na menopausa persistente, é essencial pedir ao médico uma avaliação da função tireoidiana. Às vezes, tratar a tireoide muda completamente o cenário da fadiga.

Sono ruim e cansaço na menopausa

Insônia e sono fragmentado são companheiros frequentes da transição menopausal. Alguns motivos:

  • Fogachos e suores noturnos que acordam a mulher várias vezes
  • Maior risco de apneia do sono (roncos altos, pausas na respiração)
  • Ansiedade e pensamentos acelerados à noite

Sem um sono profundo e reparador, o dia seguinte vem com:

  • Irritabilidade
  • Falta de foco
  • Sensação de exaustão desde cedo

Ou seja, o cansaço na menopausa é também consequência direta das noites mal dormidas.

Sangramento intenso, ferro e anemia

Na perimenopausa, muitas mulheres têm ciclos irregulares e sangramentos mais intensos. Isso aumenta o risco de baixa de ferro e anemia, que se manifesta como:

  • Cansaço extremo
  • Falta de ar aos esforços
  • Palidez
  • Tonturas

Se o seu cansaço na menopausa veio junto com menstruações muito mais fortes, vale conversar com a médica sobre a possibilidade de dosar ferro e hemoglobina.

Resistência à insulina, ganho de peso abdominal e queda de energia

A menopausa também aumenta o risco de resistência à insulina, uma alteração em que o corpo precisa de mais insulina para lidar com o açúcar no sangue.

Isso favorece:

  • Ganho de peso, especialmente na região abdominal
  • Oscilações de glicemia (picos e quedas)
  • Sensação de “energia em montanha-russa” ao longo do dia

Aqui, o cansaço na menopausa está muito ligado à alimentação e ao metabolismo.

Inflamação crônica, dores e corpo em alerta

Com a perda do efeito protetor do estrogênio, aumenta a tendência à inflamação crônica de baixo grau. Na prática, isso pode significar:

  • Mais dores articulares e musculares
  • Sensação de corpo pesado
  • Menos disposição para se movimentar

Essa combinação de dor + cansaço na menopausa cria um círculo vicioso: dói, então me mexo menos; me mexo menos, fico ainda mais cansada.

Perda de massa muscular (sarcopenia) e fraqueza

A partir dos 40–50 anos, começamos a perder massa muscular de forma mais acelerada. Se não há estímulo (como musculação ou exercícios de força), essa perda pode ser importante.

Consequências:

  • Menor força para tarefas simples do dia a dia
  • Metabolismo mais lento
  • Maior sensação de fadiga com esforços pequenos

Ou seja: sem músculo, o cansaço na menopausa tende a ficar mais evidente.

Deficiências de vitamina D, magnésio e vitaminas do complexo B

Algumas deficiências nutricionais também se conectam ao cansaço:

  • Vitamina D: importante para músculo, ossos e sistema imune
  • Magnésio: participa da produção de energia e relaxamento muscular
  • Vitaminas do complexo B: essenciais para o metabolismo energético e sistema nervoso

Quando esses nutrientes estão baixos, a fadiga pode se agravar. É algo que vale ser investigado com exames e orientação profissional.

Quando o cansaço na menopausa é sinal de alerta

Nem todo cansaço na menopausa é “esperado”. Procure ajuda médica rapidamente se você notar:

  • Cansaço muito intenso, que não melhora com repouso
  • Falta de ar aos pequenos esforços (subir poucos degraus, por exemplo)
  • Dor no peito, palpitações ou tonturas frequentes
  • Sangramentos vaginais muito intensos ou que duram muitos dias
  • Perda de peso rápida, sem estar em dieta
  • Roncos altos, engasgos noturnos ou pausas na respiração (suspeita de apneia do sono)
  • Tristeza profunda, sensação de vazio, ideias de que “a vida não vale a pena”

Cansaço na menopausa merece cuidado, mas alguns sinais não podem esperar. Nesses casos, o ideal é buscar atendimento com ginecologista, clínico, endocrinologista ou, em situações agudas, um pronto-atendimento.

Como aliviar o cansaço na menopausa no dia a dia

A boa notícia é que existem várias frentes de ação para aliviar o cansaço na menopausa. Algumas exigem acompanhamento médico; outras você pode começar a ajustar já.

Terapia hormonal: quando faz sentido conversar sobre isso

A terapia de reposição hormonal (TRH) pode ser uma opção para algumas mulheres, especialmente:

  • Na perimenopausa e nos primeiros anos de pós-menopausa
  • Na presença de fogachos intensos
  • Com insônia importante
  • Com grande impacto na qualidade de vida

Ao aliviar ondas de calor, melhorar o sono e estabilizar um pouco mais o humor, a TRH pode reduzir indiretamente o cansaço na menopausa.

Mas a decisão é individual. É essencial discutir com o seu médico:

  • Histórico pessoal e familiar de câncer de mama, trombose, AVC e infarto
  • Idade em que a menopausa se instalou
  • Tempo desde a última menstruação

Não existe receita única; existe o que é mais seguro e adequado para você.

Movimento: o exercício como aliado da energia

Quando estamos cansadas, a tendência é querer deitar e evitar qualquer esforço. Mas, paradoxalmente, o movimento é um dos remédios mais poderosos para o cansaço na menopausa.

Boas estratégias:

  • Musculação ou treino de força
    2 a 3 vezes por semana, com orientação profissional, para preservar e ganhar massa muscular.
  • Atividade aeróbica moderada
    Caminhada, dança, bicicleta ou natação, somando pelo menos 150 minutos semanais.
  • Exercícios de corpo e mente
    Yoga, tai chi chuan ou Pilates, que ajudam na flexibilidade, na respiração e na redução do estresse.

O segredo é começar devagar, respeitando o corpo, e progredir aos poucos.

Alimentação para recuperar a energia

Uma alimentação pensada para o cansaço na menopausa foca em:

  • Proteínas em todas as refeições
    (ovos, peixes, frango, leguminosas) para preservar músculo e dar saciedade.
  • Carboidratos de melhor qualidade
    Frutas, tubérculos e grãos integrais para evitar picos de glicose e quedas bruscas de energia.
  • Ferro e vitamina C
    Carnes, feijão, vegetais verde-escuro e frutas cítricas, especialmente em casos de sangramento intenso.
  • Gorduras boas
    Como azeite de oliva, abacate, castanhas e peixes gordurosos (rico em ômega-3).

Se possível, peça apoio de uma nutricionista que conheça bem o tema menopausa.

Rotina de sono: pequenos ajustes, grande impacto

Melhorar o sono é uma das chaves para reduzir o cansaço na menopausa. Algumas mudanças podem ajudar:

  • Tentar manter horários relativamente fixos para dormir e acordar
  • Evitar café, chás com cafeína e bebidas energéticas à noite
  • Diminuir o uso de telas pelo menos 1 hora antes de dormir
  • Ajustar o quarto para ficar mais escuro, silencioso e fresco
  • Usar roupas leves e, se necessário, um ventilador ou climatizador para lidar com fogachos noturnos

Às vezes, só melhorar o sono já muda completamente a sensação de energia durante o dia.

Gestão do estresse e saúde emocional

Viver esse cansaço na menopausa sozinha é muito mais pesado. Vale considerar:

  • Psicoterapia
  • Grupos de apoio
  • Práticas de respiração e meditação
  • Atividades prazerosas (arte, leitura, contato com a natureza)

Cuidar da saúde emocional não é luxo, é parte do tratamento.

Suplementos e cansaço na menopausa: o que a ciência já sabe

Suplementos não substituem alimentação equilibrada, mas podem ter papel complementar no cansaço na menopausa.

Entre os mais estudados:

  • Ferro – quando há anemia ou reservas de ferro baixas
  • Vitamina D – importante para músculos, ossos e imunidade
  • Magnésio – participa da produção de energia e pode ajudar no relaxamento e no sono
  • Vitaminas do complexo B – essenciais no metabolismo energético e na saúde cerebral
  • Ômega-3 – ajuda na modulação da inflamação e na saúde cardiovascular

Em alguns casos, também se avaliam fórmulas que combinam nutrientes ligados à cognição, sono e disposição. Na Kefi, por exemplo, o Balance foi desenvolvido para apoiar memória, foco e disposição ao longo do dia, enquanto o Sleepy combina nutrientes voltados para a qualidade do sono e o relaxamento noturno — dois pontos diretamente ligados ao cansaço na menopausa.

Cansaço na menopausa: como conversar com médico, trabalho e família

Falar sobre cansaço na menopausa não é reclamar: é dar nome a algo que está impactando sua vida.

Com o médico

Leve para a consulta:

  • Uma lista dos sintomas (cansaço, sono, alterações de humor, ganho de peso, dor)
  • Quando começaram
  • O quanto atrapalham seu dia a dia (trabalho, vida sexual, lazer)

Isso ajuda o profissional a pensar em exames e tratamentos adequados (hormônios, tireoide, ferro, vitamina D, glicemia e outros).

No trabalho

Nem sempre é fácil falar sobre menopausa no ambiente profissional. Algumas sugestões:

  • Explicar, se se sentir confortável, que está em uma fase de transição hormonal que impacta energia e sono
  • Sugerir ajustes temporários, se possível (horário um pouco mais flexível, pausas curtas ao longo do dia)
  • Deixar claro que você está buscando tratamento e que o objetivo é seguir produtiva, mas com saúde

A menopausa é uma fase da vida, não o fim da sua carreira.

Na família e com pessoas próximas

Compartilhar o que está acontecendo pode trazer mais apoio e menos cobrança.

  • Explique que o cansaço na menopausa não é preguiça
  • Combine divisão de tarefas em casa, se possível
  • Peça ajuda prática (mercado, buscar filhos, pequenas demandas) quando necessário

Você não precisa dar conta de tudo sozinha o tempo todo.

Resumo: o que lembrar sobre o cansaço na menopausa

Para fechar, alguns pontos-chave:

  • O cansaço na menopausa é muito comum, mas não é “coisa da sua cabeça”
  • Ele é resultado da soma de fatores: hormônios, sono, tireoide, metabolismo, inflamação, emoções e contexto de vida
  • Há sinais de alerta que exigem avaliação médica mais rápida
  • Há muito o que fazer: repensar sono, alimentação, movimento, saúde emocional e, quando indicado, tratamento hormonal ou outros tratamentos médicos
  • Pedir ajuda é um ato de cuidado, não de fraqueza

Se você se identificou com esse conteúdo, salve para consultar depois e compartilhe com outra mulher que também possa estar enfrentando o cansaço na menopausa em silêncio.

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Referências

  1. Santos A de S, Moreira AB, Souza MLR de. Prevalência e severidade de sintomas em mulheres na menopausa: um estudo descritivo. DEMETRA [Internet]. 29º de abril de 2023 [citado 26º de novembro de 2025];18:e72182.
  2. Hospital Israelita Albert Einstein. Menopausa e climatério: sintomas, causas e tratamentos.
  3. Gontijo ASS et al. The importance of hormone replacement therapy in postmenopausal women. Research, Society and Development. 2024;13(12):e96131247702.
  4. Baldoino FRR et al. Scientific updates on vitamin D, folic acid and magnesium deficiency in depression. Research, Society and Development. 2021;10(2):e12572.
  5. Drauzio Varella. Como a menopausa impacta a saúde mental.
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